Baías e Baronis – Paris Saint-Germain 2 vs 1 FC Porto

foto retirada de desporto.sapo.pt

Começo a ficar chateado com o que se tem vindo a passar com a equipa do FC Porto. Dois jogos, duas derrotas e duas enormes doses de azar em cada uma delas. Saímos de Paris com a cabeça enfiada numa camisola de gola alta, com a vergonha de uma derrota que surge depois de um lance que ninguém pode evitar a não ser o principal actor na tragicómica actuação que deu o segundo golo dos novos-ricos. Mas o FC Porto, com alguns problemas que foram pontuais e que de uma forma curiosa funcionaram como um espelho do jogo da primeira mão no Dragão, esteve no jogo para o vencer e não (sempre) para aguentar o empate. A não ser naqueles primeiros 15/20 minutos da segunda parte, quando se acomodaram tempo suficiente para permitir que a sorte sorrisse aos gajos lá do burgo. Não gosto de perder e custa-me ainda mais perder quando não é totalmente merecido. Mas neste tipo de competição contra uma equipa que está aproximadamente ao nosso nível…acontece. Segundo lugar, venham os primeiros! Notas abaixo:

 

(+) A dupla de centrais Estiveram ao mesmo nível que no jogo do Dragão, com a pequena nuance que Maicon deu o lugar a Mangala mas a qualidade da exibição não foi afectada. Otamendi esteve mais uma vez em grande, intercepções perfeitas, posicionamentos certíssimos, agressividade correcta, cortes milimétricos de carrinho e acima de tudo uma vontade inabalável de fazer explodir tudo o que fosse francês ou que lá pagasse impostos. Mangala esteve também muito acima da média contra a “sua” equipa, agressivo no contacto, forte no choque e agressivo no transporte da bola para a frente. Com estes centrais, Maicon e Abdoulaye na margem, não tenho problemas no centro.

(+) Alex Sandro Excelente na luta contra Lavezzi, é forte e resiste ao choque de uma forma firme, forte, com intensidade, com garra. Gosto de o ver nas diagonais para o centro com a bola controlada no pé direito, sempre com os olhos paralelos à relva, a ver Moutinho ou Lucho para funcionar na triangulação, Gosto de o ver a subir mas essa já é a parte conhecida. O que estou mesmo a gostar é o de ver a defender, com critério na intercepção, inteligência no posicionamento e cada vez menos displicência na saída com a bola. Esteve muito bem.

 

(-) Os melhores no Dragão foram os piores em Paris Fernando e Varela estiveram em baixo hoje no Parc des Princes. O médio complicou em demasia a posição que deve ser das mais práticas e simples em campo. Bola chega, bola sai. Rasteira na construção, rápida na recuperação. Não tem muito que saber se o jogador é bom (e como neste caso estou a falar de Fernando, não tenho dúvida quanto à valia do rapaz) mas hoje tudo pareceu sair com excessivas brincadeiras e pouco sentido prático. O homem tentou fazer TRÊS “cuecas” sem o conseguir. TRÊS! E Varela esteve ao nível de 2011, sem brilho, a escorregar nos momentos mais certos para os contra-ataques do PSG e sem qualquer produtividade visível no ataque da equipa. Ambos saíram de campo tarde demais.

(-) O frango de Helton Foda-se. É isso, só isso. Acontece aos melhores. Foda-se.

(-) As bolas paradas Mais um golo sofrido de bola parada e é impossível deixar de correlacionar o tipo de lances do género com os golos sofridos pelo FC Porto. Não consigo perceber como é que um dos melhores jogadores do adversário em termos de bolas impactadas com a cornadura se deixa andar solto, com uma marcação à zona tão fraca. Somos uma equipa pequena? É verdade. Ganhemos na antecipação, no choque, na luta, na movimentação na área. Estou farto de tremer quando a bola é flutuada para a nossa área.

(-) Esperar pelo infortúnio dá…em infortúnio O nosso primeiro golo depois do primeiro golo deles foi excelente. A reacção a quente, forte, com impacto, a empurrar o adversário durante meros quatro ou cinco minutos de uma forma tão insistente que bastou o lateral direito subir um pouco pelo flanco e cruzar para a área que o ponta-de-lança tratou do assunto num instante. Ponto. E no início da segunda parte, numa altura em que podíamos (e devíamos, porra!) ter imposto um ritmo de jogo com a bola por nós controlada, ao invés de ficar atrás da linha de acção à espera do que é que o adversário pudesse fazer, foi exactamente isso que fizemos. Esperamos, porque jogamos para o empate durante vinte minutos. Uma fraqueza que durou tempo demais, em que nos deixámos embalar pelo jogo mais pousado do PSG e cedemos a um recuo das linhas, a uma organização mais atrás do que deveria ser forçado a acontecer numa equipa como a nossa. Não tendo nada a temer do PSG, mostrámos em campo que não os temíamos. E eles, com alguma sorte, fizeram-nos engolir a arrogância. Que nos sirva de lição.

(-) TVI Tenho algum respeito por Fernando Correia, muito mais do que tenho pelo Manha. Mas ou o homem está a perder as suas faculdades mais depressa que a direcção de Desporto da TVI quer admitir, ou está a perder o contacto com o futebol moderno e/ou com o seu oftalmologista. Foram dezenas as vezes que se enganou durante o jogo, com Manha a ser incapaz de o corrigir de uma forma adequada todas as vezes, se bem que acredito que o próprio Manha estava a achar curioso que o colega estivesse a ver o jogo de uma forma tão consistemente errada. Para lá das falhas nos nomes, nos lances, nas direcções do vento e na previsão metereológica, o relato é mau. É muito mau. É fraquíssimo, gramatical e semanticamente. É como se Ray Charles relatasse lacrosse na Mongólia. Às vezes, e não me levem a mal, acho que eles bebem vinho em directo. Muito vinho.


Sempre disse que não me preocupa nada ficar em primeiro ou segundo na fase de grupos da Champions. O que me interessa mesmo é passar à próxima fase e quem vier a caminho, que venha. E se me chamarem “menino” e “pessimista”, so be it. Não sou um optimista, nunca o fui, e continuo a achar que o FC Porto é um clube que deve tentar sempre estar presente nos dezasseis melhores da Europa. Para ultrapassar essa fase, o que me preocupa é mesmo a qualidade do plantel e acho que temos o suficiente para enfrentar qualquer adversário com os olhos firmes nos olhos deles. Seja o Barça, o Unaite ou o Baierne. Fuck’em. Venham eles.

Baías e Baronis – FC Porto 3 vs 0 Dínamo Zagreb

foto retirada de desporto.sapo.pt

Começo pelo Dínamo: não me lembro de ver uma equipa tão fraquinha a jogar na Champions, palavra. Pouco discernimento defensivo, um saco de jogadores no meio-campo e um ou outro ataque muito de vez em quando é o pouco que estes rapazes tiram de um jogo inteiro. E o FC Porto deixou-se ir no balanço da não-necessidade de acelerar acima de uma velocidade de cruzeiro que nos assenta bem e que ninguém poderia esperar que fosse assim tão diferente. Ganhámos bem, sem qualquer dúvida, com bons golos e uma ou outra jogada agradável, mas foi acima de tudo um exercício de treino, com jogadores a passo e sem se chatearem muito com o resultado ou com problemas de eventuais lesões. E não me importei nadinha porque o jogo contra o Braga está aí à porta e as prioridades, hoje à noite, estiveram bem trocadas. Mais uma vez, foi uma vitória fácil contra uma equipa medíocre e que nos assenta bem. Notas abaixo:

 

(+) Moutinho Xissa, miúdo, que belo jogo fizeste tu hoje! Para lá do livre directo (muito bem marcado), foi na luta que Moutinho esteve acima da média dos colegas (acima até do seu nível tradicional), porque recuperou muitas bolas não só pelo posicionamento mas pela luta e pela atitude. Não é à toa que os adeptos adoram vê-lo com a nossa camisola e continuo a afirmar que foi dos melhores negócios que fizemos desde que sou portista, porque é muito raro o jogo em que Moutinho está em campo a mais. As coisas podem não lhe sair sempre bem, pode falhar passes consecutivos, ocasionalmente escolher mal o timing da corrida ou da desmarcação, até pode rematar ao lado ou por cima. Mas quando João Moutinho está em campo, o FC Porto é diferente. E quando João Moutinho joga como fez hoje, inteligente, perspicaz, lutador, criativo (o calcanhar para Varela…upa upa!), o FC Porto é melhor.

(+) Mangala Muito bem na cobertura de espaços e na transição pela lateral, foi prático quando era preciso ser prático e raramente deu um metro que fosse aos avançados que lhe caíam na sua zona de cobertura. É muito alto e usa bem a força e a estatura para lutar contra o oponente directo, vencê-lo no corpo-a-corpo e sair para o ataque para tentar o desiquilíbrio. Nunca será um excelente lateral mas se fosse a Vitor Pereira, pelo menos enquanto Alex Sandro não tiver ritmo (especialmente agora contra o Braga e depois…contra o Braga), mantinha o francês na esquerda.

(+) Jackson Excelente no domínio e posicionamento para recepção da bola, correu que se fartou e lutou com todos os adversários que lhe tentaram, quase sempre sem sorte, tirar-lhe a bola. Não parece muito forte mas tem uma estupenda capacidade de choque, recebendo pancada de criar furúnculos nas costas e ombros e omoplatas e em todo o torso superior e mantendo-se estóico de pé e com a bola controlada. Foi quase sempre mal servido mas quando conseguiu alguns espaços para rematar também não foi eficaz. Merecia um golo.

 

(-) Lucho Marcou o primeiro golo, é verdade, mas durante o resto do período que passou em campo esteve “off”. Muitos passes falhados mas acima de tudo muitas transições perdidas em alturas quando podíamos e devíamos partir para ataques mais rápidos e quando a bola chegava a Lucho, as coisas paravam, travavam, amoleciam, definhavam. Não esteve mal ao ponto de ser criticado, mas também me pareceu um pouco cansado. Teve um jogo fraquinho e notou-se. Foi bem substituído.

(-) Dínamo Zagreb ou o estado do futebol croata Uma simples frase deve chegar para ilustrar o que quero dizer: o Dínamo de Zagreb, ESTE Dínamo de Zagreb, é hepta-campeão da Croácia e lidera a actual edição da Prva HNL (a Primeira Liga deles) com dez (!) pontos de avanço ao fim de 16 jogos. Uau.


Mais um milhão e mais três pontinhos para o saco, num jogo simpático, uma exibição q.b. contra uma equipa fraquinha. Surpreende-me ouvir gente a dizer que os gajos ainda criaram perigo e até podiam ter ganho, quase como se fosse um sacrilégio parar um bocadinho e descansar até o jogo de Domingo, esse sim bem mais importante que este. E afinal de contas o PSG acabou por ganhar à equipa do gordo, por isso é mesmo para decidir o primeiro lugar em Paris. E valerá a pena? Com equipas como o Milan e o Real Madrid em segundo lugar? São piores que Barcelona ou Manchester United? Não sei que vos diga.

Baías e Baronis – FC Porto 5 vs 0 CS Marítimo

Cheguei cedo ao estádio. Já com dois cafés no bucho depois das 18h, encontrei dois dos meus amigos/colegas de bancada em conversa intercalada com bocejos lá íamos debatendo as últimas novidades nas nossas vidas, passando o tempo até entrarmos pela porta (dezanove, claro) de entrada para o Dragão. Tinha dormido mal e estava cheio de sono, o dia de trabalho foi rotineiro e pouco entusiasmante depois de uma semana intensa. Cansado, ensonado, subi a interminável escadaria na companhia da malta boa que comigo se habituou a ver o jogo, mas desta vez ia mortiço. Precisava de algo que me acordasse…e a brilhante pentângulação do primeiro golo foi o primeiro estalo que levei nas bochechas, logo se seguindo aquela obra de arte do rapaz que hoje jogou com o número dezassete e que tantas vezes tem feito por merecer as minhas críticas. Hoje, vergo-me perante ele e perante a equipa, porque me despertou e fez um dos melhores jogos do ano. Não há nada a dizer de negativo, há que aproveitar o descanso de uma grande exibição e dar os parabéns à equipa. Vamos a notas:

 

(+) A dinâmica da equipa A maior mais-valia do FC Porto actual vê-se quando James se junta a Lucho e Moutinho no meio-campo e começam a trocar a bola com um rendilhado difícil de igualar e com resultados visíveis. A jogada do primeiro golo é trabalhada, treinada, e fruto de um misto de rotina com inspiração que um equipa com um avançado como Jackson está a mostrar ser, letal. É isto que os adeptos pedem a Vitor Pereira, que dê hipótese a que os jogadores gostem de jogar juntos, que se enquadrem num plantel que tem opções múltiplas, umas melhores que outras como em todos os plantéis, mas que quando as mais válidas e talentosas estão em campo possam pôr na relva tudo o que os coloca no topo da lista. Hoje, como já vimos noutros jogos este ano (contra o Guimarães ou o Paris Saint-Germain, por exemplo), fomos muito melhores porque fomos unidos, inteligentes e criteriosos no passe, na retenção da bola e na busca do cenário certo no momento certo. E os adeptos agradecem, aplaudem e sorriem.

(+) James Sim, o segundo golo foi um lance de sorte, mas foi das poucas situações em que a sorte ditou o que James produziu, já que o resto foi tudo dele. Muito boas desmarcações e excelente a descair do flanco para o centro quando a equipa precisa de rodar a bola com inteligência e capacidade técnica e visão global de jogo, nem sempre é pelo meio que cria mais perigo, mas é certamente por aí que faz com que o jogo flua com mais intensidade e progressão ofensiva. Está a conseguir uma posição na equipa que o está a transformar numa das principais figuras da equipa não só pelo nome e pelo potencial mas pelo futebol jogado em campo. E isso é bem mais importante que vários Sequins de Ouro da bola mundial.

(+) Jackson Já me convenceu. No início tive dúvidas quanto ao seu valor pela aparente falta de mobilidade e entrosamento com os colegas, até porque o investimento tinha sido alto e estava à espera que fosse uma questão cesariana de chegar, ver e vencer. Mas percebo agora que é um jogador diferente de Falcao, menos goleador “à boca do golo” e diferente na movimentação na área e em progressão. Ambos os golos que marcou são fruto de inteligência posicional e facilidade técnica no controlo da bola e do corpo perante a bola, especialmente pela forma como se movimenta na última linha de defesa do adversário e sempre a centímetros do fora-de-jogo, como um Filippo Inzaghi núbio com sotaque espanhol. Gosto do moço.

(+) Varela Não há dúvida nenhuma na minha cabeça que Silvestre Varela é, por mérito dos últimos jogos em que esteve em alta, titular absoluto do FC Porto. E é-o porque é mais jogador que o novo pretendente ganês que ganhando pontos pela juventude e irreverência, perde em experiência e discernimento táctico para o português. Hoje, Varela esteve em bom plano pelo jogo que fez e pela agressividade que colocou em campo ao serviço da equipa, pela luta que travou com tudo que lhe aparecia pela frente e por nunca desistir quando achava que tinha hipótese de triunfar. E marcou um golo que fica na memória de todos que hoje estiveram no Dragão. Bom jogo, rapaz.

 

(-) Marítimo e a complacência da arbitragem Não fosse o resultado ter-se avolumado facilmente e o jogo podia ter caído para as profundezas de um inferno de pancadaria caso os jogadores do FC Porto perdessem a cabeça com as entradas do adversário que começaram a enervar os adeptos. Quando a defesa do FC Porto é composta por nomes como Mangala, Otamendi e Abdoulaye, juntamente com um Defour que hoje parecia ter bebido sete latas de Coca-Cola antes do jogo tal foi a vontade com que entrou para acertar em alguém, um ou dois pequenos incidentes podem descambar em estupidez generalizada e sangue quente a mais. Não aconteceu (mérito aos nossos moços) e Cosme Machado teria culpas se tivesse acontecido, tal era a displicência com que lidava com algumas patadas que os madeirenses acertavam em James ou Lucho. Vá lá, correu bem.

(-) As lesões Maicon, Fernando, Helton e depois Lucho. Parece azar demais para ser verdade mas não houve uma única substituição táctica na equipa do FC Porto hoje à noite já que todas elas foram fruto de lesões dos titulares que tiveram de sair para dar lugar aos colegas que se colocaram nos mesmo sítios, com as mesmas características mas estilos bem diferentes. E não sei porque é que Lucho continuou em campo, porque pareceu-me ver Vitor Pereira e Nelson Puga a mandarem o rapaz sair de campo ou, no mínimo, encostar-se à direita em troca com James para que não tivesse de percorrer muitos metros com uma possível lesão. Não sei se algum recuperará para Kiev, mas é um motivo de preocupação para todos. Imaginam um onze na Ucrânia com Fabiano, Miguel Lopes, Otamendi, Abdoulaye e Mangala, Defour, Danilo e Moutinho, Varela, James e Jackson? Uau.


Do jogo de hoje sobrressai ainda uma nuance mais evidente: quando o FC Porto joga perante uma equipa que não se fecha lá atrás no casulo da sua própria rede defensiva, os resultados são brilhantes. Há alturas em que parece estarmos a ver um grupo de rapazes genuinamente entusiasmados com o estilo de jogo que apresentam e crescem à medida que o jogo vai avançando. Para lá da excelente visão de James, do instinto de Jackson ou do esforço de Lucho em terminar um jogo com dores, a questão coloca-se: porque é que não jogamos sempre desta forma? Não sei explicar, mas hoje também não quero. Só quero apreciar esta charutada que demos aos nossos amigos madeirenses. Pum. Vezes cinco. Soube muito bem.

Baías e Baronis – Estoril Praia 1 vs 2 FC Porto

Ainda há-de haver um jogo fora do FC Porto nesta liga em que não me dê um pequeno fanico a meio. Não sei o que se vai passando pela cabeça dos jogadores quando optam por não entregar o corpo nem a alma até que cheguem a uma situação que possa trazer instabilidade para o resultado final e os ponha de forma a que um feijão não consiga caber no esfíncter de cada um. E temi que nos acontecesse o mesmo que em Vila do Conde ou em Barcelos, mas acabamos por ter a mesma sorte (conquistada graças a uma boa meia-hora na segunda parte) que tivemos em Olhão. Mas custa-me ver que basta acelerar um bocadinho para conseguir marcar um golo…mas mal nos apanhamos na frente, logo volta a passividade e entregamos a bola ao adversário para continuar a sofrer voluntariamente até ao final do jogo. Talvez os adeptos sofram mais que os jogadores, mas há sofrimento, pelo menos para mim. Notas abaixo:

 

(+) Jackson Parece mais rápido, mais prático e mais solto que quando cá chegou. Melhor, portanto, na linha do que seria de esperar depois de algumas semanas de adaptação. E estou a gostar do que vou vendo no colombiano, com boa noção de baliza, inteligência para servir como pivot no centro do ataque e acima de tudo com um posicionamento muito bom e sempre atento às movimentações dos colegas. Um dos centrais do Estoril sacou-lhe um golo feito depois de um lance de Varela, ainda na primeira parte, mas a desmarcação a antecipar o passe do colega foi exactamente o que espero de um ponta-de-lança. Foi o melhor em campo do FC Porto, para lá do golo da vitória.

(+) Otamendi Gostei muito de Otamendi na zona defensiva, a jogar muito prático, sem passes parvos a 40 metros e a levar a bola para a frente sem correrias loucas a fintar meio-mundo. Falhou um golo que era mais fácil de marcar mas salvou várias bolas no centro da área (não teve culpa no golo, para lá de estar envolvido no marasmo que é a nossa defesa em bolas paradas…ver abaixo) e tapou bem as subidas de Mangala que tentou o que pôde, como pôde, quando pôde. Otamendi é um jogador que não vai parar de oscilar ao longo de toda a sua carreira, alternando o perfeito com o excesso de confiança até ser velhote. É o que temos.

(+) O apoio dos adeptos portistas Muita gente portista hoje a apoiar a equipa, nunca desanimando e a dar uma amostra do que Pinto da Costa conseguiu fazer ao longo dos seus mil jogos (uma vénia, NGP!) como presidente do FC Porto: agora temos muita gente em todo o país que apoia o clube nas suas deslocações, algo que era impensável nestes números aqui há uns anos. Parabéns à malta que lá esteve, só espero que não tenham ficado muito chateados com a primeira parte.

 

(-) Passividade Chateia-me que um jogador do Estoril chegue primeiro à bola que um do FC Porto. Chateia-me que um ressalto seja conquistado por um jogador do Estoril porque um do FC Porto não meteu o pé à bola. Chateia-me que um jogador do FC Porto não consiga dar três passos sem se ver rodeado por adversários de amarelo só porque os colegas não se mexem para receber o passe. Mas o que mais me chateia é mesmo ver que temos de estar a perder para que haja uma reacção visível e activa contra as forças do infortúnio. É verdade que podíamos ter marcado vários golos e que os próprios jogadores pareceram mostrar, na entrada para a segunda parte, que estavam interessados em jogar a um ritmo mais elevado que tinham feito na primeira, mas chateia-me dar 45 minutos de avanço ao adversário. Fazemos isto vezes demais para que possa considerar uma situação ocasional e é o principal ponto que Vitor Pereira terá de analisar com o ponto de vista de melhorar a atitude competitiva. Nem todos os clubes são o Benfica ou a Juventus, o Bayern ou o Barcelona. Mas num campeonato, é contra estas equipas que se constroem as pontes que nos permitem encarar esses jogos com mais tranquilidade. E este ano já lá foram quatro pontinhos para o demónio porque os jogadores não se mentalizaram que todos os jogos são para vencer. Chateia-me e devia chatear Vitor Pereira.

(-) As bolas paradas defensivas Parece que não adiantou o jogo contra o Dínamo, porque apesar deste Estoril não ter um rapaz que marque cantos como o Miguel Veloso, parece tão fácil marcar golos contra o FC Porto neste tipo de lances que me espanto não haver equipas que tentem com todas as forças sacar canto atrás de canto contra nós. As marcações são lentas, nada incisivas, e a táctica do “vou ficar a olhar para ele para o distrair com a minha capacidade de telecinésia”. Não funciona, meus caros, parece que vão mesmo ter de saltar e atacar a bola antes que o adversário o faça. E não consigo entender como é que ninguém ainda se apercebeu disto, tantos têm sido os lances de perigo que deram em golo (ou quase) na nossa baliza. Ah, espera, já se aperceberam. Só que ainda não deram a volta a isto. A resposta? Practice, practice, practice!


Correndo o risco de discordar com a minha própria introdução, a verdade é que conquistámos três pontos num campo complicado, com os nossos adeptos a irem em grande número para apoiar a equipa, que apesar de não ter feito um jogo excepcional conseguiu fazer com que nos safássemos de 40% das deslocações ao sul com vitórias. Ficam a faltar três jogos abaixo do Mondego e o resto fica cá por cima ou na Madeira. Olha, por falar nisso, na sexta-feira vem cá o Marítimo ao Dragão. Espero que o jogo seja mais calmo que o de hoje.

Baías e Baronis – FC Porto 3 vs 2 Dinamo Kiev

Pensei que ia ser um jogo tranquilo, mas rapidamente percebi que já não há jogos tranquilos com este FC Porto. Toda a partida foi disputada a um ritmo tão lento, vagaroso, com fraca qualidade de passe e rotação, jogadores constantemente parados à espera que a bola lhes chegasse aos pés e uma enervante incapacidade de manter o esférico no relvado. Não vi vontade de jogar para ganhar, para arrumar o jogo cedo e chegar a três vitórias noutros tantos jogos. Hoje, os jogadores não estavam para aí virados e insistiram em cometer erros infantis e displicências de um amadorismo inexplicável. Conseguimos vencer o jogo porque a eficácia, outrora tão ausente dos nossos pés, hoje fez uma aparição na altura certa e no lugar certo pelos…pés de Jackson e de Lucho, talvez os únicos que se safaram com notas positivas. Enfim, valeram os três pontos. Notas abaixo:

 

(+) Jackson Finalmente, golos normais, de ponta-de-lança, a aparecer no momento certo a receber os passes dos companheiros e a desmarcar-se na perfeição para acertar na baliza em condições, ao contrário do que tinha feito em Zagreb. Parece estar mais habituado ao nosso estilo e tem razões de queixa dos companheiros porque por diversas vezes conseguiu controlar bolas pontapeadas sem grande preocupação de pontaria por Helton ou Maicon…e não tinha ninguém para quem as passar. Se o primeiro golo é um excelente movimento para um avançado, a aguentar a carga do central ucraniano e a passar a bola por baixo do guarda-redes, o segundo é exactamente o que se pede a um ponta-de-lança: estar no trajecto da bola em condições de marcar. Salvou a equipa, quase sozinho.

(+) Lucho Correu que se fartou e teve ainda de aguentar o jogo inteiro, ele que não deve ter assinado contrato para jogar mais de 70 minutos por jogo foi um dos poucos que esteve ACIMA do ritmo dos colegas, o que é obra tendo em conta a habitual passada lenta do argentino. Duas assistências e muitas tentativas de animar a equipa fizeram dele uma das figuras do jogo, mas surpreendeu-me mais pela pressão alta que continuava a fazer no meio-campo contrário. Bom jogo.

 

(-) A lei do menor esforço Devo dizer que Vitor Pereira me surpreendeu quando a equipa surgiu sem alterações para a segunda parte e ainda mais quando vi que no final apenas tinha rendido três dos seus homens de campo. Digo isto porque a ideia com que teria ficado, caso não soubesse que o jogo contava para a terceira jornada da fase de grupos da Champions League, era que o Dínamo tinha vindo à Invicta para um particular a meio da temporada e ia ser um daqueles jogos chatos em que se muda meia-equipa ao intervalo e os onze que terminam não são os que a começam. Porque foi um jogo inteiro de esperar que o adversário fizesse alguma coisa para que a equipa pudesse espevitar (ma non troppo) e procurar marcar um golo para fechar o jogo. Mas só um, que trabalhar faz calo e isto até se está bem aqui sem cansar muito. James andou perdido grande parte da partida (vêem agora porque é que quando um “10” está em baixo a equipa sente ainda mais que ele?), Danilo raramente conseguiu subir pelo flanco, Mangala não sabe subir pelo flanco (faz lembrar Maicon no ano passado a jogar à direita, faz o que pode), Varela pouco mais fez para lá do golo e até Fernando perdeu algumas bolas por atitudes displicentes. Foi fraco, muito fraco para quem estava claramente a subir de produção até ao jogo com o Sporting e não me convenço que foi a paragem competitiva que lhes tramou a confiança. Foi preguiça, só isso, preguiça. Foi a falta de vontade de mostrar ao Dínamo, como tiveram contra o Paris Saint-Germain, que quem manda somos nós e mandamos porque somos muito melhores. Equipas como esta de Kiev (como o Rio Ave antes dela, com as diferenças ajustadas para a competição em que as defrontamos) arriscam-se a ganhar pontos ao FC Porto quando os nossos rapazes se acham superiores a terem de sujar os calções para vencer um jogo. Não gosto de arrogância prematura quando há muito ainda para provar e por isso não gostei do jogo de hoje.

(-) Moutinho Um jogo totalmente off do João. Falhou mais passes hoje à noite que em toda a época 2010/2011 e nunca pareceu confiante em levar a bola para a frente ou criar linhas de passe em movimento. Displicente a receber a bola, fraco nos passes de retorno e inconsequente nas desmarcações, foi pouco mais que uma parede a três dimensões que passeou pelo relvado a ritmo de treino sem nunca conseguir entrar no jogo. Saiu bem, apesar de Defour pouco ter trazido de novo ou de muito mais produtivo.


É verdade que ainda podemos não nos qualificar para a próxima fase, o que seria injusto mas perfeitamente ao alcance de uma equipa de duas caras como esta do FC Porto de Vitor Pereira. Quem este ano apenas tiver assistido aos dois jogos do FC Porto no Dragão a contar para a Champions, devem pensar que o equipamento secundário traz com ele uma dose de calmantes e uma garrafa de brandy, porque comparar a partida de hoje com o que se fez contra o Paris Saint-Germain é pura brincadeira. Não consigo entender como é que se entra em campo tão motivado a não fazer quase o mínimo exigível para uma equipa que quer ser grande mas que insiste em ter performances abaixo do que pode e sabe fazer. Não consigo entender, palavra.