A lógica da burrice, por Vítor Frade

“Porque a lógica que está implantada é a lógica da burrice. A cada passo vemos e ouvimos apregoar uma série de slogans que vão ao encontro desse tipo de raciocínio. Até na escolha dos miúdos ao nível da formação se ouve, sistematicamente, coisas como «Eh pá, é habilidoso, mas é pequenino». É um absurdo. Por exemplo, o Liedson, não sendo um fora-de-série, ao nosso nível é um jogador fantástico e é pequenino, como o era o Romário e uma série de outros bons jogadores.”

Vítor Frade, em conversa com Nuno Amieiro, no Falemos de Futebol, infelizmente em hiato prolongado

 

Este excerto é retirado de uma conversa mais longa que vale bem a pena ler, no Periodização Tática (é brasileiro, não estou a usar o novo acordo), chamado “A lógica da burrice“. Numa altura em que todo o mundo parece obcecado com o fortalecimento dos jogadores da bola em detrimento da capacidade técnica, numa espécie de ronaldização do futebol, este texto espelha bem que nem sempre essa doutrina será a mais acertada.

Para além da pertinência do texto, é extremamente interessante ler as opiniões de alguém que sabe, ao contrário do que acontece com as crónicas da Marta Rebelo.

5 comentários

  1. Conheço Vítor Frade há muitos anos para saber o que pensa.

    Já de ti, Jorge, surpreendes-me com a leitura das crónicas de uma gata fedorenta e do Rascord.

    Espero que melhores a tua saúde -:)

    Abraço

    1. está ao nível do fugaz olhar para a capa da Nova Gente enquanto pago as compras no supermercado. raios me partam se eu não sei a vida da Guita Pegueiga toda! a Marta Rebelo é isso, a Lili Caneças da bola. Já tem aspecto para metade da idade da outra e daquela boca só sai estrume ou entra falo. é melhor para por aqui, preciso de material para o blog e não o posso gastar todo na caixa de comentários.

      um abraço,
      Jorge

  2. Supreende-me o texto porque pensei que essa selecao baseada mais no tamanho que era usual ha umas decadas ja tinha sido posta de lado.
    Alias tanto o Ronaldo como o Nani eram tipos franzinos quando chegaram ao Sporting.
    Tambem acho que ha muito preconceito sem fundamento usado na escolha/triagem de jogadores especialmente ao nivel mais novo. As pessoas desenvolvem-se de uma forma demasiado diversa com jogadores a desenvolverem-se tecnicamente/fisicamente/intelectualmente depressa inicialmente mas de seguida estagnarem quando outros evoluem lentamente mas mantem niveis de progressao elevados que lhes permitem atingir qualidade elevada quando adultos. Isso e observavel na evolucao academica de estudantes e nao me surpreende que com estes processos de seleccao se estejam a deitar fora muitos bons jogadores de futebol.

    1. o texto vem de 2008, por isso é recente tendo em conta a evolução do futebolista moderno. concordo quando dizes que há grandes preconceitos nesse campo, mas uma boa parte é culpa da mediatização excessiva da imagem do jogador. Ronaldo vende. Messi vende…menos.

  3. Essa questão das alturas, dos tipos fortes e bem constituídos, é todos os dias arrasada pelo Barça e selecção espanhola. O Ivic, que gostava muito do Rui Barros, dizia que jogadores como ele, que podiam, exagerando, passar por baixo das pernas dos defesas altos e fortes, eram os jogadores do futuro.

    Um abraço

Deixar uma resposta