Baías e Baronis – Gil Vicente 0 vs 3 FC Porto

0 (1)

Um jogo normal. Tinha saudades de poder dizer isto porque os últimos meses tinham sido tudo menos normais. Derrotas caseiras na Champions contra equipas de valia inferior, derrotas longe de casa com equipas de valia MUITO inferior, empates humilhantes e exibições paupérrimas. E ontem foi normal. Apenas mais um jogo de uma equipa grande contra um adversário do escalão abaixo, numa competição a eliminar apesar de ainda faltar um jogo e em que era expectável, em condições normais, que a vitória fosse natural. E foi. E tinha saudades disto, francamente. Vamos a notas:

(+) O envolvimento ofensivo da equipa. É das mudanças mais notadas (e acrescentaria notáveis) na equipa desde a chegada de Peseiro. A quantidade de jogadores que aparece em zona de finalização é suficiente para levar os adeptos a ficarem entusiasmados com qualquer lance de ataque depois do futebol enfadonho de Lopetegui. Há muitas oportunidades para lances individuais, de entendimento e triangulação com apoio central, avanço dos laterais e passes de ruptura pelo meio. O futebol assim acaba por ser mais interessante e acutilante…mas tem o seu ponto perigosamente negativo (ver abaixo). Ontem não houve negativos, ainda bem.

(+) Danilo. Parece mais seguro no duplo pivot do que Ruben, que jogando com um companheiro lateral não consegue fazer a bola rodar como já mostrou que sabe fazer. Danilo recuperou muitas bolas na zona defensiva mas foram as subidas com bola controlada e passe certeiro que o destacaram durante o jogo, ajudando a manter o jogo controlado e o resto do meio-campo e ataque bem subidos. Bom jogo.

(+) Varela. De vez em quando surpreendes-me, Silvestre. Não fosse a tua aparente incapacidade de controlar uma bola de primeiro sem que pareça que estás a jogar com uma bola de ténis num campo de cimento e até era menino para apostar em ter-te no onze mais vezes. Dinâmico pelo centro e muito útil nas combinações com Layún, Varela foi um dos jogadores mais em foco (I shit thee not) durante o jogo, criando oportunidades e entrosando-se bem no jogo ofensivo da equipa. Parecia…motivado. É isso, motivado! O Euro está à porta e pode ser que tenhamos o melhor Varela até ao fim do campeonato. Pelo menos que me obrigue a fazer um acto de contrição quando disse que não tinha lugar no FC Porto. Anda, contradiz-me!

(+) Layún. Mais um valor seguro que é titular em qualquer equipa do nosso campeonato e só peca por ser macio a defender. Sobe com força, com vontade e com a visão de produzir lances perigosos de uma forma consistente, não apenas como faz o seu agora concorrente directo (falo do Angel, não me referia ao Indi), que se limita a subir e a cruzar para o outro flanco. Literalmente. Layún é o meu novo Fucile. Quando cá chegou em 2006, entenda-se.

(-) As transições defensivas Aqui é que a Carolina rabiosca a cauda. Tanta gente na frente não é sinónimo de eficácia e quando se perde uma bola em zona de recuperação defensiva, é o cabo dos trabalhos para recuar em condições. Não me entendam mal, não é impossível que aconteça, mas é inviável e muito complicado conseguir equilibrar um ataque com muita gente com uma solidez defensiva adequada. Não é problema único e decorre da mentalidade do treinador, mas quando via o Avto a romper pelo flanco ou o Vitor Gonçalves pelo centro, bem apoiados pelo Vagner em velocidade…houve alguns arrepios de cagaço, não duvido. E vai demorar até que os jogadores consigam esse equilíbrio, não tenho dúvidas. Raios, o Peseiro anda nisto há umas décadas e as equipas dele ainda não conseguiram…

(-) Ruben no duplo pivot O nosso menino fica preso sem a liberdade (perdoem-me a redundância) de movimentos que vem de um controlo maior da zona central e isso não o favorece. Falha mais passes e acima de tudo tenta fazê-los de uma zona mais adiantada para a frente de ataque, algo que não está a conseguir calibrar em condições. A presença física de Danilo também serve como ponto de comparação infeliz, porque Ruben perde em grande para Danilo nesse campo e perderá sempre. A rever.


Ora a não ser que aconteça alguma catástrofe no jogo da segunda mão, estamos de viagem marcada para o Jamor. E até pode ser que consigamos ganhar alguma coisa este ano! A somar ao campeonato, claro… (fingers crossed!)

Ouve lá ó Mister – Gil Vicente

Camarada José,

Vamos com bom balanço depois do jogo do Estoril, que pareceu animar um bocado a malta e deixou-nos a todos com um lampejo do que pode vir a ser a nova vida do Dragão a médio prazo. E tens alguma, senão toda a responsabilidade nessa mudança, por isso até esta merda começar a correr mal (esperemos que não, mas nunca se sabe), nomeio-te “Grande Responsável Pela Ligeira Melhoria Do Futebol Portista”! Não é mau para quem cá está há umas semaninhas, mas não te habitues que isto de dar títulos é giro mas bem melhor é recebê-los.

E hoje tens a oportunidade de dar um passo na direcção disso mesmo, de receberes um título. A primeira mão da meia-final é sempre um jogo tenso em que as equipas se vão estudando e tentam descobrir os pontos fracos do adversário para dar a estocada na segunda mão. Mas não quero nada disso. Quero bom futebol, sempre, mas hoje há um particular desejo de enfiar o Nandinho onde ele sempre mereceu estar, esse vendido do Salgueiral que se lembrou de ir jogar para o Benfas. O ultraje, meu caro, o ultraje! Por isso é olhar para aquela equipa como um monte de Brígueis e procurar enfiar seis ou sete bolas na baliza o quanto antes. Não há experiências como na Feira ou imbecilidades como em Famalicão. Hoje é jogo para homens e a vitória tem de ser nossa!

O Jamor está perto. Vamos lá passar um Domingo daqui a uns meses?

Sou quem sabes,
Jorge

Baías e Baronis – Boavista 0 vs 1 FC Porto

311978_galeria_boavista_x_fc_porto_quartos_de_final_da_taca_de_portugal.jpg

Ah, carago, que isto já soube mais a derby que no passado Domingo! O resultado é curto para ambas as equipas (aí um 1-3 era mais aceitável) mas a constante agressividade, a expulsão de um jogador do FC Porto no Bessa, a relativa incerteza no resultado e uma ou duas escaramuças dentro de campo já trazem um cheirinho de nostalgia que já não sentia há que anos. Fica pouco para o futuro para lá daquilo que deve ser um recorde absoluto de cartões amarelos para o nosso lado sem que o adversário tivesse levado outros tantos por faltas idênticas e acima de tudo a passagem às meias-finais da Taça. Nada que não fosse já esperado. Notas já aqui em baixo:

(+) Helton. Depois de um jogo com algumas boas intervenções e uma falha grande que quase levava a que o poste atacante do Boavista marcasse quase sem querer, consegue defender um penalty aos 94 minutos e evitar um prolongamento que se avizinhava penoso. E fê-lo no meio de uma pequena-área que tinha mais terra que relva, onde a bola passava o tempo todo aos saltos. E ainda foi falar com o miúdo que falhou o penalty para o confortar. Ah, não esquecer que ainda conseguiu enquanto saltava para agarrar uma bola aérea, dar um pontapé no Carlos Santos, que é sempre um bónus positivo.

(+) Danilo. Bom jogo no meio-campo defensivo, onde conseguiu parar todo o jogo do Boavista pelo centro e interceptou doze sacos de bolas sem qualquer problema. Usou o corpo quando foi preciso e apesar de ter arrancado com as hostilidades da nossa parte (depois das hostilidades terem começado, para os fulanos do Boavista, a partir dos zero segundos de jogo), raramente cedeu a fazer o mesmo que os adversários. Não faço ideia como se controlou.

(+) Herrera. Foi um elemento importante para manter a estrutura da equipa depois da expulsão de Imbula mas muito antes disso já estava em bom plano, sem fraquejar na luta e a tentar sempre construir com critério e trocar a bola do centro para as alas na altura certa. Parece estar em boa forma física (acabou o jogo cansado mas era expectável) e acima de tudo mental. Que continue assim, por favor.

(-) Imbula. Não tem culpa do selo de vinte milhões. Mas tem culpa de não tentar mostrar que vale pelo menos um décimo desse valor. Imbula é a imagem de um jogador que não está com a cabeça no sítio, que tira o pé nos lances de confronto físico leal e depois tem uma daquelas atitudes que ninguém compreende. Não consigo encaixar na minha cabeça que consiga ser tão despreocupado e esteja tão desmoralizado como o vi hoje, mas se tem hipótese de mostrar ao plantel, à equipa técnica e a qualquer possível novo treinador que está pronto para agarrar o lugar e não o faz, algo se passa. Neste momento, Imbula é um jogador a mais no FC Porto e se assim continuar vai ser um dos piores investimentos de sempre do clube, mesmo que o vendamos por um valor acima do que custou. Eu sei, eu sei, a mais-valia financeira pode ser positiva. Mas a desportiva, até agora, é muito perto do zero.

(-) This is Boavista. Imaginem que são um homem alto mas tímido. Entroncado mas pacífico. Nunca arranjaram problemas com ninguém, viveram sempre a vossa vida a alhearem-se de chatices, a afastar os males para salvaguardar a sanidade e a paz. Uma espécie de John Coffey a Xanax, pronto. E aparecem-vos onze malfeitores a morderem os calcanhares, a atirarem-vos tijolos aos dentes, a tentarem furar-vos os gémeos com garfos de cocktail enquanto comem tremoços e cospem as cascas para a vossa cara. Nalgum ponto o status quo parte-se e decidem arrancar para a violência, com um chapo em cada um dos gajos que os manda para o hospital com os dentes enfiados na parte de trás da nuca. E, entretanto, há um polícia perto de vocês, que permite tudo aos infiéis, acalmando-os com suave retórica e gestos simpáticos, ao passo que mal vê o primeiro bofetão que espeta nas fuças dos tristes saca da varinha e desata a bater-vos sem critério nem credo que vos salve. Foi isto o jogo de hoje no Bessa. Um bando de gente má que usa os pés e as mãos para desfazer os adversários como o Van Damme perante um grupo de árvores. E eu sei bem que os homens mais tecnicistas estavam sentados no banco (um boliviano, um romeno que deixou saudades e até um português que também foi nosso vários anos) mas foi um abuso, mais um, que sofremos hoje.


O Gil Vicente é o próximo adversário e aposto que será mais complicado que esta espécie de Boavista. Quase que estou disposto a meter dinheiro nisso.

Ouve lá ó Mister – Boavista

Caro Rui,

Tudo bem, rapaz? Belo jogo que os teus fizeram no Domingo, até me deixaram a salivar um bocadinho em antecipação do que pode ser o resto da época se eles estiverem sempre com aquela liberdade de movimentos e facilidade de usar os recursos que têm para os fins que eles foram feitos! Mas moderemos o entusiasmo, afinal jogaste contra o equivalente futebolístico das estátuas da ilha da Páscoa, por isso vou deixar os julgamentos para tempos mais próximos, contra outro tipo de adversários no campeonato.

Mas hoje a história pode ser bem diferente. Hoje não há pontos. Hoje é bota-fora. Mata-mata. Empurra-pela-borda. Andar-na-prancha. You get the gist.

Não há nada que um boavisteiro goste mais que ver o FC Porto a sofrer e garanto-te que hoje, apesar de estarem ainda doridos nos glúteos depois do empalamento de aqui há uns dias, vão estar prontinhos para virem para cima de nós sem qualquer problema em apanhar outros cinco. Depois das comportas rebentadas, que se lixe a barragem, não é verdade? E por isso apesar das lesões podes ter a certeza que vão tentar arrancar pernas e calcar olhos. Leste bem, é por aí.

Gere bem os teus moços e não penses no jogo em Guimarães. Este é bem mais importante, pelo menos por hoje!

Sou quem sabes,
Jorge

Baías e Baronis – Feirense 0 vs 1 FC Porto

307478_galeria_feirense_x_fc_porto_taca_de_portugal.jpg

Há várias formas através das quais consigo conectar o meu cérebro para conseguir ver um jogo como o FC Porto fez hoje à tarde na Feira. Posso assumir que é um jogo de pré-época e viver nesse mundo alternativo; posso imaginar que afinal estou a ver os Bês e que se vão vingar da derrota de aqui há umas semanas; posso desistir e pensar que nunca mais vou ver um FC Porto pressionante, forte e à procura de mais que um mísero golo contra uma equipa de uma divisão inferior…qualquer uma destas serviria, mas vou por uma quarta opção: uma boa parte dos rapazes está cansada depois do equivalente a uma temporada praí de 1943/44 toda disputada num espaço de um mês. Não justifica tudo, mas ajuda a perceber alguma coisa. Vamos a notas:

(+) Danilo. Impecável. Uma força imparável no centro do terreno, foi o médio de melhor produção e acima de tudo pela constante presença na organização do jogo da equipa, tanto defensivamente como no início de criação de lances ofensivos. Falta-lhe ser um pouco mais consistente na subida com a bola, porque se conseguisse fazer o mesmo na posição oito que actualmente faz a jogar como seis, conseguiríamos enquadrá-lo com Ruben na mesma equipa sem perder capacidade ofensiva, o que não tem acontecido. Grande jogo.

(+) Helton. Três ou quatro excelentes defesas e a presença sempre constante pelo ar ou na recolocação rápida da bola em jogo, o “velhote” mostrou que continua em boa forma e dá confiança à defesa sempre que está em campo. Continuará a ser segunda opção atrás de Casillas mas não perdemos nada quando está em campo.

(+) Maicon (até aos 88 minutos). Esteve excelente no comando da defesa e na intercepção de lances ofensivos do Feirense, a jogar prático e simples, apesar da pressão alta sempre bem feita pelo adversário. Alguns passes longos falhados não mancham uma boa exibição. O que ia manchando era esse tal “coiso” aos 88 minutos, devidamente analisado em baixo.

(-) Jogadores de futebol ou gajos que jogam à bola? Compreendo que a malta até estivesse cansada e que quisesse manter a bola a rolar sem que tivesse de trabalhar muito para conseguir mais um ou dois golos, algo que estaria ao alcance de todos, os habituais titulares ou os suplentes. Compreendo perfeitamente que André Silva não tivesse jogado, ele que brilhou na segunda-feira naquele jogo cansativo contra o Sporting B debaixo de intensa chuva em Pedroso. Mas não compreendo a mentalidade de gestão com um golo apenas na frente, num estádio adverso com tantas possibilidades de falha como havia hoje. E não compreendo a permanente horizontalização do jogo, sem vontade, sem rasgos nem consistente futebol ofensivo. É aborrecido, demasiado aborrecido ver este FC Porto a jogar à bola e nestes jogos ainda se nota mais a falta de moral e de vontade de vencer que muitos rapazes mostram em campo. Aposto que a maioria está à espera que o jogo termine para poderem ir descansar um bocado ou para se livrarem dos assobios. Guess what, dudes? Se continuarem a jogar assim, não se livram, garanto.

(-) Afinal para que é que serves, Tello? Uma nulidade que fez com que tivesse saudades de Varela, mesmo depois daquela exibição absurda do Silvestre contra o Angrense aqui há umas semanas. Tello em 2015/2016 tem tido um rendimento aproximado de um bulldozer a jogar mikado ou de um gafanhoto a carregar uma arroba de batatas de uma só vez. É inoperante, incapaz de um drible de progressão e servindo simplesmente como uma das paredes mais caras que já colocámos em campo na nossa história. Recebe a bola e de primeira endossa-a de volta para o rapaz que lha colocou nos pés. E é isto. Mais nada. Nem um pique, um remate, uma lance que se possa recordar mais tarde para tuitar alegremente com a hashtag da moda. Lembrar-me que saiu da Masia é ainda mais enervante.

(-) Aquele lance aos 88 minutos. O lance a que me refiro, que aconteceu perto dos 88 minutos, é apenas a confirmação da Alexsandrização do FC Porto em grande parte destes jogos. A molenguice, os excessos de confiança, as trocas de bola com passes pouco tensos, na iminente perda de bola quando esses passes não chegam ao destino da melhor forma ou quando um ou outro jogador treme um bocadinho em posse. Com um relvado que parecia cimento pintado de verde e castanho, a bola em constante ressalto no solo…temi que pudesse haver uma chatice. E aparece Maicon, a tentar picar a bola para não a mandar para as couves, dando origem ao que poderia ter sido o golo do empate e mais uma situação de mãos na cabeça para Julen e amigos. Valeu São Helton.


Quartos-de-final da Taça não é mau de todo. Passar às meias ainda vai ser melhor. E a final, upa upa. E ganhar? Isso é que era. Ainda assim, trocava isso tudo pelos oitavos da Champions.