Baías e Baronis – FC Porto 1 vs 3 Sporting

20141018 - FC PORTO - SPORTING CP

Não vou mentir, esta doeu. Perder um jogo dói sempre, rompe o coração e rasga a moral do pouco cabelo que tenho às unhas dos pés, que calçam um 42 bem medido para se transformarem num qualquer sapatinho de criança, à medida que me encolho e me resigno que não fomos melhores. Fomos acanhados, tristes, desorganizados e desorientados. Perdemos antes de começarmos a tentar ganhar, por algum experimentalismo do treinador que continua a achar que os rapazes em breve vão conseguir o que ainda não mostraram em três meses. Continuo a acreditar nestes putos, mas hoje levámos uma boa lição de como jogar um jogo grande: prático, feio, eficaz. Não fomos nenhuma das três. Vamos a notas:

(+) Danilo. Foi das poucas notas positivas da equipa, pela forma como nunca desistiu e tentou sempre cascar em cima dos rapazes de verde e branco (e verde, este ano) na defesa e no ataque. Arrisco muito ao dizer que está a ser dos jogadores mais consistentes do FC Porto 2014/2015, porque disse o mesmo de Maicon, com o resultado que hoje se vê. Penitencio-me, à vossa frente. Ainda assim estou a gostar muito da evolução mental deste brasileiro e nota-se em campo.

(+) A assistência de Quintero para o golo… é um dos motivos porque aquele cabrãozinho tem de aprender a ganhar corpo e ser mais inteligente em construção. Se assim fosse seria titular indiscutível. Fuck me, eu nem na bancada consegui discernir a linha de passe!

(-) Imaturidade competitiva e o depósito de confiança que se esvazia. This is the big one. É esta a principal razão pela qual não conseguimos manter uma exibição em condições de início a fim de uma partida. O facto da equipa ser nova, do treinador ser novo, da estratégia ser nova, de tudo parecer arrancar de um zero negativo em vez de um zero optimista, todos esses factores são importantes. Mas é a pornográfica imaturidade dos rapazes que estão actualmente com as nossas camisolas que mais fundo me escavaca o coração e que me deixa apreensivo sem fim à vista. E se eu consigo perdoar alguns truques parvos do Óliver ou atrapalhações do Tello, não consigo perdoar o facto de depositarmos confiança em três jogadores que acabam por nos minar a vida, de uma forma ou de outra: Jackson, Herrera e Maicon. Para lá dos laterais, são os três jogadores mais experientes da equipa titular do FC Porto (um conceito cada vez mais nebuloso) e se Jackson continua a marcar em jogo corrido, já nos tramou em Guimarães e este penalty falhado mostra mais uma vez que não pode ser ele o marcador de serviço. Herrera já há algumas semanas que perdeu a confiança do público e só mantém a do treinador porque aposto que é o homem obediente que todos os gestores gostam de ter nas suas equipas. Faz o que lhe pedem, mas nunca o faz bem. É para Lopetegui o que Jorginho era para Adriaanse, ou Mariano para Jesualdo. Quanto a Maicon, que desde o jogo contra o Boavista que não acerta uma bola em condições, seria ele o responsável por manter a defesa estanque, por dar fé e calma à zona recuada e por ajudar a compôr a mente e alma de uma equipa de putos. E está a mostrar, mais uma vez, mais uma puta duma inqualificável vez, que treme demais perante oposição pressionante. Cede como uma folha única de papel higiénico molhada e arrasta a equipa consigo. A culpa do segundo golo é sua, a culpa de duzentas bolas que tenta enviar directamente para Jackson em vez de gritar para o meio-campo recuar para construir com tino, com paz de espírito, com inteligência. O resto? O resto é uma amálgama infeliz de miúdos que têm nome mas pouco jogo, que têm talento a rodos mas a quem falta fibra, inteligência competitiva e que se dobram como uma mão de poker em frente a um jogador medroso. Os passes, que podiam ser orientados pelo talento daqueles rapazes que poucos têm em Portugal e pelo mundo fora, saem tortos e pouco tensos. As combinações de ataque, dispersas e individualistas. A tomada de decisão, lenta e previsível. Os remates, fracos e inconsequentes. A pressão…a pressão não existe. Há uma letargia que os possui, uma incapacidade crónica de antecipar o movimento do adversário e de se moverem como uma equipa (ver nota de baixo), e está a contagiar elemento após elemento até que tudo colapsa num conjunto de sal e sangue e fezes. Tanto talento. Tanta desorganização. Tão pouca fé. Tão pouco futebol. Tão pouco.

(-) É a rotação, amigos. Mantenho o que já disse várias vezes: a rotação é gira e tal mas não ajuda a equipa numa fase tão incipiente da sua criação como um grupo coeso e que se quer estruturado e com automatismos. Pode parecer conversa de curso de formação de treinadores, mas na verdade não é. Vi Herrera e Ruben a calcar o mesmo naco de relva enquanto se movimentavam, todos direitinhos, cada um para o…mesmo lado. Apreciei quando Tello pensou várias vezes que Danilo ia para o centro quando o rapaz flectia para a linha. Casemiro nunca sabia a quem passar a bola porque ninguém se movimentava da forma que o brasileiro imaginava que iria fazer. Imaginem que estão em campo a jogar e não fazem ideia quem é que vai aparecer ao vosso lado, se devem ir para a direita ou para a esquerda, onde vai estar o extremo, QUEM É O EXTREMO QUE LÁ VAI ESTAR…há tanta mini-variável que se pode questionar na formação da equipa, do onze e da estratégia em campo, mas o facto de nunca lá estarem os mesmos gajos não pode ajudar. Não pode. Pode fazer com que todos tenham mais pernas em fases mais adiantadas da época, mas para os jogos do “agora”, do “já”, é uma bela duma trampa.


Uma já foi. Esqueçamos esta. Outra, bem mais importante, joga-se já na terça-feira, no mesmo estádio, com outros intérpretes. Esperemos que o desfecho seja diferente.

Ouve lá ó Mister – Sporting

Señor Lopetegui,

Há muitos anos que vejo Portos-Sportingues. Desde o início comecei a manter uma lista de todos os jogos que tinha visto ao vivo e apesar de a ter deixado de actualizar porque sou um gajo que raramente leva um projecto até ao fim, o Sporting estava lá no topo, com os infiéis à cabeça. Sou do tempo do Valckx, do Marco Aurélio, do Sá Pinto, do Ouattara, do Iordanov, do Balakov, do César Prates, do Mpenza, do Acosta, do Oceano, do Vidigal, do Juskowiak, do Van Wolfswinkel, do Paulo Bento, do Liedson. Sou desses tempos todos, unidos por um fio condutor que nos arrasta pelo passar do grande cronómetro como os miseráveis putos que envelheceram à custa destes jogos. Taças, campeonatos, uns atrás dos outros, puxaram-nos para as Antas e agora para o Dragão à procura de noventa fugazes minutos que nos pudessem alegrar no final, depois do proverbial sofrimento que os vinte e tal rapazes nos fazem atravessar nestas partidas.

Hoje é mais uma dessas. Quando a bola começar a rolar, ninguém vai querer saber das conversas imbecis antes da partida, das claques, dos alheios ao jogo ou da polícia. Só vamos querer olhar lá para dentro, ver os rapazes de azul-e-branco e gritar os nomes deles, gritar o nome do clube, gritar vitória e gritar por todos que gritam por nós. É nestes jogos que o povo tem de estar unido e perceber que nem sempre dá para ganhar. É preciso apoio, é preciso alinhar todos os remos para o mesmo lado e forçar os cabrões como o Ben-Hur foi forçado naquele estúpida galé romana. Hoje não há assobiadelas, não há merdices de bocas para os defesas ou para o guarda-redes, não há críticas exageradas ao Herrera nem ao Quaresma.

Hoje há Porto. E vamos ganhar.

Sou quem sabes,
Jorge

O memorável FC Porto vs Sporting da Liga de 1998

Curtas notas sobre este jogo:

  • Doriva, mais um nessa década de grandes rematadores de longe. Para lá dos Koemans e dos Robertos Carlos, tivemos por cá o Barroso, o Heitor, o Isaías ou o Sánchez. Bons tempos.
  • Mais um jogo onde jogadores do Sporting que passaram pelos dois clubes marcam ao FC Porto. No post anterior, tinha sido Izmaylov e Liédson a marcar aos futuros patrões. Aqui, uma menina lourinha a marcar num estádio onde foi tão feliz. Maldição.
  • Jardel tenta algo parecido com o que Jackson consegue fazer apenas 14 anos mais tarde. Se Jackson chegasse ao número de golos que Super Mário marcou, seria um bom tributo. Note-se também Beto aos papéis a tentar marcar o nosso ponta-de-lança. Como de costume.
  • Comparando os nossos dois guarda-redes num espaço de 16 anos, Rui Correia e Fabiano fazem o “casal” mais díspar que me lembro de ver com luvas nas mãos.
  • Saber, Delfim, Beto e Vidigal. Titulares. Num jogo de futebol. Há coisas que não se explicam.
  • Doriva era o anti-Herrera. Rematava de qualquer lado e em qualquer posição, quase sempre com perigo.
  • Foi fartar vilanagem neste jogo, para os dois lados. O Sporting foi mais prejudicado mas cada decisão era coreografada com assobiadela geral da bancada. O que na altura se fazia quase em exclusivo para o árbitro faz-se agora para os defesas centrais da própria equipa.
  • Capucho. Era só isso.
  • Reparem na repetição do segundo golo do FC Porto e relembrem a enormidade da distância desde a linha de golo até ao pegão que segurava a rede. Estimo em dois, três quilómetros.
  • Heinze. O Rojo dos noventas. Um gajo com nome de marca de ketchup e talento correspondente. Um dos jogadores que mais odiei antes do Sérgio Ramos começar a jogar à bola.

Mais uma vez, não peço isto tudo no sábado. O livre do Doriva pode ser marcado pelo Brahimi em jeito e o Jardas pode dar lugar ao Jackson. Ou ao Aboubakar. Don’t matter none. É só ganhar.

O memorável FC Porto vs Sporting da Taça de 2010

Curtas notas sobre este jogo:

  • Moutinho, capitão, a cumprimentar Mariano González, também capitão. Leram bem.
  • Rolando a sorrir depois de marcar um golo com uma zona do corpo que lhe arranjou mais problemas que soluções. Se “os” tivesse mais pequenos, talvez estivesse a jogar neste momento.
  • Moutinho assiste Izmaylov que remata com força para golo. Pena que nunca se tenha visto esta cena com outras cores.
  • Aquele número nove do FC Porto ainda vai dar um jogador do carago. No primeiro golo recebeu no centro, rodou e rematou por baixo do Adrien e do Patrício. O actual número nove é menino para marcar um golo parecido no sábado.
  • Quem é aquele rapaz com o 17 na camisola? Parecia o Varela em 2010. Oh, wait.
  • Marcar um golo depois de ultrapassar o Grimi devia ser um exercício de treino ligeiro. Saltar por cima do Tonel também.
  • A dada altura ouve-se no relato da Antena 1: “grande leitura de jogo de Mariano González”. Leram bem, mais uma vez.
  • O quinto golo do FC Porto é daqueles que um gajo não esquece. Vejam uma, duas, dez vezes, é estupendo, comecem aos 4:21, deliciem-se com o túnel do Belluschi a Moutinho, reparem como Micael ia lixando tudo e Mariano quase perdia a bola e aproveitem o facto de estarem vivos até ao final do lance. Eu estava directamente por detrás da trajectória que a bola fez até à baliza e saltei como um tolinho a gritar “MARIANO! MARIANO! MARIANO!”. Novamente, leram bem.

Não peço isto tudo no sábado. Mas qualquer coisa parecida era agradável para garantir uma tarde de sábado bem passada.