Baías e Baronis – Guimarães 1 vs 1 FC Porto

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Primeiro ponto de ordem sobre o resultado: não gosto de perder pontos contra ninguém. Seja o Benfica, o Vilaverdense ou o Dínamo de Bucareste, é sempre mau. Mas perder pontos contra esta cambada de malfeitores de preto e branco é uma mancha que me deixa sujo, chateado e triste. Jogámos o suficiente para vencer o jogo e mesmo com uma arbitragem que enervou toda a gente de azul-e-branco, a verdade é que devíamos ter saído de Guimarães com os três pontos e deixado aquela cáfila de mãos na cabeça. Não conseguimos por culpa própria e com um pé Montypythoniano a pisar-nos a traqueia. Siga para as notas:

(+) Brahimi. Estupendo no arranque e na recepção orientada, foi o principal criador de perigo para o adversário e merecia que o golo não lhe tivesse sido anulado. É já “o” jogador do FC Porto 2014/2015, ao lado de Jackson, e será em condições normais titularíssimo de uma equipa ainda a procurar a melhor estrutura no meio-campo, onde Brahimi diz que prefere jogar. Mas é quando pega na bola em zonas próximas dos flancos que mais brilha, flectindo quase sempre para o centro à procura de espaço por onde furar e de colegas com quem combinar. Activo, mexido, vivaço…é o que se quer e especialmente o que precisamos de ter naquela zona do terreno.

(+) A entrada de Evandro. Ajudou a estabilizar um meio-campo que até então tinha o idiota do Herrera a falhar passes em demasia, Casemiro com vontade mas sem acertar e Ruben Neves sem conseguir manter-se de pé e a deixar André x 2 passar vezes demais por si. Evandro pode e talvez deva ser titular, pela simplicidade que coloca em jogo e pela estrutura que proporciona ao meio-campo…e não fossem alguns arranques de Herrera ainda o continuarem a manter na equipa, a grande maioria dos jogos que vi do mexicano fazem com que seja, neste momento, segunda escolha.

(+) Maicon. Teve breves momentos de desconcentração durante a segunda parte mas em nada mancha (mais) uma excelente exibição do brasileiro. Forte no jogo físico, foi contra o enervante Tomané que passou a maior parte do jogo em duelo e conseguiu aguentar-se sem cravar um murro nos dentes do adversário, o que é de louvar tendo em conta a insistência do avançado do Guimarães em se tornar num dos jogadores portugueses mais enojantes da Liga, pegando no facho já meio apagado mas ainda bem seguro nas mãos de Briguel. Prático, bem na intercepção e no posicionamento a policiar a zona defensiva, sabe que é lento a arrancar e compensa com a movimentação bem coordenada e a antecipação da jogada do adversário. Está para a defesa do FC Porto como Aloísio estava no tempo dele. Com a devida proporcionalidade de talento, claro.

(-) O meio-campo sem força. Desiludiu-me imenso ver este meio-campo do FC Porto a ser tão tenrinho contra o equivalente minhoto da cena “The Bride vs Crazy 88″ do Kill Bill. E não foi um filme em estreia absoluta, porque em casa contra o Moreirense e até um certo ponto no jogo de Paços, vimos uma zona central do terreno e ser calcada (fisica e metaforicamente) por um adversário que pressionava os nossos jogadores e conseguia chegar mais depressa à bola, obrigando a equipa a jogar bem mais pelos flancos do que seria desejável. É verdade, sim senhor, que a nossa mais-valia poderá ser a multiplicidade de escolhas do meio-campo para a frente. Mas na zona de cobertura defensiva e/ou de construção ofensiva, está-nos a faltar muita agressividade e qualquer equipa que se decida a correr mais que os nossos ganha vantagem imediata. E contra este Guimarães, que quase só sabe correr (continuo a estranhar os votos de louvor generalizado a Rui Vitória quando as suas equipas raramente mostram que trabalham mais que as outras a não ser no ginásio…) e empurrar, raramente houve nervo para lá de uma ou outra imagem de um jogador do FC Porto, habitualmente Casemiro, a impôr o seu físico para recuperar a bola. Algo terá de ser feito para mostrar aos adversários que aquela zona é nossa. Nem que seja à pancada.

(-) A parvoíce do lance do penalty. Não é preciso dizer muito. Jackson, na nossa própria área, decide adiantar a bola para a tirar do caminho do adversário, que se coloca entre o colombiano e o esférico. O capitão tenta chegar à bola sabendo perfeitamente que está ali um careca de barba que vai cair ao mais pequeno toque…e acerta-lhe na perna. Burrice. Muita burrice.

(-) A arbitragem. Não é meu hábito queixar-me dos árbitros e continuo a achar que é dever da nossa equipa conquistar os três pontos para que não tenhamos de andar atrás dos gajos do apito a protestar por tudo e por nada. Mas há dias em que nada lhes corre bem (ou tudo, dependendo do ponto de vista mais ou menos cínico) e os nossos rapazes são prejudicados activamente em mais que um ou outro lance ocasional. Hoje, em termos de lances concretos, foi só isto: um golo mal-anulado por fora-de-jogo inexistente e um penalty que ficou por marcar. Se o fora-de-jogo é difícil de apontar e como tal mais complicado de criticar, o penalty foi ridículo. Alguns minutos antes tinha sido apontada uma falta contra nós que foi exactamente igual, quando André x 2 viu o seu braço agarrado numa situação em tudo semelhante. Mas não foi na área. Na área deles. E portanto não foi falta. Ou foi. Mas não foi marcada. Não percebi. E também não percebi a quantidade absurda de lances em que ao jogador do FC Porto era apontada falta por exagerado contacto físico, quando uma situação idêntica com as camisolas trocadas resultava nos braços esticados do árbitro para mandar seguir. Enervou-me, enervou toda a gente.


Primeiros pontos perdidos em grande parte por culpa própria mas também com muita imbecilidade arbitral. Não é dramático, minha gente.

Ouve lá ó Mister – Guimarães

Señor Lopetegui,

Duas semanas sem futebol em condições. Duas semanas, caríssimo, e já me sinto como um drogadito a quem roubaram a dose, as agulhas e o amor-próprio. Já dei comigo a vasculhar os canais da nossa televisão às duas da manhã para ver se ainda apanhava um bocadinho do Gibraltar vs Polónia, só para tapar um bocadinho a vontade de ver de novo algum futebol em condições, mas não fiquei saciado, not in the least. E se estás a estranhar ler esta missiva tão antecipada em relação ao que é normal…é porque este fim-de-semana promete e explico-te porquê.

Vou passear e só volto no Domingo. Até lá, rodeado de algumas dezenas de amigos (família e putos ao barulho, e uso a expressão “barulho” com toda a propriedade, porque vai haver e muito) num retiro anual dos amigalhaços que jogam futebol aos sábados. E entre esses, alguns portistas, um benfiquista (herege) e uma multiplicidade de lagartagem que ainda hoje não entendo como é que o grupo se manteve unido e coeso com esta distribuição clubística tão aberrante. Mas lá nos temos vindo a manter unidos e até nas discussões sobre futebol, que são múltiplas e perenes, os ânimos raramente se animam para lá da parvoíce e acabamos todos amigos. E como tal, devo chegar a casa em cima da hora para ver o jogo de Guimarães! E à hora que te escrevo estas palavras, não sei sequer a tua lista de convocados, o que é uma enorme tristeza para quem tenta fazer a antevisão a um jogo, especialmente um tão importante como este. Não tenhas dúvidas, os gajos odeiam-nos com a força de duzentos bombas atómicas forradas a esterco, por isso convence os teus rapazes que não é preciso jogar muito, é só preciso jogar bem e serem rijos. A comandita à volta do relvado também tende a ser inclinada para a estupidez por isso vai preparado para levares com uma cabecinha de porco ou uma selecção variada de isqueiros. São coisas antigas, não tentes compreender.

Admito que alguns rapazes estejam cansadotes, por isso cheira-me que vais descansar um ou dois a pensar no jogo de quarta-feira. Não faças isso, ou pelo menos pesa bem o binónio talento/condição física, porque se não estás habituado a campeonatos, fica o conselho: perdem-se pontos nas primeiras jornadas que te lixam a classificação mas acima de tudo a moral, tua e dos teus. Tens opções que chegue para ir rodando, mas aconselho-te a encontrares as melhores rotinas entre os gajos que mais gostas, sejam eles quem forem. Vai haver muito tempo (e oportunidade) para rotações de plantel, não queiras fazer tudo de uma só vez!

Escolhe quem quiser. Mas entra em campo com espírito de vitória e esquece a próxima quarta-feira. Bate nestes e depois bates no BATE.

Sou quem sabes,
Jorge

Baías e Baronis – FC Porto 3 vs 0 Moreirense

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Pela quinta vez consecutiva (noutros tantos jogos oficiais que já foram disputados esta época), o resultado é melhor que a exibição. Mas se na primeira parte tudo parecia frouxo, com pouca movimentação, espaços enormes não ocupados na zona defensiva do Moreirense e muitos passes directos mal efectuados, a segunda parte trouxe melhorias e o futebol subiu de qualidade e acima de tudo de eficácia. No fundo foi mais do mesmo: Brahimi a romper, Óliver a rodar, Jackson a marcar. Ah, e um penalty falhado, para não destoar com o que tem acontecido nos últimos anos. Enfim, vamos a notas que se faz tarde:

(+) Jackson. Já leva quatro golos no campeonato (mais um na Champions) e subiu a média para um golo por jogo. Não se pode pedir mais a um ponta-de-lança que continua moralizado e que é um deleite para os extremos quando recua para lhes endossar a bola em corrida. Prova disso foi o tremendo toque de calcanhar a isolar Quaresma no início da segunda parte, a somar a uma data de outros passes em que depois de controlar a bola no chão consegue vislumbrar quase sempre a melhor trajectória para fazer o jogo rolar em direcção à área do adversário. E o primeiro golo é brilhante pela elevação que consegue no meio dos dois centrais do Moreirense, depois de um balão de José Ángel. Nota 20 (ou 10, em versão Football Manager).

(+) Maicon. Sem grandes brincadeiras, com sentido prático acima da (sua) média, Maicon esteve quase perfeito durante todo o jogo. Raramente se atreveu nos passes longos verticais (deixou essa tarefa para a desgraça que foi hoje Casemiro), foi milimétrico em vários cortes e impediu muitos ataques do Moreirense pela antecipação e bom jogo posicional. Está a ser o patrão de que precisamos, pelo menos nesta altura da época.

(+) Danilo. Um dos melhores jogos que me lembro de ver deste rapaz com a nossa camisola. Apareceu em apoio do ataque sempre que possível, audaz, sempre a pedir a bola mas mantendo-se bem posicionado para evitar contra-ataques do adversário. Tapou muito bem o flanco e fez as diagonais necessárias para tentar o remate, que conseguiu por várias vezes com boa ajuda de Quaresma, mas serviu fundamentalmente para abanar a dupla Óliver/Brahimi, que não pareciam conseguir furar pelo centro. Foi Danilo, com diversas intercepções no meio-campo adversário, quem mais trabalhou para empurrar o Moreirense para a sua área, especialmente na primeira parte. Excelente.

(-) O meio-campo durante toda a primeira parte. Raramente houve uma jogada com entendimento acima de uma triste mediocridade, muito abaixo do que podem e sabem fazer. Para arranjar desculpas podemos culpar a rotação posicional de Óliver e Brahimi, que não têm rotinas a jogarem próximos um do outro; podemos atribuir as culpas à bebedeira intelectual (vamos assumir que foi dessas) de Casemiro; podemos elogiar o posicionamento do Moreirense, astuto e voluntarioso na pressão alta; até podemos criticar a colocação de Adrián e Quaresma, ambos demasiado longínquos das áreas de influência e com pouca intervenção no jogo ofensivo da equipa como um todo para lá dos rasgos individuais, também eles pouco produtivos. Mas sejam quais forem os verdadeiros culpados pelo jogo pastoso e arrastado, houve enormes buracos no meio-campo ofensivo, viram-se demasiados passes errados (a fazer lembrar o primeiro ano de Guarín e o seu trademark “passe/remate” para rodar de flanco), excessiva confiança no passe longo vertical e pouco discernimento na organização de lances ofensivos. Talvez faça bem a Lopetegui assumir de vez um onze-base, ou pelo menos uma estrutura de meio-campo consistente para que possamos atravessar esta fase embrionária com mais tranquilidade, caso contrário podemos ter muitos jogos sofridos como este.

(-) Casemiro. Diz-me a verdade, rapaz: tu ontem foste para os copos, não foste? Bebeste uma cervejinha ou doze a mais, afinal está um calorzinho porreiro e a noite ontem até estava propícia para uma copada com os amigos…e ficaste distraído com as horas e com os “finos”, achaste piada ao nome e não paravas de pedir. É que não vejo outra explicação (se quisesse ir para a badalhoquice também podia, mas hoje estou a tentar ser “PG” e não me deu para a porcalheira) para a miséria de jogo que fizeste hoje, pá. Sempre distraído, lento, incapaz de reter a bola nos pés durante mais de um segundo, passes tortos, com força a mais ou a menos mas nunca adequada à situação. Vai para casa, enfia duas pastilhas de Guronsan num copo alto cheio de água, bebe tudo de golada…e dorme. Amanhã vais sentir-te um homem novo. Que remédio.


Três jogos para o campeonato, seis golos marcados, zero sofridos. Não estamos a jogar um futebol deslumbrante, deixo isso para mais tarde, o importante é continuar a ganhar. E não receber jogadores mancos vindos das selecções, também dava jeito.

Ouve lá ó Mister – Moreirense

Señor Lopetegui,

Cá estamos de novo neste belo estádio e no que espero seja uma solarenga tarde de Domingo, para nos voltarmos a maravilhar com o que pode ainda vir a ser uma bela equipa de futebol, ainda por cima com as nossas cores ao peito! Todos esperamos um bom jogo e que os rapazes estejam com a cabeça no sítio depois de na terça-feira termos arrumado com o Lille e chegado à fase de grupos da Champions. Por isso, já agora, os meus parabéns.

Mas a verdade é que ainda não somos uma equipa que jogue bem. Sim, temos feito uns jogos aceitáveis mas nada de extraordinário. Temos sido práticos, moderadamente eficazes mas o futebol ainda não entusiasma para lá de duas ou três jogadas de bom entendimento no decorrer das partidas, o que não é suficiente para te manter descansado no banco e claramente não é suficiente para manter o povo entretido nas bancadas. Há muita expectativa para ver os teus moços a fazer jogos em condições durante noventa minutos e quanto mais tempo demorares até conseguires esse objectivo…bem, já sabes com o que podes contar. Assobiadelas parvas, críticas constantes e uma sede de vitória que não cede. Viste o que fiz ali atrás, com as parónimas, esse conceito gramatical absurdo? É só para veres quem é este que te escreve.

Também já vi que o Alex não vai jogar, por isso estou na expectativa para ver se vais avançar com o Marcano e puxar o Indi para a esquerda, ou se vais dar uma oportunidade ao Zé Anjo. Ainda não sei que tipo de treinador és, hombre, por isso espero para ver. Quanto ao Moreirense, só há uma maneira de motivar os rapazes que não falha: convence-os que são o primo esverdeado do Boavista. Mesmo que a grande maioria dos teus jogadores te perguntem: “Boaquem?”, acredita que o público se motiva e te vai apoiar ainda com mais entusiasmo!

Sou quem sabes,
Jorge

Baías e Baronis – Paços de Ferreira 0 vs 1 FC Porto

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Ao contrário do que dizia Freitas Lobo, no final da partida, não acho que tenha sido um grande jogo de futebol. Foi um jogo sofrível, com uma equipa a jogar na retranca durante 45 minutos enquanto que outra, ainda a atravessar uma fase de construção que vai durar meses até chegar a porto seguro, tentava tudo o que podia, com calma mas empenho, para furar os onze mânfios que jogavam em 30 metros. O golo foi o momento alto de uma partida que não deixa saudades mas que vencemos com mérito apesar de praticarmos um futebol que, a espaços, fez lembrar o segundo ano de Vitor Pereira. Chato, mas eficaz. Três pontos, é o que interessa. Vamos a notas:

(+) Casemiro. Posicionamento impecável na saída da bola a partir da defesa, nunca será um trinco à antiga (definindo “antiga” como: desde os anos 90) mas talvez seja exactamente o que precisamos para aquela posição de arranque de lances ofensivos. Ruben é melhor em posse mas Casemiro dá mais corpo e uma acuidade defensiva mais acertada, apesar de raramente aparecer nos últimos trinta metros com a bola controlada, preferindo rodá-la para os flancos sempre que possível. Excelente técnica, bom nos passes longos, mostra um discernimento acima da média e entende-se já bem com os centrais, essencial para garantir boa cobertura do terreno. Ah, e parece estar todo o jogo a sorrir. Kinda creepy.

(+) Evandro. Às vezes, as coisas mais simples são as mais interessantes e as mais eficientes. Evandro mostrou isso mesmo, já depois de Ruben Neves o ter feito em Lille, que não é preciso jogar cheio de fintas e corridas loucas para mostrar que um jogo de futebol é 10% inspiração e 90% transpiração. Pelo menos na sua zona do terreno e para a grande maioria dos jogadores. Foi sóbrio, prático, com sentido de conjunto e a trabalhar para que a equipa pudesse jogar sem que notasse a sua presença. Lembrou-me um pouco do que Defour poderia ser, se tivesse a cabeça no sítio durante a maioria dos jogos que por cá fez…

(+) O lance do golo. Impensável de acontecer em 2013/2014, apesar dos três intervenientes terem feito parte do plantel no ano passado. Três jogadores com técnica acima da média, três toques de pé esquerdo, três excelentes componentes de um lance que tem tanto de simples como de estupendamente bem executado. A bola é atrasada para Alex Sandro que sem a dominar coloca na direita para Quintero, o puto recebe a bola na perfeição, adianta-a meio metro e cruza para o outro lado da área onde Jackson encosta de primeira para a baliza. Faz lembrar o puto que responde à tradicional pergunta do “2+2=?” com 4, ao que a professora responde: “Muito bem”, para receber a resposta do miúdo: “Muito bem, nada. Perfeito!”.

(+) A multiplicidade de escolhas. Sai Tello, entra Quintero. Sai Evandro, entra Óliver. Sai Ruben, entra Herrera. Quaresma e Danilo nem foram convocados e Brahimi ficou no banco. A quantidade de opções à disposição de Lopetegui assusta em termos de qualidade (uns mais que outros, é verdade, mas nenhum destes nomes pode ser considerado fraquinho) e se a rotação pode ter arrancado um pouco cedo, a verdade é que podemos estar relativamente descansados em termos de quem pode ou não jogar. É que ao forçar este tipo de escolhas, Lopetegui está ostensivamente a mostrar aos jogadores que todos vão poder jogar numa ou noutra altura e que todos têm de estar preparados para ficar no banco ou na bancada de vez em quando. Ou, pelo menos, foi assim que li as decisões do treinador.

(-) A condição física, principalmente dos “velhos”. Vi um Alex Sandro que parecia cansado ao fim de quarenta minutos, um Herrera que pareceu entrar sem força e com os tradicionais blackouts que marcaram a época passada, um Quintero a abanar demasiado a cabeça a meio da segunda-parte e um Adrián sem poder de explosão nem capacidade de arranque. A pré-época foi dura, com muitos dias a terem três treinos e as cargas físicas foram, ao que parece, bem pesadinhas. Compreendo que se comece a rodar o plantel mas quero acreditar que as pernas dos rapazes vão aguentar até chegarmos à fase de grupos da Champions, porque aí ninguém vai pensar na pré-época e nos três treinos por dia. Aí, é a doer, e se a rotação pode servir para ajudar, não explicará se os rapazes não correrem por falta de pernas…

(-) Mais uma vez, pouco jogo na área e poucos remates. Sim, o Paços enfiou dois comboios cheios de gado nos últimos vinte metros. Certo, o nosso meio-campo ainda não está oleado. Ok, os extremos eram ambos novos, um deles esteve off e o outro estourou-se ao fim de meia-dúzia de minutos. Mas a bola chegou poucas vezes a Jackson em condições de remate, Quintero preferia quase sempre fintar mais um, Ruben agarrou-se em demasia à bola e Casemiro parece ter medo da baliza. Há que trabalhar mais e melhor para colocar a bola na área com maior eficiência, ou pelo menos para assustar mais o guarda-redes contrário.

(-) Adrián. Muito pouco para um nome tão grande. Passou muito ao lado do jogo e nas poucas oportunidades que teve, não mostrou capacidade no 1×1, não se entendeu muito bem com Alex Sandro e raramente foi perigoso para a baliza adversária. É certo que ainda é cedo e que vai haver muitas oportunidades para jogar e brilhar, mas para um homem com tanto talento fazer recordar tempos de Mariano González…não terá sido o melhor arranque, fico-me por aqui.


Dois jogos do campeonato, duas vitórias, zero golos sofridos. Em Agosto, não peço mais.