Baías e Baronis – FC Porto 1 vs 1 Shakhtar Donetsk

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Um ambiente pacífico, relaxado e de bom convívio, a fazer lembrar saudosas noites das Antas, que enchiam de espaço vazio com a visita de um qualquer Famalicão, viveu-se hoje no Dragão. Um jogo tranquilo entre duas equipas com muito pouco a ganhar e ainda menos a perder, de onde se retiram três notas importantes: Ricardo a dizer que não está aqui só para jogar na B; Aboubakar a mostrar que de vez em quando um ou outro remate fora da área até podem dar jeito e Ruben Neves que começou cedo a tramar os joelhos. Vamos a notas:

(+) Ricardo (Pereira, ou “2”). Pezinhos de veludo, fibra nas bolas divididas e um bem-estar geral que contagiou o público e encorajou a equipa. Foi assim que Ricardo (Pereira, que isto de ter tantos Ricardos num plantel devia dar para aquelas palhaçadas à 80s do Ricardo 2 ou 3) se mostrou mais uma vez numa posição que não me agrada mas onde conseguiu uma excelente exibição. Preferia vê-lo como extremo, em alternativa a Tello ou Quaresma, mas compreendo que perca para os “nomes”, pelo menos por agora. Ainda assim, admito que se está a adaptar bem à posição e não é por ser magricelas que não lutou até não poder mais, interceptando bolas em zonas subidas, investindo pela lateral e jogando sempre em alta velocidade e intensidade, mostrando a Lopetegui que pode contar com ele e mandar Opare para outro lado porque este está cá para ficar. A não ser que saia em Janeiro, claro.

(+) O golo de Aboubakar. Vincent, meu filho, as redes ficam caras e se continuas com essas parvoíces vamos ter de te tirar o dinheiro para as arranjar direitinho do teu ordenado. Estamos entendidos? Que volte a acontecer, ouviste?

(+) A resposta das segundas linhas que podiam ser primeiras. Gostei de Evandro no meio-campo, menos nervoso e mais prático que da última vez que o vi. Falta-lhe um pouco mais de audácia para subir no terreno como Herrera (eu, a elogiar Herrera. eu. vejam lá que a meio do jogo cheguei a dizer que o homem fazia falta para impôr ritmo naquele meio-campo. vou ao médico em breve, garanto) mas precisa de mais jogos, mais confiança; Ruben muito bem até à lesão (recupera rápido, puto!), Quaresma sem problemas em arriscar e a subir no terreno com o apoio dos colegas, apesar de algumas jogadas escusadamente “Quarésmicas”; Marcano a jogar fácil na defesa e a servir como tampão no meio-campo, a mostrar que na Europa pode ser muito útil em jogos de mangas arregaçadas e dentes cerrados; Fernández bem nas saídas da baliza com a cabeça e com os pés; Aboubakar a trabalhar muito sem conseguir ser produtivo, muito por culpa de Juanfer Quintero que hoje não estava para ali virado. Há ali alternativas no plantel e não sendo titulares de caras, podemos rodar algumas peças sem que se ouçam muitos riscos na agulha.

(-) Maicon. No jogo em Lviv, falei de Maicon assim: “Maicon chegou ao jogo contra o Boavista como um dos jogadores em melhor forma no plantel, imperial na defesa, perfeito no corte, tranquilo em posse e sem parvoíces de maior a apontar. E depois…foi expulso no Dragão por uma entrada idiota e hoje fez uma rosca à Maurício que ia dando auto-golo e cortou a bola para os pés do avançado do Shakhtar, dando origem ao 2-0.“. Hoje, o regresso do…aham, capitão foi marcado por mais uma avalanche de imbecilidades que fariam Stepanov corar de vergonha. Lento demais em posse, tremido no passe curto e absurdo no longo, foi mais um jogo que marca a diferença entre o Maicon de início de época e a contínua saga do careca que por ali anda a oferecer bolas aos avançados. Continua a facilitar em demasia nos jogos “fáceis” e faz com que comece a pensar em dar mais uma oportunidade a Reyes ou a primeira a Lichnovsky.

(-) Adrián. Uma simples frase: Bolatti conseguiria passar por ele em passo lento. Meu Deus, rapaz, se nem neste jogo, onde podias mostrar mais serviço, te dignas a mexer as pernas, não vejo como é que vais ganhar lugar na equipa. Nem tu, ao que parece.

(-) Quintero. O meu bobblehead preferido continua a não conseguir ganhar pontos em relação ao mais-que-provável dono do lugar na equipa principal (Óliver) porque é tão evidente a diferença de ritmo entre os dois como se estivéssemos a comparar Cristiano Ronaldo com o homónimo brasileiro em 2014. Lento, incapaz de se movimentar em condições para criar espaços no meio-campo e com pouca desenvoltura sem o apoio de Evandro. E Ruben. E depois Marcano. Não deve ter precisado de tomar banho, porque pouco fez hoje à noite.


Duas alemãs, uma suíça, uma italiana, uma francesa e…*suspiro*…duas inglesas. Venha qualquer uma das seis primeiras, por favor.

Ouve lá ó Mister – Shakhtar Donetsk

Señor Lopetegui,

Não há nenhum portista que queira perder um jogo, seja para que competição for. Mesmo aqueles atrasados que no ano passado (e em tantos outros “anos passados”) desejaram que o FC Porto perdesse para o treinador ir para a rua ou seja lá que inane objectivo a que algumas almas se vão propondo no normal decurso das suas infelizes vidas cheias de fel e ódio e má disposição generalizada…mesmo esses, acredito que lá no fundo sabiam da estupidez que estariam a proferir nesse momento. E os que o desejam, ou são outra estirpe de portistas menos de acordo com o que é habitual chamarmos de “ser humano” ou de “gente racional”, merece ser enforcada pelos tomatinhos até chorarem lágrimas de sangue.

Este intróito menos agradável está aqui por um motivo: em relação ao jogo de hoje, digo-te isto com todas as letras: no one cares. Mesmo. Certo, a malta quer sempre ganhar e nem sequer pensa que um empate possa ser um bom resultado no último jogo da fase de grupos, quando podemos bater um dos nossos recordes de pontos nesta etapa das competições europeias ou seja lá qual é o recorde que podemos atingir. Mas nós somos o Ronaldo, sempre à busca do próximo alvo estatístico a abater? No. One. Cares. Mesmo.

O que a malta se importa mesmo é pelo jogo de Domingo. Esquece todas as rivalidades Real vs Barça em que estiveste mergulhado nos últimos anos, porque te posso garantir que isto chega perto se não a ultrapassa. Hoje vem ao Dragão o Shakhtar, rei da Ucrânia, senhor feudal de todos os brasileiros decentes agora a jogar no estádio emprestado de Lviv, penta-campeão em título do campeonato lá do burgo…e toda a gente vai estar a pensar no jogo de Domingo. Por isso o que esperamos do jogo de hoje? Zero lesões, uma exibição agradável, nada de extraordinário, não perder para deixar este grupo para trás sem a mácula de uma derrota caseira…mas acima de tudo preparares os rapazes mentalmente para o que aí vem. Bom jogo. No pressure!

Sou quem sabes,
Jorge

Baías e Baronis – BATE 0 vs 3 FC Porto

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Vi o jogo numa televisão que tremia tanto como as pernas do Costa perante Cantona naquela fatídica noite em Manchester aqui há dezassete anos. Mas o jogo, menos tremido, foi tranquilo, sem grandes motivos de preocupação e acabou por constatar que esta equipa começa a ficar pronta para adaptar o jogo a diferentes circunstâncias, quando elas assim o obrigam. Foi uma vitória fácil, tornada ainda mais fácil pela forma como nos impusemos como equipa grande, com um jogo pausado, sem acelerações exageradas, com entreajuda entre sectores, facilidade de desdobramento ofensivo e sentido prático elevado na altura de fazer sempre o mais simples e abdicar da brincadeira. E quando assim é, especialmente na Champions, conseguimos mostrar que estamos à altura. Pelo menos nesta fase de grupos. Vamos a notas:

(+) Herrera. Duas assistências, um golo. Vou repetir: duas assistências e um golo. É isto que Hector traz no saco no regresso da Bielorrússia, depois de uma exibição que roçou a perfeição e que terá sido uma das suas melhores partidas com a nossa camisola no lombo. É estranho elogiar um jogador que no seu jogo de estreia na Champions foi expulso por acumulação de amarelos em meia-dúzia de minutos e que tem vindo a mostrar tanta insegurança em posse e incapacidade de mostrar no clube o que já vimos de tão bom na selecção, mas a verdade é que Herrera tem vindo a subir de produção e a crescer no meio-campo da equipa. E uma nota de quase alívio, porque já o critiquei tantas vezes que o elogio de hoje até sabe melhor. Carago, homem, se sabe.

(+) Casemiro. Mais um elemento em crescendo, parece que está finalmente a mostrar as capacidades que faziam dele um jogador tão apreciado pelos adeptos do Real Madrid, apesar de perceberem que não tinha lugar numa equipa com tanta qualidade. Continua a mostrar que nunca será um trinco à Fernando, mas mostra bons dotes posicionais (a recuperação de bola para o golo de Herrera é excelente, no momento certo e na altura certa) e capacidade de passe a meia-distância que lhe dão enormes vantagens para um jogo de ataque apoiado como o FC Porto precisa de ter. Parece estar a gostar mais do que faz, ao contrário do que se via no início de época.

(+) Jogar como equipa grande. Ao contrário do que tinha feito no jogo em casa contra estes rapazes, Lopetegui não inventou no meio-campo e apresentou aquele que parece ser o escolhido como “titular”, seja lá o que essa palavra possa trazer no FC Porto 2014/2015. Foi aí que vencemos o jogo, com uma boa rotação de bola entre sectores proporcionada por uma boa exibição de Casemiro e Herrera, com Óliver um pouquinho atrás. Mas a interligação entre Quaresma e Danilo esteve em alta, acima da mostrada por Alex e Brahimi no outro flanco, com Jackson a recuar sempre que necessário e a defesa a subir quando lhe era pedido. Os centrais firmes e sem magia mas com empatia e sentido prático, os laterais afoitos no ataque e inteligentes a recuar, o meio-campo a receber e rodar como era necessário. Bem, muito bem.

(-) BATE. Não houve nenhum jogador do FC Porto que se tenha exibido num nível abaixo do que era pretendido e não fosse o relvado parecer um lago gelado no Minnesota e a bola teria sido trocada com mais facilidade. Muita dessa facilidade prende-se com a fraca exibição do BATE, uma equipa com poucos argumentos para esta fase da prova. Sim, são campeões bielorrussos há quarenta e nove anos, mas compará-los ao FC Porto (ou a qualquer outra equipa do nosso nível) assemelha-se a tirar uma fotografia tremida a um nenúfar mirrado no meio de um lago e chamar-lhe um Monet. Vencemos bem, mas contra um adversário fraquinho.


Primeiros no grupo (obrigado, Athletic!), seguimos em frente prontos para o que daí vier. Seja quem for, esta barreira está ultrapassada com inteligência e (algum) bom futebol. Gostei.

Ouve lá ó Mister – BATE

Señor Lopetegui,

Este ano está a ser pródigo em interrupções do fluxo de ambrósia que nos alimenta a alma e nos eleva para níveis superiores de exaltação clubística. Estou farto de paragens para jogos internacionais e para compôr o ramalhete ainda tínhamos de reservar um fim-de-semana inteiro para jogos da Taça, onde infelizmente já não estamos. Tantos dias seguidos sem ver o FC Porto a jogar é um ultraje, uma infelicidade de proporções bíblicas que nos faz definhar, sofrer, parar de respirar o doce ar de portismo que nos invade tão frequentemente em condições normais. Se eu ainda seguisse as modalidades com o afinco que elas mereciam, podia ter-me entusiasmado com o andebol ou com o hóquei, mas hélas, não é o caso.

Por isso viro todas as minhas baterias e energias para a bola de couro e para a tua equipa. Não tens culpa, eu sei, mas é assim que a vida funciona, nem sempre as coisas são justas. E hoje, no aparente inverno bielorruso, vou concentrar as frustrações de tantos dias sem futebol a sério naquilo que espero seja uma boa exibição dos teus rapazes. O Brahimi ainda é nosso? E o Óliver? Fine. O Jackson e o Quintero voltaram em condições dos jogos internacionais? Bueno. O Maicon e o Indi entendem-se? Goody. Os brasileiros estão em forma, com pernas e mona decentes para isto? Trés bien. Junta-lhes o Herrera e o Quaresma e temos o onze feito. Já sei que não conta para muito a não ser pelo guito e pelo prestígio, mas façam lá uma forcinha para ganhar aos rapazes. No campo deles. Com neve, chuva, vento, sei lá. Com tudo isso…mas com Porto.

Sou quem sabes,
Jorge

Baías e Baronis – Athletic Bilbao 0 vs 2 FC Porto

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foto retirada do facebook oficial do FC Porto

A melhor exibição do FC Porto de Lopetegui, sem qualquer comparação com os 5-0 em Arouca ou os 6-0 em casa ao BATE. Excelente na cobertura dos espaços, muito bem na recuperação, toda a equipa esteve com força, com capacidade de entre-ajuda e acima de tudo com mentalidade de jogo grande contra uma equipa que não terá sido o melhor Athletic de sempre mas não deixa de ser um adversário que dá água pela barba a qualquer um. Vencemos com total mérito e passámos aos oitavos com a satisfação de dever cumprido e a noção que a equipa parece estar a começar a encontrar a melhor forma de jogar. Juntos. Vamos a notas:

(+) Brahimi. Ainda vai ser processado pela União Geral de Meniscos Rasgados, porque deve ser o inimigo público número um de todos os defesas que o vêem a passar, sem sequer perceber como raio é que se consegue rodar sobre si próprio com tanta velocidade num campo tão enlameado. Estupendo no primeiro golo, a deixar cinco jogadores do Athletic para trás, inteligente no segundo golo ao subir para pressionar o keeper basco quando o colega lhe decidiu mandar a bola aos pinchinhos. É bom, mostra que é bom e só pode continuar a ser bom. E é nosso.

(+) Jackson. Trabalhou como um mouro no exército de Saladino quando a Cristandade atirava com tudo o que tinha contra os portões de Jerusalém. Para lá da quantidade de vezes que veio atrás ajudar a defesa com cortes de carrinho e recuperações de bola no nosso meio-campo, foi nos outros cinquenta metros que mais brilhou. Recebia a bola na frente, no meio dos centrais, recolhia-a no seio do seu perfeito domínio de bola e do espaço circundante e endossava para o colega. Fez isto trilhentas vezes durante o jogo e continua a impressionar a forma aparentemente fácil como consegue controlar a bola mantendo-se tão longe dela. Aquele toque com a ponta da bota é já uma imagem de marca e não fosse A MERDA DO PENALTY e tinha tido uma nota ainda mais positiva. Um Baía com outro Baía às cavalitas, pronto.

(+) Finalmente um meio-campo! Não sei o que é que Lopetegui lhes disse antes do início do jogo, ou se fumaram todos umas coisinhas estranhas que se compram na rua e decidiram em conjunto mostrar que sabem jogar à bola como um colectivo que se entende bem e consegue trocar a bola como homens. Casemiro e Óliver fizeram o melhor jogo com a nossa camisola e Herrera não esteve ao nível dos dois colegas por muito pouco. O brasileiro esteve perfeito na intercepção e no posicionamento defensivo (a sério!), prático no corte, bem colocado para anular montanhas de ataques contrários, fazendo-o com simplicidade e eficácia. Óliver (ou Torres, segundo LFL) não parou todo o jogo, movimentando-se quer no meio-campo a procurar linhas de passe, retendo a posse de bola quando a recebia e pressionando os centrais adversários quando subia para o lado de Jackson. E o nosso mexicano, o anti-herói preferido, esteve bem no passe, a progredir firme no terreno e a soltar a bola para os flancos quando o jogo pedia passes horizontais bem medidos. Foi o que fez. Todos estiveram muito bem, só peço que continuem. Por favor, continuem.

(-) Alex Sandro. Foi o Alex do costume, lento a executar, complicado na decisão, excessivo na posse de bola e na incapacidade de proteger o flanco de uma forma consistente, mesmo com pouca ajuda à sua frente. Subiu de produção na segunda parte, onde esteve mais estável e firme no apoio ao ataque e a sacar faltas aos incrédulos avançados do Athletic, incapazes de perceber como é que um brincalhão daqueles é titular numa das melhores equipas do Mundo. É, meus amigos, sabem que ele nem sempre joga assim…e um dia que volte a fazer o que sabe, pode ser que saia aqui dos Baronis.

(-) O penalty falhado. I…don’t even…*suspiro*

(-) O relvado. Para mandar abaixo a ideia que os clubes de primeiro mundo são superiores aos outros em tudo…fica o exemplo do lamaçal do San Mamés. A fazer lembrar um qualquer ervado dos distritais, onde os jogadores patinavam como que estivessem em cima de um lago gelado ou numa planície de neve sem raquetes nos pés. E mesmo assim, o Brahimi desfez os joelhos aos moços todos. Bem feito.


Oitavos da Champions. Sabe bem, carago, já tinha saudades. Hoje vou dormir descansado. Obrigado, rapazes!