Baías e Baronis – FC Porto 3 vs 0 Belenenses

Ninguém se engane: continuamos na luta. Mas seguimos em frente com uma exibição fraquita, recheada de nervosismo e ansiedade que se compreende e se aceita mas que custa a engolir perante o que já foram tantas e tantas equipas do FC Porto no passado que aguentaram facilmente esta pressão de ter de vencer todos os jogos. Mas é o que temos neste momento e se mesmo em jogos onde não estamos inspirados conseguirmos tirar de lá os três pontos…no fundo é o que interessa neste momento. Dispensavam-se os nervos mas acabo por ficar contente com mais uma vitória que nos deixa de novo em primeiro lugar à condição. Vamos a notas:

(+) Brahimi. Yacinodependência. Brahimizição. Argelinificação. Esta não que faz lembrar o outro idiota. Mas há uma espécie de desleixo competitivo por parte de vários jogadores do FC Porto que se esquecem que Yacine Brahimi é um jogador estupendo mas que não pode pegar na bola a cinquenta metros da baliza e criar perigo constante. Vai perder mais bolas, vai desperdiçar mais lances de ataque e vai enervar a equipa ainda mais. Mas. Mas. Mas o cabrão normalmente consegue mesmo criar mais perigo do que a maioria dos colegas, com a notável capacidade de drible e de rotação a desequilibrarem os defesas mais rijos e rápidos. Brahimi é actualmente o jogador do FC Porto em melhor forma e a sua recuperação física e acima de tudo mental faz com que a equipa seja melhor. Mereceu totalmente o golo que marcou e foi o MVP com muitos quilómetros de distância, tantos quanto correu.

(+) A entrada de Corona. Que diferença fez a entrada de um homem fresco e capaz (quando quer) para a equipa, estruturando-a de uma forma bem mais elegante e firme num 4-3-3 mais clássico, com dois homens nas alas e um no meio. Sem adaptações, sem gente descaída a desempenhar papéis que não lhes pertencem e com homens certos nos lugares certos. Corona não fez um grande jogo mas assistiu Soares na perfeição e foi responsável por uns bons 10/15 minutos, bem mais oleados do que até então se tinha visto.

(+) Maxi. Apesar de ter um corredor enorme à sua frente, raramente teve apoio em condições por parte de André Silva, que parece tão adaptado a jogar descaído na direita (algo que fez muitas vezes na B, curiosamente) como eu a trabalhar com um tear mecânico. No entanto, o uruguaio foi dos jogadores mais lutadores e apareceu várias vezes em posição de assistir os colegas para golo e se as bolas não entraram não foi por culpa dele.

(-) Novamente a ansiedade. Os jogadores do FC Porto por vezes assemelham-se a criancinhas. Pequeninos em estatura, nervosos e distraídos, pareceu-me que entraram em campo sem grande capacidade de movimentação e desfocados do objectivo de vencer a partida. A hibridização táctica que Nuno enfia na equipa tem destas coisas e foi um fartote ver os braços esticados durante o jogo a pedir que jogador X fosse para o lugar Y para receber a bola do colega Z. O meu pai, que estava a ver o jogo num café à beira-mar, enviou-me uma mensagem logo após o segundo golo levantou o nevoeiro que até então tinha inundado a zona que o acolhia. E no estádio, apesar do nevoeiro estar longe, pareceu também sair de cima dos jogadores uma tremenda dose de desconfiança e começaram a ficar mais soltos e menos nervosos. Mas esta também é uma forma de ver as coisas estranha tendo em conta o passado não-tão-recente do clube: se a malta entra tão nervosa e descomprime de tal maneira depois de alguns golos que começa a fazer parvoíces atrás de parvoíces, os sinais de maturidade não são visíveis. Muito pelo contrário, só me diz que esta equipa ainda precisa de caminhar muitas estradas sinuosas até começar a ter o calo que precisa e que os adeptos exigem. Tempo? Isso é que não há…

(-) Óliver. É raro achar que Óliver está mal em campo porque mesmo que não esteja muito interventivo, mal a bola lhe chega aos pés há um salpicar de magia naquele relvado e fico com os olhinhos cheios de corações como uma tween a ver os One Direction. Mas hoje nada correu bem. Escondido do jogo durante muito tempo, sempre que se soltava era como se uma parede aparecesse em campo, tamanha foi a quantidade de vezes que serviu como ponto de ressalto imediato para um colega. Falhou passes em demasia e nunca pareceu confortável com a bola. Um jogo muito fraco, ao contrário do que costuma acontecer.

(-) André Silva. Upa, que trapalhão estiveste hoje, rapaz! Se é verdade que não gosto nada de o ver descaído para uma ala, não ajudou o facto de não conseguir arrancar em drible de uma forma consistente e de não conseguir criar linhas de passe decentes para os colegas lhe atirarem a bola. Pareceu cansado e temos mesmo de começar a recuperar o Corona para Braga, porque não vejo esta táctica a funcionar sem um homem expedito a jogar naquele flanco. De facto, neste momento, entre André Silva e Corona no lado direito…prefiro o Jota.


Tanta conversa tive eu com a bandeira e acabei por não a ver. Ia rasgar o Belenenses de cima a baixo mas como estava parcialmente distraído na entrada das equipas em campo (nem cantei o hino desta vez, ultrage!), não reparei se entraram com ela ou não. Alguém me esclarece?

7 comentários

  1. O Jorge
    Não vi jogo não tive interesse em ver,mas creio ter sido um partidazo(em bom espanhol) pelo os comentários aqui sobre a bandeira imagino um partidazo,daqueles a brahimi na tua opinião.

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