Inventonas

Aos domingos, no RCP, houve durante algum tempo um grande noticiário de informação desportiva lido a duas vozes. A recolha da informação era do Firmino Antunes, que sacava resultados de clubes quase desconhecidos em modalidades e escalões praticamente ignorados. Estava lá tudo. Quanto às duas vozes eram de quem calhava de serviço. Certa vez, estavam de plantão ao noticiário o Paulo Fernando e o João Paulo Guerra, escasseava a informação de outras modalidades mas abundava a da Volta a Portugal em Bicicleta. Lemos a classificação da etapa até ao vigésimo lugar e… não resistimos:
11º Paulo Fernando, disse o João Paulo; 12º João Paulo Guerra, respondeu o Paulo; nos lugares seguintes entraram os técnicos de serviço do outro lado do vidro, o Oliveira, o Gomes ou o Leal, de serviço à portaria, o Barata, atarantado atrás do balcão do bar. E ao 20 º lugar lá retomámos a classificação real: 20º Perna de Coelho, disse o Paulo Fernando, acrescentando apenas um de ao nome de um conhecido ciclista do Benfica, Joaquim Dionísio Perna Coelho.
Perguntarão: então e a direcção, não deu por nada? Deu. Ligou um director a perguntar que brincadeira era aquela? Como se houvesse algum ciclista chamado Perna de Coelho, ou Perna Coelho, ou lá o que era!? Com certeza. Paulo Fernando e João Paulo Guerra é que eram ciclistas de grande pedalada.

in kuandoosradioseramclubes.blogs.sapo.pt

Esta brincadeira aconteceu nos anos 60. Talvez nos 70. Nada de malicioso, nada de extraordinariamente ofensivo nem pejorativo, apenas uma brincadeira. Mas é uma imagem da falta de ética e de correcção jornalística que pauta o típico lusitano. Desde essa altura, se formos a ver pela grande maioria das notícias nos jornais que temos hoje em dia, não me parece que a evolução dos elementos que os compõem tenha sido positiva. O que mais enoja é o enaltecimento da classe, o elogio das figuras que constituem o núcleo do jornalismo desportivo português como se de cientistas sociais se tratassem, quando uma inacreditável percentagem deles é facciosa, descaradamente parcial e sem qualquer problema em escondê-lo e agir como armas de arremesso para interesses de vários clubes por aí fora.

Entretanto, os Nolitos deste mundo vão continuar a voar para o relvado, os Javis vão continuar a insultar e os Maxis a cotovelar. E quando vestem de azul-e-branco, como um qualquer Lisandro, Bruno Alves ou Quaresma aqui há uns anos, são gente vil e uma praga para o futebol moderno. Quando a camisola vermelha é usada com o orgulho que lhe injectam, a história muda.

12 comentários

  1. A história é deliciosa, e nada criticável. Uma forma de contrariar a ladaínha de resultados. E, parece-me que quem tem o sentido de humor para fazer uma coisa dessas não será nunca mau.
    Infelizmente essas pessoas capazes de pensarem pelas suas cabeças e quebrar o protocolo já se foram. Agora é considerado bom, quem repete os chavões e faz um ar solene e sério. E, principalmente segue a cartilha. Na escola de jornalismo, nos anos 80, ensinava-se a relatar um acontecimento, como se se estivesse a escrever para um jornal marxista, de direita extrema, de centro, etc… um jornalista passou a ser visto como um relator à medida do emprego que tem, e não um ser capaz de costas direitas e espinha dorsal. Não é de admirar, pois, a existência atual de seres sem espinha no jornalismo desportivo. Parece que o porto vende pouco.
    Mas, se quer que lhe diga, ainda bem!
    Ainda bem, porque detesto a subserviência,a bajolaria, o beija mão dominical.
    Gostaria da verdade. Mas isso sei que o meu clube também não me dá..

  2. Caro Jorge,

    Isso é uma verdade absoluta, mas o que fazer? a meu ver não há maneira de acabar com essa pouca vergonha. Sabe como dizia o Mestre Pedroto não podemos ser bons rapazes…

    Cumprimentos,

    RR

  3. Disclamer: Eu sei que isto é um blog da bola, mas deixa-me lá dizer isto.

    Sinceramente no jornalismo o que me chateia mais nem é serem facciosos a ver a bola, isso nem tem grandes consequências. São as outras notícias a “sério mesmo”. Ás vezes vejo notícias das quais entendo mais do que o jornalista (bits e bytes normalmente) e até choro por dentro com as asneiras que estão a dizer. E depois penso será que nas outras também são assim? Aquelas que eu não percebo muito para ver o chorrilho de asneiras que estão a dizer?

    Isto é que me preocupa a sério, por causa da desinformação que podem causar. Agora coisas como o Valdemar Duarte (está na moda) só dão pra rir.

    1. foquei-me na bola pelo teor do blog, mas dou-te toda a razão. e nem falo da falta de profissionalismo a nível de gralhas e erros gramaticais, mas sim no fio condutor mental que está por detrás das razões das notícias e da forma como são veiculadas. por vezes é mesmo mau demais.

      um abraço,
      Jorge

  4. Jorge fazes bem em (re)lembrar o universo azul e branco do tratamento diferenciado que somos alvo constantemente.

    E ajuda também lembrares-nos de factos concretos que não podemos esquecer e que deviam envergonhar o país.

    Abraço.

  5. Jorge, deixo-te uma reflexão.

    O portismo, na generalidade, abomina os jornaleiros e paineleiros. É tudo mau. Quando muito salva-se um ou outro porque se sabe serem portistas. Há até quem jure que fulano é portista e dos valentes, trabalha em determinado OCS mas nunca se viu nada dele nesse OCS que influenciasse o que se acha que está mal. O FC Porto já tem alguns ex-jornalistas no seu seio e parece que vai ter mais um ou outro. Não sei, melhor até sei, o que fizeram na sua carreira que abonasse a sua reputação portista. Adiante.

    Entetanto, a Imprensa definha no Porto e Norte em geral. Pensava eu que era por ser região mais pobre do que Lisboa e arredores. E mais pobre e menos populosa. Mas não. Há mais gente ao redor do Porto num raio de 120kms do que em Lisboa com o mesmo perímetro. Em geral até há dinheiro nessa grande região. Menos do que em LVT mas há. Então, porque os jornais do Porto falecem? Porque é que a crise levou um dos acervos mais significativos da História do Porto dizimando os seus jornais? Se há gente para comprar jornais, porque não os compram? Não gostam? Ou são prejuiçosos? Ou o leitor de jornal é mais faccioso do que em Lisboa? Há diferenças de qualidade, pontualmente, que favorecem jornais de Lisboa, por muito lixo que possa confundir a apreciação geral de um JN com um CM, por exemplo.
    Depois, que “esforço” fez ou faz o FC Porto para estar de bem com a Imprensa que lhe é vizinha e, logo, querida?
    Ficam as questões, evito dar as minhas respostas.

    1. é difícil de dizer o que se pode fazer para evitar. não há grupos financeiros à EUA a meter o guito nas publicações para as manter com o regionalismo e consequentemente com a afectação que podíamos ter. Belmiros e Amorins não se interessam pela região porque já nacionalizaram e internacionalizaram há tempo suficiente para não se preocuparem com os problemas das urbes onde vivem. mas será isso que queremos? focando-me no desporto, queremos mesmo um jornal regional à lá Mundo Deportivo? só gostava de manter a minha ingenuidade e acreditar que quando leio uma capa de jornal ou o folheio para ler algum artigo, não tivesse a sensação que me estão a tentar comer por lorpa. enfim, utopias.

      um abraço,
      Jorge

  6. Queria lembrar que aquilo que é normalmente conhecido por jornal a bola e record, não são jornais, é mais uma ‘coisa’ do genero da revista caras, mas para homens.É uma ‘coisa’ que as pessoas compram para verem as ‘figuras’ e ler uns artigos a gozarem com os ricos e ‘ditos’ famosos. Mas o gozo é nós termos, anualmente, algumas 1ª’s paginas de jornal que por norma são nossas, com TITULOS. Se alguem tiver vontade de fazer isto que façam uma analise do espaço ocupado na 1ª pagina, num mês, e está provado o facciosismo deste pseudojornais relativamente ao Clube com mais titulos de Fut.em Portugal.

  7. Eh! Não posso! Jorge?

    Deixaste alguém vir brincar no teu blog? Que último parágrafo completamente desenquadrado, falso e não fundamentado é esse?

    Muda lá a password de acesso! :)

    Abraço

    1. deve haver gremlins nas redondezas, não sei o que se passa :P

      tenho os meus dias. às vezes para contextualizar este tipo de eventos é mesmo preciso usar casos conhecidos e aqueles são tão evidentes que a simples menção faz logo com que toda a gente se lembre.

      abraço,
      Jorge

  8. Não justifica achapada no jornaleiro avençado lampião…
    Essa corja sempre existiu e sempre existirá, e ignorá-los, ações como as do ultimo jogo co Braga só contribuem para dar achas a esses gajos oara falar mal de nós.

    Não precisamos disto.

  9. Os hábitos de leitura estão directamente associados ao desenvolvimento económico e social de uma região ou país. Vejam em que países se lê mais jornais per capita. Não tem nada a ver com o número de habitantes. O sul sendo mais desenvolvido social e economicamente e com maior poder de compra, isto vem tudo nas estatísticas, tem à semelhança de outras regiões maior venda de jornais e de revistas. Porque tem maiores hábitos de leitura. Está tudo interligado.

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