Baías e Baronis – Chaves 0 vs 0 FC Porto (3-2 em penalties)

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A derrota em penalties não é justa. Ou melhor, a derrota não é justa. O FC Porto fez mais do que o suficiente para conseguir vencer o jogo nos cento e vinte minutos mas uma combinação de ineficácia, anti-jogo e um senhor careca de verde acabou por ser letal para as nossas expectativas. Nada está perd…ah, espera. Aqui já está perdido. Só posso esperar que se vinguem na terça-feira. Notas já abaixo:

(+) Felipe e Marcano. Pelo chão ou pelo ar, estiveram impecáveis. Quer na marcação ao bisonte do avançado do Chaves ou aquele exemplo de Homo Oxigenadus que aparecia sempre pelo flanco esquerdo da nossa defesa, houve sempre dois centrais rijos e sem inventarem problemas para a defesa que raramente foi testada.

(+) Danilo. Cento e vinte minutos de esforço, recuperação de bolas e a noção de que o meio-campo, contra equipas deste género, é todo dele. Sozinho.

(+) Varela e André². Os dois elementos “novos” na equipa, para lá de José Sá, trabalharam muito e apesar de produzirem pouco estiveram quase sempre em rotação alta durante o jogo. André começou mal, com um amarelo no segundo minuto, mas esteve quase sempre bem na criação de jogo pelo centro. Varela também não arrancou bem mas cresceu à medida que o jogo foi avançando e se não consegue a velocidade de aqui há uns anos (sim, eu sou do tempo em que o único jogador mais rápido que o Varela era o…Hulk) foi menos trapalhão do que era normal e até gostei de o ver em campo. Só aguentaram noventa minutos, o que é compreensível.

(-) Depoitre. Um jogador na posição dele e da forma como joga e como pode contribuir para o bem da equipa não pode falhar tantos golos. Não é possível poder contar com um homem em quem depositamos as esperanças de conseguir reter a bola na área e enfiar a bola na rede quando esse mesmo homem não consegue acertar na baliza.

(-) Capela. Não é um mau árbitro. É um árbitro horrível. Aquela grande penalidade do central do Chaves é tão clara como o interior de um ovo sem a gema e só não a marcou porque não quis. Soma-se mais uma na primeira parte onde André Silva foi abraçado (creio que pelo mesmo fulano) e mais uma boa defesa do Assis dentro da área onde, mais uma vez, nada foi apontado. Três penalties. TRÊS! TRÊS, FODA-SE! E quase tão mau como isso é a quantidade de faltas que marca que é inversamente proporcional à força usada pelos jogadores que cometem as mesmas e só serve para incentivar à fita dos pseudo-lesados. Muito abaixo do que devia alguma vez ser um árbitro em condições, francamente.


One down. Three to go. Enfim.

Ouve lá ó Mister – Chaves

Companheiro Nuno,

Mais uma moedinha, mais uma voltinha. E se menina não paga e também não anda, temos aqui uma sopinha bem gostosa de contradições, porque se tu estás a meter moedas na máquina e depois te portas como uma menina, perdes pau e bolas e vais todo choroso para casa. Não me interessa absolutamente nada jogar à campeão durante sessenta minutos para depois estar os outros trinta a lamentar-me num cantinho, com medo de um ídolo com patas de argila podre que não fez nada para amedrontar o David em que transformaste o potencial Golias. Não pode ser, homem, não pode mesmo ser assim que vamos continuar a gerir os jogos daqui para o futuro e as próximas semanas são demasiado importantes para as encararmos com cagaço. Nem com cagança, mas muito menos com cagaço.

E este jogo não é um treino. É uma nova oportunidade para mostrares que a equipa não parou de crescer, porque já vimos isso em campo e queremos confirmar o que vimos. Mas também queremos que tu mostres que estás a crescer e que já lá vão os tempos em que te encostavas ao cantinho do quarto porque a luz estava apagada e havia monstros atrás das cortinas. Monstro bem pior está nas bancadas do Dragão e morde-te o rabo se não lhe fazes peito. Força!

Sou quem sabes,
Jorge

Baías e Baronis – Gafanha da Nazaré 0 vs 3 FC Porto

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Podia ter sido um jogo giro, daqueles de taça a sério, num campo pequeno cheio de lama e apanha-bolas caseiros, com o colosso a tremer sempre que o adversário, aguerrido e apoiado pelo seu público que vê um grande a jogar na sua terra-natal, arranca pelo terreno como gauleses perante romanos. O futebol moderno não quis que assim fosse e assim sendo foi apenas mais um jogo normal com um resultado normal. E nunca estas coisas ficam para a história, infelizmente. Notas já a seguir:

(+) Marcano. Uma assistência e um jogo rijo, sem invenções, sem preocupação com mais nada senão o sentido prático de retirar a bola da sua zona e de recuperar a bola de uma forma bem mais activa do que é habitual. Foi o melhor jogador em campo, o que pode parecer parvo num jogo contra o Gafanha da Nazaré, mas é o que temos.

(+) Otávio. Enquanto esteve em campo foi o jogador mais inteligente com a bola nos pés e o elemento mais perigoso sempre que recebia a bola do seu lado. Um golo que resolveu o jogo da melhor forma, com um serpentear impecável pelo espaço que lhe foi dado dentro da área, a mostrar que contra equipas teoricamente inferiores é sempre melhor fazer as coisas com cabeça e não com o coração.

(+) O entendimento Jota/André Silva. Continuo a gostar da forma como conseguem jogar juntos há relativamente pouco tempo mas parecem estar em sintonia na grande maioria das jogadas de conjunto. Se o FC Porto vai continuar com o 4-4-2, é com estes dois fulanos na linha da frente.

(-) Herrera. Muito lento, sem vivacidade e a falhar passes como um Stepanov de olhos tapados. E ainda conseguiu quase lixar a equipa ao conceder um livre directo mesmo na meia-lua da área por mais uma imbecilidade e lentidão na execução. Ao olhar para o banco e vendo lá Sérgio Oliveira, questiono-me do porquê de termos recusado uma oferta de x milhões pelo mexicano.

(-) Óliver. Complicou demais o jogo no meio-campo e nunca conseguiu furar a defesa do Gafanha com passes verticais. Quando pressionado fechava-se e fazia as rotações do costume mas raramente saía com a bola controlada. Melhorou depois do segundo golo.

(-) Brahimi. Podia ser um dos melhores do mundo porque tem talento para isso. Mas não lhe apetece e então nestes jogos ainda menos. Raramente conseguiu passar por jogadores do Gafanha da Nazaré. Está tudo dito.


Prova superada, sem grande necessidade de dispender esforço suplementar. Na terça-feira espero poder dizer o mesmo.

Baías e Baronis – FC Porto 2 vs 2 Braga (2-4 nos penalties)

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O jogo decorreu como a época. Infeliz. Previsível. Repleto de erros individuais de uma equipa que não consegue, como raramente conseguiu, formar um colectivo forte capaz de defrontar um adversário e olhar-lhe nos olhos para conseguir empurrá-lo para o tapete e deixar a marca do mais forte numa tatuagem de força e vigor que já foi a nossa imagem de marca. Perdemos em penalties mas podíamos ter perdido bem antes da lotaria. E perdemos tudo, mais uma vez. As últimas notas do ano, já aqui em baixo.

(+) André Silva. Dos poucos que não merecia ter saído do Jamor com este amargo de boca. Trabalhou imenso no centro da área do Braga, raramente bem acompanhado mas sempre a procurar receber a bola para bater Marafona que foi uma espécie de Maradona, mas na baliza. E fê-lo por duas vezes, uma à ponta-de-lança e a outra à grande ponta-de-lança. Teremos encontrado o titular do ataque do FC Porto para os próximos anos? Se dependesse de mim, teria lugar cativo no ataque.

(+) Herrera. Um ataque começa sempre no meio-campo e apesar da exibição abaixo do exigido para Sérgio Oliveira, foi Herrera a abdicar das diagonais e a vir buscar jogo atrás, comandando a equipa e procurando criar os espaços necessários. Algumas jogadas geniais e um empenho em grande fizeram do mexicano mais um dos injustiçados neste final de época, porque não foi por sua culpa que a equipa não conseguiu o que devia ter conseguido.

(+) A entrada de Ruben. Sempre mais esclarecido que Sérgio e mais produtivo que Danilo, foi o principal culpado da melhor rotação de bola na segunda parte e da clarividência da criação ofensiva da equipa. É realmente diferente jogar com alguém que sabe o que fazer e que raramente perde uma bola, ao contrário do que aconteceu com Sérgio ou com Danilo, num também raro jogo fraco do internacional luso. Ruben fez o que pôde. Não chegou.

(-) Centrais, ou o que raio esteve ali a jogar com as nossas camisolas. Alguém, no seu perfeito juízo, vai dizer que a culpa do primeiro golo é de Helton. Outros, também com as faculdades mentais inabaladas, afirmará que Chidozie foi o maior culpado. Eu, culpo ambos. Um porque não consegue proteger a bola e bloquear o adversário e o outro porque sai a medo, trinta metros longe da baliza. De oitenta a oito a zero vírgula zero oito, temos Marcano. Incapaz de controlar uma bola fácil, lento na reacção, a permitir que um médio que não é o homem mais rápido do mundo lhe tire a bola e atire para o fundo da baliza. Todos maus. Todos muito maus.

(-) Bolas paradas. Sete mil cantos, dezoito milhões de cruzamentos. Nada. Produtividade zero na criação de perigo para a baliza adversária a partir de lances de bola parada. E se o jogo tende a ser lento e previsível quando a bola está a rolar normalmente, deveria ser um lance desses a possibilitar qualquer tipo de oportunidade de golo, mas nem isso.


2015/2016 é mais um ano para nunca mais esquecer. Tivemos tudo na mão. Champions. Campeonato. Taça. E desperdiçámos tudo como um novo-rico com apetência para apostas arriscadas e gosto exagerado por mulheres e carros. Uma época horrível. Uma equipa fraca. Um treinador medroso depois de outro arrogante sem motivo. Algo tem de ser feito, com urgência, para que 2016/2017 não seja mais um degrau na descida às terras de Hades.

Ouve lá ó Mister – Braga

Camarada José,

Well, well, meu caro amigo. Cá estamos para o último jogo da temporada e que jogo tens tu pela tua frente. Uma repetição da final da Taça da Liga de 2012 ou da Europa League de 2011, ou até da final desta mesma Taça em 1998. Sabores misturados em relação a essas finais, mas tenho uma métrica que até agora tem funcionado e espero que me ajudes a quebrar: sempre que vou a uma final com o Braga, ganhamos. Quando não vou…bem…não temos a mesma sorte. E quando não se ganha uma final, não é propriamente uma derrota. É uma grande derrota. É o equivalente a seres ultrapassado em velocidade pelo Bolatti. Ou não defenderes um remate de longe do filho do Casillas. Esse nível, sim. E eu sei que ganhaste a última final que disputaste cá no burgo, exactamente essa do Braga contra o teu actual clube, por isso até era giro conseguires dar a volta aos pratos e sacares o taçómetro cá para o Museu, não era? Era, pois.

Não gostei da convocatória mas tu é que sabes, como sempre. Só fico triste por teres tido o Chico Ramos e o Tomás (por quem já sabes que tenho uma admiração bem grande) a treinar toda a semana e depois amandas os rapazes c’as couves e não os levas a Lisboa. É uma chatice para eles e não lhes dá propriamente a moral que merecem, mas a época está a acabar e daqui a mês e meio já estão outra vez de volta, por isso não é assim tão mau. Já tu…perdoa-me mas se for este o momento da despedida, espero que fiques bem na fotografia com um cachecol na cabeça, uma taça na mão e um sorriso na face. Para o bem de todos nós, Zé!

Sou quem sabes,
Jorge