Reconsiderando Addy

Uma das peças em dúvida para o FC Porto 2012/2013 é David Addy. Chegou no inverno de 2010 vindo de um inverno dinamarquês que por sua vez estava no outro extremo do que será um tradicional inverno na sua terra natal, o Gana. Rápido, agressivo, deixou a imagem de um típico lateral africano com correrias loucas pelo flanco, hábitos defensivos pouco enraizados e uma propensão excessiva para subir no terreno e deixar o seu sector sem cobertura. O dono daquele lugar era já Álvaro Pereira e apesar de Addy apenas fazer um jogo (em casa contra o Rio Ave nas meias-finais da Taça de Portugal), a malta gostou do que viu. Na altura, escrevi:

É aquilo que estava à espera. Com vontade de jogar e fazer as coisas simples, é o típico lateral africano, com velocidade e empenho, a atacar bem melhor que a defender, mostrou que precisa de mais ritmo e mais minutos nas pernas para se aperceber da melhor forma de jogar em campeonatos que exijam um pouco mais que o dinamarquês. Cresceu durante o jogo, fez o público gostar dele (o que, convenhamos, não é fácil de conseguir no Dragão) e pode ser um bom jogador para o futuro.

Tapado por Álvaro, Fucile e Emídio Rafael, foi emprestado à Académica para jogar e crescer em 2010/11 mas a época não lhe correu bem. Fez apenas 16 jogos e recebeu a bonita soma de cinco cartões amarelos e três vermelhos (um por acumulação), muito à imagem do seu então colega de equipa Abdoulaye, ficando desde logo com um belo rótulo de “caceteiro à Porto”. Ora nem sempre sendo um estigma que me desagrade, a verdade é que o rapaz parecia não evoluir para um patamar que se pretendia suficiente para ser, no mínimo, alternativa a Palito no nosso plantel que então contava com Emídio Rafael como melhor alternativa, que começou a entrar na equipa para depois se lesionar gravemente em Barcelos num jogo para a Taça da Liga.

O ganês fez a pré-época de 2011/12 com o plantel principal mas acabou por ser emprestado ao Panetolikos da Grécia…onde pareceu melhorar o comportamento em campo, fazendo 25 jogos e recebendo sete amarelos e um vermelho, acabando por descer de divisão.

A questão principal é: terá Addy lugar no plantel para a próxima época?

Talvez. Neste momento temos quatro jogadores para uma posição onde é complicado arranjar um único jogador decente. Considerando que na equipa B ficarão Victor, MBola e David Bruno (que poderia lá jogar apesar da posição de raíz ser no outro flanco), ficam nos As nomes como Álvaro Pereira, Alex Sandro, Emídio Rafael e David Addy. Há condicionantes:

  • Álvaro está mais fora do clube que dentro (até confirmação oficial de uma putativa venda continua a ser “nosso”, mas até quando?);
  • Alex Sandro vai estar nos Olímpicos até meio/fim de Agosto;
  • Emídio Rafael não parece conseguir recuperar da lesão em condições e mesmo que o faça…poderá ser opção válida?

Addy é neste momento talvez a melhor solução para ficar no plantel. Não sei se Vitor Pereira confia no rapaz ao ponto de lhe entregar o lado esquerdo da defesa no caso de Álvaro sair, mas enquanto Alex Sandro – talvez a maior aposta de risco de todo o plantel, tendo em conta a valia do seu antecessor – estiver ausente, não vejo alternativas válidas. Depois…a palavra é de Vitor Pereira.


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1 comentário

  1. Caro Jorge,

    Eu também não desgostei do rapaz, mas para ter sido emprestado ao Panetolikos (?) é porque não deve ser grande coisa. Nenhum dos clubes mais pequenos da nossa 1ª divisão quis ficar com ele? É de desconfiar. Essa época em Coimbra deve ter sido muito má.

    Não me parece que sirva e acho que preferia lá ver o Mangala (à Maicon) a desenrascar até o Alex Sandro estar disponível.

    O Sereno só faz a direita? Vou reler o teu post.

    Abraço.
    PeLiFe
    BASEL84

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