Porta 19

CURIOSO. CRÍTICO. PARVO. BARRIGUDO. CARECA. ADEPTO. SÓCIO. PORTISTA.

Baías e Baronis – Manchester City 4 vs 0 FC Porto

Pontapeado por Jorge 22 de Fevereiro de 20127 Comentários

 

foto retirada de maisfutebol.pt

Foi uma espécie de jogo de gato e rato. Adaptando a metáfora, convém dizer que o gato era um tigre daqueles grandalhões, cheios de força e pujança física mesmo depois de acabarem um saboroso repasto, que mantiveram um tipo de rato esfomeado que usava as pequenas unhas para tentar arranhar o potente felino, ficando quase sempre longe de fazer um mínimo arranhão na pele do adversário. O gato…tigre, perdão, deixou o rato lutar, cansar-se, trabalhar como uma lenta cigarra desde o início e enfiou-lhe uma manápula no lombo logo no arranque da brincadeira. Mas o ratito, com mais força que todos os outros ratos com quem habitualmente passa os tempos, olhava de baixo para o tigre e espreitava o melhor sítio para lhe procurar as falhas. Não havia. O tigre deixou-se estar dentro da jaula com a chave na porta, até que se fartou e investiu. Duas. Três. Quatro vezes. E o rato recuou, exausto. Tinha feito o que podia. Não chegou, nunca chegaria. Vamos às notas:

 

(+) Vontade apesar da incapacidade Um golo aos vinte segundos é uma traulitada nas têmporas que ninguém merece. Talvez Otamendi, pela estupidez (já bastante repetida, infelizmente) do passe de ruptura quando os colegas da defesa estão mal colocados, mas o argentino levou o pagamento pela parvoíce na forma de uma patada de um colega. Teve azar, nas duas sitações. Mas ninguém notou que tínhamos sofrido o golo e mesmo com a permissividade do City ao deixar-nos organizar o jogo como queríamos e apesar das situações de golo terem sido poucas e sem grande perigo, a verdade é que pegamos no jogo. Aos trambolhões, com a lentidão que as equipas portuguesas insistem em não querer mudar especialmente quando lutam contra britânicos, mas a bola estava nos nossos pés. E tivéssemos tido alguma sorte no jogo e uma bolinha lá tivesse entrado na baliza do albino titular da Inglaterra e a história podia ter sido diferente. Gostei de James, a recuar para vir buscar a bola. Gostei de Alex Sandro e Varela, a usarem bem o overlap pelo flanco esquerdo. Gostei de Moutinho e Lucho, que rodavam a bola de um lado para o outro à procura de espaços para furar. Gostei de Fernando, a tapar. Gostei de Maicon a aliviar. Gostei, pronto. Deram-me esperança, ténue, mas umas raspas de fé que era tão curta e tão necessária. Não foi esplêndido, não foi brilhante. Mas foi esforçado.

(+) Hulk É muito fácil, cada vez mais fácil culpar Hulk pelos maus resultados. E já houve jogos em que a insistência do brasileiro nos tramou as chances de podermos conseguir golos ou melhores exibições. Mas é penoso ver o rapaz a receber a bola com quarenta oponentes pela frente sem ter nenhum colega para o apoio rápido, nem que seja para lhe retornar a bola quando estiver numa situação impossível de transpôr. Maicon ou qualquer um dos laterais direitos TÊM de aparecer perto dele para que possam receber o esférico quando o rapaz não consegue furar pelas barreiras do adversário e como raramente acontece lá vai o moço como um tolinho a tentar desfazer os defesas. Ora quando os defesas são bons ou têm bom apoio…nada a fazer. Hoje lutou, tentou, rematou…mas não conseguiu melhor. Inúteis também os cruzamentos quase rasteiros para a pequena área quando não havia ninguém para empurrar para a baliza. Pois. Mas a culpa não é dele.

(+) Fernando Pouco mais há a dizer sobre uma nova excelente exibição de Fernando. Acho que posso afirmar com alguma certeza que é a última temporada do rapaz no FC Porto, porque é muito complicado manter no nosso campeonato um dos melhores jogadores do mundo naquela posição. Muito bem.

 

(-) Lentidão e falta de poder de choque Compreendo que Touré, Richards, Kompany e Lescott sejam grandes. Feios. Brutos. Rijos. Altos. Homens, pronto. Não me custa compreender como é que grande parte dos duelos que se travam entre os nossos jogadores e estas montanhas de granito tendam a ser vencidos pelos canastrões. Mas o que me desafia os poucos neurónios é que o mesmo acontece quando está Nasri, Silva, Aguero ou Clichy em vez de qualquer um daqueles nomes de cima. A velocidade de execução é baixa, sabemos disso e até podemos tirar partido disso, transmitindo uma espécie de falsa calma que se pode alternar com bons passes a desmarcar os jogadores mais rápidos do ataque (Hulk, portanto), mas a incapacidade de lutar no um-contra-um é assustadora. Veja-se o exemplo do Braga, com jogadores que têm capacidades físicas sensivelmente iguais às nossas…mas que diabo, os rapazes parecem ser mais lutadores. Conformismo ou fraqueza mental? Deixo-vos decidir.

(-) Ingenuidades Um dos mais invulgares e inesperados happenings é a ingenuidade de alguns jogadores do FC Porto em 2011/2012. Hulk cai demais, Otamendi falha passes parvos, Rolando reclama demais, Varela parece tratar a bola como um paralelo de calçada aos saltos. E o miúdo Alex Sandro, apesar do bom jogo, voltou a exibir algumas inconsistências mentais que não podem acontecer a este nível. Perdemos, é verdade, mas a quantidade de bolas que desperdiçamos com passes inconsequentes, maus domínios de bola e desorganização estrutural é abismal e não se entende.

 

Foi-se. Defender o troféu acabou por ser um gigantesco sonho que foi arrasado por uma excelente equipa inglesa de nome e universal em talento. Não tendo caído de pé mas a cambalear, a chamada à razão de todos os que não acreditavam que seria possível ir a Manchester vencer o jogo acaba por ser a pedra mais pesada do cinismo da realidade que é habitualmente contrariada pelos sonhadores como eu, que se dignam a ver os jogos do FC Porto até ao fim. Mesmo com quatro na pá. É isto, meus amigos, é aguentar os gozos dos moços que apoiam os outros clubes, sorrir e voltar ao combate. E reafirmo o que disse ontem: não me custa perder por quatro. Fiquei com a noção evidente que os rapazes tentaram. Só que não conseguiram o objectivo com um misto de mérito adversário e demérito próprio. Fizeram por isso. Palmas.

Ouve lá ó Mister – Manchester City

Pontapeado por Jorge 22 de Fevereiro de 20124 Comentários


Amigo Vítor,

Não me importo que vás a Manchester contestado, insultado, apedrejado, criticado e molestado. Não me custa nada que entres em campo com onze jogadores prontos para se desfazerem de minuências cerebrais e fardos mentais de pouca confiança. Não me assola a possibilidade de levar no focinho dos locais ao ponto de ficarmos a sangrar e a chorar em campo. Não me preocupa saber que do outro lado está uma das melhores equipas da Europa.

O que me pode pôr chateado é ver o FC Porto a entrar em campo sem ter um fogo nas vistinhas que lhes alimente a esperança, minuto após minuto, de passar a eliminatória. Juro-te, Vitor, pelo que há de mais sagrado na minha vida, que nada do que disse acima me apoquenta se hoje à tarde vir os nossos moços a jogar para ganhar.

Lembra-te do que fizemos nessa mesma cidade aqui há oito anos. É certo que o resultado que levamos do Dragão era substancialmente mais positivo que o que hoje vai aparecer no “aggregate score” esparramado no placard electrónico aos zero minutos de jogo. Mas quero ver aqueles meninos, alguns dos quais aplaudi de pé em Dublin em Maio do ano passado, quero vê-los a jogar para ganhar, mesmo que no fim acabem por perder. Quero-os a desbravar relva, a passar com gosto, a chutar com força e a marcar como homens. Não quero voltar a ver aquela exibição da segunda parte na passada quinta-feira, que foi mais maricas que o Castelo Branco a beber batida de côco de um copo alto por uma palhinha torcida. Quero ver alma, força, bravura, coragem. Quero que ganhes ou percas a puta da paciência se não conseguires.

Este é daqueles jogos que não ficarei triste se sair de lá com 3 ou 4 golos no saco. Desde que joguem para ganhar. Não te exijo mais nada.

Sou quem sabes,
Jorge

 

APOSTAS PARA HOJE NA DHOZE:

retirado de FutebolFinance.com

Com o crescimento do mercado brasileiro explicado neste artigo do FutebolFinance.com podemos ter uma noção mais correcta do porquê de não conseguirmos comprar jogadores com algum nível de estabelecimento no futebol doméstico dos nossos putativos irmãos. Parece-me óbvio, através da simples análise dos valores de entrada de capital para os clubes brasileiros, constatar que um jogador que atinge algum nível de notoriedade no próprio campeonato, somando-se uma eventual chamada à Selecção nas camadas jovens ou mesmo na principal, dificilmente quererá dar o salto quando o estatuto que adquiriu já lhe permite ter uma vida diferente daquela que conseguia aqui há uns anos.

E em relação aos clubes ainda é pior, porque se até bem pouco tempo atrás se conseguiam trazer dois ou três contentores de jogadores razoáveis onde se podia encontrar uma pérola de vez em quando (como os franceses fizeram e continuam a fazer das ex-colónias em África), hoje em dia a realidade é mais complicada. Convencer um clube de topo a ceder um dos seus principais jogadores exige capacidade negocial, conversas absurdamente extensas com agentes e fundos de investimento e acima de tudo dinheiro vivo em cima da mesa.

A solução? Trazê-los jovens. Procurar cada vez mais cedo encontrar uma futura mais-valia (como Kelvin se espera que seja) e apostar na qualidade para evitar gastar uma Torre dos Clérigos de moedas de cada vez que um jogador dá nas vistas. Danilo e Alex Sandro podem ter mostrado que o investimento é seguro mas o retorno pode não ser imediato apesar das suas qualidades terem sido enaltecidas por trinta e quatro mil jornalistas. E quando há uma lesão grave…chora-se o dinheiro que se gastou e espera-se por melhores momentos.

É muito difícil gerir um clube com o grau de exigência do nosso num mercado em constante mutação, não tenho a mais pequena dúvida.

Baías e Baronis – Vitória Setúbal 1 vs 3 FC Porto

Pontapeado por Jorge 19 de Fevereiro de 20129 Comentários

 

foto retirada de desporto.sapo.pt

Tenho uma passadeira em casa. Daquelas que as pessoas põem na cozinha para não escorregarem com salpicos de óleo ou vinho foleiro e que tem sempre um ar de terem sido feitas de desperdícios encontradas no chão de uma oficina de mecânicos. E a passadeira é prática, razoavelmente limpa e simples. Não emana charme, não dá bom aspecto à sala e parece ainda mais foleira quando vista à luz do luar que entra pela janela da lavandaria. Não gosto da passadeira. É uma merda aquela passadeira. Apetece-me mudar a passadeira. A passadeira, no fundo, faz o trabalho para que está desenhada. Mas não mais que isso. Não me entusiasma, não me faz querer entrar na divisão onde permanece e ficar a olhar para ela durante noventa minutos e só me apetece pegar na passadeira e mudar de passadeira. Acima de tudo, apetece-me deixar de dizer “passadeira”. Enfim. Vamos a notas:

 

(+) O regresso de Sapunaru Absolut Sapunaru is back, y’all! Admito que me dá uma certa nostalgia ver o romeno no lado direito da nossa defesa, com memórias de Dublin a virem rapidamente ao de cima. Não é um génio táctico e acaba por falhar várias aproximações técnicas ao adversário que lhe aparece pela frente mas normalmente acaba por compensar a falha com inteligência. Mas as subidas no terreno parecem mais fáceis, as incursões pela lateral são mais intuitivas que com Maicon que é esforçado mas falta-lhe a notória impulsividade que um lateral tem e um central acaba sempre por ter em falta. Acima de tudo é uma boa notícia perceber que está de volta e mesmo a tempo de substituir Danilo para o jogo contra o Benfica. Em alternativa pode ser que rebente os joelhos ao Nasri na quarta-feira, só para mostrar quem é que manda. É menino para isso.

(+) João Moutinho Esteve bem hoje, mesmo jogando ao lado de Fernando. Os passes saíam quase sempre simples e práticos muito embora os colegas conseguissem estragar quase sempre a jogada que o João começava com inteligência e tranquilidade. É diferente vê-lo a começar a construção ofensiva tão recuado no terreno e a ter de percorrer tanta relva para chegar a uma posição em que possa ajudar na finalização, mas a verdade é que consegue e serve como apoio defensivo quando a equipa está tradicionalmente com 3 jogadores atrás da linha da bola. Gostei de o ver e saiu na altura certa para descansar.

(+) O primeiro golo Simples. Simples. Simples. Custa muito?

(+) O golo de Fernando Já merecia um golinho o nosso Nandinho. E o golo foi mostra de excelente entendimento e da maneira como Fernando também sabe subir no terreno depois de recuperar uma bola a meio-campo. Se fizesse este tipo de rupturas mais algumas vezes e marcasse mais golos…provavelmente não tinha estado hoje no Bonfim a jogar pelo FC Porto.

 

(-) Passividade Otamendi tenta fintar três adversários à saída da própria grande-área, perde a bola e faz falta que dá um livre potencialmente perigoso; Alex Sandro protege a bola com a força de um kiwi maduro e a bola é-lhe tirada várias vezes por Targino ou qualquer um dos outros jogadores execráveis do Setúbal (é curioso que de quatro defesas consigo detestar três: Miguelito, Ney e Ricardo Silva); Lucho tropeça no meio-campo em trocas de bola num espaço de quatro metros quadrados; Rolando pontapeia bolas para o ar como se estivesse na Praça da República e tivesse uma aversão a pombos; Varela controla a bola com todas as partes do corpo menos os pés e perde-a na jogada seguinte para duas marmotas e um setubalense; Hulk…finta e perde, finta e perde, finta, cai e perde. A passividade que vi hoje no FC Porto tem dois motivos óbvios: o jogo na quarta-feira contra o Manchester e o cansaço do jogo da passada quinta-feira. Mas o motivo principal não é esse. É o alheamento do jogo, o desinteresse da competição, a falta de vontade de jogar. “Going through the motions”, como dizem os angleses. E é estupidamente frustrante.

(-) Arbitragem Um escroto, este Paulo Baptista. Se conseguíssemos juntar num árbitro tudo que há de mau de todos os árbitros portugueses, teria a arrogância de Proença, a falta de visão de Lucílio, a cara de parvo do Bruno Paixão e a capacidade de apitar a todos os lances onde há um mínimo de contacto entre os jogadores. É evidente que os rapazes que estão na relva não se mostram preocupados quando se sentem pressionados porque sabem que se gritarem bem alto e caírem para o chão, nem precisam de simular que foram agredidos por um disco de ferro no funny-bone para que a bestinha marque falta. E hoje foi mais um desses anormais que apareceu em Setúbal com licença para apitar. Esqueçam os foras-de-jogo mal marcados e as tecnologias para ver se a bola entrou na baliza ou não. Estas arbitragens é que estão a matar o jogo em Portugal.

 

Das poucas vantagens que tirei do jogo foi o facto de não ter ouvido os comentários na segunda parte do jogo. Passei o tempo a correr na passadeira lá de casa (uma passadeira diferente da de cima) e o constante zusssh causado pelos tradicionais 12 km/h a que zarpava pelo tapete…talvez fossem 10…ou 8…e aproveitei para multi-tascar durante quarenta e cinco dos noventa minutos de gigantesco bocejo no Bonfim. Já sei que estes jogos entre competições europeias não podem ser vistos à mesma luz que a maior parte dos outros, mas depois de uma noite como a da passada quinta-feira estava a precisar de uma injecção de alegria futebolística pelos moçoilos que defendem as cores da minha equipa. Não a tive. E temo que na próxima quarta, em Manchester, também não a vá receber.

Ouve lá ó Mister – Vitória Setúbal

Pontapeado por Jorge 19 de Fevereiro de 20122 Comentários


Amigo Vítor,

Ahhhh…estou cansado. Aquele jogo de quinta-feira deixou-me cansado, Vitor, por isso nem imagino como hás-de estar tu depois daqueles 45 minutos de bom futebol e do resto do tempo que foi qualquer coisa perto de futebol mas não muito. Assim como um bife de soja. É, mas não é. E na quinta, assim foi. Não quero ver mais daquilo, Vitor, o meu pobre coração não aguenta, pá. Fico triste, melancólico, começo a responder mal às pessoas, durmo torto, acordo com uma disposição de arrancar cabelos à machadada e detesto isso. E hoje podes fazer com que a minha moral suba um bocadinho.

Ainda há umas semanas fui ao Dragão ver o Setúbal para a Taça da Jola. Sim, aquela parvoíce de jogo em que fecharam as bancadas de cima e me obrigaram a ir para perto do túnel de acesso e mesmo em cima do relvado, mas fui na mesma. E vi o FC Porto a fazer um jogo de treino e bati muitas palmas ao Lucho e ao Janko e foi uma alegria. Mas este é a sério, já conta para coisas importantes e temos de o ganhar. Não há desculpas, não quero saber o que vais fazer com os jogadores na palestra ou ao intervalo ou lá quando é que lhes dizes as coisas que dizes, mas a probabilidade de sairmos do Bonfim sem pontos tem de ser a mesma do Berlusconi dizer a uma gaja boa de 17 anos que não a quer papar: zero.

Não há Álvaro? Há Alex Sandro. Não há Danilo? Tens o Sapu ou o Maicon. Não tens o Hulk em forma? Põe-no ao banco. Não há equipamentos lavados? Usa os de semana passada. A bola está furada? Manda vir outra. Não há desculpas. Não pode haver.

Sou quem sabes,
Jorge

 

APOSTAS PARA HOJE NA DHOZE:

Hulk visto lá fora

Pontapeado por Jorge 18 de Fevereiro de 201211 Comentários

“I’m not particularly glad that Manchester City won this one, but I’m deliriously cock-a-hoop that Porto lost – and for one, sole reason: Hulk. Jesus wept, what an overrated pile of festering guano that man is. Shite touch after shite touch followed by pleading tumble after pleading tumble. Waiting to feel a touch, any touch from his marker, that being his cue to plough himself into the Dragão turf.

He possesses the bodily bulk of a brawny bison, yet he reacts to contact by bouncing around and wincing through tear-beaded eyes like he’s fabricated from balsa wood and blu-tack.

The guy has nothing. Nothing. A few utterly superfluous and largely ineffective flicks and a shot that is less ‘Howitzer’ and more ‘Surface to Air missile’. €100 million release clause? All I can say is, his agent must be bloody good. F**k him. F**k you Hulk, you whining, diving, useless cheating bag of day-old cat vomit. The most overrated player in world football, and I will hear nothing to the contrary.”

in Who Ate All the Pies?

A cotação de Hulk para o mercado inglês é alta e o nome ainda faz sentido equacionar como potencial reforço de qualquer um dos grandes clubes. Não por cem milhões de euros, muito longe disso, mas o alvo é apetecível especialmente a partir do momento em que as convocatórias para a selecção brasileira são mais constantes.

Mas o comum adepto inglês é isto que vê no nosso homem. Um jogador que não usa o corpo como deve, que cai mais vezes do que deve e que reclama como um bébé chorão, não trazendo consistência para o jogo de uma equipa, tornando-se num devaneio de quem tem dinheiro a mais para gastar num bibelot.

Uma coisa é certa: Hulk é bom, um excelente jogador e um homem que quando está em forma e com sentido prático apurado se transforma no tal “Incrível” que resolve jogos. Mas quando está num dia mau…só serve para enervar as bancadas.

Baías e Baronis – FC Porto 1 vs 2 Manchester City

Pontapeado por Jorge 17 de Fevereiro de 201226 Comentários

 

O ambiente prometia. Fiz o percurso do costume, carro, Bom Dia, café, “obrigado, vamos ver se corre bem!”, montes de gente em frente ao Café Estádio, como nos bons tempos do antigamente em que subia Fernão de Magalhães a pé a caminho das Antas. A noite, fria mas mais amena que nos últimos tempos, parecia trazer calor para uma atmosfera que se queria tão quente no exterior como na relva. O meu pai, amuleto de sorte em jogos grandes, ao meu lado. Fogo de artifício antes do jogo, tensão nas bancadas, pressão para fora, barrigas para dentro, siga a bola. Primeira parte forte, dinâmica, viva, nervosa, rija, boa. Bom resultado ao intervalo, “agora é aguentar, mais um golinho era bom, se conseguirmos aguentar o reinício, foi pena o Danilo, é empurrá-los para trás e não os deixar ter a bola, o Balotelli é um merdas”. E depois, o golo. E os ídolos azuis e brancos provincianizam-se, tremem, prostram-se, caem. Os passes saem tortos, as desmarcações desaparecem, a disputa dos lances pende para os mancunianos. Braços caídos, olhar em baixo, queixo no chão, calo-me. Não havia mais nada a dizer. Desistimos. Perdemos. Notas abaixo:

 

(+) Fernando Dos poucos que nunca desistiu, mesmo depois da estúpida conjugação de azares que o fez ocupar três posições durante um só jogo. Começou a trinco, onde patrulhou os espaços entre Touré e Silva. Não gosto de o ver com Moutinho ao lado mas funcionou durante 45 minutos e teria funcionado mais se o colega do lado e os outros colegas todos não tivessem abanado de tal maneira com o auto-golo do Palito. Baixou para central, rodou para a lateral direita, e tentou. Tentou sempre, com e sem cabeça, lutou e usou o corpo quando pôde e o anormal do árbitro turco permitiu e quando não o permitia mostrava a indignação dos guerreiros. Não mereceu o resultado.

(+) Maicon Começou muito mal. Muito, mas muito mal. Com hesitações parvas, incongruências posicionais, num regresso a 2010 que me enervou lá no fundo. Com a saída de Danilo voltou à lateral e melhorou. Cresceu perante Clichy e Nasri e não subiu mais porque os dois franceses faziam questão de lançar a grande maioria dos ataques do City e impediam que o nosso careca conseguisse ajudar mais o ataque. Voltou para central depois da saída de Mangala e juntou-se aos colegas no desalento mas foi dos menos maus.

(+) O lance do golo Era tão simples. Hulk, Lucho, Hulk, Varela, golo. Simples. Jogar ao primeiro toque quando a situação o exige traz uma dimensão prática ao futebol que pode ser rendilhado durante 10 minutos antes de uma oportunidade destas aparecer, mas quando surge, é desta maneira que tem de ser tratada. Foi pena não terem conseguido criar mais destas durante o resto do jogo.

(+) A capacidade técnica dos jogadores do Manchester City Um exemplo muito simples do que é talento no futebol moderno foi dado hoje pelo Manchester City no relvado do Dragão, aí pelo meio da segunda parte. Rolando tenta passar uma bola para Maicon, torta, pelo ar, aos saltos, e Maicon roda para Fernando, que trata o esférico como uma granada sem cavilha. A bola salta, fere ao mais pequeno toque, ganha vida e vai parar a De Jong. O holandês, calmamente, coloca-a no piso. Firme, parada. Roda para Touré, que passa de novo a De Jong, Nasri, Silva, Barry, Silva, De Jong, Touré e Lescott e já está do outro lado. Tudo ao primeiro toque, ainda que me possa ter enganado nos jogadores. Perfeito. Não houve uma…UMA vez que tivéssemos conseguido uma peladinha acidental daquele nível durante todo o jogo. Atrevo-me a dizer durante toda a época.

 

(-) A avassaladora angústia do desânimo Depois de uma boa primeira parte esperava-se que a equipa mantivesse o ritmo. Não conseguiu por mérito do City, que pegou na bola e começou a rodá-la entre aquele talento de preto e vermelho a que eles chamam “meio-campo”. As linhas desceram, a pressão desapareceu e os jogadores começaram a duvidar. Num ápice passaram várias imagens rápidas pelos meus olhos. Vi Chipre, vi São Petersburgo, vi Coimbra. Vi a bola longe dos nossos homens, a tremideira a aparecer, a desconfiança, a bola para o ar e o pontapé para a frente. E o golo foi um murro no abdómen. O FC Porto transfigurou-se e transformou-se num humilde subalterno, como um empregado de escritório a quem o chefe manda fazer todas as tarefas que os outros se recusam a fazer. E o pobre coitado lá vai, cabisbaixo, a uma bala do fim. As pernas aguentavam mas a cabeça estava longe, no fundo de um poço sem iluminação, e os nervos subiram de tal forma que deixei de perceber o que se passava. O empate parecia um bom resultado, mas o público pressionava e eles tremiam ainda mais e o segundo golo tornou-se impossível de aguentar. Tristes na bancada e mais tristes no campo, enquanto ouviam os cânticos dos eufóricos bêbedos anglicanos. Dói.

(-) Vitor Pereira e as substituições tardias A equipa estava de rastos e Vitor não mexia. Varela continuava a tentar tapar o flanco sem conseguir e falhava na transição com tão pouca velocidade que fazia uma tartaruga parecer o Usaín Bolt. Hulk brincava em campo, como se ao décimo toque de calcanhar conseguisse finalmente endossar a bola em boas condições para o lateral que nunca lá esteve. E Vitor não mexia. Lucho e Moutinho, cansados, fracos, tristes. James, desaparecido, lento, sem vida. E Vitor não mexia. É uma boa avaliação de um treinador perceber a forma como reage para tentar animar o jogo da sua equipa quando as coisas correm mal. Os loucos gastam as substituições todas aos 20 minutos, como o Oliveira. Os mais loucos esperam até aos 88 minutos como Robson e enfiam um defesa central a jogar na área contrária. Os indecisos, como Vitor Pereira, não querem tomar a iniciativa e esperam com fé inabalável que os zombies que lá estão dentro subitamente ganhem forças de outra dimensão e elevem o nível. E esta elevação acontece uma vez de cinco em cinco anos. A última vez que me lembro de o ver, Lisandro tinha acabado de marcar contra o Schalke. E já foi há uns anos.

 

Saí do estádio contagiado pelos jogadores mas com uma aura negra à volta. Ia como um barril de pólvora forrado a parka a subir a alameda, a disparatar contra os jogadores, a questionar a mentalidade de falhanço, a incongruência do detentor do troféu se colocar em papel secundário perante um novo-rico da bola mundial. Não explodi. Acalmei-me, entrei no carro e desliguei o rádio. Ouvi música. A derrota bateu cá no fundo e a forma como aconteceu foi muito pior que o resultado. Porque não me matava perder um jogo contra o Manchester City com a quantidade de talento que eles tem ao dispôr. O que me incomoda é perder antes de tentar ganhar. E é muito mais doloroso.

Ouve lá ó Mister – Manchester City

Pontapeado por Jorge 16 de Fevereiro de 20128 Comentários


Amigo Vítor,

Agora as coisas piam mais fino. Como se as coisas fossem um gentil bando de rouxinóis a esvoaçar perto de um campo de malmequeres num suave dia de primavera. Até que um gajo mais chateado com as taxas do BCE se lembra de sacar da espingarda e disparar três balázios e acertar no pássaro-pai mesmo no meio dos cornos. É isso que quero que aconteça hoje, Vitor. Quero chegar ao estádio, sentar-me na minha cadeira e olhar em frente para onze tolinhos que vão fazer tudo por tudo para que os ingleses saiam daqui com o esfíncter mais aberto que o túnel da Ribeira.

Só há uma coisa que me assusta nos gajos, pá. São os onze que vão entrar mais os sete que estão no banco. O resto não me mete medo nenhum, era só o que me faltava. Mas isso sou eu, tu és um gajo superior a este tipo de cagaços e por isso sei que não me vais desiludir. E não te atrevas a reclamar que não temos equipa para isso. Já sei que nunca dirias isso em voz alta, mas livra-te sequer de pensar dessa maneira! Que me cravem um cinzel nas gengivas se não temos equipa para mandar os gajos abaixo! O Hulk não é capaz de pôr o Clichy agarrado às pernas? O James não parte os rins ao parolo do Zabaleta? O Lucho não ganha em corpo e inteligência ao finguelinhas do Silva? O Maicon não tira as bolas de cabeça do Dzeko? O Helton não vale mais que o albino do Hart? Até aquela besta do Lescott que mais parece um refugiado Klingon não vale meio Rolando manco, Vitor! O Moutinho não é tão ou mais organizado que o Nasri e tem melhor aspecto de barba grande? E o Fernando, que nem Touré tem no nome, não chega para atrofiar as gâmbeas do genro do Dieguito?

É só isso que tens de pôr na cabeça dos nossos rapazes, pá, e convence-os que o campeonato está difícil de chegar lá e por isso esta pode ser a grande oportunidade dos gajos fazerem o primeiro grande jogo do ano! Explica-lhes que os outros não nos ligam nenhuma, que nem sabem quem são os nossos, que olham para o FC Porto com aquela puta daquela altivez inglesa que mete nojo desde que o Haroldo levou com uma seta nas vistas em Hastings.

Por isso vai aos arrumos e tira para fora o conjunto de facas que o teu sogro te deu. Afia-as bem e prepara-te para o repasto. É que hoje vamos comer bifes no Dragão.

Sou quem sabes,
Jorge

 

APOSTAS PARA HOJE NA DHOZE:

Porta19 entrevista Danny Pugsley (www.bitterandblue.com)

Pontapeado por Jorge 15 de Fevereiro de 20127 Comentários

Com o jogo do Manchester City cada vez mais próximo na agenda, parti de microfone em riste (ou melhor, mandei um e-mail, que vai dar ao mesmo) para terras mancunianas e o meu convite foi aceite pelo gestor de um dos sites não-oficiais mais importantes do nosso adversário de amanhã, o Bitter and Blue, gerido por Danny Pugsley, ele próprio autor de um livro sobre a história do Manchester City. Uma espécie de versão anglicana do nosso próprio Júlio Magalhães, sem canais de televisão à mistura. Assim sendo, passemos à conversa:

 

Porta19: Tem sido uma época bastante boa a nível interno para o City. No topo da Premier League e nas meias-finais da Carling Cup. O sucesso nas competições europeias é lidado com o mesmo entusiasmo como a perspectiva de vencer a Premiership?

Danny Pugsley: Curto e grosso: não. As eliminações das Taças no último mês viraram as nossas atenções quase completamente para a Premier League – algo que só tende a intensificar à medida que nos encaminhamos para a fase decisiva da temporada. Agora é possível que pudesse haver mais entusiasmo europeu caso o City tivesse conseguido ficar na Champions League, mas a Europa League é tratada como um “nice to have” e não como algo que a equipa está desesperadamente à procura de vencer.

 

Porta19: Mas esta ideia já passou pela cabeça de qualquer adepto: vencer a Europa League. Consegues ver o City a ultrapassar o FC Porto, os actuais detentores do troféu, com relativa facilidade?

Danny Pugsley: Não creio que nenhum adepto do City acredite que a tarefa vá ser fácil. Longe disso, ambos os clubes parecem estar bem cientes da ameaça que é colocada pelo outro. Não parecem haver diferenças muito grandes entre as duas equipas mas a vantagem pode estar ligeiramente do lado do City – dependendo do resultado da primeira mão – por ter a segunda mão em casa.

 

Porta19: Mancini é a pessoa certa para levar o City novamente à conquista de troféus?

Danny Pugsley: Diria que sim. Continua a haver dúvidas acerca da capacidade de ir longe numa competição europeia que vai ser determinante a partir da próxima temporada, mas está a fazer um trabalho notável em circunstâncias muito complicadas e ganhou a oportunidade para trazer o título (e mais) para o City.

 

 

Porta19: Sinceramente, acreditas que jogadores como Aguero, Silva, Dzeko, Touré, Balotelli ou Nasri estarão minimamente intimidados por jogarem contra Hulk, Moutinho, Defour, James Rodriguez, Belluschi ou Álvaro Pereira? Haverá algum facilitismo?

Danny Pugsley: Não estarão intimidados mas não creio que tenha a ver com facilitismo, talvez com a confiança nos próprios talentos. O City tem perfeita noção da qualidade da equipa do Porto e que há um perigo real de serem eliminados da competição numa fase tão prematura.

 

Porta19: Conheces bem a equipa do FC Porto? Há alguns jogadores nossos que conseguisses ver a entrar na primeira equipa do City?

Danny Pugsley: Não os conheço muito bem mas há alguns nomes bastante familiares que serão sempre uma ameaça – especialmente no ataque. Quanto a entrarem directamente na equipa do City? É difícil porque o City conseguiu juntar um plantel que consegue rivalizar directamente com grandes equipas mundiais e para adicionar algum jogador à equipa terá de ser de nível elevado. Talvez haja alguns jovens jogadores com talento que já estejam a ser observados.

 

Porta19: Ambos os clubes beneficiaram da regra que faz com que equipas colocadas no terceiro lugar da Champions League sejam enviadas para a Europa League. Concordas com esta regra?

Danny Pugsley: Definitivamente não. Chama-me tradicionalista mas eu acho que as duas competições devem ser estanques entre si e esta regra do terceiro classificado desvaloriza a competição.

 

 

Porta19: Há algum plano para substituir o “Poznan” por um “Porto”?

Danny Pugsley: O Poznan parece estar numa curva descendente de popularidade nos últimos tempos e não creio que haja uma grande pressa em criar outra celebração tão cedo!

 

 

 

 

 

Um pequeno esclarecimento: podem ter notado algum anacronismo nas perguntas (já que o Manchester City foi já eliminado da Carling Cup pelo Liverpool e o Belluschi já zarpou para Génova, mas na altura que se iniciou a troca de emails…ainda lá estavam. Agradeço ao Danny as respostas e a simpatia e creio que continua a valer a pena conversar com malta que gosta do clube deles como eu gosto do meu. A entrevista vale pelo conteúdo e pela forma como um adversário de um clube forte vê o nosso FC Porto como próximo gigante a eliminar. Espero que não o consigam.

Ideias para resolver este problema?

Pontapeado por Jorge 14 de Fevereiro de 201210 Comentários

Aqui estão alguns dos problemas que vamos enfrentar na quinta-feira:

 

Há várias formas:

  • Evitar ceder cantos por qualquer meio necessário, com pontapés para a bancada pela linha lateral;
  • Pressão alta pelas laterais do meio-campo para evitar que os alas consigam colocar a bola na área com facilidade;
  • Manter a bola na nossa posse o máximo de tempo possível;
Em alternativa:
  • Um sniper com uma espingarda de pressão de ar num dos topos do estádio;
  • Elevar um colega com as mãos como se fazia para ir buscar a bola a uma árvore;
  • Dar-lhes a provar uma francesinha e enchê-la com picante de tal maneira que lhes dê soltura mal pensem em saltar;
  • Esperar que coloquem tantos gajos na nossa área que eles próprios se atrapalhem com a facilidade em chegar à bola;

Se conseguirmos colmatar os problemas que sabemos sentir em bolas paradas defensivas e bolas bombeadas para a nossa área, para continuar a combatê-los só precisamos de parar o jogo pela relva. Ênfase no uso da expressão “só”.

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