Baías e Baronis – FC Porto 1 vs 0 Napoli

Enquanto passeava pelos arredores do Dragão, nas horas que antecediam a partida, acompanhado por um grupo de vários lusos e quatro americanos, que por cá andam a trabalhar no mesmo sítio que eu e que acedi a acompanhar até ao jogo, ia vendo o ambiente e dizendo aos estrangeiros: “não me parece que seja um jogo especialmente bonito e bem jogado. vai ser duro mas acho que vão achar que a atmosfera dentro do estádio vai ser morna e que o jogo em si não vai ser nada de especial.”. Estava, como é hábito, completamente equivocado. Foi um jogo tenso, difícil, com um Nápoles firme e prático nas trocas de bola e com extrema facilidade em lançar bolas nas costas dos nossos defesas. Mas o FC Porto, este FC Porto de Luís Castro que começa a mostrar algo de diferente do de Fonseca, este FC Porto parece diferente, mais audaz, mais inteligente e acima de tudo muito mais lutador. Fomos homens, hoje, fomos gente a sério e conseguimos uma vitória (a primeira na Europa este ano) com alguma sorte e azar à mistura para os dois lados mas que nos pode embalar para um final de época bem melhor que o arranque. Vamos a notas:

(+) Defour. Aplaudi-o de pé quando Luís Castro o tirou e fez entrar Herrera, que o afastou do onze durante muitos (demasiados?) jogos. Steven esteve em grande, a lutar todo o jogo num meio-campo que foi mais móvel pela sua presença. E que presença, amigos, porque o estupor do tolinho andou a correr em todo o lado como se Derlei e Lisandro tivessem sido juntos e fechados num invólucro de chocolate belga. Esforçou-se imenso e deu o impulso de força e de combatividade que o nosso meio-campo tão desesperadamente precisava há alguns MESES a esta parte. Os últimos dois jogos que fez pelo FC Porto foram talvez os melhores que já o vi a fazer com a nossa camisola e só espero que as pernas aguentem e este derradeiro push do rapaz para ser convocado para o Mundial seja premiado com o mérito que ele está a fazer por merecer.

(+) Espírito de sacrifício e luta. Já tinha saudades de ver um FC Porto a fazer pressão, não muito alta mas constante na intercepção de linhas de passe e acima de tudo no posicionamento e reposicionamento do meio-campo (a defesa é outra história e vai dar muito mais trabalho a reestruturar, táctica e mentalmente) mas também na entre-ajuda das peças no relvado. Apesar de Carlos Eduardo parecer um elemento perdido quando temos a bola e Varela ter estado num jogo diferente dos colegas, o resto da equipa esteve sempre a um ritmo muito alto e sem fugir às responsabilidades de uma eliminatória europeia contra um dos melhores clubes desta competição. Estaremos a recuperar o “velho” FC Porto? O tempo o dirá.

(+) O público do Dragão. O Dragão não encheu, longe disso, mas a forma como o público apoiou a equipa desde o início do jogo foi notório, como se uma nova simbiose estivesse a ser encontrada entre equipa e adeptos, muito por culpa dos jogadores e da forma como o treinador mostrou que queria vencer o jogo por mais que um golo, mostrando-o bem nas substituições que fez. O povo gostou e mostrou que percebe o estado da equipa, apoiando-os sempre que um lance do Nápoles causava mais perigo para Helton (bom jogo apesar de uma ou duas tradicionais parvoíces que o capitão tende a cometer em jogos europeus) e incentivando o grupo nas saídas para o ataque. Houve muitas bolas trocadas entre os laterais e não ouvi um único assobio. Gostei.

(+) Reina. Vai. Defender. Ao. Caralho. Se não fosses tu, o Fernando tinha marcado um golo extraordinário, meio segundo depois de eu gritar: “não chutes, foda-se!”. Chutou. E o ‘panhol defendeu. Cabrón.

(-) Varela. Esteve em campo? Não o vi, sinceramente, porque estava tão entusiasmado a ver o FC Porto a movimentar-se tão bem com as peças distribuídas elegantemente no relvado, que nem percebi que Luís Castro o trocou com Quaresma a meio da primeira parte para ver se Silvestre conseguiria fazer alguma coisa de jeito com Danilo pelas costas (e para que o cigano deixasse de se desentender com um brasileiro…para se começar a desentender com o outro). Não funcionou muito bem e Varela passou quase completamente ao lado do jogo. Temo que possa ter passado mais um dos tradicionais picos exibicionais que duram 3 ou 4 jogos, para termos um Varela trapalhão, lento e complicativo durante mais 4 ou 5. Espero que não, caso contrário mais vale colocar lá Ghilas, esse Zamboni argelino que corre como uma debulhadora mas…ao menos corre.

(-) Carlos Eduardo. Passou tempo demais preso de movimentos, sem procurar a bola e escondendo-se no meio dos jogadores de amarelo como se tivesse medo de mostrar a tromba para ser visto por um colega. Continuo a não gostar de o ver a 10, apesar dos bons dois primeiros jogos que aí fez e acho que teria a ganhar se jogasse como 8…mas com Defour a jogar desta maneira ninguém o tira da equipa.

(-) Tantas falhas. Não critico as oportunidades falhadas, algumas por azar (Quintero), outras pelo cabrón do Reina (Fernando e Jackson). Critico o tempo excessivo para reposicionamento das unidades defensivas, critico a incapacidade de entendimento entre Quaresma e Danilo, critico os passes centrais de Maicon, critico as distracções de Mangala e critico também as imbecilidades pontuais de Helton, que deve sonhar em aparecer no Watts da Eurosport ou em compilações de “Piores erros de guarda-redes” no youtube. Há melhorias na equipa e são nítidas pelo futebol que apresentamos hoje, mas há ainda muito caminho a percorrer até que possamos falar de uma equipa consistente ofensiva e defensivamente. Especialmente esta última.


Um-zero não é um excelente resultado mas se tivermos em conta as oportunidades claras que houve para ambos os lados, foi bem melhor que um putativo 3-2 ou 4-3. E a verdade é que se conseguirmos jogar em Nápoles com esta força e a capacidade de manter a bola nos pés…e se marcarmos um golinho antes deles…podemos perfeitamente passar aos quartos de final. Who’d have thunk it?

7 comentários

  1. Jorge, acho que esta época tens dado atenção excessiva à alma, à garra, à luta. Não me parece que fosse esse o problema. Com Fonseca a equipa correu e lutou, não sabia era como o fazer bem. Algo que, aos poucos, parece estar a mudar com instruções mais adequadas à forma de jogar que todos gostamos.

    Ainda assim é sempre um prazer ler-te =)

    1. talvez decorra da forma como tenho vindo a assistir a muitas exibições individuais com falta de confiança e gajos que desanimavam e baixavam os braços à primeira contrariedade. sim, pode ser fruto de mau posicionamento mas recuso-me a aceitar que se desista de lutar…e vi isso este ano muitas vezes, algo que raramente tinha visto no FC Porto desde que me lembro de ver futebol. vamos ver se as coisas mudaram de vez :)

      abraço,
      Jorge

  2. gostei muito do jogo, acho algo brutal os Baronis hoje, para mim ninguém (tirando o árbitro) esteve realmente mal. mesmo o Varela não entrou bem, mas depois melhorou… ele tem uma qualidade que lhe é pouco reconhecida, mas que se torna cada vez mais visível para mim agora que o Quaresma voltou: ele joga sempre para a equipa, e é bastante inteligente a fazer isso. mesmo que lhe retire visibilidade pessoalmente, em contra-ataque ele alarga a frente para criar mais espaço para quem conduz a bola, ao contrário do Quaresma que quase sempre se aproxima da bola e ajuda a defesa a fechar…

    de qq forma um jogo muito bem conseguido, contra uma equipa que o tinha pensado bem e que veio tacticamente trabalhada para explorar as nossas fraquezas. não tenho grandes dúvidas que este foi o segundo melhor adversário que defrontámos este ano (atrás do Atlético, embora esse fez algumas poupanças no jogo cá e também não foi assim nada de especial), para a fase em que estavamos ainda há dez dias estou quase entusiasmado! a eliminatória será difícil de passar na mesma, mesmo que consigamos um golo lá

  3. Sinceramente vêm-se melhorias é bem verdade, mas também é verdade que a nível defensivo apresentamos imensas fragilidades… é inacreditável como uma equipa tão solida como o porto do anos passado se tornou este ano, e com a mesma defensa, numa equipa que assusta o adepto assim que a equipa adversária se aproxima da nossa baliza! Uma coisa é certa para passarmos temos de estar em Itália muito mais seguros mais confiantes e apresentar a nível defensivo outra consistência!

  4. Nos Baronis só posso concordar com as “Falhas”. Não que o Carlos Eduardo e o Varela tivessem tido brilhantes mas o 1º começou o jogo a todo o gás e a meio da primeira parte já tinha tido 3 saídas com a bola colado ao pé que apenas não resultaram em nada porque o foi ceifado em todas elas e o árbitro (pior em campo) não amarelou os napolitanos tal como mandam as regras (depois já amarelou o Alex Sandro numa faltinha que mais parecia ter sido a pedido), além disso marcou um golo, que injustamente foi anulado. Já o Varela, apesar de longe de ter feito um grande jogo, conseguiu sempre apoiar a defesa e o ataque, para além de ter feito um grande (!!!) corte dentro já dentro da área, num dos 3 momentos em que o Nápoles podia ter marcado, minutos antes do nosso golo.

  5. Bom jogo do nosso FCP :)

    A única coisa a apontar são mesmo os erros defensivos e o carlos eduardo não estava muito inspirado. Exige-se dele que faça pelo menos 2 passes mortais em cada parte :P

  6. É pá! Temos de dar tempo ao tempo… fazemos coisas muito melhor, outras estamos a habituar-mo-nos todos a não ficar nervosos com elas…
    falhar, falhamos todos, todos os dias… Até na introdução o Jorge confessou que falhou na previsão…

    Quanto aos Baroni e Baías que também acho muito injustas, também se vê que agora só tem olhos para o Defour…
    O pobre do Maicon só aparece para a porrada… ontem fez um erro, quando já estava cansado… – nada…

    Eu é que não importo nadinha que de agora até ao final, todos os jogos sejam como este; em jogo e resultado. E já para começar em Alvalade…

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