Dragão escondido – Nº42

Regressamos com este fantástico equipamento…e o Pinóquio, minha gente, faltava-me o Pinóquio!!! E o gajo atrás do Pinóquio, quem é ele?

 

Força na caixa de comentários! E não vale andar a procurar a imagem na internet, todos o podem fazer e tira a pica à brincadeira toda…torna-se fácil demais, não acham? Batota não entra!

Baías e Baronis – Chaves 0 vs 2 FC Porto

Vento a mais, futebol a menos. Foi um jogo aborrecido, mal jogado, com algumas oportunidades de golo mas uma eterna e enervante cerimónia no remate quando se exige sempre mais sentido prático. Continuamos a navegar à vista num campeonato que ainda pode ser nosso mas que parece cada vez mais longe. Safaram-se dois golos nas alturas certas e uma boa exibição de André², num jogo em que Nuno mexeu mais do que precisava…e fê-lo em boa altura. Vamos a notas:

(+) André². Um belo jogo do carregador de piano mais franzino que há memória no FC Porto, porque a posição que ocupa não se compadece com homens fracos e pequeninos, algo que André tenta contrariar sempre que pode. E o que é engraçado é que raramente o consegue, parecendo ficar quase sempre aquém do que deve fazer, mas não deixa de tentar, o que lhe dá algum mérito. Marcou um e assistiu outro, afirmando-se como titularíssimo neste plantel. Resta saber se continuaria a sê-lo se houvesse opções válidas para o seu lugar.

(+) Ruben Neves. É um jogo diferente quando o nosso menino está em campo em vez de Danilo. O que se perde em força ganha-se em organização, em construção sustentada e até em remate de longe. Melhorou nos livres directos e pode ser muito útil no último jogo quando o Benfica estiver a perder no Bessa e Ruben espetar um balázio nas redes do Moreirense. Leram aqui primeiro, não se esqueçam!

(+) Otávio, quando tem espaço. Belíssimo trabalho no segundo golo, onde esperou mesmo pelo momento certo para enfiar a bola pelo meio dos adversários e na passada de André². E progrediu sempre no terreno quando tinha a bola e acima de tudo com espaço pela frente, de uma forma que Óliver raramente executa e que nos últimos tempos tinha vindo a faltar. Continuo a preferir o espanhol (por um factor de sete triliões de vezes) mas ainda bem que a alternativa é razoável…apesar dos problemas que Otávio mostra quando não tem espaço e que podem ler em baixo.

(-) A entrada em jogo. OUTRA VEZ. Começa a ser complicado arrancar um jogo do FC Porto e não começar imediatamente a insultar quem quer que apareça no campo de visão. A forma da equipa entrar em campo é tão burguesa que não me admirava nada que puxassem de uma revista sobre decoração de interiores para lerem enquanto o adversário faz pela vida. Há tanta displicência, desconcentração, lentidão e pouca vontade de começar a jogar com garra que um dia destes vamos sofrer golos nos primeiro minut…oh wait.

(-) Otávio, quando não tem espaço. Leram o que escrevi em cima? Aquilo é só quando Otávio tem espaço para progredir e caminho livre, porque quando o rapaz se apanha com pernas pela frente…upa, é uma parvoíce de fintas inconsequentes, más decisões, nervosismo e uma postura de “vou ver se saco uma falta antes que perca a bola”. Não tenho grandes dúvidas que essa forma de se mexer em campo faz com que muitas das faltas (como a que teria dado um penalty a nosso favor e que mais uma vez não foi assinalada) sejam consideradas acções de interpretação cénica por parte do brasileiro. E era escusadíssimo, não era? Era, pois.

(-) Mais uma arbitragem simpática. Ora então mais um penalty por marcar. Ora então mais um ou dois amarelos por mostrar cedinho no jogo e que condicionariam os rapazes do Chaves para o resto do jogo. Ora então mais uma expulsão para o Maxi, o homem que foi expulso uma vez em mais de 250 jogos em competições nacionais pelo Benfica (fui verificar os números porque sou doente) e que teve dezenas, DEZENAS de lances iguais a este, com ou sem Xistra, acaba por ser expulso duas vezes em pouco mais de 60 jogos. A expulsão é justa, nada a dizer sobre o lance, mas é notável como a teoria das probabilidades leva uma facada das grandes quando se mete o Benfica ao barulho.


Faltam três jogos. Nove pontos. E o próximo, na Madeira, é ainda mais importante porque acontece antes do Rio Ave vs Benfica. Uma vitória coloca-os com mais pressão, mas qualquer coisa que não sejam os três pontos para nós…enfim, mais uma voltinha.

Ouve lá ó Mister – Chaves

Companheiro Nuno,

Sabes que obraste no bolo, não sabes? Tens a noção que acertaste com o equivalente de um sofá no esterno da grande maioria de portistas que ainda sonhavam poder chegar-se à frente e pisar os calcanhares ao Benfica, não tens? Apercebes-te que agora vai ser progressivamente mais complicado ganhar esta trampa, certo? E também sabes que lixaste o resto das hipóteses de ficares cá para o ano, porque não quero acreditar que um ano zero dure de facto um ano, estou a falar bem?

Pá, Nuno, eu sei que a época ainda não acabou e que faltam quatro jogos e nunca se sabe o que pode acontecer. O Benfica pode escorregar duas vezes em quatro jogos e pode perder os pontos suficientes para que sejam ultrapassados por nós e percam o título mesmo na recta final. Ninguém acredita (nem tu, aposto) mas é possível. E enquanto for possível há que ter alguma esperança, mas é muito triste olhar para os teus rapazes e perceber que por muito que acreditem, parece que fica sempre a faltar alguma coisa e tremem tanto durante os jogos que não sabem se norte é sul, gajo é gaja ou azul é branco. Estavam bem em Bangkok, sem dúvida.

Hoje é o ante-antepenúltimo jogo do ano. Para eles e para ti, acabem ou não vencedores. Quero quatro vitórias até ao fim. Para que fiquemos sempre a lamentar as quatro vitórias que devíamos ter tido nos cinco jogos anteriores. #NeverForget and whatnot.

Sou quem sabes,
Jorge

Baías e Baronis – FC Porto 0 vs 0 Feirense

Foda-se. Vamos a notas:

(+) Real vs Barça. Um jogaço de futebol que vi depois de chegar a casa porque a necessidade de ver bom futebol era bem maior do que o imperioso moral de escrever ou o biológico de descansar. E adorei cada minuto, numa espécie de antítese artística que me saciou a vontade de sorrir, como se tivesse acabado de ver um Sharknado e passasse o resto da noite a ver uma maratona de Hitchcock. E ainda melhor quando se vê um jogo em que dois homens que já vestiram a nossa camisola a marcar pelo Real, com a curiosidade de um deles ter marcado o 2-2 depois do rapaz sair do banco num jogo disputado na capital frente ao clube mais representativo da força anti-centralismo, que acaba com a vitória deste segundo por 2-3. Ring any bells?

(-) Zerinho. Há tanta coisa que podia dizer sobre o jogo. A ausência de capacidade física. A impotência para gerar situações de perigo consistente durante mais de cinquenta minutos. O descontrolo emocional que os jogadores manifestam em campo desde há tantas semanas. A falta de sorte que impede que a bola entre naturalmente, orgânica, tranquila. O penalty que não foi marcado, mais um. A inércia de vários jogadores que, cansados ou desmoralizados, não conseguem lutar mais no vazio de ideias que a equipa demonstra. A quase completa falta de liderança a partir do banco que não consegue transmitir confiança à equipa. A verdade é que a principal razão por termos perdido tantos pontos nos últimos jogos não se chama Pedro Santos ou Jonas. Chama-se Nuno. É o homem que nos lidera e tem sido incapaz de conseguir manter viva uma equipa que foi criando ao longo do ano e que se vê a desmoronar juntamente com ela quando o feijão parece crescer perante o próprio esfíncter. Se virem a equipa em campo não têm a ideia que é um candidato ao título, porque os jogadores não se entendem nas movimentações, não há pressão após a perda de bola, os lances de falha técnica sucedem-se e em grande parte devido a mau posicionamento táctico que acrescenta ao nervosismo e faz com que o pé falhe e a cabeça o siga. Não consigo perceber como é que uma equipa que tem estatura física baixa não faz pressão alta para recuperar a bola mal a perde. Não entendo como é que as tácticas assimétricas agradam tanto a Nuno mesmo com a ausência de um ou outro jogador importante no plantel. Não me cabe na minha gigantesca cabeça que uma equipa falhe tantas bolas paradas e desperdice tantos cantos e ao mesmo tempo queira ser campeã nacional. Somos grandes? Sim, seremos sempre. Mas não agimos como tal.


Temos de recuperar três pontos em quatro jogos depois de perdermos oito nos últimos cinco jogos. Alguém acredita?

Ouve lá ó Mister – Feirense

Companheiro Nuno,

É uma trampa quando ficamos dependentes de terceiros, não é? Roemos as unhas com o nervosismo que nos invade o corpo e nos tolhe o raciocínio e a vontade de vencer por intermédio de outros é uma situação que não me agrada nadinha. Mas é o buraco em que estamos e se queremos sair dele temos de fazer o nosso trabalho e esperar que os outros não façam o deles. Não adianta chorar, Tibi, como dizia o outro.

Este é mais um jogo desses, em que temos de vencer para conseguirmos encostar mais um bocadinho ao Benfica e criar a ilusão que ainda podemos chegar lá. E eu acredito, Nuno, a sério que acredito, mas tens de me dar motivos para isso. Tens de colocar os jogadores em campo sem medo, sem preocupações excessivas com os jogos dos outros e focar a malta para que consigam levar a estúpida da água ao tal moínho de que todos falam e que parece ficar sempre tão longe que me enerva só de pensar na viagem. O Feirense não é uma Juventus (está perto, afinal jogam com camisola e calções e…ficamos por aí, vá) mas são meninos para nos lixar a vida se não formos competentes. E se o Barge jogar, vê lá se alguém lhe rapa a barba ao estalo porque aquele gajo é do tipo de jogadores que faz o Schelotto parecer o Dani Alves. Ugh, Brigueis, pá.

Sou quem sabes,
Jorge