Baías e Baronis – FC Porto vs Ajax

E cá estamos de novo. Finalmente o primeiro jogo no Dragão, depois de dois encontros durante o estágio na Alemanha onde só o segundo pude vislumbrar via TV…ou melhor, via internet, eis que regressamos à nossa casa. Numa tarde de sol forte e calor, os nossos rapazes mostraram-se como um gajo que chega à praia com uma bola na mão. Primeiro joga durante 15 minutos e depois, quando vê que aquilo cansa, deixa-se estar mais relaxado, senta-se e pára de jogar. Foi o que aconteceu hoje, mas não era nada que não fosse esperado. É o 4º jogo numa temporada de grandes mudanças por isso não me incomoda a falta de entrosamento e de mentalidade táctica e competitiva. Se isto acontecesse em Dezembro, aí ficava preocupado. Mas aparentemente os assobiadores continuam nas bancadas…enfim, vamos a isso:

(+) Helton. Seguro, prático e sem comprometer. Se continuar assim ganha pontos a Beto na luta pela titularidade.

(+) Hulk. Foi dos poucos que lutou todo o tempo que esteve em campo. Pode ser egoísta demais e não passar a bola quando deve, mas o complexo “Ronaldo na Selecção” é complicado. Leva a equipa às costas e especialmente nesta fase, onde os tipos não aguentam mais de 45 minutos a correr, cai ainda mais pressão sobre Hulk para resolver sempre. Está a evoluir e espera-se muito dele esta época.

(+) Recepção a Moutinho. Admito que não sabia o que iria acontecer. Transferências desta índole raramente passam despercebidas aos adeptos e havia a hipótese de haver alguma ambivalência no tratamento. Uma coisa é certa: não houve ambivalência nenhuma. Toda a gente aplaudiu, gostou e cantou a adaptação do “La Bamba” criada pelos Super para homenagear o número 10. Só lhe pode ter agradado.

(+) Assistência. Mais de 40 mil pessoas num Domingo perfeito de praia é obra. Acredito que muitos fizeram como eu, que passei pela areia de manhã e de tarde fui até ao estádio. Se fosse sempre assim…estava no Rio de Janeiro e ia ver o Flamengo, provavelmente.

(-) Tomás Costa. Não pode ser uma solução credível na posição 6. Ao mesmo tempo que compreendo que Villas-Boas queira um jogador que consiga ser mais agressivo no ataque que Fernando, parece evidente pelas provas dadas ano passado que não poderá ser o argentino. Falha passes demais e parece sempre andar distraído sem saber onde deveria estar. Preferia ver Castro naquela posição, já que parece que Souza está destinado a jogar mais à frente.

(-) Sapunaru. Se Fucile não regressar de férias, haverá sempre Miguel Lopes, porque Sapunaru parece realmente ser uma peça a mais nesta equipa. Até mostra vontade e é combativo, mas continua a ter falhas individuais muito grandes e é terrível no 1-para-1.

(-) Forma física. É sempre complicado no início da época conseguir jogar 90 minutos de bom nível. No entanto ficou patente aos adeptos que a malta ainda está longe de conseguir aguentar 45 minutos a sério, quanto mais um jogo completo…

(-) Assobiadores. Este ano devem ter proibido as férias aos imbecis. Aos 20 minutos já tinha ouvido vários a criticar os jogadores e alguns a assobiar. Numa temporada de mudança, onde precisamos de ter paciência e deixar que o treinador e os seus jogadores encontrem a melhor forma de jogar e de se entenderem em campo, quando é altura de permitir algumas falhas e esperar que aprendam com essas falhas para melhorarem…já estão os idiotas dos gajos prontinhos para assobiar ao primeiro passe falhado. Fazem mal à equipa e não se importam. Lixo.

Ainda é cedo para tirar conclusões e como já fartei de dizer no passado, estes jogos são para treinador ver e não para adepto apreciar. Ficaram algumas boas indicações mas o “jogo” durou apenas 15 minutos. O resto foi um deserto de ideias e alguma lentidão excessiva, mas não os culpo. Têm tempo para ganhar força, que bem vão precisar para um mês de Agosto extra-exigente.

5 comentários

  1. Acho que o Souza irá jogar a médio-defensivo. Hoje o AVB testou o Tomás Costa pela última vez e acho que vai ser dispensado. O Souza entrou mais para a frente, porque o AVB não queria tirar o Fernando que tinha entrado há pouco tempo. E nenhum dos 2 podia começar o jogo a médio-defensivo, porque o AVB queria testar o Tomas Costa.

  2. Não vi o jogo, e tentei ler todos os relatos e apreciações; não vou falar sobre a apreciação aos jogadores portanto, mas sobre a envolvente em que o jogo se inseriu. Concordo plenamente com o que escreveu!
    Já andava a achar que a malta estava muito sôfrega e a acreditar piamente que ia haver milagre!…
    Como se fosse possível em tão pouco tempo ter assimilado as ideias e ter ganho a resistência física suficiente!
    E, claro já assobiaram.
    Enfim, acho que há muita gente que usa o futebol para compensar os seus próprios falhanços, e por isso não precisa de gostar de futebol ou do seu clube. Gosta é de vitórias de 5-0; menos que isso não serve.

  3. Este primeiro jogo no Dragão soube-me a desilusão.

    Entendo que será necessário muito trabalho para os jogadores assimilarem os novos processos, as novas concepções e métodos.

    Confesso, no entanto, que esperava um pouco mais da equipa.

    Nota-se alguma indecisão de AVB no que toca à escolha do plantel. Neste jogo foi bem evidente até pelo número de jogadores utilizados.

    Independentemente de faltarem ainda jogadores influentes, Fucile, Rolando, Bruno Alves, Álvaro Pereira, Raul Meireles e Varela, alguns dos quais certamente não farão parte do plantel, esperava que a equipa tivesse já a espinha dorsal mais delineada.

    É cedo para tecer críticas mas contava mais de alguns reforços.

    Sereno apresentou-se muito permeável, Emídio Rafael muito pouco ofensivo, Moutinho ainda pouco influente, James Rodríguez lento e nada atrevido e ainda pouco corajoso. Esperava dele mais arrojo no um contra um, que foi evitando.

    Sapunaru e Tomás Costa foram iguais a si mesmos (fraquinhos)e Belluschi intermitente.

    Está na hora de dar passos firmes rumo a níveis mais exigentes. O tempo começa a escassear.

    Um abraço

  4. O problema é da bola! Com aquela cor, realmente parece que o FCP vai ter dificuldade em fazer posse de bola, como gosta. É que eles preferem descartar-se da laranjinha, até mesmo o Hulk!

    A cor da bola deve ter sido imposta pelo patrocinador da Liga de Honra, que agora se chama Orangina, e daí aquela cor de laranja madura a cair de podre (onde é que eu já ouvi falar de fruta podre nos últimos tempos)?

    Mas há que dar tempo ao tempo, que com aquele equipamento amarelo eléctrico está-se mesmo a ver que o FCP há-de trocar os olhos aos adversários.

    Um abraço

Deixar uma resposta