Leitura para um sábado tranquilo

 

Só valeu alguma coisa se ganharmos na Madeira

20150121 - SC BRAGA - FC PORTO

Vi o jogo em diferido, como tem vindo a acontecer nos últimos tempos por motivos que não interessam a ninguém senão a mim. E em todos os jogos que assim assisto, há uma vontade enorme de acelerar nos momentos mais parados, desde os pontapés de baliza aos lançamentos laterais, passando pelas fitas dos pseudo-lesionados e acabando nas preparações para lances de bola parada que raramente resultam…a sério, já se começavam a treinar cantos em condições…mas fica para outro post para não fugir ao assunto. Mas este não foi um desses casos de fastforwardite que de vez em quando me dá na mona, porque o comando da abençoada box ficou parado no mesmo sítio desde que arranquei com a gravação, tendo uma breve intervenção na altura do intervalo.

Se o jogo de Braga mostrou algo que fez renascer o espírito de qualquer portista que tenha assistido ao jogo, foi a capacidade de sofrimento e de empenho de um grupo que parecia estar a perder alguma daquela alma que marcou o início das trajectórias de muitos de nós, que nascemos e crescemos a ver Andrés e Joões Pintos. E essa força que saiu de dentro e continuou fora, com as centenas (ou milhares, pelo menos assim soavam) de adeptos nas bancadas da pedreira a fazerem com que os ecos de um clube que nos envolve, emociona, enerva e entusiasma a fazerem-se ouvir por todo o Minho. E é esta força que parecia abandonada ao largo de um estádio distante ou deixada para segundo ou terceiro plano em virtude de uma filosofia de jogo pausada, pensada, com poucas preocupações físicas e muitas de virtude mais técnica a sobreporem-se às primeiras. E não contesto essa forma de enfrentar um jogo de futebol, de colocar uma mentalidade diferente do que já foi a tradicional atitude de forquilhas em riste “aqui d’el Rei que nos matam os meninos” de aqui há uns anos.

Mas sentia falta disso, sentíamos todos.

E também por isso há uma tremenda união em torno de uma equipa que não fez mais que empatar um jogo numa competição que ninguém se preocupa muito por ganhar ou não porque não está perto dos primeiros interesses do clube e dos seus adeptos, nos quais me revejo na totalidade neste vector de pensamento. E há sempre os antis, os tradicionais, na bluegosfera e fora dela, que enojam de tanto nariz levantado perante o que foi um jogo épico que nos havemos de lembrar por muitos anos. Há-os sempre, os que dizem mal de tudo e de todos porque o “I told you so” é sempre mais recompensador que de facto alinharem com as cabeças unidas e na persecução de um objectivo comum. Ser carneiro é feio. Ser carneiro quando nos estão a tosquiar à força enquanto nos tentam levar para a beirinha de um precipício e puxam as calças para baixo parece-me outra completamente diferente.

Tudo isto para terminar no seguinte: nada do que foi feito na quarta-feira à noite em Braga serve de grande consolo se não chegarmos à Madeira e vencermos o jogo. Já vimos que há garra suficiente. Mas haverá cabeça?

Baías e Baronis – Braga 1 vs 1 FC Porto

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Retiro o que disse quando afirmei que os jogos da Taça da Liga são um bocejo. Bocejo os tomates! E não fosse o simples facto de ter tido uma espécie de arbitragem trazida do quarto círculo do inferno e podia ter sido um jogo ainda mais emocionante, desde que houvesse mais que uma equipa em campo. Assim, limitámo-nos a ver os incessantes ataques do Braga, a baterem com a certeza de um relógio atómico num rapaz que fez de tudo para que nada penetrasse a linha de golo à frente da qual costuma trabalhar. E fica a luta, o espírito de sacrifício de uma equipa que foi dilacerada por um imbecil calvo que só ficou por ali porque talvez tenha ganho alguma vergonha no focinho. Vamos lá às notas:

(+) Helton. Isto de meter putos na Taça da Liga dá para descobrir algumas pérolas do nosso plantel. Hoje deu-se a conhecer um rapazola brasileiro, pouco mais velho que eu, com uma elasticidade fora do normal, reflexos dinâmicos e certeiros, elevação correcta, perfeição nas saídas e uma presença de espírito que humilha um qualquer Dino Zoff. Não sei se vai ter grandes oportunidades no futuro próximo, mas é bom saber que o nosso terceiro guarda-redes está pronto para entrar em campo a qualquer altura para ajudar a equipa, como disse na memorável flash-interview em frente a um jornalista da TVI que só por vergonha não lhe pediu um autógrafo. Afinal, não é todos os dias que um miúdo de 36 anos mostra que é melhor que todos os outros guarda-redes, em campo e fora dele.

(+) O resto da equipa do FC Porto. Foram micro-heróis, só porque o jogo não tem impacto. Ou melhor, especialmente porque o jogo não tem impacto. E foi um prazer estar confortavelmente sentado no sofá a ver Ruben Neves a correr com a mão na coxa, a dar tudo sem poder dar nada; ver Ángel a voar pela linha com a velocidade de quinze Tellos motivados, depois de interceptar sei-lá-quantos cruzamentos do Agra no seu flanco; ou Campaña, que pouco acrescenta à equipa ofensivamente, a desfazer a barba toda enquanto corta mais um remate de Alan ou trava um passe de Danilo no centro; e que dizer de Gonçalo Paciência, que jogou a interior-esquerdo uns largos minutos para ajudar a equipa a reequilibrar-se depois de estar com oito jogadores de campo; ou de Marcano, que correu uns bons 50 metros com a bola controlada pelo flanco direito só para que a equipa se pudesse soltar um pedaço e descansar meia dúzia de segundos antes de tentar rechaçar a próxima vaga de ataque; e Ricardo, a apanhar com o imbecil do Tiago Gomes e com o Rafa a tentar passar por ele ao mesmo tempo; e Herrera, que entrou e lutou com inteligência desde o primeiro segundo que pôs as botas no relvado. Todos estes foram grandes, os oito jogadores de campo mais os quatro guarda-redes que parecíamos ter na baliza, e vão ficar na memória dos portistas que viram este jogo, pelo espírito que mostraram em campo e pela dedicação a uma causa em que nem eles acreditam. Mas em Braga, hoje, jogou-se mais que um jogo da fase de grupos da Taça da Liga. Jogou-se o orgulho ferido de um grupo. E ganharam. Mantenham essa união, rapazes, é só o que vos peço.

(-) Tello. Inepto em frente à baliza, não foi o homem que precisávamos de ter na frente de ataque pelo simples facto de andar pelo campo com medo e incapaz de lutar pelas (poucas) bolas que lhe apareciam pelos pés ou pelos pés dos outros. Pedia-se um Lisandro, um Derlei, um cão raçudo que perseguisse carteiros de vermelho e branco com fios de baba a oscilar ao vento e dentes ameaçadoramente cerrados. Não foi. Foi um menino e fez com que Agra ou Pedro Santos, parvinhos com a filosofia “é para ali que eu sei, deixa-me correr que eu chego lá” fazer com que Tello parecesse tão distante de um homem que passou os primeiros anos da sua carreira no Barcelona. Estás a ser uma pequena desilusão, Cristian.

(-) Reyes. Asneirada atrás de asneirada até à asneirada que Cosme achou por bem gravosa ao ponto de o expulsar. No entanto, não contesto a falta que veio na sequência de uma camelice a que só faltaram duas bossas para que Diego, o pior mexicano do FC Porto 2014/2015, mostrasse o porquê de ter tão poucas oportunidades como titular no clube onde actualmente está. Passes falhados, intercepções mal medidas, inúmeros lances perdidos, faltas desnecessárias e um nervosismo que faz pensar como raio chegou a ser capitão do Club America quando por lá andava. Muito mau, rapaz.

(-) Este tipo de arbitragens trigger-happy. É fácil ser árbitro em Portugal, porque dá mais trabalho escrever no filho da puta do livrinho do que de facto ter a pedagogia para pôr ordem em vinte e tal nouveau-riches em campo. Há uma falta? Saca-se amarelo. Há uma falta mais perto da área? Saca-se amarelo. Há paleio dos jogadores a seis centímetros do bigode? Saca-se amarelo. E se o jogador se arma em parvo, saca-se vermelho. Porque sim. Não há inteligência para a acção correcta, não há uma tentativa de se impôr pelo respeito e pela simplicidade de processos e de decisões. Há puxar de galão, especialmente quando não é necessário, como um pai que não quer saber dos filhos para nada desde que não questionem a sua autoridade e aí está o caldo entornado com o cinto a sair das calças e os rabos quentes em seguida. E Cosme Machado é mais um entre muitos que preferem estragar um jogo que estava a ser vivo mas não violento, agressivo sem estupidez, rijo sem malícia. E é sempre a mesma merda do problema do critério, sempre o amarelo dado ao gajo que merece mas nunca repetido ao rapaz que merece na mesma na jogada seguinte. Há discrepância de neurónios, há um ziguezaguear de ideias e uma inconsistência de atitude que só pode ser premiada de uma forma: com uma excelente nota dada pelo observador. Enfim, põem-se a jeito.


O empate foi o menos mau dos possíveis resultados em Braga mas a forma como foi conseguido, com suor, garra, espírito de sacrifício e tenacidade encheram-me de orgulho. A palavra já está batida depois das declarações de Lopetegui e do NGP, mas mantenho o que disse. Orgulho. E bem merecido.

Ouve lá ó Mister – Braga

Señor Lopetegui,

Bem vindo a mais uma ronda do “Who gives a fuck about this?”, com os actores principais “Julen Lopetegui” como “The Rotation Man” e outros actores secundários! E este, ainda mais que o jogo da semana passada, é uma armadilha à espera de acontecer, por isso tem muito cuidado com a forma como o jogo se vai desenrolar. Explico.

Como o Braga perdeu o jogo contra o União da Madeira (“o” União ou “a” União? francamente não faço ideia, esta coisa de ter géneros associados à bola é tão pós-modernista que enjoa), vão encarar os dois últimos jogos com um vigor fora do normal para poderem pensar em qualificar-se em condições. Ora se tu apanhas com uma equipa do Sérgio Conceição a meio-gás, já é motivo para te encalhares todo com a quantidade de paulada que vais levar (uma espécie de formação à José Mota com mais talento), imagina se os gajos têm de facto um objectivo para atingir! Upa, menino, tens de explicar aos rapazes que vão ter de navegar por entre um mar como na Normandia em 1944!

Já vi a lista de convocados e acho muito bem que tragas os miúdos para estas andanças. Pois é certo que o Ivo pareceu meio acanhado e não teve uma estreia de sonho, mas o Gonçalo já merecia uns minutos e até o Victor ou o Joris também podem calçar, por muito que estes já se tenham estreado no ano passado. Acima de tudo, tenta procurar aí por dentro as possibilidade que consigas encontrar para reforçar os As com os Bs, de topar quais é que te podem ajudar e quais é que, francamente, não contam. E se conseguires ganhar o jogo entretanto…nada mau!

Sou quem sabes,
Jorge

Dragão escondido – Nº32 (RESPOSTA)

O senhor na foto abaixo é, portanto…

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…fácil de adivinhar, não? Rui Gil Soares de Barros, uma figura histórica do FC Porto que ultrapassou várias vezes na sua estatura moral o equivalente físico que nunca teria. E é também uma das mostras mais evidentes que um jogador de futebol não precisa de ser alto e forte, com ombros largos e capacidade física para saltar com torres adversárias e marcar golos de cabeça na área…porque o pequeno grande Rui Barros fê-lo por várias vezes do alto dos seus 159 centímetros!!! Um dos emigrantes de luxo do nosso futebol, saindo do FC Porto depois de uma única temporada em que venceu tudo que havia para vencer e seguiu para Turim onde passou duas boas temporadas antes de seguir para França onde esteve três épocas no Mónaco e outra no Marselha, antes de regressar ao FC Porto, onde terminou a carreira em 1999/2000, aos 35 anos. Lutador como poucos, foi uma das imagens de marca do clube durante a segunda metade dos anos 90 e um exemplo para todos que pensam: “nah, não vale a pena saltar para ganhar a bola”. Neste jogo luta contra um jogador do Tirsense, na 31ª jornada do Campeonato Nacional de 1995/1996. Outros tempos, sem dúvida.

Os palpites errados, numa das edições com mais tiros ao lado:

  • André - Tinha abandonado o FC Porto (e o futebol) no final da temporada anterior.
  • Bandeirinha - O eterno suplente esteve fora dos convocados num dos últimos jogos da última época que iria fazer pelo FC Porto.
  • Bino - Na penúltima temporada em que fez parte activa do plantel do FC Porto (esta e a próxima), foi mesmo titular neste jogo. Seria uma excelente hipótese!
  • Domingos - Foi o melhor marcador da equipa (e do campeonato) com 25 golos, mas não esteve presente neste jogo.
  • Drulovic - Titularíssimo na equipa principal, foi poupado para este jogo por motivos que francamente não me consigo recordar. Vamos assumir que com a meia-final da Taça quatro dias depois deste jogo, terá ficado a descansar…
  • Edmilson - Outro titular absoluto da equipa durante a época, jogou de início também neste jogo como em muitos outros.
  • Folha - Quase totalista no campeonato, teve papel activo nesta partida marcando o terceiro golo da equipa.
  • Jaime Magalhães - O grande médio direito tinha saído no final da época passada para o Leça, onde viria a terminar a sua carreira.
  • João Manuel Pinto - Não era habitual titular (Aloísio e Jorge Costa ocupavam posições de respeito…) mas foi-o neste jogo, onde até acabou por marcar o primeiro golo do FC Porto na partida.
  • João Pinto - O eterno capitão foi titular na partida contra o Tirsense, naquela que foi a sua penúltima temporada no FC Porto e quando já tinha perdido o estatuto de titular para Secretário.
  • Jorge Couto - Com apenas 17 jogos durante a temporada, foi suplente utilizado nesta partida, entrando aos 76 minutos para render…aham…Rui Barros.
  • Kostadinov - Tinha saído dois anos antes para o Deportivo da Coruña e nesta altura andava por terras bávaras com a camisola do Bayern München.
  • Lipcsei - Muito utilizado por Robson no início da época, foi perdendo lugar na equipa e deixou sequer de ser convocado a partir da 27ª jornada.
  • Paulinho Santos - Entrou para o lugar do lesionado Rui Jorge aos 24 minutos e levou um amarelo aos 59. Titularíssimo durante a época, também ficou no banco neste jogo para descansar…supõe-se…
  • Rui Filipe - Considerando que Rui Filipe tinha falecido em 1994…é que nem acho uma piada de mau gosto, apenas desconhecimento das datas…
  • Rui Jorge - Tendo em conta que tinha sido o dragão escondido da edição anterior…era pouco provável que fosse agora novamente, não acham!?
  • Timofte - Por esta altura, na época 1995/1996, andava pelo outro lado da cidade, no clube que tem nome de rotunda.
  • Wetl - A única temporada que o austríaco passou em Portugal (e fora do seu país, já agora) foi a seguinte, 1996/1997…

O vencedor foi o Adão, com um palpite 100% correcto às 9h25 da manhã! Parabéns, primeiro homem!