Ouve lá ó Mister – Liverpool

Camarada Sérgio,

Diria que as leis da probabilidade seriam afectadas com o impacto de novecentas bombas nucleares norte-coreanas se conseguíssemos passar esta eliminatória. É possível que vários peta-mega-uber-colhonários fossem criados ao fim de duas horas se conseguíssemos passar esta eliminatória. Os céus abrir-se-iam e setenta e sete asteróides com a cara do Rui Santos romperiam a atmosfera, prontos para abafar o planeta numa nuvem de fumo, poeira e gel para o cabelo…se conseguíssemos passar esta eliminatória. E só por isso, só mesmo para evitar esta catástrofe de uma tal magnitude que faria os scousers cantar “we’ll always walk alone after these fuckers came here”, só por isso é que provavelmente não vamos passar.

Mas não significa que não tentemos ganhar o jogo, heim? Não significa que não possamos usar este jogo como uma espécie de tábua de pinchamento para os próximos confrontos. Nada do que se passou há umas semanas no Dragão significa que tenhamos de entrar em Anfield com os cornos e os cantos da boca em baixo, sem pensar em dar água pela barba aos ingleses. No sir. É entrar, marcar, ganhar e mostrar que a primeira mão foi um acaso. Um acaso com fundamento teórico mas que na prática não voltará a acontecer.

Vamos a isso que para o ano, correndo bem, há mais disto para todos.

Sou quem sabes,
Jorge

Ouve lá ó Mister – Sporting

Camarada Sérgio,

Durante muitos anos vi o Sporting como um clube rival. Um clube que quando aparecia pela Invicta para jogar era tratado como um oponente valioso, um adversário rijo, firme, lutador, inteligente e agressivo, que nos dava água pela proverbial barba nas alturas certas e que, mais vezes do que queríamos, nos lixava a vida. Mas nunca houve aquela acintosidade que sempre sentimos com a visita de outra malta lá vizinha deles. O Sporting era razoavelmente bem tratado, não ao nível de um clube estrangeiro, mas com alguma cortesia e simpatia.

Not anymore.

Hoje quero pisar-lhes as maçãs de Adão. Gostava imenso que lhes conseguíssemos aplainar as glandes. Limar as unhas dos pés com uma lixa industrial. Sete coronhadas na nuca. Um ICBM no rabo. Qualquer coisa que os fizesse acalmar e perceber que não podem estar continuamente a atirar merda para o ar sem que arrisquem a que lhes caia de volta nos dentes. Mostrar que ao fim de quatro jogos conseguimos vencer e convencer com números, não só com moral. Empurrá-los para fora da luta pelo título de uma vez por todas e despachar este assunto de uma forma simples, prática e justa. Porque se nos primeiros três confrontos da época fomos tão melhores que eles, não conseguimos espremer esse particular citrino para que nos dê um sumo decente. Este é o que mais importa, minha gente. É hoje.

Sou quem sabes,
Jorge

Ouve lá ó Mister – Portimonense

Camarada Sérgio,

Ufa. Agora que estamos com o calendário certo, são cinco pontos de vantagem. É uma merda, é o que é, porque se estamos à frente é porque temos de manter a vantagem e os gajos estão a morder os calcanhares da malta e só de pensar nisso veio-me aqui um bocado da francesinha à boca. Porque a quantidade de germes que há num calcanhar deve ser suficiente para criar condomínios de doenças e acima de tudo porque qualquer merdice vai fazer com que percamos essa vantagem.

É verdade, também, que é melhor estar à frente que ir atrás. Ao menos tens essa almofadinha que te deixa mais descansado no caso de teres um daqueles dias como em Moreira ou nas Aves, em que nada corre bem. Mas não podemos pensar nisso e o que interessa mesmo é continuar a ganhar. E se entrares em campo com a metade da vontade que fizeste contra o Estoril, é meio caminho andado. Tu não, calma, não te metas em trabalhos antes do Sporting que te quero lá no relvado para sorrires em frente ao JayJay depois de lhe espetares quatro batatas. Mas isso é só para a próxima semana, por isso foca-te neste jogo, volta para a Invicta com os três pontos e só aí pensas no Sporting. Ainda há muita relva para pisar, muito jogo para jogar…miles to go before you sleep…

Sou quem sabes,
Jorge

Ouve lá ó Mister – Estoril

Camarada Sérgio,

Por alturas do pré-primeira parte deste encontro, escrevi o seguinte:

Fuck’em. Fuck’em all! É o Estoril à segunda e o Tondela à sexta? Fuck’em! É o Sporting doze vezes seguidas? Fuck’em! É o Braga com as mangas pintadas para parecer ligeiramente diferente do dono? Fuck’em! É tudo contra nós e nós contra todos! Fuck’em! E fuck também para o gajo que parece que comprou pontos de exclamação num grossista e agora quer gastá-los de uma só vez! Fuck para mim também!

E hoje, setenta e nove mil fucks depois, está tudo na mesma. Continuamos na frente, com vontade de lá ficar e não há bancadas nem árbitros nem nada que nos faça frente. Ou melhor, há e eles bem tentam, mas cabe-te mostrar jogo após jogo que és melhor que os outros. E hoje, com condicionantes que fazem lembrar uma entrevista de emprego para um programador do Football Manager, só tens uma solução: entrar em campo tranquilo mas convicto que as pernas são para usar enquanto as temos e que 45 minutos são tempo suficiente para ganhar esta trampa. São dois golos, Sérgio. Só dois golos. E que a tua maior preocupação seja o estado da bancada.

Sou quem sabes,
Jorge

Ouve lá ó Mister – Rio Ave

Camarada Sérgio,

Ainda falta muito para isto acabar? É que ao olhar para os teus/nossos moços, há ali gente que vai chegar ao fim da época e ainda durante a celebração do campeonato na Alameda vai atirar-se para o chão só para poder descansar um bocadinho, mesmo com as duas garrafas de espumante que levam para a festa, uma em cada mão. É só isso que queremos, Sérgio, porque para lá de estarmos na Champions e na Taça de Portugal, todos temos noção que mesmo que não tivéssemos levado com uma torre dos Clérigos no rabo nesta passada quarta-feira, ia ser muito difícil passar aos quartos de final. Mesmo assim, vamos lá todos focar neste jogo porque é o que mais importa. É sempre o que mais importa, não é, Sérgio? Sim, porque é o próximo.

Propunha uma mudança na frente: dá uma chance ao Waris e descansa o Marega. Ou até podes meter lá o Gonçalo só para testar as águas. Quem sabe se o rapaz não te surpreende? E também proponho uma mudança atrás: Iker. O Sá é um tipo porreiro mas imagina que falha de novo? Ninguém o perdoa e aposto que o primeiro a não o perdoar será ele próprio. Protege o rapaz e deixa o melhor guarda-redes que tens ir para a baliza. Anda lá, já não tens nada a provar, pá.

Sou quem sabes,
Jorge