Notas soltas sobre a entrevista de Pinto da Costa

Em tópicos, só para não chatear muito com uma prosa longa, tal como a anormalidade jornalística que se sentou em frente ao NGP:

  • Uma entrevista a Pinto da Costa não pode durar 35 minutos. Nem as perguntas podem ser feitas para aos quinze segundos de resposta ser feita uma nova pergunta sem qualquer relação com a anterior;
  • Gostei de ver PdC ao ataque. Directo, agressivo, apoiado em evidências indesmentíveis, sem falácias nem indirectas. Disse o que todos queriam que dissesse, chamou os cães pelos nomes (metaforicamente, no pior sentido possível e bem aplicável) e mostrou a uma audiência não-internética os factos que suportam o que toda a malta por aqui, bem como a própria instituição FC Porto, diz há muito tempo;
  • Não quero saber nem me interessam pormenores sobre a vida pessoal dele. Só me incomoda quando a vida pessoal interfere com a vida de presidente do FC Porto, como aconteceu com aquela vacarrona loira. Safou-se bem na parte da exposição mediática mas podia ter feito algum mea-culpa quanto à situação da Filomena. Não quis, não me preocupa;
  • Não gostei que não tivesse condenado a agressão a Rui Gomes da Silva. Pode ter sido só um empurrão mas tinha-me caído bem se tivesse batido (pun intended) nos agressores.
  • Gostei do enaltecimento do Portismo de Villas-Boas;
  • Gostei da boa preparação para justificar o não-apoio a Fernando Gomes na Liga, por muito que o trabalho seja de louvar;
  • Gostei das taças em fundo. Lindas;
  • Entendi a forma subliminar como deu a entender que o sucessor (por muito que diga que haverá eleições, porque haverá, mas parece-me óbvio que o homem que fôr apoiado por PdC nem precisa de lá ir votar para vencer) poderá vir de dentro. Não sei é quem será para além de Antero Henrique.
  • Gostei da história dos pilares. É simples, directo e os Portistas relacionam-se bem com o conceito;
  • Achei ridícula a figura de Fátima Campos Ferreira, a gaja do vídeo do “mordeu-me uma mosca“, que só pode ter sido escolhida porque veio passar o fim-de-semana ao Porto e já que cá estava, aí vai aço. As perguntas foram todas extremamente suaves, sem um pingo de malícia e quase a permitir a PdC falar sobre o que queria. Só não lhe deu tempo para falar. E enerva-me ver que uma jornalista experiente não prepare minimamente uma entrevista a uma figura desta magnitude (não sabia onde foi o famoso jantar do árbitro da UEFA, chamou Antas ao Dragão e Taça da Liga à Taça de Portugal, caiu muito facilmente na esparrela das cláusulas de rescisão, entre outras…) porque dá um ar de tão pouco profissionalismo como ver o Papa a celebrar uma missa campal com cábulas escritas nas mãos. Parece mal.

6 comentários

  1. E é verdade que aquela tipa é uma verdadeira nódoa jornaleira! Já no prós e contras faz as tristes figuras que faz, sempre opinativa e desconhecedora. E, mesmo sendo portista, acho que ela deveria procurar fazer perguntas incómodas (não confundir com perguntas de baixo nível) e não cantar a ode à capacidade de gestão o PdC. Enfim…

  2. Incrível o role de perguntas que a entrevistadora fez … fez mais perguntas sobre a vida pessoal do PC do que sobre a época espectacular do fcp, eu tambem ja sou suspeito pk detesto o modo como faz observaçoes e juizos de valor no programita dela… e pronto ja está dado o mote para que quando o slb ganhar a taça da liga outra vez se faça uma entrevista com o seu Presidente (mas esta de 5 horas e meia).

  3. Aqui da minha diáspora não posso comentar o que não vi, mas acho que nem era preciso: essa senhora, como quase tudo o que anda na rtp, é absolutamente uma nulidade, e já que falou do papa, deixe-me contar-lhe o que me contou uma senhora que trabalhou no paço episcopal e estava em Roma quando morreu o João Paulo II – teve de explicar tudo, mas absolutamente tudo, sobre a religião católica e o papel dos papas e bispos à dita FCF porque entrou em conversa com ela e ela não sabia nada de nada e era a repórter da rtp… – Portugal, à excepção de alguns de nós (haha!) é um país cheio de gente medíocre em lugares chave…
    mais uma razão para ser absolutamente fantástico tudo o que se passa com o nosso clube (eu seria sempre do fcp mesmo que não fossem estas coisas todas, mas assim é bem mais ‘gostoso’)
    Quanto ao que diz sobre a vida pessoal do nosso presidente estou inteiramente de acordo; não podemos passar uma esponja sobre algumas questões só porque ele dirige o clube maravilhosamente…

  4. Isto não foi uma entrevista, foi um atentado ao jornalismo! A linha da entrevista é ridícula.

    As ultimas três perguntas:

    No Brasil dizem que o Fernando já não volta ao Porto? Estas taças vão ficar onde? A situação de Portugal preocupa-o?

    Este momento merecia alguém muito mais competente e acima de tudo mais preparado.

  5. Pois eu gostei da entrevista, mesmo reconhecendo como válidas as falhas aqui apontadas por várias pessoas.
    Gostei sobretudo de ver que apesar da idade não abrandar, para ninguém, ele mantém as sua faculdade mental ao nível da física, porque convenhamos, “dar de comer e manter satisfeita” uma jovem de 23 anos não deve ser fácil quando já se tem mais de 70 nos.

    Convido todos a darem um tirinho na minha barraca.
    Pode ser que acertem.

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