Baías e Baronis – FC Porto 2 vs 1 Braga

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Não se faz, amigos. Um gajo tem um casamento no dia anterior e ainda vai para o jogo meio ressacado, para apanhar um heart-fucker destes. E podia tudo ter sido tão fácil, porque apesar da combativa equipa do Braga nos ter dado água p’la barba (especialmente no meio-campo, bem mais rijo e lutador que o nosso…mesmo com Ruben Micael em campo, imaginem!), há uma clara diferença de talento entre as equipas. Começa a ser um lugar-comum assinalar este pormaior, mas tem sido graças às individualidades que nos temos vindo a safar. Hoje foi San Juanfer que nos safou de um buraco por nós cavado, que poderia ter sido ainda bem pior se não houvesse um lampejo de qualidade colombiana a trazer o golo da vitória e a iluminar as bancadas do Dragão que andam mais nervosas que um adolescente antes de convidar a miúda mais gira da turma para irem ao cinema. Vamos a notas:

(+) Quintero. Quase perfeito no passe curto e médio, especialmente quando consegue rasgar o meio-campo à procura de um jogador que apareça pelo flanco. Vi grande parte dos passes diagonais que fez enquanto esteve em campo da forma mais adequada para avaliar o talento do moço: por detrás dele, no enfiamento perfeito da direcção do passe. Podiam pôr 80% dos médios do FC Porto dos últimos anos a fazer aquele tipo de passes consecutivamente e garanto que não acertavam metade para o dobro das tentativas. Excelente também no golo, provou que a jogar como “10” é como mais rende. Que continue e não se chateie por não jogar sempre.

(+) Danilo. Continuo a gostar muito da forma como está a colocar a alma, o suor e a capacidade física ao serviço da equipa nesta época. E hoje, mesmo depois de falhar um golo feito (porque quis controlar a bola em vez de mandar um tiraço ou encostar a bola de pé aberto para o canto mais distante…seu NABO!), foi dos poucos que me deu um gozo bestial de ver a correr, a subir pelo flanco e a descer em corridas imensas, já que raramente teve o apoio que necessitava da parte do extremo que jogava do seu lado. Palmas, puto, palmas!

(-) As pernas. No jogo contra o Boavista, disse o seguinte: “Estamos na 5ª jornada e já vejo vários rapazes do meio-campo para a frente a vomitarem-se todos para acabar um jogo. Sim, jogámos muito tempo com dez jogadores. Certo, estivemos quase sempre com a bola nos pés, o que cansa mais. Compreendo, Ruben Neves tem 17 anos, Herrera e Brahimi estiveram no Mundial. Mas não é bom sinal quando chegamos a meio da segunda parte e os dois jogadores mais importantes na construção ofensiva da equipa estão agarrados às pernas e o desequilibrador principal da equipa não aguenta mais que duas ou três corridas. Começo a pensar que a rotação imposta por Lopetegui se deve mais a factores físicos que tácticos…“. Não percebo muito de músculos nem das métricas que são idealizadas para a constituição de um corpo humano perfeito. Nem tão pouco sou um perito na percepção do que faz um jogador de futebol conseguir correr noventa atrás de noventa minutos em alta pressão e alto rendimento. Mas posso inferir que se a rotatividade pode permitir que alguns rapazes descansem e se sintam mais capazes para enfrentar o próximo jogo com mais capacidade física, também posso entender que haja alguns rapazes que têm dificuldades em manter um ritmo constante se não jogam todas as semanas. É uma questão de ser encarcerado por possuir um canino ou por abdicar da mesma posse, mas será que a rotação de jogadores não ajudará a que a equipa não aguente mais de 70 minutos em condições? Ou estarei apenas a arranjar desculpas para um plantel que tem tanto de qualidade como de falta de capacidade física?

(-) Macios da defesa para a frente. Houve muitas, imensas, DEMASIADAS progressões com a bola por parte do Braga sem oposição credível por parte dos nossos médios e extremos. Excluindo Jackson deste grupo, ele que tantas vezes vem atrás para cortar bolas de carrinho na perfeição, temos um grupo de rapazes extremamente talentosos mas que não parecem muito dispostos a usar de um jogo mais físico (não violento, atenção!) para chegar aos seus propósitos. Não sei se Tello tem medo de se lesionar de novo na coxa, se Óliver receia magoar o ombro de novo, se Brahimi se amedronta de perder algum do seu imenso talento ao encostar o corpo ao adversário ou se Herrera percebe que não chega cravar as pernas no chão e esperar que o adversário não o contorne. Agora que as zonas de pressão parecem mais bem estruturadas, é definitivamente necessária mais agressividade na recuperação da bola na zona média.

(-) Repetir Marcano no onze. Compreendi a entrada do espanhol contra o Shakhtar, já que precisávamos de um “holding midfielder” para recuperar a bola em força quando fosse necessário frente ao meio-campo menos brasileiro do mundo, apesar de ter três ou quatro brasileiros. Mas no jogo de hoje não consigo perceber a vantagem. A posse seria quase de certeza nossa de início a fim, obrigando os médios a recuar para construírem o jogo de trás para a frente. Herrera, o aguadeiro responsável por trazer a pelota a partir da zona central, atrasa-se no terreno e obriga a que o outro médio bascule enquanto o médio mais ofensivo fique mais à frente a criar linhas de passe. E Marcano, le pauvre, não sabe mais do que agir como parede para receber a bola de costas para a baliza adversária e atrasá-la para os colegas. Não desequilibrava, não recebia a bola em posse e não criava espaços para a receber em condições. E ninguém esperava que o fizesse…a não ser Lopetegui. A saída dele e de Herrera (mais um jogo fraquinho do mexicano) vieram 45 minutos mais tarde do que deviam.

(-) Alex Sandro. Mal nos cruzamentos, mal no controlo da posse em zona defensiva, mal na subida pelo flanco e particularmente mal no endosso da bola em situações de recuperação de bola, com dois ou três passes absurdos e direitinhos aos pés dos adversários. Notou-se bem o estouro das pernas quando começou a pontapear o esférico na direcção da arquibancada. Um jogo para esquecer.


Três pontos. O equivalente ao que foi conquistado nas últimas três jornadas. Continua a ser o meu grande medo nesta equipa: que se perca grande parte do campeonato antes de a podermos apelidar como tal…

Ouve lá ó Mister – Braga

Señor Lopetegui,

Sabes que já não vejo um FC Porto vs Braga que me ponha entusiasmado desde um perfeito final de tarde em Dublin, onde a cerveja fluía como hidromel em terras medievais (daquelas “a sério”, nada de feiras a imitar o estilo com gajos de Pumas nos pés e latas de Super Bock nas mãos) e a harmonia imperava entre clube, equipa e sócios. E esse jogo, meu caríssimo basco, já foi há três anos e meio. Mais de mil e tal dias de diferença que fizeram com que houvesse um extremar de posições, um grau de exigência de tal maneira alterado que um empate fora na Champions contra aquele que é teoricamente o adversário mais forte do grupo faz com que a contestação aumente, ninguém sabendo muito bem porquê. É a rotatividade, são as falhas, é o meio-campo que não carbura, é o Tello que é guloso e o Jackson que ficou no banco ou o Quaresma que ficou na Invicta. Tudo reclama, ninguém acalma.

Ora hoje, que todos regressam ao Dragão e queremos um bom resultado. Lembra-te que há jogos de selecções nas próximas semanas, por isso esmifra ao máximo o que puderes dos jogadores. Não quero saber se vão passear em amigáveis contra San Marino ou se vão apanhar uma Alemanha na máxima força. Hoje, o que interessa, é o Braga. São aqueles gajos que nos fazem a vida negra de tempos a tempos e que hoje não vão perder a oportunidade de voltar a pôr o ferrolho na defesa e envenenar os contra-ataques. Cuidado com os tipos que vais escolher para o meio-campo mas acima de tudo está atento ao ataque. Ao nosso, não ao deles. Quer dizer, também ao deles, mas principalmente ao nosso. Bottom line, não tires o Tello nem o Brahimi. E não tires o Óliver, mas põe-no a 10. Atrás dele, Ruben e Evandro. E o Jackson na frente. Raios, homem, tens muitas opções mas este era o meu onze, porque atrás disso não vejo mudanças importantes. Danilo, Maicon, Indi e Alex. Fabiano à frente das redes. Soa bem. Acredito em ti e acredito que esta equipa vai carburar, talvez hoje tão bem como na segunda parte contra o Shakhtar. Bora lá.

Sou quem sabes,
Jorge

Baías e Baronis – Sporting 1 vs 1 FC Porto

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Um clássico que acabe em empate é sempre menos mau, especialmente fora de casa. Se tentarmos perceber a forma absurda como entramos em campo, especialmente depois do golo sofrido evidenciar a ausência de organização no nosso meio-campo e a forma como a equipa não consegue parar o adversário em zonas de construção. É essa a principal falha do FC Porto de Lopetegui, por agora, pelo menos até que a estratégia se mantenha a mesma com os intérpretes que a vão colocando em campo. Ambas as equipas tiveram oportunidades claras e o empate aceita-se. A notas:

(+) Óliver. É um jogador diferente, sem dúvida, e quando está em campo nota-se na perfeição a diferença que mostra em relação aos colegas. Raramente há passes falhados, desconcentrações na construção de jogo e desatenções defensivas. Pode trazer muito ao meio-campo (mais que na ala, creio) quando colocado a jogar por detrás do ponta-de-lança e preferia vê-lo sempre como dez recuado em vez de colocado na linha. Em forma, é titularíssimo.

(+) O controlo da posse de bola na segunda parte. Depois da entrada muito mais forte do Sporting, que nos encostou à área durante a primeira-meia hora, o jogo foi-se reequilibrando e a equipa assentou a cabeça e começou a trocar a bola de uma forma mais consistente e estruturada. Continuo a tremer quando a zona defensiva se amedronta perante o mais ínfimo sinal de pressão adversária, mas é essencial manter a calma e prosseguir na troca de bola tranquila enquanto a zona ofensiva vai criando espaços e linhas de passe coerentes, porque é especialmente em situações individuais que podemos mostrar o que valemos. Foi talvez o pior jogo que fizemos até agora, mas a segunda parte foi menos má que a primeira.

(-) A desorganização da zona de pressão defensiva. Desorganização. Alheamento. Desconcentração. Há muitas outras palavras que podia usar para descrever o que vejo na estrutura defensiva do FC Porto mas podia centrar tudo num conjunto de vernáculo que faria corar uma freira de clausura. É enervante perceber que os homens do meio-campo parecem constantemente mal colocados perante os adversários, não cobrindo os espaços de uma forma coerente e permitindo uma fácil construção de lances ofensivos com uma passividade e destrambelhamento que não parece natural numa equipa de topo. Desde o início da temporada que tem sido a área mais débil da equipa não só em termos físicos mas especialmente pela incapacidade de formar um bloco consistente para impedir que o adversário surja com a bola controlada e em progressão por uma zona onde se pode criar a maior quantidade de situações de perigo para a nossa baliza. Casemiro, Ruben Neves e Herrera, até agora, não estão a funcionar como conjunto.

(-) A ineficácia na finalização Em jogos deste calibre é uma infelicidade falhar golos feitos. Jackson e Tello mostraram isso mesmo, com os lances que tiveram na segunda parte a poderem ser decisivos na conquista de uma vitória que seria até então justa…pela maior eficácia que mostraríamos em frente à baliza, quando comparada com a mesma (in)eficácia nos lances de que o Sporting dispôs na primeira parte (para lá do petardo do Capel à barra). Estes jogos travam-se com fibra mas vencem-se por detalhes.

(-) Bolas paradas ofensivas. Mais uma vez tivemos uma batelada de cantos e alguns livres, com zero perigo criado. Há muitos, muitos anos que continuamos com este tipo de incapacidade de semear o caos nas defesas adversárias através de lances de bola parada e mantemos a tremideira quando a bola aparece na mesma situação mas do nosso lado. Um canto, um golo…uma vitória. Era giro, não era?


Três empates consecutivos não são bons para um campeonato onde os pontos perdidos se podem tornar tão importantes em fases mais adiantadas da prova. O próximo jogo tem de trazer três pontos para o cofre. Sem desculpas.

Ouve lá ó Mister – Sporting

Señor Lopetegui,

Um gajo passa uma semana de cão quando não ganha. Mais que a chuva, o trânsito, o trabalho, a diarreia depois daquele almoço cheio de gordura, tudo é cacahuetes comparado com a memória de um jogo em que nada corre bem. Fica cá dentro, sabes, com um estupor duma persistência que nos tolha a mona e o espírito e nos faz ver tudo com tons de cinzento mais escuros do que o mundo nos proporciona. Uma merda duma semana.

Mas alimenta-nos a perspectiva do próximo jogo. Dá sempre um alento especial pensar que estamos só a meia-dúzia de horas ou minutos ou seja lá quanto for o diferencial de tempo que passa entre a altura em que leres isto e o início da partida (sinceramente, sempre pensei que esta era a última coisa que lias enquanto o Jackson aperta as botas e o Danilo vai fazendo alongamentos, mas pode ser produto da minha mente que anda de tal maneira underclocked que já nem distingue um Doriva dum Casemiro) e que podemos estar prestes a voltar a sentir aquele rush de emoção e de extrema alegria que nos é presenteado com uma vitória do FC Porto. Sim, mesmo em Alvalade, rapaz, olha lá que essa treta de emprenhar pelo ouvido é lixado e se vais andar a ouvir a propaganda da calimeragem, estás mesmo tramado.

Esta semana foi uma festarola lá em baixo. Eram bocas para o NGP, notícias de jornais sobre ambos os clubes, um que perde mas que afinal ganhou, outro que é investigado enquanto o outro deixou de ser. Jogadores a espetarem carrões, outros com ombros novos, meias-surpresas nos meios-campos e médias de idade erróneas. Houve de tudo, até um antigo treinador comum a ser convocado para o qualifying para o Mundial 2018. Lindo, este país, lindo mesmo. Mas alheia-te disto tudo, Julen. Fala aí com os muchachos e prepara-os para o gamanço de uma vida, que para os mais antigos será só mais um, mas os novos (e tantos novos que há este ano) ainda não passaram pelo real enrabanço que habitualmente ocorre aos azuis-e-brancos nessa latrina onde hoje vão jogar. Que deitem tudo para trás das costas: o árbitro, o jogo com o Boavista, a rotatividade. Nada disso interessa. Interessam os onze gajos que lá vão estar e que têm de dar tudo para ganhar. É um clássico e como tal ainda há menos vencedores antecipados, mas fico contente se derem tudo para ganhar. Mesmo que não o consigam.

Sou quem sabes,
Jorge

PS: Ainda por cima, azar dos azares, não sei se vou conseguir ver o jogo em directo e posso garantir que os B&Bs não saem na mesma noite, porque devo regressar a casa tarde e muito provavelmente inebriado. Para poupar o povo a um chorrilho vernáculo portuense cheio de gralhas, adio-a para sábado. Com mais calma e dois ou três guronsans no bucho. A gerência agradece a compreensão.

Baías e Baronis – FC Porto 0 vs 0 Boavista

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Amaldiçoo as palavras que proferi antes do início do jogo, enquanto o céu abria todas as torneiras que tinha, descarregando água com a força de onze deuses e a intensidade de outros onze. Nessa altura, protestava eu com o árbitro que avaliava as condições do pobre relvado e reclamava pela pouca celeridade da drenagem e das decisões dos fulanos de negro. E agora, penso que mais valia o jogo ter sido adiado. Talvez o passe de Tello tivesse chegado a Brahimi. Talvez Maicon não tivesse sido imprudente. Talvez os remates de Herrera tivessem chegado à baliza. Talvez Mika não tivesse agarrado as cabeçadas do Jackson. E talvez não estivesse agora com um mal-estar tremendo e cara de chateado. Talvez. Vamos a notas:

(+) Marcano. Bom jogo na estreia absoluta. Excelente a jogar pelo ar, de toque fino e prático, a colocar sempre a bola no chão antes de a passar para um colega. Apesar de raramente ter sido obrigado a desempenhar as tarefas inerentes à posição que ocupa, esteve perfeito nalguns cortes pelo relvado e quando Lopetegui o colocou quase no centro do esquema de três defesas (Casemiro foi mais volante que central) esteve seguro e sem tremideiras. Em Alvalade veremos se vale alguma coisa a defender contra uma equipa a sério.

(+) Danilo e José Angel. Tentaram tudo para que a equipa conseguisse criar situações de perigo na área e fizeram os dois flancos dezenas de vezes durante todo o jogo. O espanhol recebeu mais apoio que o brasileiro e pareceu sempre com vontade de colocar a bola na área mas fê-lo com critério e sem abandalhar nos cruzamentos excessivos. Falta-lhe a capacidade de furar como Alex Sandro mas parece ser uma boa alternativa, nivelando um pouco por baixo. Danilo começou mal o jogo, com muitas cruzamentos e passes falhados, mas foi subindo de produção e nunca desistiu. É essa uma das grandes mudanças em Danilo nesta época: a mental. Espero que assim continue.

(-) A expulsão de Maicon. Imagino que vai haver duzentas opiniões acerca do lance e mais de metade vai achar que não era motivo para expulsão. Porque era a meio-campo, porque a entrada foi 12 graus desviada na vertical do que se pode considerar “por trás”, porque foi a primeira falta, entre outras. Mas é na verdade muito simples de analisar o lance. Duas simples premissas: a entrada é dura, de pé levantado e acerta no jogador por trás (de lado, como quiserem). Maicon foi imprudente e colocou-se à mercê do árbitro, só isso. Já vi dezenas de lances iguais que não mereceram cartão, nem amarelo nem vermelho. E já vi outras tantas dezenas que acabaram com o faltoso a ser expulso. Calhou-nos a segunda. E, caros portistas, pensem no seguinte: se fosse de outra cor, o que diriam do árbitro se não expulsasse o rapaz?

(-) A condição física da equipa Estamos na 5ª jornada e já vejo vários rapazes do meio-campo para a frente a vomitarem-se todos para acabar um jogo. Sim, jogámos muito tempo com dez jogadores. Certo, estivemos quase sempre com a bola nos pés, o que cansa mais. Compreendo, Ruben Neves tem 17 anos, Herrera e Brahimi estiveram no Mundial. Mas não é bom sinal quando chegamos a meio da segunda parte e os dois jogadores mais importantes na construção ofensiva da equipa estão agarrados às pernas e o desequilibrador principal da equipa não aguenta mais que duas ou três corridas. Começo a pensar que a rotação imposta por Lopetegui se deve mais a factores físicos que tácticos…

(-) Tello. Trapalhão, incapaz de adiantar a bola uma distância aceitável e decente para a conseguir continuar a controlar em drible. Nada lhe correu bem, desde a assistência de morte para Brahimi que ficou na piscina, aos cruzamentos falhados e aos 1×1 inconsequentes. Muito fraco para alguém que sabe muito mais que isto e apesar de ser um homem de irreverência e velocidade, tem também de perceber que tem de fazer alguma coisa de jeito depois de acelerar ao largo do adversário. Hoje, não fez nem uma nem outra.

(-) As opções de Lopetegui. Ao intervalo íamos discutindo o que poderia ser feito para mudar o jogo. A jogar com menos um homem, as opções não eram muitas e cada uma era mais radical que a anterior. A ideia dos três defesas não seria impossível de funcionar, mas o consenso entre os colegas de bancada estava na mudança do tipo de jogo para um approach mais directo, mais incisivo, alheando um pouco da posse e atacando mais agressivamente a baliza adversária que até então pouco tinha sido alvejada. Sai Tello, entra Aboubakar (ou Adrián), passa Brahimi para o meio a ver se saca um livre ou um espaço entre os defesas, mandam-se subir os laterais e siga. Não seria fácil, com o meio-campo tão pouco elástico, lento demais para cobrir as subidas dos colegas pelas alas, mas era um risco que se aceitava. Tomadas as decisões, olhámos para o campo…e o jogo continuou como estava. Ninguém nega que podíamos perfeitamente ter marcado dois ou três golos durante os noventa minutos. Tivemos oportunidades, muita desinspiração e alguma incapacidade de rematar de longe em condições. Mas Lopetegui merece a minha crítica porque não mudou. Porque parece estar fixo na fidelidade a um modelo táctico que privilegia apenas a forma que ele vê como certa. Repare-se na entrada de Adrián. Colou-se o espanhol à linha esquerda, enquanto que Ruben definhava no meio-campo e Jackson continuava abandonado como um filho bastado à porta de um convento, esperando que um fugaz cruzamento de Quaresma ou uma jogada de Brahimi conseguissem criar algo que até então não tinham conseguido. Lopetegui mostrou a todos que é este o caminho que vai seguir. E se houver obstáculos nesse mesmo caminho, não está disposto a mudar muito para os contornar. Os teimosos são assim.


E lá vão quatro pontos. Quatro pontos desperdiçados numa fase tão incipiente da temporada, que nunca mais serão recuperados e que tanta falta nos podem fazer mais lá para a frente. Na sexta-feira, não podemos perder mais pontos.