Baías e Baronis – FCP vs Rio Ave


(foto retirada d’A Bola)

Não tive hipótese de ver o jogo ao vivo no Dragão porque me encontrava na altura aos saltos como um louco no Pavilhão Atlântico a ver os Muse (obrigado, foi excelente!) e apenas vi o jogo quando cheguei a casa, por volta das 3 da manhã, o que leva a que a minha percepção do que se passou em campo possa estar um pouco torcida. Ainda assim, vamos lá à escalpelização dos factos…e olhem que escrever isto direitinho com 3 horas de sono não é fácil. Onward:

BAÍAS
(+) Varela. É quase impossível não gostar do rapaz, especialmente quando pega na bola vindo de trás e arranca por lá fora, tentando não driblar muitos defesas mas sim passar por eles em velocidade. É rápido, é agressivo e é um jogador para ser titular, por muito que custe aos outros dois avançados que jogam nas alas, eles que também estão a subir de forma. Varela pode ser uma das pedras-chave para o regresso do nosso clube ao lugar que se espera meritório mas que, por agora, nos contentamos que seja apenas estatístico.
(+) Notei algo de diferente na equipa, particularmente após a entrada de Varela. Houve maior agressividade, maior empenho em cada um dos lances disputados e uma tentativa de fazer mais e melhor. Gostei de Hulk e de Rodríguez a lutarem pela bola, gostei de Meireles menos esticado no terreno e gostei de ver a equipa como um todo a rodar a bola cada vez mais em cima do adversário.
(+) Fucile esteve bem, apesar do penalty ter sido absurdamente marcado pelo árbitro. A forma como sobe desinibido pelo flanco dá muito apoio ao ataque, fazendo constantes overlaps de posição com Hulk e terminando as jogadas sempre em cima dos adversários. É este Fucile que queremos!!!
(+) Estou a começar a gostar de Beto. Ontem, com a relva molhada, a ser pressionado por constantes cruzamentos e remates traiçoeiros do Rio Ave, esteve impecável. Sem culpa no golo (onde andavam os centrais?), o nosso Pimparel esteve em todas, defendeu algumas complicadas e muitas simples, sempre a agarrar a bola com segurança e a lançar imediatamente o ataque…com certeza no envio da bola, não me lembro de o ver a fazer como Helton, que normalmente lança a bola com a mão para 50 metros longe da baliza…só para a bola ir para fora. É assim que um guarda-redes deve lançar os ataques, pelo chão, para os pés dos jogadores, tal como Baía fazia na era Mourinho.
BARONIS
(-) Chuva + vento + frio + Domingo + 20h15 = Pior assistência da época. Estavam à espera de quê?!
(-) Belluschi. Entrou muito bem em jogo, mas não me dá grande hipótese de louvar a capacidade técnica quando se afasta da partida durante tantos minutos e quando aparece acaba por falhar passes fáceis e não criar os desiquilíbrios que se esperam dele. Ainda não chega, miúdo.
(-) Fernando ontem foi o exemplo paradigmático das falhas técnicas da equipa. Finta quando não deve fintar, falha passes fáceis e só sabe jogar para o lado. Teve um mau jogo e espero que não volte a acontecer.
(-) Hesitei em dar um Baroni a Maicon e decidi que tenho de o fazer. O rapaz não esteve mal de todo mas é demasiadamente lento. Falhou um passe absurdo quando tentou mudar de flanco em frente a João Tomás (se não estou em erro, o que é possível) e quase dava o golo do avançado do Rio Ave. Mediano tecnicamente, esteve em falha no golo do adversário, bem como Bruno Alves. Não me venham dizer que é o Fucile que está responsável por marcar Tarantini. O rapaz bem saltou…
(-) Continua a mediocridade técnica. Com todo o respeito que Jesualdo me merece, se o treinador fosse Sir Bobby, no final das partidas lá iam todos de volta para o campo, o Rui Barros espalhava uns pinos pela relva fora e punham-se todos a tentar acertar nos mecos a 20 metros de distância. Quem falhasse tinha de dar uma volta ao campo a sprintar. Era ver o Fernando e o Álvaro a deitarem os bofes de fora ao fim de 15 minutos…ou seja, 15 voltas…
Como disse no início, ver o jogo na TV é diferente de o ver ao vivo, e por isso preferiria não embandeirar em arco e pensar que a equipa está a crescer de produção, apesar de ainda longe do desejável e exigível. Mas pode ser que (mais) este pequeno susto tenha ajudado…

3 comentários

  1. Não foi um Porto brilhante, nem um Porto constante – às vezes até foi irritante -, mas foi um Porto bem melhor que frente ao Belenenses e frente ao Marítimo. Houve vontade, atitude, carácter e alguns períodos de bom futebol, com o Rio Ave, que é uma boa equipa, a ser claramente encostado às cordas, durante uma grande parte do jogo: depois do golo e em toda a segunda-parte – excepção à tremideira depois do 2-1.
    Claro que há muito a melhorar. Por exemplo: Hulk agarrado às linhas e obrigado a defender, é um crime de lesa F.C.Porto; Falcao muito recuado, não pode depois aparecer onde é mais decisivo: coração da área. Ali com um magnifico golpe de cabeça obrigou o guarda-redes à defesa da noite; Belluschi tem de jogar mais próximo dos avançados; e depois, o problema dos problemas, um trinco que erra passes e mais passes. Não há equipa que resista a um jogador, normalmente o primeiro na fase de construção, que não acerta uma.
    Um trinco não é só para defender e tapar as subidas dos centrais ou dos laterais.

    Vamos ter jogos importantes – Guimarães, o autocarro do Setúbal e Benfica. É a hora da verdade. Se ultrapassarmos este período sem grandes danos, com um ou outro acerto, junto com os sinais de melhoria que já se notam, eu acredito.

    Ah, eu resisto e comigo o F.C.Porto nunca caminhará sózinho.

    Um abraço

  2. Para além da vitória sofrida, foi vencer sem convencer, apesar do maior pendor atacante e a criação de mais oportunidade falhadas que o Rio Ave (era só o que faltava se não fosse assim).

    A equipa continua muito desconfiada das suas possibilidades, comete erros atrás de erros, compromete de forma irritante a coesão e a solidez e vive num constante frenesim que tolhe os seus movimentos.

    É uma situação verdadeiramente anormal, para uma equipa que ambiciona o título.

    O Rio Ave até foi uma equipa simpática porque apostou pouco no ataque. Mesmo assim criou situações muito perigosas que a ser aproveitadas poderiam ditar um grande dissabor para as nossas cores. Ainda bem que falharam, o que no caso deles é desculpável face à diferença de orçamentos.

    Vêm aí jogos de dificuldade superior. Temo que não sejamos capazes de sair ilesos desses confrontos.

    Um abraço

  3. Foi um pouco melhor que nos últimos tempos mas fraquinho. Acredito que vamos ganhar a Guimarães e que a confiança pode voltar. Continuamos com uma gritante falta de automatismos o que leva os jogadores a desperdiçarem energia e talento.
    Para jogos com equipas fechadas, e não só, vamos precisar de um Belluci entrosado com os companheiros a criar os passes de ruptura e a rematar 10 cm mais abaixo.

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