Baías e Baronis – CCD Santa Eulália 0 vs 1 FC Porto

O jogo foi fácil, que ninguém tenha dúvida acerca disso muito embora o resultado possa parecer que houve luta. Não houve. Os rapazes do Santa Eulália tentaram com muita vontade mas pouca qualidade técnica e ainda menos discernimento, o que era perfeitamente expectável tendo em conta a diferença entre as duas equipas. Mas não era expectável a quase total ausência de vontade por parte de vários jogadores do FC Porto que parecem padecer de uma condição estranha neste tipo de jogos contra equipas teoricamente mais fracas e que os leva a serem lentos, a arrastar o jogo, a ficarem à espera que os minutes passem até se esgotar o tempo de jogo e poderem ir para casa de novo. Vitor Pereira não quis falar depois do jogo e compreendo que não o faça. Mas passa por ele tentar e conseguir mudar esta mentalidade tão portuguesa e infelizmente tão portista há muitos anos, não pode amuar e assumir que nada há a mudar. Espero que no balneário tenha falado. E muito. E com vernáculo. Notas abaixo:

 

(+) Kelvin e Atsu Foram talvez os poucos que tiveram o mínimo de discernimento para furar uma defesa com pouca organização e um meio-campo que se valia da quantidade em vez da qualidade para travar os ataques do FC Porto. Kelvin melhor que Atsu na primeira parte, com excelentes pormenores de controlo de bola, rotações para criar desiquilíbrios e condução da bola pelos sítios certos com bom tempo de passe. Na segunda Atsu esteve melhor, mais incisivo a aproveitar a quebra física do adversário e apesar de pouco eficaz no último passe foi talvez o melhor jogador do FC Porto.

(+) O golo de Danilo Se alguém tiver a pachorra de colocar Danilo numa sala e lhe fizer uma pergunta muito simples: “gostas de jogar a defesa direito?”, enquanto o tortura continuamente com uma corda e um CD do Mickael Carreira, a resposta vai ser: “não, prefiro jogar no meio-campo”. sempre, mesmo quando a música estiver alta e a corda ensanguentada. E o rapaz prova isso a cada jogo que faz, porque sempre que pode descai para o centro e aparece pronto para rematar à baliza ou fazer passes como o do passado Domingo contra o Sporting que deu o golo de Jackson. Marcou um excelente golo exactamente nessa posição em que apareceu no apoio, mas não gostei tanto de o ver a jogar no centro quando Vitor Pereira o colocou lá a meio do jogo. Espero por outras oportunidades em jogos secundários porque não creio que consiga tirar o lugar a Lucho ou a Moutinho…

(+) As desmarcações de Rolando Ver Rolando a jogar a trinco é tão natural como ver-me a usar um vestido de majorette e a dançar nas marchas populares da Madragoa. Mas foi curioso ver que a capacidade técnica de Rolando, particularmente na tentativa de furar a defesa com passes certeiros e que só não deram mais frutos porque, sinceramente, não parecia haver ninguém que quisesse mesmo marcar golos. Lento demais para ocupar aquela posição contra clubes com menos de duas divisões de diferença do FC Porto, ainda assim esteve bem.

 

(-) A mentalidade dos que têm algo a provar Que tal aconteça com jogadores credenciados e sem nada a provar, até compreendo. Não aceito, mas compreendo. Agora quando vejo jogadores como Iturbe, Kleber ou Castro a jogarem a um nível tão baixo, tão ausente e tão desinteressado, custa-me perceber o que raio passa pela cabeça desses fulanos. Vejo isto a acontecer há anos e até hoje ainda não vi nenhum treinador que conseguisse pegar numa equipa e a motivasse de uma forma tão francamente intensa que levasse a que os menos utilizados exibam a garra que os consiga fazer subir na consideração de sócios, adeptos e acima de tudo da sua própria equipa técnica. Talvez não haja salvação. Talvez estejamos presos a uma realidade em que os jogadores talentosos vêem que não têm hipótese de “roubar” a titularidade aos colegas mais credenciados e nem tentam. Mas não consigo perceber como é que alguém no início da sua carreira já consegue pensar assim dessa forma. Enfim, não consigo perceber que Castro não jogue rápido de pé para pé e prefira passes longos para lançamento lateral do adversário. Não entendo como é que Iturbe não percebe que fintar seis ou sete jogadores pode não ser a melhor opção. Não me cabe na cabeça como é que Kleber…existe no nosso plantel, porque continua a não mostrar qualidade para isso. São todos novos demais para desistirem tão cedo. Desiludem-me estes e alguns dos outros como Varela ou Miguel Lopes, que têm já um nome a defender e entraram para o marasmo como os outros. Muito fraco.


Os resultadistas dir-me-ão que o que interessa é a qualificação para a próxima ronda e na verdade é mesmo isso que conta. Mas custa-me ver jogadores que têm talento para isso e desperdiçam oportunidades de brilhar, de pressionar as opções do treinador e de convencer os adeptos que são opção para todos os jogos e não só estes da taça. Não compreendo como se atiram estas opções ao vento, palavra que não entendo. Enfim, venha de lá o Dínamo porque este não deu sequer para aguçar o apetite. Parabéns ao Santa Eulália. Quase que tinham sorte.

3 comentários

  1. Estou como os jogadores, que hoje entraram em campo para jogar pelo FCP, não me apetece fazer nada, que é como quem diz, não me apetece falar daquele que devia ter sido um jogo de futebol,mas que foi uma chatice,se eu mandasse, aqueles meninos mimados,este mês, só recebiam metade do ordenado.
    Abraço
    manuel moutinho

  2. Pois, eu gostei do jogo. Acho que foi o jogo de toda a verdade. (Só gostava era que conseguissem que o Gana não se importasse de trocar o Atsu pelo Varela para as provas da CAN… )
    Bem, mas dizia eu, foi o jogo – espero que se sigam outros para a taça – em que o adepto que bitaita sempre muito a preceito contra o treinador, vai ver as promessas a mostrarem que são apenas o que poderiam ter sido mas nunca serão…
    O Iturbe cheira-me a um caso Diego… E tenho pena dele, tenho pena destes gajos com pais demasiado ambiciosos…
    O Danilo no meio campo foi um desastre;
    O Castro acagaçou-se
    O Quiño nem dei que estivesse lá
    O Varela foi um desastre
    Como foi o Kleber (!)
    O Miguel Lopes idem aspas,

    mangala, abdoulaye, rolando, fabiano, danilo enquanto defesa, estiveram bem, como atsu e kelvin umas vezes até com pormenores fantásticos…

    Ah! E estava uma tarde linda e o campo é o máximo… fez-me lembrar campos de outrora na aldeia, com aquele pinhal mesma ali à espera das bolas transviadas…

  3. Santa quê?

    Santa é a minha paciência para resistir a assistir a um jogo destes que mais parecia daqueles amadores do género solteiros contra casados!

    Estes profissionais, pagos a peso de ouro não terão vergonha?

    Onde ficou a responsabilidade de envergar a camisola do FC Porto? E o respeito por quem pagou para assistir a este deprimente espectáculo?

    Agora que continuem a chorar porque não são convocados para jogos contra equipas mais fortes que esta do Sta. Eulália!

    Tenham vergonha na cara e comportem-se como profissionais briosos.

    Desculpem-me este desabafo, mas é preciso ter pachorra!

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