Baías e Baronis – FC Porto 2 vs 1 Estoril

Continua a ser difícil ver o FC Porto a jogar sem ficar extremamente nervoso e a entrar num remoinho de insatisfação e desespero geral pelo estado do nosso futebol. Hoje foi mais um exemplo de uma equipa desconexa, com pouca inspiração individual e uma confrangedora falta de motivação, agressividade e vontade de praticar um futebol consistente, inteligente, prático, digno do clube que todos aqueles jogadores representam. Salvaram-se alguns do fogo que parece lavrar continuamente por debaixo dos rabinhos colectivos e a passagem às meias-finais aparece caída de um lance quase perdido em que Ghilas aparece finalmente numa zona de finalização, ele que passou o pouco jogo que teve encostado a uma das alas. Não vejo quase nada que me motive no FC Porto actual. A notas, que se faz tarde:

(+) Quaresma. Todos sabemos que gosta de jogar sozinho, que opta pelo lance individual em virtude do enorme talento que tem e que assume os lances na pele porque acredita que consegue ser a mais-valia que todos queremos que seja. Mas hoje trabalhou para o grupo, para o colectivo, mantendo a veia individualista que o caracteriza mas tentando entender-se com Danilo (desentendendo-se várias vezes) mas sempre a procurar a baliza e a produtividade acima da baixíssima média da equipa. Esforçou-se e merece aplausos por isso.

(+) Herrera (na segunda parte). Há qualquer coisa de estranho e fascinante no jovem Hector, que de um momento para o outro um jogador lento que se arrasta em campo e falha simples passes de dez metros se transforma num rápido box-to-box que recolhe a bola em zonas recuadas e percebe as deambulações dos colegas para lhes endossar a bola de uma forma correcta, com passes pesados e dirigidos na perfeição e que ajuda a movimentar o jogo ofensivo de uma forma simples e prática. Se durasse um jogo inteiro a esse nível seria titularíssimo.

(+) Danilo. Esforçou-se e há que lhe dar mérito por isso. Surgiu várias vezes em zonas adiantadas pronto para rematar e tentou corrigir alguma falta de entendimento com um dos jogadores mais complicados de agregar em tarefas colectivas que temos e tivemos nos últimos dez anos. Falha muitos passes e perde bolas em demasia no approach ao ataque, mas se melhorar nesse aspecto podemos finalmente ter um defesa lateral direito que suba no terreno em condições.

(-) Mais uma vez, onze gajos, zero equipa Começo a compreender um bocadinho sobre futebol ao passar dos treze anos, quando Carlos Alberto Silva comandava então os nossos destinos em campo. Segui com a segunda vinda de Ivic, admirei a chegada de Robson, tentava perceber as opções de Oliveira, as hesitações de Fernando Santos, a ultra-defensividade de Octávio e a rigidez táctica de Mourinho. Estranhei a chegada de Del Neri, agoirei a saída de Fernandez, cuspi veneno com Couceiro e enervei-me com Adriaanse. Aborreci-me com Jesualdo, exultei Villas-Boas e quase adormecia com Vitor Pereira. Mas este FC Porto, esta pseudo-equipa que vejo semana após semana com as nossas camisolas, consegue colocar-me num estado de ansiedade do qual dificilmente sairei até que consiga ver algum lampejo de estrutura, de futebol organizado e em que os jogadores estão de facto a interpretar um guião teórico através do talento que todos têm e que parece andar fugido como um católico na Inglaterra da virgem Isabel. Somos um pedaço de gelatina num ventoso e lacrimejante dia de Outono, em que o sabor dos componentes se perde ao primeiro sinal de contrariedade, onde um jogador vale por si e poucos fazem com que o grupo valha como tal. Fracos. Somos fracos de corpo e mente e não tardará muito até os azares começarem e os resultados falarão por si, como até agora têm vindo a fazer.

(-) A contínua escolha de Licá como “extremo” O rapaz não é extremo, Fonseca. Não é. Por muito que o queiras usar como tal, não é. Não consegue receber a bola na linha e controlá-la para prosseguir a jogada. Não é bom no 1×1, não cruza bem e claramente não faz diagonais com a bola dominada. Estar sempre a colocá-lo nesses impróprios lugares é desfazer a imagem do jogador que luta sem produzir e apanha assobiadelas sem merecer.


Benfica na Taça. Benfica na outra Taça, se nos deixarem jogar. Benfica no campeonato. Raios, até podemos apanhar o Benfica na Liga Europa. É Benfica a mais, sinceramente.

8 comentários

  1. Melhor jogador em campo: Licá.

    pk?

    é o jogador á imagem do treinador… tá sempre em jogo mas passa sempre despercebido.

    consegue dominar o jogo sem tocar na bola.

    Tal como o treinador, ainda não percebeu porque joga nem o que anda ali a fazer.

    Só digo uma coisa, estamos lançados… ontem jogamos á porto.

    á anos que não jogamos assim, estou a gostar do que vejo.

    Porto de Salvo

  2. A primeira parte convenceu-me da resposta a pergunta que me vinha colocando ha um par de meses : sera esta a pior equipa do FCP nos meus 20 anos de socio?
    A resposta e um rotundo SIM.
    Parabens a todos os intervenientes que tornaram este momento possivel!
    Um agradecimento especial a SAD do FC Porto, cuja gestao miseravel desde Dublin tem enfraquecido constamentente o plantel, enquanto tem enchido os bolsos com comissioes gordinhas e fofinhas. Um Bem Haja a Antero Henrique, responsavel maximo pelo futebol da equipa pela espectacular actuacao no que concerne a substituicao de pecas-chave como Falcao (com Kleber e Janko!), Moutinho (com o inefavel e ponderado Herrera!) e Hulk (com ninguem em especial!), enquanto se contratam valores espectaculares para as reservas por ninharias, continuando assim a tradicao do clube! Um grande abraco a quem esta a promover esta geracao de jovens valores da cantera a equipa principal – tem sido um prazer ver os jovens da casa a trazerem aquele simbolo ao peito e a pintar o Dragao de azul-Porto!
    Um agradecimento a Jorge Nuno Pinto da Costa, por ter delegado todo esse poder ao visionario Antero Henrique e sua equipa e por ter contratado com cunho pessoal esse mestre da tactica e da motivacao de grupo chamado Paulo Fonseca.
    Last but not least, um grandissimo Bem Haja ao proprio treinador da equipa principal por ter formado nestes 7 meses uma equipa solida, com tramites de jogo e rotinas bem definidas, com optimos resultados e capaz de chamar as pessoas ao estadio e de faze-las sonhar! Obrigado tambem ao Sr. Fonseca por conseguir retirar todo o potencial dos jogadores que tem a disposicao. A alegria da equipa e contagiante e a felicidade em poder fazer parte do ciclo vitorioso do FC Porto esta estampada no rosto dos pequenos milionarios que carregam o nosso escudo ao peito todos os fins-de-semana!
    A todos vos, e um prazer ver esta equipa continuar a tradicao de jogadores da casa, baratinhos, humildes, trabalhadores, competentes e orgulhosos que sempre caracterizou o FC Porto na era PdC. Concerteza que Fernando Gomes, Bicho, Vitor Baia, Broas, Magalhaes, Pacheco, Rui Barros, Andre, Paulinho e outros estarao tambem orgulhosos de voces e do que representam para os milhoes de Portistas que vos seguem pelo Pais fora.
    A todos, o meu muito obrigado!

  3. Esta não é a pior equipa dos últimos anos mas “só” a segunda pior. Ainda não chegámos à época do Fernandez. Com 23 pontos perdidos em casa. Mas vamos a caminho.

  4. Quanto ao Herrera, chamavam-lhe o Ribery mexicano, na terra dele, claro. Mostra no entanto que tipo de jogador é. Bom a furar, ir à frente e arrastar os adversários. Não estático, a médio defensivo. Certamente ordens do PF. E ele disciplinadamente cumpre. Só que, de vez em quando, se esquece das ordens e avança. Ainda bem que fez isso ontem.

  5. “Quanto ao Herrera, chamavam-lhe o Ribery mexicano, na terra dele, claro. Mostra no entanto que tipo de jogador é. Bom a furar, ir à frente e arrastar os adversários. Não estático, a médio defensivo. Certamente ordens do PF. E ele disciplinadamente cumpre. Só que, de vez em quando, se esquece das ordens e avança. Ainda bem que fez isso ontem.” Nem mais!! ouvi dizer que estavam á procura de um Moutinho?? Não sei! se calhar basta abrir um pouquinho os olhos e vêr um jovem de 19 anos que joga na equipa B e que se chama Leandro Silva…

  6. Para aqueles que criticam cegamente antero Henrique, mais valia estarem calados quando não sabem o que dizem. Se antero estivesse de facto a frente do Porto tinha vindo mano Menezes e não Paulo Fonseca. Bernard não tinha fugido independentemente do custo e Otamendi tinha saído a tempo e horas ao invés de por 12 milhões.
    O que não se sabe é o assalto ao trono que Alexandre Pinto da Costa tem vindo a fazer com o apoio de Adelino caldeira, que estando mais que farto do futebol quer sacar o máximo de dinheiro possível ao clube mesmo que o afunde ao colocá-lo nas nas maos de Alexandre. Pinto da costa é neste momento um homem cansado e a idade já lhe pesa o que suscita manipulação. Há muito nesta história que não se sabe e o reflexo disso mesmo foi a preparação do plantel este ano.
    Com o antero a frente do clube não éramos tri mas sim decacampeoes, com campeonatos comprados ou não. É o homem perfeito para estar a frente do clube e vive a mística intensamente. É um smooth operator do mais alto nível.

  7. Antero é um homem um pouco misterioso, pouco se soube acerca dele durante anos. Se tem capacidade para futuro presidente , não sei.

    Para mim o presidente precisa de :

    1. Saber muito de futebol.
    2. Ser combativo e ter “´lábia”, ser capaz de aparecer na televisão a defender o clube, como Pinto da Costa fez durante anos
    3. Por o Clube á frente do interesse pessoal..

    Tanto quanto pude ver até hoje a AH falta o ponto 2, mas não sei se será por se colocar na sombra de PC. Talvez se revele quando chegar a altura. Também não sei se realmente sabe de futebol, ou se foi responsável por flops recentes.

    Um candidato de que também já muitos falaram é o António Oliveira. Esse é bom nos pontos 1 e 2 mas falta o ponto 3. Por isso não me parece de confiança.

    Quanto aos outros talvez nem haja capazes de cumprir 2 daqueles critérios.

Deixar uma resposta