Não desanimes, puto!

Teve um mau jogo, é verdade. E não foi o primeiro mau jogo que teve, no Dragão ou noutro lado, porque já houve alturas em que deixou os adeptos doentes com parvalhices tantas, muitas inconsequentes e outras que levaram perigo à baliza que está encarregue de defender. Não com as mãos, porque esse trabalho está reservado para o veterano na diagonal esquerda atrás dele (mais ou menos inclinada, dependendo da função), mas com os pés, que nem são maus de todo. E a turba, arreliada por um resultado negativo e uma exibição pobre, escolheu-o como alvo de mil frustrações. Criava-se um burburinho sempre que tocava na bola, era quase palpável o medo da falha, o temor que um passe saísse novamente torto, um alívio mal direccionado, um atraso com mais força do que devia. E Maicon, nada robótico e todo humano, sentiu a falta de confiança dos adeptos na equipa e em si, e falhava mais.

É uma tristeza ver que tanta gente que já o aplaudiu de pé em tantos jogos, que já cantou o nome do rapaz durante a primeira metade da época, escolhesse aquele momento para o criticar de uma forma tão vocal, tão infeliz e com tanto carinho como um guarda das SS em Auschwitz. E é assim que a glória é efémera, e é assim que percebemos que ninguém é acarinhado mais tempo do que faz por merecer, e se por algum motivo calha de ter um mau jogo, logo as biqueiras de aço estão apontadas directamente ao escroto do infeliz.

Apoiemos os nossos, carago. Para mandar abaixo já bastam os outros.

11 comentários

  1. Bom dia,

    Para além das falhas do próprio, parece-me que o maior problema se chama…Mangala!

    Se o Maicon falhasse, mas não houvesse um Mangalhão à ilharga, o pessoal até o desculpava. Mas assim…é a vida!

    Abraço

  2. realmente há uns certos adeptos que me custam a perceber, aplaudem um iturbe que se julga uma vedeta acima da camisola que enverga, a nossa, sem nunca ter feito nada de nada. e depois assobiam um jogador que da tudo o que tem, mesmo que não lhe corra da melhor forma, mas sente a camisola, pois como disse ainda à pouco tempo, ” tanto faz jogar na equipa a ou na b, a camisola e o simbolo são os mesmo, logo a responsabilidade é a mesma”. que se sacrificou a jogar meia epoca numa posição que não a sua, mas fê-lo porque a equipa necessitava, e sem reclamar, não fez como o fucile, o sapunaru, o belushi entre outros. mas estou a falar do maicon, mas podia falar por exemplo do castro, do mangala, do lucho, etc.
    a esses adeptos de trazer por casa, para não dizer outra coisa digo, e que tal se passassem a apoiar em vez de assobiar. se querem continuar a assobiar vão para uma escola de samba e assobiem até se cansar.
    adeptos desses não obrigado, mais vale termos adeversarios pois com esses já sabemos com o que contamos.
    a nossa força somos nós que a fazemos unidos.
    ass: BRUNO9

    1. tomei a liberdade de editar o teu comentário para converter os caracteres para minusculas. estava-me a fazer impressão, sinceramente. o conteúdo é o mesmo, como é óbvio.

      Jorge

  3. Boa Tarde

    Em resposta ao Bruno9, gostaria de saber o que quer dizer sobre ” o que fizeram o Fucile, Belluschi e Sapunaru”. De relembrar que o Sapunaru teve mais de meio ano a ver um jogador que não é lateral de raiz a jogar na sua posição, sem reclamar e quando voltou a jogar suou a camisola. Não sejamos ingratos!

    Sobre o Maicon. O que irritou o estádio e na minha opinião foi o seguinte:
    – Ter linhas de passe e demorar demasiado a largar a bola.
    – Tentar golos olímpicos. Não é todos os dias natal.
    – Culpas no golo sofrido.

    Agradecemos tudo o que fez até hoje no nosso clube, mas no FC Porto não há estrelas. O que interessa não é o que está escrita atrás, mas o símbolo que está à frente.

  4. Já dizia Winston Churchill… “do outro lado estão os meus adversários, os meus inimigos estão do meu lado”!

    E realmente é um fenómeno social, um caso para estudar, como é que o pobão começa a meter mais pressão em cima dos ombros de um gajo que já deu tanto pelo clube, sempre se mostrou abnegado na luta, em vez de puxar para cima, lá para as alturas onde ele sabe estar a marcar golos neisque seija em fora-de-jogo. E o pior é que nem são só os pipoqueiros… Se calhar até são mais os Velhos do Restelo, a confundir as cores.

    Termino como começaste: Não desanimes, puto!

      1. É, até porque desta vez o Liedson joga do mesmo lado e se por mero acaso tiver algum problema de expulsão, não será por causa do Levezinho…

  5. Não acho que o aconteceu tenha sido um exagero, uma crucificação. O futebol é paixão, vivida à flor da pele, muitas vezes os comportamentos são irracionais. A mim o que me irritou na exibição do Maicon não foram os passes errados, sim a sobranceria, a calma, à patrão e desde logo de início, não foi quando as coisas se complicaram, nem o lance do golo do Rio Ave. Depois, se um jogador que joga ao mais lato nível, num clube como o F.C.Porto onde a pressão é sempre alta e não consegue ultrapassar os assobios… Meu caro, está feito ao bife.
    Já escrevi isto, o público do Dragão é exigente, às vezes pouco paciente, mas é justo.

    Abraço

    1. certo, é exigente…mas às vezes a paciência esgota-se depressa demais. e o Vila Pouca esteve lá, como eu, e de certeza que percebeu que houve algum exagero na forma como muita gente se manifestou. ninguém é de ferro e a malta exige, como diz e bem, sempre muito. só que às vezes parecemos esquecer que nem sempre as coisas correm bem e Maicon foi um exemplo disso. há jogadores que são sempre acarinhados ao passo que outros, por culpa própria ou por falta de carisma que em nada podem evitar…têm azar. custou-me, só isso.

      um abraço,
      Jorge

  6. Gostei e concordo em absoluto com a sua última frase, “Apoiemos os nossos, carago. Para mandar abaixo já bastam os outros” .

    Mas é irrefutável que com o Maicon em forma, nunca sofreríamos aquele golo. Mas até vejo isso como um sinal positivo, assim fica já avisado e em estado de alerta para Alvalade.

    Do mal o menos.

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