Votação: Quem deve marcar os livres directos?


Este ano, mais até do que em outros anos, estamos a atravessar uma fase negra no que diz respeito às bolas paradas. Raramente causam perigo, apesar de termos várias oportunidades de rematar à baliz, e acabamos por perder boas chances de criar perigo que, convenhamos, não estamos a conseguir em jogadas de bola corrida. Assim sendo, é imperioso possuir no plantel alguém que saiba pontapear a redondinha para o fundo das redes. A questão é: quem? Eis as respostas da malta:
  • Bruno Alves: 40%
  • Hulk: 35%
  • Cristián Rodríguez: 15%
  • Raul Meireles: 0%
  • outro: 15%
Equilibrado. É quanto a mim um espelho do plantel que temos, em que Bruno Alves é um marcador pouco profícuo (precisa aí de uns 14 remates para acertar na baliza) e Hulk…é só esperança por parte dos adeptos, pois até agora ainda não mostrou nenhum talento especial para apontar bolas paradas. Enfim, ainda esperava que Belluschi ou Valeri ou qualquer outro conseguisse ser um novo Hagi, mas até agora…nada!
Próxima votação: Sector a reforçar em Janeiro?

33%

Chegou este fim-de-semana o primeiro marco no campeonato nacional, o terço da prova. Faltando metade desse terço para chegarmos ao meio da prova (pensem, não é complicado), é altura para fazer um pequeno balanço do que tem sido a época do FC Porto, quer em termos nacionais como também internacionais.
Começando pela parte fácil, a internacional. O apuramento na fase de grupos da Liga dos Campeões surgiu com mais facilidade do que seria de prever, tendo em conta o grupo que nos calhou em sorte. À previsível derrota em Londres no primeiro jogo seguiu-se uma sequência de 3 vitórias consecutivas e o carimbo para a próxima fase, que adiciona aproximadamente 19 milhões de euros, mais coisa menos coisa, aos cofres da SAD. Ao passo que o jogo frente ao Atlético foi ganho com garra e alguma sorte, os outros dois encontros contra o adversário mais fraco do grupo expuseram alguns dos problemas que temos tido. Falta de agressividade e ineficácia de controlo do meio-campo levaram a duas vitórias sofridas contra um APOEL que deveria ser considerado como fraco demais para nos colocar problemas, que no entanto apareceram. Valeu Hulk em casa e Falcao fora para somar 6 pontos e uma liberdade de consciência europeia adiada para Fevereiro de 2010. Pronto, feito, embrulhado, please sir may I have another, siga para o campeonato nacional.
É inegável que estamos a atravessar um momento muito mau. Se em termos pontuais não estamos de qualquer forma arredados da competição, o futebol praticado tem sido medíocre e nada de acordo com os pergaminhos da equipa. Como li no Flama Draculae (http://flamadraculae.blogspot.com/2009/11/cem-nada.html), e concordo, ao fim de 100 jogos, Jesualdo está 100 capacidade de levar a equipa para mínimos patamares de qualidade que os adeptos exigem. De reparar que decorrido um terço do campeonato, o FC Porto já desperdiçou…um terço dos pontos em disputa. É muito ponto perdido e que nunca mais se recupera, alguns dos quais em terrenos que apesar de tradicionalmente difíceis, raramente pareceram tão difíceis como este ano.
Num rápido resumo, aqui fica a minha separação do trigo e do joio, do que está bem e do que está mal:
POSITIVO:
  • Apuramento já garantido para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões;
  • Estabilidade exibicional de Helton, com muito menos erros que em anos transactos;
  • Afirmação de Fernando com maturidade e disciplina táctica;
  • Subida de forma de Fucile, aliando criatividade à garra e agressividade positivas;
  • Vitória no único jogo “grande”, em casa frente ao Sporting;
NEGATIVO:
  • A ausência de um meio-campo criativo nas transições ofensivas;
  • A quase total displicência no meio-campo defensivo, com pouca ou nenhuma pressão sobre o adversário;
  • Fraca produtividade do ataque, pouco apoiado e com baixos níveis de inspiração e confiança;
  • Muitas lesões traumáticas no plantel;
  • Cultura de expectativa, com recuos permanentes no relvado à espera que o adversário falhe e perca a bola;
  • Abaixamento de forma de elementos nucleares na equipa, casos de Raúl Meireles, Cristián Rodríguez ou Hulk;
  • Argumentos tácticos pouco esclarecidos, com opções no mínimo questionáveis para posições estruturalmente fundamentais (Mariano a criativo, dois pontas-de-lança sem entrosamento, entre outras);
  • Número incrível de falhas técnicas, passes falhados ou precipitados, cruzamentos sem destino e más opções de transição ofensiva;
  • Bolas paradas ofensivas com eficácia reduzidíssima, muitos cantos marcados directamente para o guarda-redes e inúmeros livres directos a passar longe da baliza;
  • Bolas paradas defensivas com fracos níveis de concentração, permitindo situações perigosas para a baliza;
Parecem muitos pontos negativos, não é? Se forem a analisar um a um vão ver de certeza que correspondem a muitas das reclamações de quem vê o jogo da parte de fora. É lógico que estamos ainda muito a tempo para recuperar o tempo perdido, mas à entrada para o segundo terço do campeonato não estou muito optimista. Cá ficam algumas sugestões:
  • Aposta em sangue novo. Estou em crer que não será preciso reforçar nenhum sector do terreno quando temos vários lesionados e alternativas jovens que podem servir mas embatem na permanente hesitação de Jesualdo em “queimar” os jogadores muito cedo.
  • Belluschi tem de justificar a contatação. Um jogador de 5 milhões de euros não pode fazer 2 ou 3 jogos razoáveis e depois ficar encostado por tara do treinador ou por falta de condição física. Temos um jogador que ganha bem e que é, aparentemente, o único que é adequado à posição que pertencia a Lucho e que está a ser constantemente colocado no banco.
  • Tem de haver uma rotação do plantel de uma forma mais consistente e sem alterações de posição. Guarín é um médio com características semelhantes a Meireles, não Belluschi; Mariano, quando muito, pode ser um extremo, nunca um número 10. Estas e outras alterações abanam com a estrutura táctica da equipa e não deixam criar entrosamento e jogo de equipa.
  • As compensações defensivas têm de ser incutidas nos jogadores da frente de uma forma mais vincada. Hulk passa a vida para lá do meio-campo, Rodríguez ainda não consegue fazer o campo todo a correr para trás e para a frente, e o único que ajuda na defesa é Mariano, que com as limitações técnicas que mostra acaba por compensar em esforço o que tem de menos em talento. É angustiante ver os laterais habituais (Fucile e Álvaro) que são por natureza muito ofensivos, a apanhar com dois e três jogadores pelo seu flanco, sem saber muito bem onde se devem meter.
  • O apoio central no meio-campo ofensivo é quase não existente. Falcao, quando acaba por conseguir dominar a bola no meio dos centrais, tem de recuar ou descair para os flancos e desperdiçar potenciais jogadas de ataque.
Sou um treinador de bancada, e se ainda não tinham percebido, ficou bem patente nestas linhas. Cabe a Jesualdo fazer as alterações que bem entender para levar o barco a bom porto. E vamos todos ficar à espera que corra melhor do que até agora.