Ouve lá ó Mister – Braga

Camarada José,

Well, well, meu caro amigo. Cá estamos para o último jogo da temporada e que jogo tens tu pela tua frente. Uma repetição da final da Taça da Liga de 2012 ou da Europa League de 2011, ou até da final desta mesma Taça em 1998. Sabores misturados em relação a essas finais, mas tenho uma métrica que até agora tem funcionado e espero que me ajudes a quebrar: sempre que vou a uma final com o Braga, ganhamos. Quando não vou…bem…não temos a mesma sorte. E quando não se ganha uma final, não é propriamente uma derrota. É uma grande derrota. É o equivalente a seres ultrapassado em velocidade pelo Bolatti. Ou não defenderes um remate de longe do filho do Casillas. Esse nível, sim. E eu sei que ganhaste a última final que disputaste cá no burgo, exactamente essa do Braga contra o teu actual clube, por isso até era giro conseguires dar a volta aos pratos e sacares o taçómetro cá para o Museu, não era? Era, pois.

Não gostei da convocatória mas tu é que sabes, como sempre. Só fico triste por teres tido o Chico Ramos e o Tomás (por quem já sabes que tenho uma admiração bem grande) a treinar toda a semana e depois amandas os rapazes c’as couves e não os levas a Lisboa. É uma chatice para eles e não lhes dá propriamente a moral que merecem, mas a época está a acabar e daqui a mês e meio já estão outra vez de volta, por isso não é assim tão mau. Já tu…perdoa-me mas se for este o momento da despedida, espero que fiques bem na fotografia com um cachecol na cabeça, uma taça na mão e um sorriso na face. Para o bem de todos nós, Zé!

Sou quem sabes,
Jorge

Baías e Baronis – FC Porto 4 vs 0 Boavista

"roubado" do facebook do André Silva

“roubado” do facebook do André Silva

Saindo de casa numa manhã de sábado e dizer: “bem, até logo, vou para a bola!”, normalmente implica que tome uma pose activa perante o desporto. É normal e já dura há mais de quinze anos, por isso o facto do futebol invadir o início do meu fim-de-semana não me é estranho. Mas acho que foi a primeira vez que disse isso à saída de casa e não levava saco nem equipamento. Apenas carteira, telemóvel e cachecol. E devo dizer que soube bem, especialmente quando espetamos quatro no Boavista que é algo que merece sempre destaque e um sorriso na face. Ah, e o André marcou. Finalmente. E ainda bem. Vamos às penúltimas notas da época:

(+) André Silva. Gostava de poder dizer que o seu primeiro golo no Dragão foi o último desta época e o primeiro de muitos outros. Juro que gostava. E só não acontece se o rapaz tiver azar ou se decidirmos vendê-lo mais depressa do que devíamos, porque temos aqui um puto cheio de vontade, de portismo e de talento, que trabalha de início ao fim e que já merecia este golo há vários jogos. Bem tentou durante a partida, com Mika sempre seguro a defender, mas incapaz de parar o arranque e remate perfeito que inaugurou o pecúlio do puto em casa. Um golo à Jackson, de um homem que é um ponta-de-lança para o futuro. O nosso, entenda-se. Parabéns, puto, mereceste a enorme salva de palmas que o Dragão te concedeu!

(+) Herrera. Não consigo perceber se quero ou não que Herrera fique no plantel depois deste final de época, onde mostrou que é o mais esclarecido de todos os médios/avançados do plantel. E se conjugarmos isso com o jogo entre-linhas, a forma como se desmarca e cria espaços para os colegas e a visão de jogo inteligente e ritmada…é difícil querer que saia. Por outro lado, a lentidão em tudo desde a execução do passe ao remate de primeira, as constantes distracções, o facto de nunca proteger a bola em condições…raios, vai ser difícil escrever sobre ti, Hector. Hoje esteve bem, mais uma vez.

(+) Ruben Neves. Quando entrou em campo notou-se uma quase imediata melhoria no toque de bola e acima de tudo na forma como o esférico foi rodado entre os nossos homens. Sempre com propósito, com peso, direcção e tensão certas. Salivo ao pensar nele como primeiro organizador de jogo da equipa, palavra.

(-) Corona. Aconteceu várias vezes durante o jogo estar a olhar para Corona e perceber que o imbecil mexia sempre no cabelo antes de controlar uma bola. E depois. E durante, enquanto eu pestanejava, aposto que o gajo lá enfiava a manápula na trunfa e a arranjava mais um bocadinho. E esse tornou-se o ponto focal da minha crítica para com uma das maiores desilusões da temporada. Porque Corona, apesar dos golos marcados e das assistências efectuadas, vale muito mais que isso e não o mostra. Admito que tenha muita falta de confiança e que seja um menino que cede perante a pressão mais facilmente que os outros, mas aqui não pode ser. E há que arranjar maneira de o motivar caso contrário teremos mais um talento enorme em subrendimento (cof…Quintero…cof).

(-) O Brahimi não tem culpa! Desta vez eu percebo os assobios. E aqui há uns tempos chateei-me porque Lopetegui não deu hipótese a André Silva para poder jogar dez minutos num jogo que estava resolvido, porque achava na altura que não custava nada e tinha evitado os assobios da bancada. Mas creio que este lance é diferente, porque é uma situação de golo. É algo que é ensaiado e meticulosamente treinado (espero!) e onde há uma ordem de marcação. Claro que podia ter havido um override da ordem e Peseiro podia ter mandado André Silva marcar o penalty para finalmente marcar um golo em casa, mas optou por não o fazer. E desta vez concordo com o treinador, porque a especificidade do lance assim o obrigou. E o desgraçado do Brahimi, que até nem estava a fazer um mau jogo, apanhou com a fúria da malta. Enfim, micro-injustiças.


Uma nota também para o público que esteve em bom número para uma manhã chuvosa e fresquinha de sábado. Gostei da experiência, devo admitir, apesar da troca de fino e bifanas por café e torradas. Não me importo de repetir isto no próximo ano.

Ouve lá ó Mister – Boavista

Camarada José,

É a última vez que vou ao Dragão durante esta temporada e fico sempre com um sentimento de tristeza no final do jogo, sabendo que só lá vou voltar em Julho ou Agosto. É aquela nostalgia tão típica da minha geração, antecipada em relação ao timing que deveria cumprir mas inevitável dada a rápida passagem do tempo e dos tempos dentro do tempo. Velhos por antecipação, é o que somos, mas felizes. Em parte.

Como é o último jogo e como este ano não vou ao Jamor, pode ser a última vez que te vejo nesse banco. Não sei se depende de ti ou se os poderes acima de ti já tomaram alguma decisão, por isso até lá continuas a ser o meu treinador e como tal falo para ti de homem para homem ou se preferires, de Jorge para José: livra-te de não ganhares este jogo. Já temos tido demasiadas chatices para agora também termos o amargo de boca de terminar o ano ainda mais em baixo. Livra-te.

Como é um jogo num horário experimental, pensei que poderias também fazer uma convocatória experimental, para descansar alguns elementos-chave antes da Taça e para premiares alguns dos campeões da segunda Liga que deviam fazer corar vários dos que jogaram na primeira. Não me fizeste a vontade e não te censuro, afinal tu é que mandas. Por isso seja com quem for que vás à luta, ganha lá a escaramuça e prepara-te para a grande batalha da próxima semana.

Sou quem sabes,
Jorge

Equipa para amanhã

Uns por prémio por uma excelente época, outros para preparar o futuro e outros para despedida.

Quem sabe? Ainda tínhamos uma surpresa agradável para arrancar bem o fim de semana…

Dia do Clube

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Três portistas à conversa num café, num agradável início de noite primaveril em 2012. Os temas aparecem naturais, orgânicos, fruto da boa disposição e energia dos convivas.

Discutem-se jogadores, equipas, as redes das balizas de futebol e as cores das bolas de andebol, os novos e os eternos, a paz e a euforia, as alegrias e tristezas que acompanham quem vive o desporto e o clube como se fosse uma segunda natureza. Discutem-se assuntos do clube, de onde viemos e para onde iremos, com a consciência que temos todos um objectivo em comum, que nunca muda apesar das barrigas aumentarem, os cabelos tombarem e os olhos se raiarem: trabalhar para melhorar o clube. Algumas horas depois surgia pela primeira vez a ideia dos Encontros da Bluegosfera, que se realizaram por quatro anos consecutivos desde então. E têm sido quase uma extensão dessa mesa de café, onde as vozes podem ser ouvidas na partilha de experiências em comum com tantos outros portistas que polvilham este mundo.

O trio de portistas passou a um quarteto e depois para um quinteto…e este ano, para lá de expandirmos o grupo, vamos expandir o evento. Porque os organizadores são mais do que autores e escritores e sempre houve vontade de acolher gente de bem que não está apenas nos blogs e nas redes sociais. Portismo quer-se e em grandes quantidades e por isso cortámos as amarras da virtualidade e prosseguimos, de bandeira em riste, a caminho da globalidade.

Não queremos ser um grupo de bloggers. Queremos ser um grupo de portistas a viver um dia que nos encha de alma e de portismo. Um dia que nos acompanhe com calor no coração e que sirva para unir e para que todos juntos possamos erguer o nosso clube até ao topo mais alto que só é limitado pela nossa imaginação.

Um Dia do Clube. Pelo clube. Para o clube.

http://diadoclube.porta19.com

INSCRIÇÕES ABERTAS AQUI!