Baías e Baronis – Guimarães vs FCP


(foto retirada d’A Bola)

Depois do sorteio do Mundial, encarei este jogo com algum nervosismo. Ia ser uma partida muito complicada, na terra da equipa que está nos nossos corações como uma cambada de apunhaladores pelas costas e que nos tenta sempre lixar a vida. Acaba por ser um jogo em que entramos bem, sofremos um bocado no meio mas vencemos com toda a justiça. A notas:

BAÍAS
(+) Varela. A excelente entrada em campo deve-se em grande parte ao nosso número 17. Arrancadas com vigor, rápido e agressivo, sempre a dar o litro e a lutar bastante. É este tipo de jogadores que o público gosta de ver, particularmente em fases menos boas como a que a equipa está (estava?) a atravessar. É titular de caras.
(+) Os níveis de empenho e agressividade, principalmente na primeira meia-hora do jogo, estiveram sublimes. É este Porto que queremos ver em campo, um que não vira a cara à luta, leal ou desleal, que se apresenta perante os jogadores. Fernando e Meireles a meter o pé, Belluschi a recuperar bolas, o ataque pressionante e a garra portista a vir ao de cima. Vulgarizámos uma equipa que ataca bem e que não o conseguiu fazer porque lhes cortamos o fundamental: a bola.
(+) Falcao já merecia um golinho. Depois de uma bola na trave e de uma defesa quase impossível de Nilson, o colombiano desembaraçou-se do defesa que o marcava no livre e apareceu no sítio certo no segundo exacto. É isto que um avançado deve fazer e Falcao, por já não marcar há umas jornadas, nunca deixou de tentar. Ontem correu bem e pode trazer mais motivação ao rapaz.
(+) Belluschi esteve no melhor e no pior da equipa, mas merece um Baía pela primeira parte (até à perda de bola que deu no livre que deu no golo (ufa!). Muito mais activo, graças à fraca marcação do meio-campo do Vitória, esteve na recuperação de bola para o golo de Varela e fez um remate estupendo de primeira para boa defesa de Nilson. Parece mais vivo, mais desperto para o jogo e a equipa só tem a ganhar com isso.
(+) Cebola está de volta. Aquela carraça que não pára durante o jogo voltou em Guimarães, parecendo mais magro e mais disposto a correr. Continua a ser pouco eficaz no que produz, com poucos cruzamentos e poucos remates, mas o golo que marcou, apesar de ter sido bastante consentido, acaba por premiar um bom jogo e um regresso do Rodríguez que precisamos. A questão é se foi para ficar ou se vamos ter o uruguaio gordinho para a semana.
BARONIS
(-) Hulk está claramente a justificar o porquê de Jesualdo o colocar no banco. Não é mais-valia, perde-se em fintas inócuas e não apresenta (quase) nada de positivo para conseguir voltar à titularidade. Continuo a achar que não vai ser convocado para o Brasil em condições normais, então a jogar assim bem vai ver o Mundial pelo proverbial canudo.
(-) Não gostei de Fucile. Foi o espelho do que tem sido, com muitas falhas, demasiado facilitismo e algum desinteresse pelo apoio ao extremo. Espero que tenha sido apenas um mau jogo, porque a equipa precisa dele e o uruguaio acaba por ser uma espécie de pêndulo da equipa, o que neste jogo se aplicou exactamente ao contrário.
(-) Rolando continua em mau momento de forma. Muito hesitante e com pouca segurança no que faz, está a pôr em causa o (quase sempre) bom trabalho do companheiro. Tem de se acalmar e de jogar com mais tranquilidade e cabe ao treinador fazê-lo ver isso.
(-) Apesar de compreensível, o abaixamento de ritmo no início da segunda parte podia-nos ter custado o jogo, não fosse Helton estar atento e os de branco estarem perdulários. Fernando e Meireles tinham já visto amarelos (o de Fernando desculpa-se, o de Meireles não) e notou-se que a subida do Guimarães, moralizados pelo golo, mexeu com a estrutura táctica da equipa, que pressionava menos e permitia muito espaço para Nuno Assis, bem, romper por ali fora como um sabre em brasa a cortar margarina. Não podemos continuar a ter momentos de relaxamento deste género, pois se o Vitória não aproveitou…vem aí o Benfica e esses já se sabe que pressionam o jogo todo.
(-) Um Baroni para Nuno Assis. É um insurrectozinho talentoso que enquanto está em campo faz tudo o que quer aos adversários quando tem a bola…e quando não a tem. Com a bola nos pés é rápido, passa bem e cria perigo. Sem ela é um cotovelador e um brutinho que parece ter um lobby de influência sobre os árbitros ao nível do David Luíz, acertando em tudo o que mexe e caindo como uma flor delicada quando o vento sussura perto do seu ouvido. Yuck.
Um bom jogo, bem disputado e com um resultado que é excelente para moralizar a equipa. Espero que Jesualdo convoque o Yero e o Sérgio Oliveira e o resto dos sub-19 para jogar em Madrid, para que a equipa descanse para jogar no Domingo frente ao Setúbal. Vem aí o Benfica e esse sim vai ser um jogo de extraordinária intensidade, por todos os motivos conhecidos. Parecemos estar em crescendo de forma, com mais garra e mais entusiasmo. Palavra de honra que espero não engolir as palavras, mas parece que foi desta que arrancamos para a época…

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