Baías e Baronis – SL Benfica 1 vs 2 FC Porto

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Não acredito que muitos portistas estivessem à espera disto. Eu certamente não estava. Passei o dia nervoso, com uma sensação de desastre iminente que pairava sobre mim como uma nuvem carregada de negativismo. Disse a um colega de trabalho que sou pessimista porque assim o impacto das notícias positivas é maior. E se foi. Uma vitória do trabalho, da eficácia e da força de vontade, de um grupo de homens que há uma semana estavam arrasados mentalmente, com o peso do mundo às costas. Hoje mostraram que estão vivos e deram uma alegria enorme a tantos que os apoiam. Notas, com um sorriso enorme, já abaixo:

(+) O orgulho não está morto. Exceptuando Maxi e Chidozie, estes foram os mesmos homens que jogaram contra o Arouca. Foram estes que desperdiçaram uma oportunidade estupenda de se aproximarem do primeiro lugar e quase deitaram o campeonato fora no passado fim-de-semana. E se calhar já está mesmo fora do nosso alcance, mas os nossos jogadores entraram em campo como se não acreditassem que algo estivesse perdido. Lutaram como raramente os vi a fazer este ano, acabando o jogo com as faces ruborizadas do esforço, os calções cobertos de manchas de relva e o corpo empastado com o suor de noventa minutos doidos de correria e orgulho que recuperaram pelo menos durante uma noite. O futuro dirá se a montanha-russa vai continuar ou se o planalto está próximo.

(+) Casillas. Se havia noite para brilhares, Iker, era esta. Que jogo estupendo, com pelo menos quatro defesas maravilhosas a remates adversários (Pizzi, Jonas, Gaitán e Mitroglou) e uma intercepção absurda de Indi que Casillas atirou para trás da barra com reflexos de gato e que parecia ter voltado dez ou quinze anos atrás, tal foi a facilidade com que saltou e reagiu. Não vencemos por causa dele, mas podíamos ter perdido se não estivesse lá. Enhorabuena, hombre!.

(+) Herrera. Herrera é isto. Oito ou oitenta. Topo ou fundo. Puxando a brasa aqui para perto, Baía ou Baroni. É a representação em campo do estado anímico da equipa e surpreende-me perceber o quão estamos ligados às suas exibições, quer queiramos quer não. Quando Herrera está bem, o FC Porto está melhor, porque é através dos seus pés que as jogadas surgem mais fluidas e a bola rola com mais propósito. Em constante movimento e a procurar o espaço dado pela defesa benfiquista que jogou sempre bem subida, tentou vários passes a desmarcar colegas, quase sempre com pouca sorte. Ainda assim, foi lutador e ajudou a desenvolver o contra-ataque portista durante todo o jogo.

(+) Danilo. William Carvalho parece ser o ungido por Deus e pelos arcanjos para ser o próximo trinco da Selecção Nacional, mas Danilo tem metido o sportinguista num bolso. Excelente na luta física e na protecção da bola, quase perfeito nas dobras rasteiras e a aguentar o meio-campo defensivo quando apanhava com três ou mais jogadores do Benfica, qual deles o maior no jogo de braços. Danilo aguentou tudo e ainda conseguiu ter forças para arrastar a equipa para a frente sempre que pôde. Que jogador estás a ficar, rapaz.

(+) Chidozie. Temi, como tantos outros, que tremesse na estreia. Nada disso. Calm, cool and collected, Chidozie mostrou a tantos outros jovens que o que é preciso para entrar numa equipa como o FC Porto é ter talento, calma e confiança nas suas capacidades. Não foi genial mas nunca inventou à Maicon, nunca passou à Marcano e nunca facilitou à Indi. Dezanove anos. Não sei se continuará a ser titular (não está inscrito na Europa League) mas pode ser opção para o jogo contra o Moreirense e se mantiver o estilo simples e eficaz, começa a ser complicado não apostar em mais jovens da equipa B nos próximos tempos.

(-) Posicionamento deficiente, especialmente na primeira parte. Chocou-me a quantidade de vezes que Mitroglou descia para tabelar com Sanches, Jonas ou Pizzi, rompendo pelo centro sem que lhe fosse obstruída a passagem ou causado algum incómodo. Chateei-me quando via Brahimi longe do lateral quase em overlap ou Layún a recuar perante André Almeida. Aborreci-me sempre que via o Benfica a passear pelo noso meio-campo e a conseguir furar a estratégia defensiva quase sem precisar de suar muito. Enervei-me quando os laterais contrários conseguem quase sempre cruzar em condições e os ressaltos acabavam por ir ter aos pés dos colegas, sem que conseguíssemos sair com a bola controlada. A segunda parte melhorou mas se não fosse Casillas, um segundo golo naquela altura podia ter morto o jogo de vez. Ufa.

(-) Expulsões perdoadas, mais uma vez. Sempre a somar. Jonas entra à Van Damme por cima de André. Sanches joga toda a primeira parte com os braços esticados, acertando várias vezes nos adversários sem grande malícia mas com risco para a integridade física do adversário, só apanhando amarelo depois de um pontapé em Aboubakar com a bola bem longe. E a bola também estava longe quando Carcela tem uma entrada por trás sobre Layún (creio), que era para vermelho directo. Soares Dias não teve uma má noite, longe disso, mas o critério disciplinar inclinou-se muito para os rapazes da casa.


Ganhámos na Luz depois de vários jogos em que lá fomos para não perder. Desta vez, os rapazes fizeram pela vida e tiveram a recompensa merecida. Não sei se somos melhores que eles como equipa. Mas hoje, no campo, fomos mais eficazes e os três pontos cá estão. Parabéns, rapazes!

Ouve lá ó Mister – Benfica

Camarada José,

Ando com fome, homem. meti-me a ver se faço uma dieta para mandar abaixo os pneus e esta merda mexe com o raciocínio, a boa disposição e estou convencido que está a fazer de mim mais burro do que já era. Efeitos secundários de bolachinhas de água e sal ou de chá de adenóide de gafanhoto ou lá o que caralho é que metem nas ervas, o que eu sei é que me andam a roer por dentro e por fora. E ainda por cima mandam-me correr e fazer exercício e andar por aí feito retardado a ver se consigo calcar mais alcatrão que uma pêga na circunvalação. Não gosto disto. E como não gosto, quem leva és tu porque o Maicon é bem maior e era menino para me rebentar o focinho, senão mandava-me a ele.

O jogo de hoje não é só um jogo. É uma batalha, um confronto de gigantes, uma luta sem tréguas que dura há umas dezenas de anos e que tu acompanhaste desde que começaste a obrar no pote. Francamente não sei se és portista ou benfiquista ou se gostas mais é do berlinde, mas aqui ninguém perdoa quem entra para estes jogos sem a noção do que eles significam para a alma da nossa gente. Pergunta ao Co e ao Lope, eles dizem-te. E depois do jogo de Domingo estamos todos meios acagaçados com o que pode vir por aí, mas se falares com qualquer portista, TODOS te vão dizer: “é para ganhar, mister!”. Seja com o Chidozie, o Jaime Magalhães ou o Deco, só há uma vontade: ganhar o jogo.

Tens opções complicadas para tomar hoje, mas não as tornes mais difíceis do que já são. Tenta ganhar e não te vão censurar. Se fores para lá para não perder, lixas-te com eles e connosco. A escolha é tua.

Sou quem sabes,
Jorge

Baías e Baronis – FC Porto 1 vs 2 Arouca

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imagem retirada do zerozero

Temos uma equipa partida. A alma está desfeita, o espírito dilacerado, as pernas em estado de decomposição. Pensei que as melhorias dos últimos jogos pudessem ter servido para animar um pouco mais os rapazes, para servir para que a moral deles não se abatesse com qualquer mínima contrariedade (como no jogo do Estoril, onde começámos a perder e recuperámos para uma boa vitória) e continuasse a puxar o barco para a frente, sempre para a frente. Acontece que o meu tradicional pessimismo, colocado de parte nos últimos tempos, estava bem alinhado. Infelizmente. Notas aqui em baixo:

(+) Danilo. Talvez o único que saiu da noite chuvosa de hoje com algum brilho e reconhecimento de bom trabalho por parte dos adeptos. Tremendo na intercepção, aguentou todo o meio-campo enquanto teve pernas para isso, mesmo depois de se ter agarrado à virilha num lance casual que todos no estádio temeram poder significar o adeus ao rapaz por um bom par de meses. Nada disso, Danilo voltou à luta e rapidamente regressou a força ao meio-campo e a única peça capaz de lutar com pernas e cabeça no sítio. Infelizmente não serviu de exemplo aos colegas.

(-) Formatar o sistema dá nisto. Imaginem que têm um computador usado que estão a pensar em usar de novo. Olham para ele e decidem formatá-lo, limpar o sistema operativo existente e instalar todos os programas que costumam usar, mas em vez daqueles com que estavam habituados a trabalhar, optam por pegar em coisas novas com melhores funcionalidades. E procedem a limpar aquilo tudo, mesmo com um disco antigo e um conjunto de memórias lentas e longe do topo da sua performance. O resultado é evidente: demoram tempo até que possam criar uma apresentação com gatinhos para mandar aos primos ou de actualizar o vosso CV. E é algo parecido que se nota neste FC Porto. Notou-se pouco depois do início da segunda parte e bem antes do segundo golo do Arouca. A equipa está partida, incapaz de produzir em zona adiantada, a tremer contra mais uma equipa em modo “firewall” (já chega de metáforas tecnológicas, não, Jorge?!) e com índices físicos assustadoramente baixos. Volto ao mesmo: uma pré-época em tempo de competição não dá jeito nenhum…e demora o seu tempo até que consiga produzir resultados. Tempo, esse é que não temos.

(-) Maicon. Não me surpreende o que fez durante o jogo. Afinal tem vindo a fazer exactamente o mesmo tipo de coisas há vários anos e este tipo de azares já deixaram de o ser há muito tempo. São marcas de personalidade competitiva, do jogador que entra em campo para uma posição onde sabe que nunca pode falhar e que deliberadamente procura todas as oportunidades para o fazer. Maicon não aprende e nunca pareceu querer aprender porque passou por vários treinadores e quando parece estar a melhorar um poucochinho nos lances como os que mostrou hoje, com os domínios de bola à Ricardinho ou as fintinhas no eixo da defesa com pressão adversária, cedo lhe acontece algo do género e perde a bola. Normalmente não dá golo. Hoje deu. E, como um exemplar vivo da Lei de Murphy, na pior altura. Mas surpreende-me e fiquei estático a tentar perceber o que os meus olhos viam quando reparei que “inventou” uma lesão e procedeu a sair de campo sem dar cavaco aos colegas, enfiando-se no banco sem falar, preso à memória da sua própria idiotice. Nunca pensei, em todos os anos que acompanho o FC Porto, de ver o seu capitão de equipa a ter a atitude que Maicon teve hoje, porque se errar é humano, não assumir os seus erros de peito erguido é infantil e indigno. Se dependesse de mim, Maicon perderia hoje a braçadeira de capitão e seria colocado em tratamento num sofá em conversa com um psicólogo e em baixa durante o tempo suficiente até se recuperar da enxurrada de imbecilidades que fez hoje e que tem vindo a fazer nos últimos anos. E depois era vendido. Não invejo o trabalho de recuperação mental do jogador, capitão, homem. Mas foi ele que fez a casa desabar por cima da sua cabeça, por isso terá de viver com isso. Longe da equipa, de preferência.

(-) Angel. Fraquíssimo. Um Ezequias espanhol. Incapaz de subir com confiança pelo flanco e cada vez mais inútil nos cruzamentos, parece quase impossível que mantenha um lugar no plantel tendo em conta o que tem vindo a fazer desde que cá chegou. Não tem nível para jogar no FC Porto e se vier algum clube dos distritais chineses que nos ofereça meia ovelha preta e uma mão-cheia de couscous para o levar, amanhã de manhã aviso o meu chefe que chego tarde e vou levá-lo ao aeroporto.


O campeonato terá ido de vez com esta derrota, mas preocupa-me que sigam outras competições pelo cano. Se no ano passado fomos à Luz depois de apanhar seis em Munique, este ano vamos lá depois de uma derrota humilhante em casa. E depois seguimos para Dortmund. Vão ser duas semanas giras, vão sim senhor.

Ouve lá ó Mister – Arouca

Camarada José,

Esta treta de ter dois jogos por semana está para durar, rapaz. E que depois da Taça da Liga e logo a seguir a Taça de Portugal e não tarda nada vem aí a Liga Europa, por isso essa malta que vá fazendo a “tua” pré-época em condições para poder aguentar das perninhas porque os próximos tempos não prometem abrandar o ritmo. E vê lá se pões a malta boa das canetas porque os jogos que aí vêm, upa upa, vão ser durinhos! Bom trabalho em Barcelos, fizemos exactamente o que era esperado: acabaste com as esperanças do Gil logo na primeira mão e puseste os rapazes com a cabeça limpa para os próximos encontros. Muy bien, vamos a isso.

Tenho vários amigos que nasceram na cidade de onde vem o clube que hoje nos visita. Malta porreira, bem disposta, sempre pronta a beber um fino ou a discutir onde estão as naves dos nazis no lado escuro da lua ou a probabilidade de pequenas moscas da fruta terem câmaras escondidas pelo SIS para espiarem o Marcelo em Belém. Coisas normais do dia-a-dia, como compreendes. E estão sempre a tentar convencer-me a ir lá visitar os passadiços por cima do rio ou no meio do monte ou seja lá onde aquilo está espetado, com a inegável cenoura à frente do burro a tomar a forma de uma estupenda vitela arouquesa no fim do trilho. E nada me daria mais prazer que fazer a visita com eles drapeado na minha melhor camisola do FC Porto, anunciando ao mundo: eu comi em Arouca mas antes já tinha comido o Arouca!

Faz por isso. Diz que a vitela é mesmo boa e eu não quero desperdiçar nem uma garfada. Nem lá nem aqui.

Sou quem sabes,
Jorge

Baías e Baronis – Estoril 1 vs 3 FC Porto

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Bom jogo hoje na Amoreira. Boa atitude, excelentes trocas de bola, muitas oportunidades criadas, alguns falhanços anedóticos e uma vitória que assenta muito bem. Demos a volta a um resultado negativo, recuperamos alguma auto-confiança e mostrámos que estamos vivos e prontos para continuar a crescer. Vamos a notas, hoje com um sorriso agradável nos lábios:

(+) Vontade de ganhar. Ficou a noção que houve já alguma melhoria nos processos e na criação de lances de ataque. Viu-se na forma como a equipa variava de estilo e de approach no ataque, quer pela ala em velocidade ou em trocas de bola curtas pelo centro, mudando logo em seguida para uma tentativa de tabelinha no flanco e invertendo o papel do médio que transportava a bola para conseguir desequilíbrios no ataque. Mas acima de tudo viu-se vontade, garra, entusiasmo por praticar este desporto que nos pode edificar e destruir mediante a postura que mostrámos perante as adversidades. Foi nos choques de Maxi com Gerso, de Danilo com Mattheus ou de Aboubakar com Yohan Tavares, na luta entre Anderson e André ou nos remates que obrigámos Kieszek a defender à rasca. Foi a vontade de ganhar e o prazer de jogar futebol que pareceu voltar aos rostos dos jogadores e que me deixou deixou muito satisfeito.

(+) Layún na primeira parte, Herrera na segunda. Foram os grandes movimentadores de um ataque que teve os extremos em sub-produção e que dependeu destes dois rapazes para criar as (muitas) jogadas ofensivas da equipa. Layún esteve extremamente rápido pelo flanco e as duas assistências são um prémio para a forma como apoiou sempre o ataque e, em muitos casos, *foi* o ataque. Na segunda parte Herrera pegou no testemunho e ajudou a rodar a bola pelo centro de uma forma objectiva, inteligente, com bons passes a cruzar a relva e mostrou muita calma e bom entendimento com os colegas.

(+) André André. Falhou dois golos na primeira parte mas ajudou a desequilibrar no ataque com as permanentes subidas e deambulações para as alas. Muito activo, rijo na disputa de bola e na recuperação, é este o André que quero ver sempre em campo, não o fantasma que vi contra o Rio Ave no último jogo de Lopetegui. É aquele falso morder de punho, os dentes cerrados quando falha um passe ou um remate, a vontade de marcar e jogar e ganhar…é exactamente desta atitude que precisamos!

(+) A entrada de Varela. Sim, perdeu duas bolas quase consecutivas que iam lixando a equipa. Mas a forma como pautou bem a circulação a meio-campo e acalmou a construção ofensiva foi vital para conseguirmos o terceiro golo e para matarmos o jogo de vez. Continua a ser uma escolha que pode trazer mais-valias quando entra a partir do banco mas claramente um homem sem hipótese de ser titular. My two cents, just that.

(-) Demasiada permissividade no meio-campo. As subidas de André ajudavam a desequilibrar e a criar novas hipóteses para abrir a frente de ataque (que chegou a ter cinco homens de cada vez, algo quase impossível de acreditar aqui há umas semanas), mas criava um buraco assustador que Danilo e Herrera nem sempre conseguiram tapar. E tentaram, mas a diferença em números entre os nossos rapazes de branco e os outros de amarelo era sempre tão evidente que sempre que o Estoril passava a linha central, havia uma tremenda ausência de pressão que permitia que o adversário conseguisse progredir com pouca interferência da nossa parte. Peseiro fez com que a equipa pressionasse ainda mais alto e cortasse a facilidade de transição rasteira e em apoio por parte do Estoril, mas arriscou ao fazê-lo. Creio que será, a par do duplo pivot que pode aparecer noutro tipo de jogos, uma das imagens de marca do treinador. E assusta-me um bocadinho.

(-) Agora é permitido jogar com os braços. Sempre. Perdi a conta à quantidade de faltas que o Estoril fez por usar os braços. Foi um festival de empurrões, puxões e uso generalizado dos braços sempre que um jogador nosso recebia a bola no meio-campo adversário que mais parecia que Shiva ou Vishnu ou qualquer deus Hindu com cinquenta braços estava em campo e vestia de amarelo. Ah, e amarelos levamos nós aos montes, sei lá porquê.


Uma pequenina luz brilha agora ao fundo. Vi a equipa mais solta e com mais vontade de jogar e de criar bom futebol. Será para durar? Espero para ver.