O memorável FC Porto vs Sporting da Taça de 2010

Curtas notas sobre este jogo:

  • Moutinho, capitão, a cumprimentar Mariano González, também capitão. Leram bem.
  • Rolando a sorrir depois de marcar um golo com uma zona do corpo que lhe arranjou mais problemas que soluções. Se “os” tivesse mais pequenos, talvez estivesse a jogar neste momento.
  • Moutinho assiste Izmaylov que remata com força para golo. Pena que nunca se tenha visto esta cena com outras cores.
  • Aquele número nove do FC Porto ainda vai dar um jogador do carago. No primeiro golo recebeu no centro, rodou e rematou por baixo do Adrien e do Patrício. O actual número nove é menino para marcar um golo parecido no sábado.
  • Quem é aquele rapaz com o 17 na camisola? Parecia o Varela em 2010. Oh, wait.
  • Marcar um golo depois de ultrapassar o Grimi devia ser um exercício de treino ligeiro. Saltar por cima do Tonel também.
  • A dada altura ouve-se no relato da Antena 1: “grande leitura de jogo de Mariano González”. Leram bem, mais uma vez.
  • O quinto golo do FC Porto é daqueles que um gajo não esquece. Vejam uma, duas, dez vezes, é estupendo, comecem aos 4:21, deliciem-se com o túnel do Belluschi a Moutinho, reparem como Micael ia lixando tudo e Mariano quase perdia a bola e aproveitem o facto de estarem vivos até ao final do lance. Eu estava directamente por detrás da trajectória que a bola fez até à baliza e saltei como um tolinho a gritar “MARIANO! MARIANO! MARIANO!”. Novamente, leram bem.

Não peço isto tudo no sábado. Mas qualquer coisa parecida era agradável para garantir uma tarde de sábado bem passada.

Quatro putos numa carrinha

Renault-Express-19-07

Éramos quatro e íamos às Antas. O ponto de encontro era sempre o mesmo, à porta da casa do Telmo para arrancarmos ao início da tarde e tentarmos chegar o mais depressa possível, navegando pelo curto mar de trânsito que nos olhava de frente para nos dificultar a tarefa tão acessível e ao mesmo tempo tão complicada. Nenhum de nós tinha carro, claro. Nenhum de nós sequer pensava em conduzir, mas a vontade era tanta que convencíamos o pai de um de nós a levar-nos à bola.

“Não lhe custa nada, Toni, afinal também vai para lá, não vai? E então, não pode levar a carrinha? Não somos grandes nem fazemos muito barulho, a sério! A polícia não vê nada, acha que sim? Estão mais preocupados com as claques e com os arrumadores e os assaltos à volta do estádio, nem vão ver que leva aí quatro miúdos na parte traseira da carrinha! Nós ficamos abaixados para não haver chatice, a sério! Oh ande lá, oh por favor!”

E lá íamos. Dez ou quinze ou mil quilómetros separavam-nos do estádio, com quatro mini-mânfios enjaulados no cubículo traseiro duma Renault Express, a discutirem tácticas e opções do treinador, delineando nas suas jovens cabeças quem é que jogava no dia, quem ficava de fora, quais eram os suplentes (na altura só cinco no banco e só podiam entrar dois em campo…quão pouca escolha havia!), se o Kostadinov ia marcar mais que o Domingos ou se o Paulinho era o melhor médio do mundo ou se era só de Portugal, porque não te esqueças do “Matáuss” que joga pó Mundial. E se jogasse o Timofte? Estupor do romeno que punha a bola onde queria e onde todos queriam que ele quisesse. Nem o Semedo escapa, ou o Rui Jorge, até o Fernando Couto sem o cabelo todo. E os putos, incautos de SADs e parcerias e fundos e transições defensivas e músicas ao intervalo e cadeiras almofadadas e zonas para mulheres de jogadores e instagrams e warriors e portoscanais e bancadas com nomes e tudo o que não interessava para o jogo, lá iam. Com os olhos a brilhar, o imberbe corpo a pedir para ser esticado depois de espremido, saíam do carro e saudavam o doce ar de uma tarde de Domingo passada em boa companhia no melhor espectáculo do Mundo.

“Estamos nas Antas, rapazes. Querem ir ver os gajos a aquecer?”

Melhor frase jamais foi proferida.

Dragão escondido – Nº29 (RESPOSTA)

A resposta está abaixo:

dragao_escondido_29_who

Um dos jogadores mais marcantes nos plantéis do FC Porto de Sir Bobby Robson, na primeira metade dos anos 90, Emerson Moisés Costa jogou duas temporadas no FC Porto, entre 1994 e 1996. Esta fotografia é tirada de um FC Porto vs Benfica em 1994/1995, onde Vitor Paneira tentava sem grande fortuna roubar a bola ao brasileiro. Um médio cheio de força e combatividade, era garantia de fibra no lutador meio-campo da equipa e mostrava em campo que nem sempre os jogadores têm de ser comprados por milhões a clubes estrangeiros, já que chegou às Antas depois de duas estupendas épocas no Belenenses, onde recolheu elogios de todos os quadrantes e acabou por fazer o mesmo na Invicta. Lembro-me tão bem da facilidade com que progredia em força e com a garra que na altura associávamos a jogadores do nosso clube, nunca desistindo das bolas e procurando sempre aparecer em zonas mais avançadas para tentar finalizar mais um lance esforçado. Onze golos em oitenta e oito jogos, muito suor, imenso talento e adeptos rendidos a todas estas qualidades, saiu para uma experiência menos conseguida ao serviço do Middlesbrough, na altura com jogadores como Juninho ou Ravanelli. Andou ainda a passear pelo mundo, com passagens por Espanha, Escócia e Grécia com graus diferentes de sucesso. Nunca foi melhor fora do FC Porto como tinha sido cá dentro.

Poucas hipóteses foram arremessadas ao lado do poste, entre as quais:

  • Aloísio - Fazia parte do plantel e as alturas eram semelhantes, seria uma boa aposta.
  • Artur - Só chegou ao clube dois anos mais tarde, vindo do Boavista
  • Chaínho - Chegou ao clube em 1998/1999, vindo do Estrela da Amadora, onde estava quando Emerson brilhava no nosso meio-campo.
  • Geraldão - Tinha saído do clube três anos antes de Emerson chegar, em 1990/1991, para o Paris Saint-Germain
  • Kiki - Saiu do FC Porto em 1991/1992…
  • Semedo - Alguma vez viram o Semedo a tentar ganhar uma bola usando os braços?!
  • Juary - Anacronismos galore, minha gente. Saiu do FC Porto no final da época de 1987/1988…;
  • Quinzinho - Só chegou ao FC Porto no ano seguinte, vindo do ASA.

O vencedor foi o primeiro a apostar! Sérgio Cardoso, pelas 8:33! Parabéns…mas não era complicado, admite lá!