Álvaro e as férias

Quando Álvaro chegou ao FC Porto, depois de uma tradicional rocambolesca luta com o Benfica pela sua contratação (onde o “Palito” bateu Rodríguez em termos do número de minutos que demorou a assinar, baixando dos 5 do Cebola para o agora recorde de 4 minutos que demora a sacar de uma Bic Cristal e colocar um gatafunho no papel), temi pelo investimento. De um passado recente recheado de vedetas para aquela posição, entre Leandro, Areias, Mareque, Cech, Ezequias, Benítez, Lino…para não falar das diversas adaptações que outros jogadores tiveram de aturar, como Fucile, Bosingwa ou até Pedro Emanuel, nos tempos do louCo Adriaanse.

No ano passado, com a saída de Cissokho para o Lyon pela aparentemente astronómica soma de 15 milhões de euros saiu o único jogador que, depois de tantos anos e tantas experiências falhadas, prometia dar segurança ao flanco esquerdo da defesa.

Naturalmente houve alguma ansiedade durante os primeiros tempos de Álvaro com a nossa camisola, mas cedo se percebeu que havia ali talento e que podíamos ter acertado duas vezes consecutivas num jogador para uma posição tão complicada de encontrar alguém que possamos dizer: “Ali estamos seguros!”. Apesar do estilo “Rubens Júnior com mais que duas sinapses por minuto”, impressionou pela disponibilidade física e pela subida constante no terreno ao mesmo tempo que ia sempre mantendo o apoio à defesa, ajudando o inepto Rodríguez e/ou apoiando Varela.

Como é esperado nestas situações, acabamos por pecar por excesso. Álvaro não tinha competidor à altura até Janeiro já que a alternativa seria Fucile que na altura ocupava a titularidade do lado oposto. No mercado de inverno, apesar da chegada do “verdinho” Addy, Álvaro foi usado em 46 partidas oficiais pelo FC Porto, falhando apenas cinco das 51 partidas oficiais que disputámos em 2009/2010. A somar a isto temos mais 10 jogos a contar para a fase de qualificação para o Campeonato do Mundo e mais 5 jogos na fase final do mesmo. São, ao todo, 61 (sessenta-e-um!!!) jogos oficiais disputados este ano, com quase 70 horas de competição.

Álvaro, juntamente com Fucile e o resto dos jogadores que estiveram presentes no Mundial, terão ainda um período de férias, pelo que não será fácil entrarem a jogar a tempo inteiro e ao nível que nos habituaram. Vamos ter um arranque de temporada lixado, já se sabe. Entre a eliminatória para a Liga Europa, a Supertaça e o início do campeonato graças aos génios que organizaram o calendário 2010/2011, é preciso ter a malta pronta e as tropas em alerta. Assim sendo e particularmente no caso de Álvaro com a grande dependência com que nos deixa, assumindo que Addy será emprestado após o estágio em Marienfeld para poder rodar noutro clube, cabe a Emídio Rafael, jovem contratado à Académica e que esteve também em bom plano na Liga Sagres na temporada passada, a grande responsabilidade de calçar para vencer.

Estará à altura? O tempo o dirá.

1 comentário

  1. É, e para complicar, vem agora o Fucile a dizer que gostaria de jogar em Itália… (claro que ele faz bem, aproveita a boa onda do mundial…)
    Infelizmente, só depois de vermos os primeiros jogos é que saberemos o que as alternativas valem.
    Mais consistência defensiva é o que se pede este ano. Porém , parece-me que o problema estava no meio campo, e aí a dupla Moutinho-Micael pode resolver.E o Varela e o Rodriguez fazem bem as laterais. Por isso penso que certos desequilíbrios vão ser compensados; havendo mais equilíbrio, há mais solidariedade e sobra menos responsabilidade para o indivíduo.
    Tenhamos fé!

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