Baías e Baronis – FC Porto 3 vs 1 Boavista

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Isto não foi um derby. Isto foi um jogo normal. Um derby arrasta consigo as esperanças e a alma de dois clubes rivais da mesma cidade, a lutar pela posição cimeira de uma competição que naquele momento não conta, não interessa, não vive mais do que para fornecer um motivo para o combate. É a arena onde dois gladiadores se engalfinham numa luta até à morte ou até os rostos ensanguentados podem viver meia dúzia de segundos enquanto os juízes decidem o vencedor. Isto não foi um derby. Foi apenas um medíocre jogo entre uma equipa que será sempre medíocre e outra que sobe um pouquinho acima disso. Notas em baixo:

(+) Otávio. O puto luta, não tenhamos dúvidas. Nem sempre da melhor forma e nem sempre com as melhores decisões, mas o suficiente para se elevar acima da mediania dos colegas para se mostrar e para ser uma das peças em melhor forma da equipa. Uma assistência e um penalty sofrido (também conta como assistência? devia.) e algumas boas jogadas fazem dele um jogador vital na equipa, por muito que não tenha corpo para mais. Mas quem terá?

(+) André Silva. Não fez um grande jogo mas marcou dois golos e nesta fase de contínua construção de uma equipa (que parece não acabar, ler mais abaixo) o que precisamos é mesmo de um homem que marque e que dê vitórias à equipa. Uma boa desmarcação para o primeiro e um penalty bem marcado colocam-no na área positiva das notas, por muito que a insistência no 1×1, para o qual tem tanto talento como eu para amanhar douradas, o tente arrastar para baixo.

(+) Felipe. Salta o gajo do Boavista, vai Felipe com ele. Salta outro, lá vai o barbas. E é isto que quero, um central que não tem medo do contacto e que impõe o jogo mais físico quando é necessário. Vital na fase de destrambelhamento da equipa (antes do terceiro golo), foi um elemento em bom plano. Tem de melhorar no passe vertical rasteiro.

(+) O terceiro golo. AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!

(-) O pé e o que se faz com ele. É o que mais me incomoda na equipa do FC Porto até agora, mais do que a incapacidade de cruzar uma bola ou de rematar de meia distância. É a forma como os jogadores são passivos perante o adversário, em particular quando os oponentes levam a bola nos pés. Case in point, Layún corre ao lado do extremo do Boavista uns bons vinte metros sem sequer tentar meter o pé; Danilo hesita perante o corte com os olhos ou com as pernas e opta pela primeira escolha; Adrián deixa a bola ressaltar o chão antes de a tentar ganhar. André^2 e Oliver permitem que o adversário lhes pise os calcanhares todo o jogo sem se revoltarem. Estes lances sucedem-se e resultam quase sempre na mesma infeliz consequência: não conseguimos recuperar a bola. Onde está aquele FC Porto que batia antes e fazia perguntas depois? Para onde é que desapareceu a fibra, a alma do meu clube, aquela atitude “do or die” que me dava tanto prazer e que me fez portista? Na lama, é aí que está.

(-) Táctica e momento. Alguém ainda terá de me explicar a vantagem de estar a experimentar tácticas diferentes jogo após jogo, com elementos igualmente diferentes. Óliver começou o jogo contra o Guimarães e contra o Copenhaga a organizar ao lado de Danilo. Em Tondela, banco. Hoje, começa a organização ofensiva sem a bola mas encostado aos centrais para descer como o mais pequeno pivot do mundo. Não consigo ver como é que a equipa se vai olear enquanto as várias competições estão a decorrer e o homem que os lidera persiste em testes. Sim, o plantel só ficou definido depois da época ter arrancado, mas é tarde demais para tanta experimentação. Há que escolher uma táctica principal, uma alternativa e algumas nuances, mas com tanta rotação não é possível criar automatismos e rotinas em condições.

(-) Danilo. Foi um terror vê-lo distraído durante a primeira parte como se tivesse acabado de ver o fim dos Sopranos e ainda pensasse no que raio tinha acontecido. O momento tradicionalmente Danílico aparece quando recebe a bola no meio-campo, cheio de laranjões à volta, e levanta a cabeça com uma lentidão a fazer lembrar Bolatti para ser desarmado logo de seguida. Para além disso, pareceu em má forma física e estourou perto dos sessenta minutos. SESSENTA. Vai ser bonito vê-lo em Leicester, vai…

(-) André André. Remata fraco e passa com força a mais. É uma constante no jogo de André, como se fosse possuído pelo espírito de um duende maldoso que vive na sapatilha direita e que condiciona a forma como se entrega ao jogo. Corre muito mas não mete o pé. Aparece em zona de remate e passa a bola ao guarda-redes. Vê um colega a desmarcar-se a dez metros e envia-lhe a bola a trinta. Enfim.


A vitória é incontestável mas a forma como o jogo decorreu e a maneira como a equipa se apresenta em campo não me trazem euforias, mesmo com vitórias. Preciso de mais, muito mais do que vi hoje.

Ouve lá ó Mister – Boavista

Companheiro Nuno,

As coisas não estão famosas, pois não? Este empate em Tondela, para lá de ter sido um jogo tão interessante como ver um presunto a adquirir sabor num fumeiro, acabou por te fazer perder algum capital de confiança que tinhas junto dos adeptos. É uma amante cruel, esta vida de treinador, não é? Tanto te leva a patamares de êxtase como os que tiveste em Roma como no minuto seguinte te enfia num poço de depressão onde a luz é tão difusa e longínqua que faz os cabrões na alegoria da caverna pensarem que são holofotes que criam as sombras. É tramado ser treinador do FC Porto nos tempos que correm.

Mas convenhamos que hoje pode ser um jogo diferente. Eu sei que o “processo de formação” está em curso e que a “eficácia” não é a melhor ou até que a “mentalidade competitiva” demora a assentar. Mas hoje é dia de derby, Nuno. Derby, carago, contra aqueles tabuleiros em forma de camisola que ousam colocar as patinhas no nosso estádio, conspurcando-o com a lama que pinga da alma suja e vil que detém. É calcá-los como se fossem trampinha de cão. Enfiar-lhes os dedinhos pelo esfíncter acima para que lamentem a existência e façam com que as mães chorem para os céus ao perceberem o destino que os filhos terão.

E no meio deste desterro, vê lá se ganhas o jogo. Um espectáculo dantesco sem uma vitória não vale de nada.

Sou quem sabes,
Jorge

Baías e Baronis – Tondela 0 vs 0 FC Porto

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Mais ou menos pela hora que o jogo estava a ser disputado, estava eu a acabar de dar banho à catraia e a responder pela milésima vez a uma das perguntas-tipo cá em casa: “Estás bem, pai?”. E estava, estava mesmo bem. Agora se ela me perguntasse a mesma coisa à hora que escrevo estas palavras, a resposta seria qualquer coisa como: “Claro que não, minha linda ingénua, não vês que o clube que o teu pai apoia está a desmoronar-se num marasmo de ideias e incapacidades que não conseguem sequer mandar abaixo uma das equipas mais fracas da história da humanidade futebolística? Sim, querida, outra vez. Pois, eu sei, não consigo explicar, um dia mais tarde talvez percebas. E sofras.” Sigam as notas já abaixo:

(+) Casillas. Safou a equipa de uma derrota inconcebível e tentou comandar uma dupla de centrais que não se entenderam nada bem durante o jogo.

(+) Otávio. Em particular na primeira parte, foi talvez o único jogador que conseguiu furar entre o que parecia uma loja de camisolas verdes e amarelas com manequins plus-size que davam pancada em tudo que viam. E ele levou, oh se levou, mas levantava-se e continuava a lutar. Não chegou.

(-) Zero. Zero de ideias. Zero de capacidade de luta a meio-campo. Zero de remates perigosos de meia-distância. Zero de situações de perigo construídas em condições. Zero de entendimento. Zero de técnica na recepção da bola. Zero de atitude perante a absurda tentativa de perda de tempo do adversário. Zero de pressão sobre o árbitro que permitia toooooooooooooooda a agressividade e o abdicar de jogar futebol de uma equipa que coloca a sua equipa a jogar de uma forma tão feia quanto o seu espelho lhe mostra todas as manhãs. Zero de opções convincentes na troca de bola pelas laterais. Zero de entradas na área em combinações quando há tanta gente no meio-campo com talento. Zero na parte física onde anda tudo a arrastar-se pelo campo. Zero de mentalidade competitiva prática e intuição de golo. Zero. Zero. Merecemos o zero.


Zero-zero contra o Tondela. Zero-zero. Zero. Zero. Não será uma noite fácil para adormecer, garanto.

Ouve lá ó Mister – Tondela

Companheiro Nuno,

 

Ora viva mais uma vez. Rica trampa o jogo de quarta-feira, não foi? Foi, pois. Apesar dos gajos não serem nenhumas espingardas fantásticas para a Champions, lá nos roubaram dois pontinhos que nos podem vir a fazer muita falta mais tarde e se não conseguimos vencer um dos dois jogos mais fáceis do grupo, quem nos garante que vamos conseguir ganhar os mais complicados? Pois é, rapaz, eu sei que são jogos difíceis e que o Copenhaga não é nenhum Tondela, mas as coisas complicam-se quando deviam ser simples e tens de arranjar maneira de resolver isso na próxima jornada, em Inglaterra. Cavaste o poço, agora sai dele. Mas hoje a conversa é diferente.

Estes filhos de mãe incerta, liderados pelo seu treinador que foi durante vários anos uma das figuras mais desprezadas que jogou em Portugal, pelo menos do nosso ponto de vista, vieram no ano passado gamar três pontos no Dragão. E ainda estou a espumar um bocadinho de revolta e com vontade de os empalar num prumo cheio de rebites, por isso deposito toda a minha confiança em ti e nos teus muchachos para conseguires sair da terra deles com o mesmo saco cheio que eles levaram em 2015/16. Acredito que vais conseguir e só te dou um conselho: luta. Oh pá, convence-os de que maneira quiseres que o meio-campo vai funcionar, os laterais vão estar atentos e práticos e que os avançados estarão eficazes e prontos a enfiar a bola na baliza. Seja o Depoitre, o André ou até o Felipe a ponta-de-lança, quero lá saber. Só me interessa é ganhar o jogo para voltarmos a estar confiantes e prontos para a próxima jornada que é de derby e que também quero ganhar com todas as forças. Vamos lá continuar a quebrar a má tradição amarela do ano passado. Abaixo e adiante!

Sou quem sabes,
Jorge

Baías e Baronis – FC Porto 3 vs 0 Guimarães

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A vitória é incontestável e surgiu de forma relativamente tranquila e sem grandes preocupações. Mas…a verdade é que os golos foram obtidos num lance de bola parada, num remate com ressalto fortuito e num auto-golo, tudo depois de um golo anulado porque um mocho pousou numa lâmpada em Middle Earth e rezou sete Avé Verums o que fez com que Jorge Sousa visse algo que mais ninguém viu. Magia, só pode. Ainda assim houve futebol interessante a espaços e a noção que há ali muito talento para ser trabalhado, múltiplas opções tácticas e aparentemente pouca necessidade de extremos puros em grande parte dos jogos. Em suma: há material de qualidade, falta criar uma equipa. Notas aqui em baixo:

(+) Óliver. É uma diferença enorme ver Óliver a controlar a bola e a rodá-la para os colegas e ver Herrera a esforçar-se para conseguir progressão no terreno. Ocupando sensivelmente as mesmas zonas, o espanhol consegue transmitir uma confiança muito alta a um meio-campo que precisa da bola para poder impôr o seu jogo (mais sobre isto em baixo) e quando estiver em forma pode ser vital para o que a equipa consiga ou não fazer em campo. Raios, nem está em forma e já foi o que se viu! Bom primeiro jogo a titular.

(+) Danilo. Quando a equipa entrou em campo, organizada num 4-4-2 diferente, sem extremos mas com médios construtores e que se pretende que troquem a bola entre eles com facilidade, é natural que a equipa se incline para a frente e permita alguns espaços na rectaguarda. É aí que aparece Danilo, impondo a força física que os outros não têm e marcando a diferença por isso. Continua a precisar de uma melhor leitura dos espaços que tem de tapar mas é uma peça importante na equipa e sem substituto à altura para as mesmas características. Ou seja, se Danilo sair da equipa, o esquema pode ter de mudar para sobreviver.

(+) Marcano. Bom jogo do central, com um golo e várias boas intercepções, subindo sempre que necessário e ajudando a equipa nas bolas paradas. Parece confiante e apesar de já lhe conhecermos o histórico (a primeira falha raramente morre sozinha) está na equipa para ficar, o que é um bom sinal para o futuro próximo. Tens de esperar um bocadinho, Boly.

(+) Aquele contra-ataque do André Silva. Que prazer me deu ver aquilo. André Silva, a meio da segunda parte, recebe a bola depois de um ataque do Guimarães (canto? já não me lembro) e parte para o contra-ataque pelo lado esquerdo. Pela sua direita aproxima-se um autocarro de vestes negras em toda a velocidade em rota de colisão. KABOOM, vai o autocarro contra André, que sofre o impacto e logo se levanta para prosseguir a investida em rotação cada vez mais elevada, acabando por passar a bola para um colega que sofre falta para amarelo. É esta a garra que quero ver em todos os jogadores! Que se lixem as entradas a medo, André²! Para trás, Corona, quando não meteres o pé! Afasta-te Herrera quando perdes uma bola dividida! Olhem para o puto e lutem como ele. Nunca serão assobiados se o fizerem.

(-) Pressão alta ineficiente. Lembram-se dos tempos do Fonseca, em que o guarda-redes e os defesas ficavam sem saber muito bem o que fazer quando eram pressionados? Pois o Guimarães optou pela mesma estratégia, a troca de bola entre keeper, centrais e laterais como forma de construir pausadamente e apenas soltando-se da pressão dariam início ao ataque. Acontece que tínhamos lá dois homens a fazer pressão, Depoitre e André Silva, com André², Otávio e Óliver a espaços a subirem pouco mais para lá do meio-campo. Não chegou e nunca chegaria porque eram poucos para muitos. A pressão cansou-nos e não trouxe absolutamente nada de produtivo para o nosso jogo. Nuno, se é para fazer pressão então por favor, mete-os todos na frente! Ou em alternativa podes permitir que a outra equipa leve o jogo até à linha central e depois não passa nada. Ficar a meio é que não.

(-) Demora a entrar no jogo. A táctica era diferente, mais uma vez. Táctica não, talvez a disposição das peças em campo, porque não havia extremos mas os laterais estavam bem subidos, os dois médios mais recuados tinham funções diferentes e os outros dois na sua frente (Otávio e André², cognonizado como “capitão capitão” por um amigo na cadeira ao lado) iam vagueando pelo campo à procura de espaços que raramente apareciam. A tendência de bolas longas da parte dos centrais, aproveitando a presença de Depoitre, pareceu exagerada e pouco produtiva e a forma como se previria que o Guimarães reagisse às incursões pelo centro, fechando-se e criando espaços nas alas, nem sempre funcionou. Houve demasiada lentidão nos processos e um jogo demasiado previsível e com passes errados a rodos, com o resultado prático a ser a criação de lances perigosos apenas por bolas paradas e aéreas. Na segunda parte, depois do segundo golo, o futebol teria de ser diferente e acabou por ser, com um jogo bem mais rasteiro, inteligente e com boas trocas de bola. Mas não podemos perder tanto tempo até chegar a uma posição de conforto, dando ideia que navegamos uma maré que não somos nós a criar. Eu quero criar a maré, pronto.


A melhor resposta possível depois da derrota de Alvalade e numa altura em que já se sabiam os resultados dos “grandes”. O caminho faz-se caminhando, yadda yadda, vitórias em casa sempre e tal. Quarta-feira há mais do mesmo.