Baías e Baronis – FC Porto 2 vs 0 SC Olhanense

foto retirada de fcporto.pt

À medida que as jornadas vão prosseguindo e o campeonato se vai aproximando do final, os padrões dos adeptos ficam diferentes. Mais altos para alguns, que exigem que a equipa suba o nível e cresça nas exibições, na produção ofensiva e na eficácia defensiva, numa altura difícil e fundamental em que nenhuma falha é perdoada. Para outro grupo de adeptos, os padrões de qualidade baixam e a única coisa que querem é ganhar. Não querem saber se os jogos são maus, se há muitas bolas para a bancada, remates de qualquer lado ou jogadas construídas sem um fio de jogo pensado. O que interessa são os três pontos. Ainda há um terceiro grupo. O que gosta de combinar as duas vertentes, a construtiva e a produtiva. Sou do terceiro. Saí do Dragão satisfeito pela vitória e razoavelmente contente com a exibição. Não foi genial e mais uma vez houve tantas falhas e tão grandes que o Dragão parecia situado nos arredores de Los Angeles. Mas ganhámos e nesta altura é mais importante vencer que jogar bem e perder. Notas, já já aqui abaixo:

 

(+) João Moutinho Tem tido a consistência que permite ao nosso meio campo manter-se competitivo, muito à sua custa. Diria que a equipa do FC Porto hoje em dia está “pendurada” nos pés de Moutinho porque sem a inteligência do português, com a bola e no espaço quando a procura, a equipa andaria à deriva em campo. Moutinho está de novo em grande nível, a jogar simples, com sentido prático e a executar os lances certos no momento certo. É talvez um dos únicos jogadores do Mundo que teria lugar no meio-campo de Guardiola no Barcelona. Talvez não fosse titular mas era menino para fazer uns trinta ou quarenta jogos por ano.

(+) Maicon e Otamendi no centro Os dois centrais estiveram bem perante os avançados do Olhanense que não fizeram um grande jogo muito por culpa dos nossos defesas. Rolando ficou no banco, não sei se por castigo se por opção, mas os factos falam por si: zero golos sofridos, velocidade no passe, agressividade positiva durante o jogo e bom entendimento na cobertura defensiva dos espaços criados pelas subidas dos laterais. Uma pequena nota recorrente: Otamendi falha muitos passes curtos, Maicon falha muitos longos. Tirando isso, estiveram bem.

(+) A vontade de Sapunaru O romeno é um tolo. Ele sabe que é tolo, todos sabemos que é tolo. Mas há qualquer coisa naquela loucura que me entusiasma e perdoo-lhe mesmo alguma inépcia técnica e até o espaço que continua a permitir a qualquer adversário que lhe apareça pela frente antes de lhe tentar tirar a bola. Mas dá gosto vê-lo a correr pelo flanco, a tentar sempre subir no terreno a ajudar o extremo do seu lado, a aparecer na área para cabecear ou a rematar cruzado para a baliza. Dá ideia que está noventa minutos a pensar em marcar um golo e raramente desiste até o conseguir. Quantos mais romenos loucos há por aí? Tragam-nos alguns que bem precisamos.

 

(-) Lucho Há jogos que correm melhor que outros e apesar do golo que marcou, Lucho hoje foi uma nulidade em campo. Foi pior. Falhou inúmeros passes, tirava o pé nas disputas divididas, permitia movimentações dos jogadores do Olhanense muito perto dele sem tentar obstruir a progressão do adversário e raramente foi produtivo com ou sem a bola nos pés. Se fosse outro jogador qualquer, especialmente alguém que não conhecesse, diria que era um tosco. Mas Lucho não é tosco, muito longe disso. Um mau jogo que também poderá surgir da fraca condição física. Saiu bem.

(-) Álvaro Pereira Um jogo fraquinho do Palito, com pouca claridividência no ataque e demasiadas distrações na defesa onde obrigou Otamendi a ir ao seu auxílio muitas vezes, quase sempre com sucesso, felizmente. Álvaro tem sido um jogador importante mas há alguns jogos em que aparece muitas vezes no ataque a criar perigo para a área contrária. Hoje, nem isso, porque sempre que passava o meio campo lá acabava por perder alguns metros à frente. Estranho o facto de ter jogado com a cabeça muito inclinada para baixo, talvez esteja cansado, sei lá. Vai precisar de jogar bastante melhor contra o Braga.

(-) A complacência de Alex Sandro É complicado perceber o que passa pela cabeça de quem quer que seja. Parece fácil visto de fora mas acredito que Alex Sandro não é retardado. Sinceramente acredito. Mas as várias jogadas ridículas que hoje protagonizou nos vinte e tal minutos que esteve em campo foram dignas de registo para a posteridade por vários motivos. Porque um internacional brasileiro como é Alex Sandro que mostra (e já não é a primeira vez) uma atitude complacente com a nossa camisola, sem interesse em jogar, sem força, sem concentração, sem a cabeça no jogo…envergonha-me. E devia envergonhá-lo também. Espero muito mais dele, mas acima de tudo espero que lute. Não o fez.

 

À entrada, subi as escadas de acesso à bancada e um homem com o apoio de duas muletas subia também as escadas com alguma dificuldade, mitigada com o auxílio de um jovem, diria seu neto. Ao lado, um colega que com ele se deslocou ao Dragão dizia-lhe: “Nem sei para que é que você veio, ficava em casa a ver na televisão…”, ao que o sénior lhe responde: “Nada disso, o Porto é o Porto, carago, e enquanto tiver forcinha nas pernas hei-de cá vir sempre que puder!”. É exactamente este o espírito que gosto de ver. Um louvor ao velhote, se fazem favor, porque faz ver a tanta gente que se queixa de tudo e todos e deixa de lá ir apoiar a equipa nos momentos maus, mesmo nas alturas que a equipa mais precisa deles. Fomos trinta e um mil no Dragão. Poucos ou nenhuns assobiaram. Gostei.

8 comentários

  1. gostei da analogia da falha. permites-me esticá-la ao que já correu da época?

    o balneário do porto também fica nos arredores de los angeles. Pós lados do vale de san fernando, tal a concentração de pessoas a foderem-se umas às outras. :)

    se o lucho virar baía até ao fim, sois campeões. se der baroni, quilhou-se. e juro que não sei para quem cai isto.

  2. nao sei como não puseste o VP nos baias,o gajo teve tomates e tirou o rolando.

    nao sei como nao puseste o VP nos baronis, o gajo não teve tomates de meter o iturbe…

  3. Concordo contigo, mas acho que temos de fazer um mea culpa e dizer que o Maicon foi brutalmente e honestamente batido no lance que isolava o jogador do Olhanense. Foi uma falta a pedido, e este tipo de lances sem rins elasticos sao tipicos no Maicon. Que acorde para a vida de uma vez ou tragam outro.

  4. Bom dia,

    Ontem efectuamos um bom jogo, tivemos atitude, o nosso meio campo foi dinâmico, e foi com naturalidade que vencemos.
    A Olhanense não sai goleada por mérito do seu guarda-redes e por ineficácia nossa na finalização.

    Agora que conquistamos o primeiro lugar, há que lutar por mantê-lo e ir a Braga com a mesma atitude de ontem, pois assim as vitórias surgem naturalmente.

    Abraço e bom domingo

    Paulo

  5. Vitória importante e saborosa num jogo de domínio absoluto mas com um desperdício exagerado de oportunidades de golo, que poderiam levar o resultado para números pouco habituais.

    Vamos ver se a liderança, agora conquistada, nos catapulta para um final condizente com a história do Clube. Queremos ser campeões? Então vamos lá fazer um último esforço, com classe e convicção.

    Um abraço

  6. Já são dois jogos seguidos em que estou a viajar e apenas vejo à posteriori. Neste caso nem sequer vi o jogo ainda. Vim aqui para ler a opinião, e fiquei de boca caída com a quantidade de comentários… -Já acredito que o Porto jogou bem! Mas, adiante, gostei do senhor com as muletas. Pela mensagem, pela coragem. (- Sin non è vero è bene trovato…)

  7. Boas Jorge,

    Só não concordo com o Baroni ao Comandante. Falhou uns qtos passes, é certo, mas tb tenta acrescentar alguma dinâmica e rapidez ao jogo. O problema é que mtas vezes nng acompanha.

    Pior que o Lucho para mim é o Janko. Que cepo… como é que um gajo com 1.92m não ganha uma bola de cabeça?! Já para não falar da velocidade. Lento, previsível… preferia a bigorda badocha.

    E mais uma vez não joga o Iturbe. Se nem uns minutos lhe dá, não teria sido melhor empresta-lo?!

    Gostei de vêr o Rolando no banco para ver se atina. :)

    Abraço,
    João

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