Porta 19

CURIOSO. CRÍTICO. PARVO. BARRIGUDO. CARECA. ADEPTO. SÓCIO. PORTISTA.

Ouve lá ó Mister – Braga

Pontapeado por Jorge 7 de Abril de 20127 Comentários


Amigo Vítor,

Olha ali para o fundo. Estás a ver o mesmo que eu? É uma linha, não é? Já está à vista, não está? É o final do campeonato, homem. A partir daqui já não podemos olhar para trás, para todos os pontos que perdemos contra equipas que não deviam ter tido a capacidade de os roubar do nosso saco, já não temos o luxo de ver videos de jogos de um passado mais recente do que queríamos, disputados em Olhão ou Aveiro ou Barcelos (para não dizer Coimbra, Lisboa, São Petersburgo ou Nicosia porque essas são contas de outros campeonatos) porque o tempo agora é de olhar para a frente. Já o era há meses, mas agora é mesmo mesmo mesmo mas MESMO preciso olhar em diante para enfrentar o horizonte que se aproxima tão rapidamente. Hoje, o horizonte arrasta-se mais um naco na nossa direcção.

Tens duas ou três hipóteses de encarar este jogo. A primeira é vê-lo como fizemos no ano passado na final da Liga Europa. Frios, feios, porcos e maus. Sem brilhantismos, com eficácia, olhar na baliza e ganhar por meio já é um bom resultado. A segunda opção é fazer um jogo de construção ofensiva entusiasmante, perfeição posicional defensiva e troca de bola a meio-campo que faz o Michels pensar que a Laranja Mecânica ressuscitou e joga de azul e branco. A terceira…é ser sério e perceber que apesar do Braga mostrar qualidade e apesar de ter um grupo de rapazes entusiasmados e interessados no jogo…nós somos melhores. Mas temos de mostrar que somos melhores no campo, com inteligência, passando bem a bola, aliviando quando houver perigo na defesa e rematando quando houver uma brecha para o fazer na frente. Lucho e Moutinho vão ser fundamentais. Hulk também. James também. Raios, todos são essenciais, até os do banco. Temos de jogar bem, temos de ser unidos, temos de estar concentrados.

O jogo vai ser difícil. Todos temos essa noção. Mas também temos a noção que vocês sabem disso. E não há mais nada que passe pelo coração de qualquer portista que não a vitória hoje à noite na Pedreira. O Braga tem feito uma excelente temporada, é verdade. E se depender de mim, essa excelente temporada acaba hoje.

Sou quem sabes,
Jorge

 

APOSTAS PARA HOJE NA DHOZE:

Sejamos os nossos próprios estofadores

Pontapeado por Jorge 5 de Abril de 20128 Comentários

Odeio clichés. Estou a usar a palavra “odeio” para me referir a clichés, para verem a força da minha aversão ao uso desses recursos. Nunca estou “à beira de um ataque de nervos”, “perto do precipício” ou “com fogo no rabo”, não dou “uma no cravo outra na ferradura”, não sou “amigo da onça”, não choro “lágrimas de crocodilo” nem “faço das tripas coração”. Evito-os como um acrófobo foge dos telhados de arranha-céus.

É em grande parte devido a esse escárnio pela muleta fácil de qualquer língua que me incomoda a grande maioria das notícias dos nossos jornais. A sequência de lugares-comuns é tão escabrosa e entediante que deixa qualquer um com o nível de tédio tão alto que apetece ler um bocado de Kafka só para desempoeirar o cérebro. Salvam-se alguns cronistas que por muito antagónicas que sejam as posições defendidas perante os mais diversos assuntos do panorama da bola quando comparadas com as minhas, há alturas em que cedo à qualidade da retórica e penso para os meus bot…(não, Jorge, clichés não, és superior a isso)…e penso: “Ah, seu malvado. Confundes-me com esta retorcida verborreia e colocas-me perante a periclitante posição de ter de ceder às tuas vontades. Não deixarei que a tua vil eloquência me conquiste, pulha!”. Depois passa-me a fúria e mudo de página.

Tanta parvoíce para dizer o seguinte. Estou farto do termo “estofo de campeão”. A primeira vez que ouvi essa alarvidade fiquei a pensar que estavam a falar de um sofá muito caro, mas aparentemente é aplicada no mundo do futebol, quando uma equipa consegue chegar a uma determinada altura da época num lugar perto do topo e com possibilidades de chegar ao final em primeiro lugar. E o Braga, admito, é uma equipa que tem…aham…estofo de campeão. E nós? Toda a gente nos diz desde o início da temporada que não o temos. Que o perdemos, que o deixamos no Metro, sei lá, mas de qualquer forma a imagem que tem sido constantemente passada por jornalistas e analistas (raios, até pelos próprios adeptos!) é a de que o FC Porto é uma equipa sem técnica, sem liderança e à rasca para se manter viva e na luta pelo título, ao passo que o Braga está pujante e vibrante, com a força de duzentos sóis e a energia de duzentos mais.

Não suporto isto. Estamos em primeiro no campeonato e dependemos só de nós para sermos campeões. As exibições não têm sido geniais? Too fucking bad. Só lá estamos porque os outros têm perdido pontos inesperados? Também nós. O Braga joga melhor futebol que o FC Porto nesta altura? Veremos.

Só há uma coisa a pensar até Sábado: quem vencer o jogo mostra que tem estofo de campeão. Mas sejamos nós ou eles a sair do Axa com os três pontos, a outra equipa não é automaticamente “desestofada” porque até ao fim ainda há mais quatro jogos. O único pensamento até Sábado, repito, tem de ser este: vamos ganhar este. E depois vamos ganhar os próximos.

Não é meu costume, mas não podia deixar passar esta em claro.

Estou a ver o Chelski a ganhar ao Benfica. Preferia que assim não fosse, mas é o que calha. Na primeira parte os ingleses marcaram com um penalty depois de um abalroamento de Javi a Ashley Cole. Um entre muitos, entre tantos que cá fez e faz e beneficiam de uma divina complacência que apenas em Braga, depois de uma cotovelada em Alan, mereceu a expulsão. Ao que se seguiram capas de jornais, pedidos à Virgem, clamor pela canonização do espanhol e preces para um qualquer Deus menor para que o jogo fosse repetido, inundando as ingénuas mentes com as hipocrisias do costume. Javi foi coerente, fez o que costuma fazer.

Passados alguns minutos, Maxi Pereira entra de pitão à frente, vê segundo amarelo e é expulso. Nada de mais. Falta óbvia, amarelo evidente, expulsão justa.

Esperem lá. O Maxi foi expulso? Pela alma de quinhentos demónios saltitantes, no puede ser!

Este é o histórico do moço em Portugal, retirado do zerozero. É verdade. Maxi nunca foi expulso nos cinco anos que já passou em Portugal, por entre largas dezenas de entradas iguais à que teve em Londres, muitas delas bem piores. Maxi foi coerente, fez o que costuma fazer.

De todos os benfiquistas em Stamford Bridge, só um não é coerente. Vejo Jesus a reclamar na linha. O árbitro chega perto do homem e manda-o sentar. Jesus senta-se, com um aceno de cabeça como quem se desculpa. A humildade não lhe fica bem, é-lhe estranha, alienígena, assenta-lhe tão bem como um vestido de cerimónia numa preguiça obesa.

Ouço os comentadores antes e depois da facada final de Meireles (nem o esquilo morto que o luso enverga na cabeça lhe retira a poesia) e penso que nem agora que o Gobern-gate passou e seguiu estão mais calmos. A arbitragem foi polémica, a vitória moral é firme, o espírito está em alta, o prestígio manteve-se, o nome está no topo. Nem o Benfica merece os palhaços que o defendem. Fez um bom jogo e merecia passar contra um Chelsea que estava perfeitamente ao alcance.

Afinal estamos com medo de quem?!

Pontapeado por Jorge 3 de Abril de 201214 Comentários

Vamos lá ser sérios e realistas. Estamos com medo de quem?

  • O Quim é mais seguro que o Helton?
  • O Miguel Lopes é mais eficaz que o Sapunaru?
  • O Elderson bate o Álvaro Pereira em alguma área de jogo?
  • O Douglão é mais inteligente que o Maicon?
  • O Nuno André Coelho é mais rijo que o Otamendi?
  • O Custódio tem melhor jogo posicional que o Fernando?
  • O Hugo Viana sabe organizar melhor o jogo que o Moutinho?
  • O Mossoró tem a classe e a visão do Lucho?
  • O Helder Barbosa tem a velocidade e potência de remate do Hulk?
  • O Alan tem o talento e a criatividade do James?
  • O Lima tem a experiência do Janko?

Alguma destas frases é verdadeira? Se acham que sim, então baixem já as calças antes de entrarmos no Axa e borrem-se todos de cagaço do Braga. Os gajos têm uma boa equipa mas não entro nesses mind-games de treta, como se fôssemos uma equipa pequena e sofredora, à rasca para triunfar numa prova em que temos mais que capacidade para vencer. Não vamos encontrar uma equipa com gigantes de três metros, um treinador que combina o talento defensivo de Sacchi com a criatividade de Bielsa e um estádio cheio de híbridos greco-turcos que vomitam fezes pela boca. Raios partam a conversa de coitadinho, vamos ganhar o jogo e acabou a conversa!

É NO PRÓPRIO POTENCIAL QUE OS NOSSOS JOGADORES TÊM DE ACREDITAR!!!

E ficam a faltar quatro jogos para mais um campeonato.

No último jogo “fora” contra o Braga

Pontapeado por Jorge 2 de Abril de 20127 Comentários

No último jogo que disputámos contra o Braga fora do Dragão pode-se reduzir a duas fotografias:

Esta:

E esta:

Onze meses depois, ambos os jogadores do FC Porto mais próximos da bola em cada uma das frames tinham nascido no mesmo país e se os alinhássemos lado-a-lado com o primeiro à esquerda e o segundo à direita, os algarismos nas suas camisolas formariam um número tão usado com tom jocoso por miúdos de 14 anos ou jovens de 74. O “6″ joga agora no Inter. O “9″, no Atlético Madrid. Nenhum deles pode ser campeão este ano, só para aprenderem que nem sempre se sai para melhor.

O FC Porto tem uma equipa muito diferente daquela que esteve no Aviva Stadium em Maio de 2011. Mas o resultado deste jogo do próximo sábado pode ser o mesmo. Não me importo nada que seja o “3″ a cruzar para o “29″. Até pode ser o “4″ a passar de trivela para o “11″ marcar de costas.

O que é preciso é ganhar este jogo.

Baías e Baronis – FC Porto 2 vs 0 SC Olhanense

Pontapeado por Jorge 31 de Março de 20128 Comentários

foto retirada de fcporto.pt

À medida que as jornadas vão prosseguindo e o campeonato se vai aproximando do final, os padrões dos adeptos ficam diferentes. Mais altos para alguns, que exigem que a equipa suba o nível e cresça nas exibições, na produção ofensiva e na eficácia defensiva, numa altura difícil e fundamental em que nenhuma falha é perdoada. Para outro grupo de adeptos, os padrões de qualidade baixam e a única coisa que querem é ganhar. Não querem saber se os jogos são maus, se há muitas bolas para a bancada, remates de qualquer lado ou jogadas construídas sem um fio de jogo pensado. O que interessa são os três pontos. Ainda há um terceiro grupo. O que gosta de combinar as duas vertentes, a construtiva e a produtiva. Sou do terceiro. Saí do Dragão satisfeito pela vitória e razoavelmente contente com a exibição. Não foi genial e mais uma vez houve tantas falhas e tão grandes que o Dragão parecia situado nos arredores de Los Angeles. Mas ganhámos e nesta altura é mais importante vencer que jogar bem e perder. Notas, já já aqui abaixo:

 

(+) João Moutinho Tem tido a consistência que permite ao nosso meio campo manter-se competitivo, muito à sua custa. Diria que a equipa do FC Porto hoje em dia está “pendurada” nos pés de Moutinho porque sem a inteligência do português, com a bola e no espaço quando a procura, a equipa andaria à deriva em campo. Moutinho está de novo em grande nível, a jogar simples, com sentido prático e a executar os lances certos no momento certo. É talvez um dos únicos jogadores do Mundo que teria lugar no meio-campo de Guardiola no Barcelona. Talvez não fosse titular mas era menino para fazer uns trinta ou quarenta jogos por ano.

(+) Maicon e Otamendi no centro Os dois centrais estiveram bem perante os avançados do Olhanense que não fizeram um grande jogo muito por culpa dos nossos defesas. Rolando ficou no banco, não sei se por castigo se por opção, mas os factos falam por si: zero golos sofridos, velocidade no passe, agressividade positiva durante o jogo e bom entendimento na cobertura defensiva dos espaços criados pelas subidas dos laterais. Uma pequena nota recorrente: Otamendi falha muitos passes curtos, Maicon falha muitos longos. Tirando isso, estiveram bem.

(+) A vontade de Sapunaru O romeno é um tolo. Ele sabe que é tolo, todos sabemos que é tolo. Mas há qualquer coisa naquela loucura que me entusiasma e perdoo-lhe mesmo alguma inépcia técnica e até o espaço que continua a permitir a qualquer adversário que lhe apareça pela frente antes de lhe tentar tirar a bola. Mas dá gosto vê-lo a correr pelo flanco, a tentar sempre subir no terreno a ajudar o extremo do seu lado, a aparecer na área para cabecear ou a rematar cruzado para a baliza. Dá ideia que está noventa minutos a pensar em marcar um golo e raramente desiste até o conseguir. Quantos mais romenos loucos há por aí? Tragam-nos alguns que bem precisamos.

 

(-) Lucho Há jogos que correm melhor que outros e apesar do golo que marcou, Lucho hoje foi uma nulidade em campo. Foi pior. Falhou inúmeros passes, tirava o pé nas disputas divididas, permitia movimentações dos jogadores do Olhanense muito perto dele sem tentar obstruir a progressão do adversário e raramente foi produtivo com ou sem a bola nos pés. Se fosse outro jogador qualquer, especialmente alguém que não conhecesse, diria que era um tosco. Mas Lucho não é tosco, muito longe disso. Um mau jogo que também poderá surgir da fraca condição física. Saiu bem.

(-) Álvaro Pereira Um jogo fraquinho do Palito, com pouca claridividência no ataque e demasiadas distrações na defesa onde obrigou Otamendi a ir ao seu auxílio muitas vezes, quase sempre com sucesso, felizmente. Álvaro tem sido um jogador importante mas há alguns jogos em que aparece muitas vezes no ataque a criar perigo para a área contrária. Hoje, nem isso, porque sempre que passava o meio campo lá acabava por perder alguns metros à frente. Estranho o facto de ter jogado com a cabeça muito inclinada para baixo, talvez esteja cansado, sei lá. Vai precisar de jogar bastante melhor contra o Braga.

(-) A complacência de Alex Sandro É complicado perceber o que passa pela cabeça de quem quer que seja. Parece fácil visto de fora mas acredito que Alex Sandro não é retardado. Sinceramente acredito. Mas as várias jogadas ridículas que hoje protagonizou nos vinte e tal minutos que esteve em campo foram dignas de registo para a posteridade por vários motivos. Porque um internacional brasileiro como é Alex Sandro que mostra (e já não é a primeira vez) uma atitude complacente com a nossa camisola, sem interesse em jogar, sem força, sem concentração, sem a cabeça no jogo…envergonha-me. E devia envergonhá-lo também. Espero muito mais dele, mas acima de tudo espero que lute. Não o fez.

 

À entrada, subi as escadas de acesso à bancada e um homem com o apoio de duas muletas subia também as escadas com alguma dificuldade, mitigada com o auxílio de um jovem, diria seu neto. Ao lado, um colega que com ele se deslocou ao Dragão dizia-lhe: “Nem sei para que é que você veio, ficava em casa a ver na televisão…”, ao que o sénior lhe responde: “Nada disso, o Porto é o Porto, carago, e enquanto tiver forcinha nas pernas hei-de cá vir sempre que puder!”. É exactamente este o espírito que gosto de ver. Um louvor ao velhote, se fazem favor, porque faz ver a tanta gente que se queixa de tudo e todos e deixa de lá ir apoiar a equipa nos momentos maus, mesmo nas alturas que a equipa mais precisa deles. Fomos trinta e um mil no Dragão. Poucos ou nenhuns assobiaram. Gostei.

Ouve lá ó Mister – Olhanense

Pontapeado por Jorge 31 de Março de 20124 Comentários


Amigo Vítor,

O meu clube é o FC Porto. Acho que sabes isso. O teu clube, ao que sei, é também o FC Porto. Estamos na mesma onda? OK? OK.

Então explica-me uma coisa: que raio se passou em Paços?! O jogo controlado, centenas de golos falhados e vão deixar que aquele percevejo ou gargarejo ou lá como é o nome do moço, que é pouco mais alto que o Rui Barros, salte no meio de num sei quantos jogadores nossos e nos roube dois pontos?! A sério, Vitor, o que se passou?! Não tens culpa que o Janko tivesse mandado uma bola ao poste, o Moutinho ao lado, o Hulk idem e o Lucho aspas, eu sei disso. Mas vimos outra vez a nossa equipa a descer e a perder a moral, carago, pá, e não achas que estamos todos um bocado fartos desta história? E depois vens com o penále! Mas qual penále! Tá bem, foi penále, mas também tinha havido um do Sapu na primeira parte, homem, por isso ainda que queiramos usar essa treta como desculpa, não podes!

Pronto, vamos lá a acalmar. O que interessa, mais uma vez, é ganhar o jogo de hoje. Ou Benfica ou Braga ou os dois, há gente que vai perder pontos naquele estádio ao lado do Record e nós temos de aproveitar qualquer uma das hipóteses. Se empatam ou perde o Braga, passamos para primeiro. Se perde o Benfica, ficam mais longe e para a semana decidimos o título na cidade dos P’s. Como andamos a dizer há semanas e semanas e intermináveis semanas: é para ganhar. Um amigo disse-me que teve um feeling que ganhávamos agora seis jogos seguidos e íamos ser campeões. Hmm. Quero acreditar nisso, Vitor, mas eu sou como o S.Tomé: só quando vejo as coisas a acontecer é que acredito. Ganha e depois falamos.

Ah, só uma nota final: de uma vez por todas decide-te sobre o Lucho. Ou joga mais atrás para criar jogo como ele sabe ou começa a entender-se melhor atrás do Janko. O meio-termo não está a funcionar.

Sou quem sabes,
Jorge

 

APOSTAS PARA HOJE NA DHOZE:

Um Portista que boicota é um Portista idiota

Pontapeado por Jorge 28 de Março de 201248 Comentários

Durante o dia de ontem recebi aqui na caixa de comentários um inusitado número de opiniões que urgem a um boicote ao jogo do FC Porto em casa frente ao Olhanense como forma de protesto contra a recente instabilidade na equipa. E a minha reacção primária é a mesma que sempre tive em relação a este tipo de gente que se diz portista e que só vive bem a dizer mal: quem não quiser ir ao jogo que fique em casa, vá até um jardim ler um livro, dê um salto ao cinema, faça o que mais bem entender. Não preciso de ter assobiadores compulsivos nas bancadas e não me importo nada que lá estejam só dez mil mas que esses, you few, you happy few, you band of brothers, estejam para apoiar a equipa de início a fim. E recuso-me a aceitar que um sócio ou simpatizante portista tome este tipo de atitudes quando a situação está difícil e complicada e o apoio da massa adepta é tão importante para que o nosso barco não se transforme num Bolama.

Por isso deixo a contra-proposta: tudo ao Dragão no sábado à noite. Vamos todos em massa ao estádio para apoiar a equipa em mais uma jornada que nos pode colocar na frente do campeonato ou na pior das melhores hipóteses colocar-nos em boas condições para continuar a discutir o título.

Ponham o cachecol ao pescoço, vistam a camisola, ergam a bandeira, vão nus, quero lá saber.

Mas apoiem o vosso clube, principalmente nas horas difíceis.

Lucho tem tudo para ser o Aimar do FC Porto

Pontapeado por Jorge 27 de Março de 201232 Comentários

É um dos jogadores com maior experiência do plantel. Os adeptos respondem à sua presença como um miúdo com um cheque prenda em branco numa loja da Hussel e quando chegou em Janeiro foi imediatamente re-elevado à condição de herói da naçom que tinha mesmo depois de sair para o Marselha, ele que foi mais um numa longa lista de jogadores que optou por sair para aumentar o fundo de maneio que terá à sua disposição nos “golden years”. Nada contra, até porque foi campeão em França e para além de encher os bolsos com euros que têm um hexágono nas costas acabou também por mostrar toda a qualidade por terras de De Gaulle. Carlinhos, prós amigos. Voltou, com uma aura que equivale ao seu valor e ao impacto que sempre teve nos sócios e simpatizantes do FC Porto.

Mas por muito que se queira (e quer) que Lucho seja o mesmo, já não é. Pelo menos por agora ainda não conseguiu ser. O talento está lá, não haja dúvida, mas a influência que tem no jogo faz-se notar durante menos tempo e com menos impacto. Ele não tem culpa, entenda-se, Lucho faz o que pode, coordena a equipa em campo como o “comandante” que sempre foi e será, mas tem limitações físicas que parecem evidentes a todos. Lucho, neste momento, é um jogador para aguentar 60, 70 minutos no máximo, e a partir daí desaparece do jogo, exausto, incapaz de ordenar as pernas a movimentarem-se nos espaços que calcorreava com a intensidade que o fazia quando foi tetracampeão no FC Porto entre 2005/2006 e 2008/2009.

A chegada de Lucho veio tornar ainda mais notórias as lacunas no meio-campo do FC Porto. Não pela sua ausência quando não está em campo mas precisamente pela sua presença e pela incapacidade que o actual plantel denota em preencher uma vaga que durante um terço do jogo se torna óbvio que necessita de sangue fresco. Sempre que vejo Lucho a definhar, como foi evidente em Paços de Ferreira e já o tinha sido na Madeira ou no Dragão contra a Académica, olho para o banco e não vejo ninguém que possa calçar aquelas botas naquela posição. James, dir-me-ão, pode fazer o mesmo que Lucho. Não pode. Pode tentar, mas não é a mesma coisa. Mas, Jorge, não há ninguém que seja “a mesma coisa”, Lucho é Lucho! Certo. No entanto, quando o argentino estava mais em baixo de forma ou lesionado, sempre tivemos uma opção alternativa. Fosse Diego, Anderson, Ibson ou até Mariano (uma adaptação, é verdade), todos conseguiram entrar para aquele lugar porque conseguiam a mistura adequada de suor e inteligência competitiva para evitar que se notasse em demasia a falta do capitão.

Conseguem ver alguém no plantel com essas características? Talvez James, mais nenhum. Então qual é a solução? Lucho começa a fazer apenas sessenta minutos por jogo (como Meireles durante vários anos) e é colocado o colombiano na sua posição, injectado de seja lá que composto quiserem que lhe dê mais garra e força. Como Aimar no Benfica, que quando joga mostra que a qualidade e a quantidade nem sempre são equivalentes (se exceptuarmos a patada do último fim-de-semana, que em Aimar não é normal) e consegue fazer em quinze ou vinte minutos o que trezentos jogadores não conseguirão fazer na vida toda.

Consigo ver Lucho a fazer este papel. Não me importo nada de o ver apenas meio jogo se essa metade fôr produtiva. Caso contrário arriscamo-nos a ver o lento definhar de um talento fantástico. E só temos a perder com isso, tanto nós como ele.

foto retirada de desporto.sapo.pt

Não foi bom. Não foi aquele FC Porto que estava à espera de ver, que ainda estou à espera de ver desde o início da temporada com algumas honrosas excepções. Este foi mais um entre tantos jogos em que vejo a equipa a definhar na fase crucial do jogo, depois de entrar com alguma sofreguidão e com pouca inteligência, a usar e abusar do jogo directo e das desmarcações aéreas pelas laterais (vá-se lá saber porquê) e com uma tremenda incapacidade de jogar um futebol atraente e criativo. Se a história ainda vier a falar do FC Porto de 2011/2012, será em grande parte com uma expressão: cansados, tanto na cabeça e nas pernas. Pela enésima vez desperdiçámos pontos num jogo que controlamos e a culpa é toda nossa. Cássio fez um excelente jogo, é verdade, mas a quantidade de golos falhados é inadmissível. Vamos às notas:

 

(+) Hulk Merecia mais. Já o disse mais que uma vez que perdoo a Hulk o que não consigo perdoar a outros rapazes, porque a produção ofensiva e as características físicas do nosso Givanildo fazem com que seja um homem que decida um jogo e por isso permito-lhe que tenha desvarios como tantas vezes lhe acontece, quando tenta furar uma parede de cimento humano e não consegue. E depois levanta-se e tenta outra vez. E chateia, mas só quando se percebe que o rapaz deixou de pensar, pôs as metafóricas palas nos olhos e só anda em frente. Hoje teve alguns momentos desses, mas como se viu no golo (uma chouriçada causada por ele), um arranque de Hulk pode ser a diferença entre vencer um jogo e…empatá-lo, como hoje. Fez tudo o que pôde. Sofreu um penalty nítido que não foi marcado (sim, sim, o Sapu também teve aquele lance na primeira parte que podia perfeitamente ser sido assinalado). Tentou muito. Não chegou, mas não foi por culpa dele.

(+) João Moutinho Forte no meio-campo, intenso no contacto e inteligente em posse, tentou mais uma vez pautar o jogo como de costume e conseguiu-o em longos períodos do jogo. Na primeira parte ao lado de Defour (é verdade, o belga jogou! não repararam? é, esteve lá, mas quase nem se notou) e na segunda entre Fernando e Lucho, continua a ser dos poucos que não tem medo da bola e coloca-se sempre pronto para a receber. E depois? Espaço, não há. Linhas de passe, poucas. Remata a 40 metros? Não. Passa para o lado? Que remédio…

(+) Cássio Este fulano, a par do Peçanha ou do Pedro Roma, faz parte daquele lote de guarda-redes que fazem sempre jogos fabulosos contra equipas grandes e abrem aviários industriais quando jogam com equipas “do mesmo campeonato”, seja lá o que isso queira dizer. Quem nos manda ser uma equipa grande? Estupor.

 

(-) As bolas paradas defensivas, mais uma vez Reparem no lance do golo do Paços. Está quase toda a equipa do FC Porto na área. Melgarejo, um gigante de quase um metro e setenta e dois centímetros, salta completamente sozinho no meio do que me pareceram 8 ou 9 jogadores azuis e brancos. Fossem 4. Fosse só um, porra! Estou farto de ver um canto a ser assinalado contra nós e sentir as duas nozes que habitualmente estão da parte de fora a recuarem para o interior do meu corpo, tal é o cagaço que me assola por ver as bolas (as de couro) a voar por cima da nossa área. Muito mau, outra vez.

(-) Perdoem-me o vernáculo: as putas das tabelinhas! Já falei disso várias vezes mas não me calo. O FC Porto transformou-se (e esse efeito agravou-se com a chegada de Lucho) numa tentativa de imitação do Barcelona com as tabelinhas e os triângulos do meio-campo. Só há uma diferença, diria que importante: NÓS NÃO SOMOS O BARCELONA! O James não é o Iniesta, o Hulk não é o Messi, o Moutinho não é o Xavi (talvez seja o mais parecido de todos) e o Rolando definitivamente não é o Piqué. A forma de jogar não pode ser a mesma porque o talento não é o mesmo. Se somarem a quantidade de bolas perdidas neste jogo e em todos os jogos que já fizemos e em que abusamos destes lances…imaginem cada uma dessas situações transformada num remate à baliza. É.

 

Nada está perdido. Que eu trepe a quarenta palmeiras se desisto deste campeonato. Mas é certo e sabido que há sempre qualquer coisa que falha: ou as pernas funcionam e a defesa troca-se toda; ou a defesa está alinhadinha e pronta para o combate e o ataque não marca golos; ou os golos entram mas as pernas falham e mais golos entram…mas na nossa baliza. Nada corre bem, nada parece resultar, as opções tácticas caem por terra, os passes saem pelas linhas laterais e os remates saem pelas de fundo. Mas ainda tenho esperança. Ainda sofro a ver os jogos, ainda continuo a acreditar. E hoje pareceu-me ver alguma crença nos próprios jogadores…até ao golo do Paços. Depois, mais uma vez, a moral caiu a pique. Mais uma moedinha, mais uma voltinha…

Categorias


Portas da bola cá dentro

Portas da bola lá fora

Portas de clubes cá dentro

Portas de clubes lá fora

Portas de roupa da bola

Outras portas cá dentro

Outras portas lá fora

Ligações




Stuff


Directorio de Blogs Portugueses   Estou no blog.com.pt - comunidade de bloggers em língua portuguesa
Add to Technorati Favorites  
Visitantes desde Maio de 2009:

  Creative Commons License


Porta 19 has 133 followers