Ouve lá ó Mister – Aves

Camarada Sérgio,

Rica patada que te deixaste apanhar no lombo, rapaz. Não te vou mentir e dizer palavrinhas calmas, com aquele tino que as pessoas se habituaram a ousar sugerir que ainda tenho, por isso vou para a frente que atrás vinha gente e agora já está na frente. Vês, rimo e tudo, que puta de sorte.

Foi uma merda de jogo, é o que foi. Não foi tão mau como Paços mas foi fraquinho e chateou-me muito mais ver o povo sem saber muito bem o que fazer, com a cabeça mais em água que a Di Caprio quando se mandou abaixo do Titanic. E um gajo em casa a ver aquilo, sem saber o que fazer, ganindo para a televisão como um demente e a pensar que estamos todos fodidos, a vida é uma merda e não faz sentido e só me apetecia fechar-me para o mundo e esquecer isto tudo. Mas não o faço. Nunca o farei.

Continuamos a depender de nós, meu caro. E continuamos a ter de fazer o nosso trabalho em campo, com ou sem Danilo, Marega ou quem quer que seja que se lesione. Continuas a ter de motivar os moços e continuas a ter de ganhar os jogos todos. Hoje é só mais um.

Sou quem sabes,
Jorge

Ouve lá ó Mister – Belenenses

Camarada Sérgio,

Tempo demais sem ver o meu clube, rapaz. É tempo demais de Nunos Luzes, comentários sobre Selecções que ninguém conhece e que apenas reconhecem o país porque foi a resposta a uma obscura pergunta num jogo que tinham no telemóvel há uns meses e na altura até pensavam que “Niger” era uma gralha. Gente estúpida que um dia será chamada para se colocar em fila indiana a caminho do elevador que dá para o inferno. Sim, Bergoglio, existe e é em Lisboa. Mas não te preocupes, a malta lá chegará a seu tempo.

Hoje voltamos a jogar. Hoje voltamos a Lisboa, na primeira de três visitas à capital. E quero ganhá-las. Todas. Todas, ouviste? Quero despachar o Belém depressa (façam lá a cena da homenagem direitinha, já agora) para podermos voltar à liderança e para não sairmos de lá a não ser por desfasamentos temporais. Não há pontos perdidos, não há lamentos pela forma física, não há questões de ordem tecnico-táctica e whateverthefuckica. Quem quer ser campeão lamenta-se depois de segurar o caneco e usa isso contra os adversários. Até lá, stiff upper lip it!

Sou quem sabes,
Jorge

Ouve lá ó Mister – Boavista

Camarada Sérgio,

Fui a Paços e como deves imaginar não saí de lá muito bem disposto. Foi uma experiência tão agradável como se me tivessem enfiado um atiçador de lareira pelo recto e me fizessem cócegas nas axilas pelo lado de dentro. Ou seja, nada que queira repetir nos próximos tempos. Não a deslocação em si ou a companhia que tive (malta boa, azul e branca das orelhas aos fungos nos pés) mas o resultado e a exibição. Não pode voltar a acontecer e acredito que não voltará.

Hoje a história tem de ser diferente e vai ser diferente. Esta malta é fraquinha porque, como sabem, são uma rotunda. E nós temos uma rotunda que vai sempre ao banco, pelo que consta. Por isso imagina a forma como tratamos as nossas rotundas e vamos proceder a tratar a outra rotunda da mesma maneira, talvez um bocadinho pior, sim? Já sei que o Alex ainda está de perna esticada no sofá e o Soares se calhar também não vai dar. Homem, há Gonçalo. E já há Herrera outra vez (e eu agradado com isto, só para veres como as sortes e as formas de pensar mudam) por isso só te proponho que tenhas calma a criar o onze e que penses em duas coisas: continuas em primeiro e queres continuar em primeiro. Só isso.

Make it happen, son.

Sou quem sabes,
Jorge

Ouve lá ó Mister – Paços de Ferreira

Camarada Sérgio,

Vou a Paços. Não ia a um jogo fora do Dragão desde o Bessa no ano passado e podes imaginar a minha excitação por poder estar perto de vocês num terreno far far away. Sim, tudo que seja longe do Dragão é far far away, mesmo uma cidade como Paços de Ferreira que fica aqui tão perto. Ainda assim vou estrear-me em jogos fora e não espero menos que uma vitória. E eu também sei que tens meia equipa partida, outra meia cansada e ainda outra mei…nah, já são demasiadas meias, certo? Já dava para calçar um gajo bem avantajado com tantas meias, não dava? Piada demasiado badalhoca, não foi? Ora pois claro que foi.

É para veres o quão pito-aos-saltos estou para o jogo. Não quero sair de lá desiludido, triste, com vontade de me enfiar numa taberna e sair de lá quando o tanque de cerveja já cheirar a morto. Quero sair feliz, sorridente, mesmo que a equipa jogue mal, quero vencer o jogo. Quero que o treinador deles vá à flash com o boné da JCA e diga qualquer coisa como “é muito complicado lidar com talento deste nível, especialmente quando estão em dia bom e com a vontade de serem campeões que mostraram aqui neste campo. Mas estamos orgulhosos da nossa prestação apesar da derrota.” É por aqui que quero que as coisas corram.

Vou a Paços. Lá nos veremos, rapaz.

Sou quem sabes,
Jorge