A Culpa é do Cavani – Jornada 32 – Um estouro de gnus

Um episódio que surpreende pela calma dos Cavanis, ainda que o Vassalo tenha visto a segunda parte do Estoril a praguejar para a televisão, o Bertocchini de pé em frente a um confortável sofá sem se conseguir lá sentar com o nervosismo e o Silva furioso com as condições indignas do estádio na Amoreira, incapaz de perceber como é que se consegue ver o jogo a uma altitude de dois ou três metros acima da relva. Impossível! Teorias sobre arbitragens, VARs, Dalots, Paulinhos e possíveis diferenças nas abordagens aos jogos na recta final da época foram todos roçados com a tradicional inteligência, sagacidade e depois com uma ou outra piada do Silva, que só serve para isso. Um desperdício de oxigénio, palavra.

Jornada 32 – Um estouro de gnus


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Baías e Baronis – Estoril 1 vs 3 FC Porto

foto retirada do Twitter oficial do FC Porto

Veni. Vidi. Sofri. Intervali. Bancadi podri. Esperi trintisetidiis. Vinci. Se alguém acha que esta segunda parte teve algum mérito táctico, técnico, tecnico-táctico ou qualquer outro cliché futebolístico, desengane-se. Ou engane-se, faça o que quiser. Mas acreditem em mim quando vos digo, meus amigos portistas, que esta foi uma vitória do querer. Da vontade de empurrar o adversário para a área, de intimidar com actos, não com insinuações. De atacar com força, não com estratégia. Foi uma vitória, mais do que qualquer outra, dos jogadores. Vamos a notas, apenas sobre estes 45 minutos que tanta gente transformou numa espécie de apocalipse anunciado (daí o não-muito-subtil-tema da crónica) porque os outros…é que nem me lembro do que se passou. Siga:

(+) Fome. Soares está em grande. Sérgio Oliveira está em grande. É curioso perceber que estes homens, que ainda há menos de um mês eram considerados como dispensáveis pela grande maioria dos portistas e um recebia críticas de tanta gente por ter tido uma reacção de desagrado numa substituição durante a meia-final da Taça da Liga ao passo que o outro era rotulado como promessa perdida, são agora pivotais no ataque ao título. Se há coisa a que nos temos de habituar este ano é mesmo a estes impensáveis, como uma dupla de ataque Soares/Marega, um jovem de 18 anos a substituir um dos melhores assistentes da Europa e um esquecido a subir à titularidade indiscutível. Soares joga, marca e reina. Sérgio joga, assiste e controla. Ambos com vontade de mostrar, com fome de jogar e de vencer. Que continuem assim, mesmo quando Aboubakar e Danilo regressarem.

(+) Guerra. Rijos, fortes, plenos de vontade e garra para contrariarem um destino que parecia traçado. E vários dos que hoje jogaram foram os mesmos rapazes que entraram em campo há umas dezenas de dias para fazerem uma das piores primeiras partes da época. Houve mudanças, é certo, mas acima de tudo houve mentalidade, que tinha fraquejado nessa noite parva em Janeiro. Desde o primeiro segundo que as tropas estavam colocadas como que numa investida para tomar de assalto um castelo até então inviolável e desde a primeira defesa quase miraculosa de Renan ao remate de Herrera que o FC Porto cascou, bateu, impôs um metafórico e gigantesco ariete que deixou o Estoril sem resposta. Era exactamente isto que era preciso fazer e pelas cuecas do Lucho, conseguimos. Um passo enorme para a conquista do título foi hoje dado na Amoreira. Lembrem-se dos nomes, porque podem ter de os gritar a uma só voz daqui a uns meses. A jogar com este empenho e determinação não nos vai fugir.

(-) Morte. Vou tentar ser polémico. Ouçam lá, não acontece todos os dias, mas vou por aí. O primeiro golo do FC Porto é marcado com a vantagem de um fora-de-jogo. What?! But, but…but, but o carago. Se o mesmo Soares que quase cabeceava a bola foi o mesmo Soares que o VAR determinou como estando fora-de-jogo no jogo contra o Sporting e que anulou um golo que eu achei que devia ter sido validado, também este deveria ser anulado se seguirem o mesmo (errado) princípio. E porquê? Porque caso seja validado, o VAR é uma merda obrada directamente do ânus de Belzebu. E o VAR não é uma merda, é uma ferramenta que deve ser usada exactamente da forma que foi, hoje, naquele lance. Há dúvidas do árbitro. Há dúvidas do fiscal de linha. Deixam seguir o jogo e consultam o árbitro sentado a uns quilómetros de distância. Esse fulano olha para as imagens e não consegue discernir se está ou não em jogo. E como tal…deixa correr. Como deixa correr, contradiz o que o colega a cargo do VAR fez nesse jogo contra o Sporting. Por isso, minha gente, das duas uma: ou o VAR está doente logo desde que nasceu, propenso a falhas imensas que não podem acontecer pela sua própria natureza; ou estão a usá-lo mal. E isso é pior que não existir.

(-) Doença. A lesão de Alex Telles deixou metade do povo portista em lágrimas (a imagem do próprio jogador a chorar no banco é enternecedora mas acima de tudo preocupante) e Dalot num misto de alegria e nervosismo que ainda não conseguiu abalar. Espero estar a ser extremo na minha hipérbole, mas se Alex acabou para a época, também morre um pedacinho de mim com isso, porque estava a ser um dos jogadores que representava na perfeição o espírito que todos adoramos ver em campo. Não digo que Dalot não consiga calçar as mesmas botas e agir com o talento e a capacidade que tem feito pela B, mas a perda de Telles é um murro na nuca que nos vai doer muito. Diogo, puto, o lugar é teu. Com a “morte”, pode haver um nascimento e tens tudo para chegar, ver e vencer. Cá estarei para te aplaudir.


Cinco pontos. Onze jogos. Milhões de adeptos. Um campeonato. Siga.

Ouve lá ó Mister – Estoril

Camarada Sérgio,

Por alturas do pré-primeira parte deste encontro, escrevi o seguinte:

Fuck’em. Fuck’em all! É o Estoril à segunda e o Tondela à sexta? Fuck’em! É o Sporting doze vezes seguidas? Fuck’em! É o Braga com as mangas pintadas para parecer ligeiramente diferente do dono? Fuck’em! É tudo contra nós e nós contra todos! Fuck’em! E fuck também para o gajo que parece que comprou pontos de exclamação num grossista e agora quer gastá-los de uma só vez! Fuck para mim também!

E hoje, setenta e nove mil fucks depois, está tudo na mesma. Continuamos na frente, com vontade de lá ficar e não há bancadas nem árbitros nem nada que nos faça frente. Ou melhor, há e eles bem tentam, mas cabe-te mostrar jogo após jogo que és melhor que os outros. E hoje, com condicionantes que fazem lembrar uma entrevista de emprego para um programador do Football Manager, só tens uma solução: entrar em campo tranquilo mas convicto que as pernas são para usar enquanto as temos e que 45 minutos são tempo suficiente para ganhar esta trampa. São dois golos, Sérgio. Só dois golos. E que a tua maior preocupação seja o estado da bancada.

Sou quem sabes,
Jorge

Baías e Baronis – FC Porto 5 vs 0 Rio Ave

foto retirada do zerozero

Quem com cinco morre, com cinco mata. Grão a grão a grão a grão a grão enche o Porto o papo. Quando o Sá está fora, férias na baliza. Não sou adepto de adaptar clichés porque fujo deles mais depressa que o Hernâni quando vê a bola, mas era menino para andar aqui à procura de mais alguns porque hoje foi o dia do contra. Tudo correu bem, as bolas entravam na baliza, os passes até podiam correr mal mas um acabou por dar origem um auto-golo e até o VAR jogou a nosso favor. Espanto, surpresa, explosões de felicidade, amigos! Vamos a notas:

(+) O público, a equipa e o público com a equipa. Cinco dias depois de sofrermos uma das derrotas numericamente mais pesadas da nossa história, o Dragão encheu-se. E não houve assobios, críticas aos jogadores, ao treinador ou a quem quer que fosse. Houve apoio, constante e sonoro (a enorme assobiadela ao período em que Xistra esteve à espera do VAR foi notável) e apesar do primeiro golo ter aparecido bastante cedo, a malta pareceu sempre estar ao lado da equipa, sem apontar dedos nem puxar “galão de adepto” para insinuar que A ou B não estão lá com gosto. E é notável verificar que muitos destes adeptos já passaram por algo semelhante, com Arsenais ou Bayerns, e muitas vezes foram os primeiros a contribuir para a instabilidade em campo. A equipa ajuda pela forma como se bate e se empenha nos jogos, mas os adeptos parecem estar enfeitiçados – e digo isto de uma forma positiva, atenção – pelo futebol da equipa e valorizam o suor em detrimento de alguma excelência técnica e táctica que parece sempre ficar um pouquinho abaixo de outros tempos. Há simbiose, união de vontades e caminhos, que se nota em campo. Que termine bem, é tudo que peço.

(+) Soares. Está todo bem disposto em campo, marca golos e assiste outros e que bom que o está a fazer numa altura em que Aboubakar está todo parido das canetas. Com uma moral inversamente proporcional à capacidade técnica, Tiquinho continua a marcar, continua a jogar e acima de tudo continua a sorrir e a fazer sorrir, descansando os adeptos em relação ao futuro próximo e fazendo a equipa continuar na frente da Liga. Já agora, podes fazer o mesmo na quarta-feira? Agradecido, rapaz.

(+) Alex Telles. Só mais duas assistências. Continua a ser um jogador subvalorizado e se sempre me pareceu limitado tecnicamente, a verdade é que compensa alguma incapacidade para o 1×1 com uma força de vontade, garra e capacidade técnica específica no gesto que um defesa lateral é obrigado a fazer melhor: o cruzamento. E que continue assim, porque só hoje foram mais dois direitinhos para a cornadeira de um avançado. Não lhe posso pedir mais que isto.

(+) Pressão alta. Esta pressão alta surge depois de uma combinação de factores: a necessidade de Sérgio Conceição mostrar aos adeptos que a malta está viva e que o jogo com o Liverpool foi apenas um jogo e que o resto da época é para ser encarado com seriedade e vigor competitivo; a resposta a um estilo de jogo construído desde o guarda-redes como o Rio Ave fez nos outros dois jogos (e hoje também); um treino activo para o que terá de ser a nossa abordagem na quarta-feira, contra o Estoril. Funcionou muito bem, a malta agradeceu e o resultado subiu também à custa disso e só não subiu mais por algumas más decisões na finalização. Good show, chaps.

(-) Brahimi nos exageros. Até nem fez um jogo mau. Tentou sempre furar pela ala e até pelo meio acabou por ser uma peça importante, com aquelas pausas mesmo antes de endossar a bola para Marega ou Hernâni quase marcarem por várias vezes. Ou seja, não esteve mal. Só esteve mal numa coisa: em não saber parar. E é só por causa disso que me chateou, porque o que fez bem equilibra-se com o que fez…demais, porque não parecia conseguir soltar a bola naqueles momentos em que enfia a cabeça no chão e tenta fintar metade do universo conhecido e quando não consegue entra em modo parvo “eh pá eu tentei”. Sim, Yacine, mas não precisas de tentar sempre, homem. Há alturas em que podes passar a bola a outro e fazer com que seja ele a tentar. Só tenho medo que comece a deixar que as pernas ditem o jogo e se esqueça que é tão melhor que isso.

(-) WHAT THE FUCK, DUDE?!. Acho que há uma espécie de taser invisível que entra em acção em determinadas alturas e que afecta um ou outro jogador. Uns são reincidentes (Herrera, Felipe…) e outros parecem começar também a ser escolhidos como alvos (Soares, Telles…) numa ou noutra altura do jogo. Porque há pequenos passes como aquele do Herrera para trás ou do Corona também para trás ou do Felipe para a lateral ou até amortecimentos como o de Soares que me fazem acreditar numa espécie de entidade desconhecida e invisível que entra em campo e segreda uma ou duas palavras aos ouvidos dos rapazes e os deixa em modo imbecil durante uns segundos e os leva a cometer estas infantilidades. Há alturas, como hoje, que nada poderia vir ao mundo que causasse perigo para a nossa baliza, mas noutros jogos…aham…como na passada quarta-feira…em que o mal é bem maior. Vejam lá isso e purguem os tasers ou espíritos ou lá o que anda em campo a roçar-se nos cérebros dos rapazes. O povo agradece.


One down, many more to go. Agora, amigos, é manter a pressão alta na Amoreira e ganhar o jogo. Hoje foram cinco: na quarta-feira só precisamos de metade.

Ouve lá ó Mister – Rio Ave

Camarada Sérgio,

Ainda falta muito para isto acabar? É que ao olhar para os teus/nossos moços, há ali gente que vai chegar ao fim da época e ainda durante a celebração do campeonato na Alameda vai atirar-se para o chão só para poder descansar um bocadinho, mesmo com as duas garrafas de espumante que levam para a festa, uma em cada mão. É só isso que queremos, Sérgio, porque para lá de estarmos na Champions e na Taça de Portugal, todos temos noção que mesmo que não tivéssemos levado com uma torre dos Clérigos no rabo nesta passada quarta-feira, ia ser muito difícil passar aos quartos de final. Mesmo assim, vamos lá todos focar neste jogo porque é o que mais importa. É sempre o que mais importa, não é, Sérgio? Sim, porque é o próximo.

Propunha uma mudança na frente: dá uma chance ao Waris e descansa o Marega. Ou até podes meter lá o Gonçalo só para testar as águas. Quem sabe se o rapaz não te surpreende? E também proponho uma mudança atrás: Iker. O Sá é um tipo porreiro mas imagina que falha de novo? Ninguém o perdoa e aposto que o primeiro a não o perdoar será ele próprio. Protege o rapaz e deixa o melhor guarda-redes que tens ir para a baliza. Anda lá, já não tens nada a provar, pá.

Sou quem sabes,
Jorge