Baías e Baronis – Lusitano Évora 0 vs 6 FC Porto

foto retirada do zerozero

Um jogo engraçado, sem grande história a não ser a imbecilidade de levar o jogo para 150 km de distância do estádio da equipa da casa (rant abaixo). Fica a nota positiva para todos os jogadores do FC Porto por terem tratado o jogo como ele deve ser sempre tratado: com humildade, trabalho e vontade de vencer. Quando assim é e quando todos fazem o que é preciso para chegarem ao fim na frente, maravilha, siga a rusga, bom trabalho e venha o próximo. Notas a seguir:

(+) A mentalidade competitiva. Toda a equipa trabalhou de início a fim com um intuito: ganhar o jogo. E fê-lo de uma forma que me agrada porque apesar de ser uma equipa que nunca tinha jogado junta, composta por alguns titulares, alguns suplentes e outros da equipa B, não se notou que houvesse grandes incongruências na forma de jogar. Todos obecederam ao estilo imposto pelo treinador, com mais ou menos dificuldade mas sempre a tentar cumprir e a fazer melhor a cada jogada, a cada oportunidade que lhes é dada. É esta a mentalidade que quero ver em todos os jogos, seja o Lusitano de Évora ou o Barcelona, porque não há maior prova de respeito por um adversário do que tentar ganhar-lhes durante todos os noventa minutos, sem grande brincadeira em campo. Gostei e traz-me um FC Porto que me orgulha de ver em campo. Continuem assim, miúdos.

(+) Dalot. Por falar em miúdos, quase todos estiveram bem, com Luizão e Galeno mais nervosos e Jorge Fernandes com pouco trabalho. O destaque vai para Dalot, o único titular e a mostrar que temos rapaz. Alto, forte, rápido, interventivo no ataque tanto no lado direito como no outro flanco, mostrou capacidade de adaptação, garra, maturidade. Dezoito aninhos, minha gente, imaginem o que este rapaz pode ser daqui a um ou dois anos. Salivo-me todo.

(+) O golo de Hernâni. Passou grande parte do jogo com excelentes recepções de bola e um enorme contraste com a capacidade de conseguir rematar à baliza sem parecer que estava a jogar de verde e branco. Complexo de Corona crónico, portanto, que se confirmou em definitivo com um golo em escorpião de pé, num gesto técnico impecável e que só não fica para a história porque ninguém se vai lembrar dele daqui a um mês. Ah e arrancou vénias do banco e um sorriso com palmas do treinador!

(-) O Lusitano não joga em Belém, pois não? Andei em discussões e críticas conjuntas no Twitter sobre este tema e não mudo de ideias: a Federação é composta por uma cambada de hipócritas que obrigam os clubes pequenos a jogar em casa para levar a Taça aos clubes e cidades de outros níveis competitivos e assim garantindo que os clubes grandes não terão a vantagem teórica durante o jogo…e depois tiram-lhes a possibilidade de o fazerem, arrastando um clube inteiro para longe do seu terreno porque o estádio não tem condições. É uma vergonha que estejam a matar a raiz do futebol, que abdiquem daquilo que ainda trazia alguma magia à bola e que poderia, sim, fazer com que equipas grandes fossem para casa derrotadíssimos por terem de jogar num campo ervado ou quase pelado, com gente à volta encavalitada uns por cima dos outros, roulottes à pinha, uma romaria nas terras e os jogadores a terem de fazer pela vida. Haveria mais lesões, talvez, mas também haveria a constatação de que a Taça ainda era o que antigamente foi. E agora está diluída nesta feira de vaidades tugas, onde os grandes serão sempre maiores e os pequenos encolhem-se perante o juggernaut organizacional da estrutura profissional. Uma merda, uma forma moderna de sugar a vida e a alma das pessoas e uma tristeza.


Eliminatória ultrapassada, nada de lesões, castigos ou surpresas desagradáveis. Agora, minha gente, pensemos no Germano de Leipzig…

Ouve lá ó Mister – Lusitano Évora

Camarada Sérgio,

Estamos há tempo demais sem falarmos, não é verdade? Estas pausas para jogos da Selecção são porreiras para deixar o Nuno Luz todo contente mas acaba por ser uma quantidade enorme de egos, contra-egos, pseudo-egos e não-egos a passear por baixo dos holofotes que me diz cada vez menos. Continuam a ser as únicas vitórias de vermelho que aprecio, mas se me dão a escolher entre a Selecção e o FC Porto…homem, nem preciso de dizer qual é o botão em que carrego, certo?

E como tal, até um jogo contra o Lusitano de Évora me entusiasma, apesar desta Taça estar diluída em relação ao antigamente, com demasiado enfoque nos grandes e no dinheiro do que no próprio desporto. Põe de lado a tua posição como treinador e líder de uma equipa e concorda comigo: era muito mais mágico e interessante ver os FC Portos a irem jogar aos relvados sintéticos (antigamente eram pelados e acabou) com o público mesmo ao lado dos jogadores, prontinhos a invadirem o campo e a fazer o árbitro parar o desafio várias vezes enquanto se mantém a calma. Isso é que era Taça, mas hoje…tudo meh, não é?

Seja como for, não te deixes travar pelos meus lamentos por outros tempos e bota pé no acelerador. Dá minutos a alguns, recupera o ritmo de outros e acima de tudo não te deixes enfeitiçar pelo facilitismo. É para ganhar como os outros!

Sou quem sabes,
Jorge

Baías e Baronis – Chaves 0 vs 0 FC Porto (3-2 em penalties)

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A derrota em penalties não é justa. Ou melhor, a derrota não é justa. O FC Porto fez mais do que o suficiente para conseguir vencer o jogo nos cento e vinte minutos mas uma combinação de ineficácia, anti-jogo e um senhor careca de verde acabou por ser letal para as nossas expectativas. Nada está perd…ah, espera. Aqui já está perdido. Só posso esperar que se vinguem na terça-feira. Notas já abaixo:

(+) Felipe e Marcano. Pelo chão ou pelo ar, estiveram impecáveis. Quer na marcação ao bisonte do avançado do Chaves ou aquele exemplo de Homo Oxigenadus que aparecia sempre pelo flanco esquerdo da nossa defesa, houve sempre dois centrais rijos e sem inventarem problemas para a defesa que raramente foi testada.

(+) Danilo. Cento e vinte minutos de esforço, recuperação de bolas e a noção de que o meio-campo, contra equipas deste género, é todo dele. Sozinho.

(+) Varela e André². Os dois elementos “novos” na equipa, para lá de José Sá, trabalharam muito e apesar de produzirem pouco estiveram quase sempre em rotação alta durante o jogo. André começou mal, com um amarelo no segundo minuto, mas esteve quase sempre bem na criação de jogo pelo centro. Varela também não arrancou bem mas cresceu à medida que o jogo foi avançando e se não consegue a velocidade de aqui há uns anos (sim, eu sou do tempo em que o único jogador mais rápido que o Varela era o…Hulk) foi menos trapalhão do que era normal e até gostei de o ver em campo. Só aguentaram noventa minutos, o que é compreensível.

(-) Depoitre. Um jogador na posição dele e da forma como joga e como pode contribuir para o bem da equipa não pode falhar tantos golos. Não é possível poder contar com um homem em quem depositamos as esperanças de conseguir reter a bola na área e enfiar a bola na rede quando esse mesmo homem não consegue acertar na baliza.

(-) Capela. Não é um mau árbitro. É um árbitro horrível. Aquela grande penalidade do central do Chaves é tão clara como o interior de um ovo sem a gema e só não a marcou porque não quis. Soma-se mais uma na primeira parte onde André Silva foi abraçado (creio que pelo mesmo fulano) e mais uma boa defesa do Assis dentro da área onde, mais uma vez, nada foi apontado. Três penalties. TRÊS! TRÊS, FODA-SE! E quase tão mau como isso é a quantidade de faltas que marca que é inversamente proporcional à força usada pelos jogadores que cometem as mesmas e só serve para incentivar à fita dos pseudo-lesados. Muito abaixo do que devia alguma vez ser um árbitro em condições, francamente.


One down. Three to go. Enfim.

Ouve lá ó Mister – Chaves

Companheiro Nuno,

Mais uma moedinha, mais uma voltinha. E se menina não paga e também não anda, temos aqui uma sopinha bem gostosa de contradições, porque se tu estás a meter moedas na máquina e depois te portas como uma menina, perdes pau e bolas e vais todo choroso para casa. Não me interessa absolutamente nada jogar à campeão durante sessenta minutos para depois estar os outros trinta a lamentar-me num cantinho, com medo de um ídolo com patas de argila podre que não fez nada para amedrontar o David em que transformaste o potencial Golias. Não pode ser, homem, não pode mesmo ser assim que vamos continuar a gerir os jogos daqui para o futuro e as próximas semanas são demasiado importantes para as encararmos com cagaço. Nem com cagança, mas muito menos com cagaço.

E este jogo não é um treino. É uma nova oportunidade para mostrares que a equipa não parou de crescer, porque já vimos isso em campo e queremos confirmar o que vimos. Mas também queremos que tu mostres que estás a crescer e que já lá vão os tempos em que te encostavas ao cantinho do quarto porque a luz estava apagada e havia monstros atrás das cortinas. Monstro bem pior está nas bancadas do Dragão e morde-te o rabo se não lhe fazes peito. Força!

Sou quem sabes,
Jorge

Baías e Baronis – Gafanha da Nazaré 0 vs 3 FC Porto

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Podia ter sido um jogo giro, daqueles de taça a sério, num campo pequeno cheio de lama e apanha-bolas caseiros, com o colosso a tremer sempre que o adversário, aguerrido e apoiado pelo seu público que vê um grande a jogar na sua terra-natal, arranca pelo terreno como gauleses perante romanos. O futebol moderno não quis que assim fosse e assim sendo foi apenas mais um jogo normal com um resultado normal. E nunca estas coisas ficam para a história, infelizmente. Notas já a seguir:

(+) Marcano. Uma assistência e um jogo rijo, sem invenções, sem preocupação com mais nada senão o sentido prático de retirar a bola da sua zona e de recuperar a bola de uma forma bem mais activa do que é habitual. Foi o melhor jogador em campo, o que pode parecer parvo num jogo contra o Gafanha da Nazaré, mas é o que temos.

(+) Otávio. Enquanto esteve em campo foi o jogador mais inteligente com a bola nos pés e o elemento mais perigoso sempre que recebia a bola do seu lado. Um golo que resolveu o jogo da melhor forma, com um serpentear impecável pelo espaço que lhe foi dado dentro da área, a mostrar que contra equipas teoricamente inferiores é sempre melhor fazer as coisas com cabeça e não com o coração.

(+) O entendimento Jota/André Silva. Continuo a gostar da forma como conseguem jogar juntos há relativamente pouco tempo mas parecem estar em sintonia na grande maioria das jogadas de conjunto. Se o FC Porto vai continuar com o 4-4-2, é com estes dois fulanos na linha da frente.

(-) Herrera. Muito lento, sem vivacidade e a falhar passes como um Stepanov de olhos tapados. E ainda conseguiu quase lixar a equipa ao conceder um livre directo mesmo na meia-lua da área por mais uma imbecilidade e lentidão na execução. Ao olhar para o banco e vendo lá Sérgio Oliveira, questiono-me do porquê de termos recusado uma oferta de x milhões pelo mexicano.

(-) Óliver. Complicou demais o jogo no meio-campo e nunca conseguiu furar a defesa do Gafanha com passes verticais. Quando pressionado fechava-se e fazia as rotações do costume mas raramente saía com a bola controlada. Melhorou depois do segundo golo.

(-) Brahimi. Podia ser um dos melhores do mundo porque tem talento para isso. Mas não lhe apetece e então nestes jogos ainda menos. Raramente conseguiu passar por jogadores do Gafanha da Nazaré. Está tudo dito.


Prova superada, sem grande necessidade de dispender esforço suplementar. Na terça-feira espero poder dizer o mesmo.