Ouve lá ó Mister – Arouca

Mister Paulo,

Já estamos todos mais calmos depois daquela desilusão de terça-feira. Fomos todos levados ao estádio a pensar que podíamos sair de lá com os três pontos e a primeira hora ainda nos deixou com a imagem de uma vitória e começou tudo a fazer contas aos milhões e que grande vedeta que era outra vez o Jackson e o Varela e os amigos todos. Até que…caquinha a dobrar, Paulo! Nem foram tanto os golos sofridos ou a derrota em si que nos incomodou e tu sabes disso. Foi a forma como o Atlético parecia que estava só “going through the motions” na forma como nos desfez o meio-campo com aquela pressão alta e nos incapacitou de uma maneira tão fácil, tão básica…fiquei triste, pá, a sério que fiquei. Não diria que estava nas nuvens antes do jogo e agora estou no inferno…talvez estivesse em frente a São Bento e agora cheguei à Ribeira. Só não preciso de ir parar ao Douro.

E tudo depende de ti e da forma como os rapazes reagirem hoje à tarde em Arouca. Eu sei que os rapazes são novos nestas coisas, mas nós precisamos de uma vitória das boas, Paulo. Todos nós precisamos de perceber que as coisas vão melhorar e que não vamos ter muitos “Atléticos” este ano. Ninguém aguenta muitos jogos daqueles e corres o risco de perder ainda mais confiança de muitos sócios que te vão atirar para cima com pressão como nunca sentiste na tua carreira. Acredito que a consigas ultrapassar, mas só com resultados lá chegas. E hoje é perfeito para espetares dois ou três batatas nestes novatos que têm boa vontade mas pouco mais que isso. E tira aquele sorriso trocista do focinho do David Simão. A sério, aquilo enerva.

Sou quem sabes,
Jorge

Baías e Baronis – Estoril 2 vs 2 FC Porto

foto retirada do maisfutebol

Fomos roubados hoje na Amoreira. Os adeptos portistas que lá se deslocaram, juntos com os que viram pela televisão, os que não puderam ver o jogo em directo e os que nem sequer viram o jogo de propósito (sim, meus caros, há muitos portistas assim), todos eles foram despudoradamente assaltados hoje à noite. Roubaram-nos a alma. Tiraram-nos a estrutura que tínhamos, a inteligência competitiva, a capacidade de resistir a uma pressão que empurra com a força de um infeliz sem-abrigo que dorme ao relento em noites de inverno. Pilharam a calma de uma defesa férrea que oxidou e não parece resistir a semi-equipas e avançados lutadores mas pouco mais. Pior, roubaram-nos um meio-campo que betumava buracos e abafava contrariedades com espírito de luta. Ah, e houve um penalty marcado fora da área e um putativo golo em fora-de-jogo. Nem liguei. Foi mais triste ver o FC Porto incapaz de lutar e de o fazer com convicção. Perdemos os primeiros pontos por culpa própria e ainda custa mais quando assim é. Notas, tristes, abaixo:

(+) Lucho. O capitão continua em alta e mostra em campo que a inteligência habitualmente vence a voracidade competitiva. El Comandante não tem pernas para muito, mas controla a bola com a genialidade de poucos e se tivesse malta com vontade de o acompanhar com estoicidade táctica e desejo de vitória permanente, não estávamos agora a lamentar a perda de dois pontos. Lucho em 2013/2014 joga mais à frente com uma perspectiva ofensiva dedicada quase em exclusivo ao jogo de frente para a baliza, ao contrário do que se tinha visto no passado recente, com a perspectiva de criar os espaços na frente que possibilitem aos avançados receber a bola em condições. Houvesse mais como ele…

(+) Licá. Lutador e esforçado como poucos, foi dos poucos que conseguiu ter a clarividência de avançar com a equipa para a frente e recuar quando era necessário. Marcou o primeiro golo porque acreditou que a bola passava…e passou. Tem mostrado melhores pormenores técnicos de base (domínio, passe…) mas é no espírito de luta que ganha, por exemplo, a Varela, Marat ou Kelvin, e continuaria a apostar nele para titular.

(+) Fernando. Falhou muitos passes mas foi esforçado e ao contrário de alguns colegas mostrou que não está bem quando perde sequer uma bola, que fará várias. Não se sente bem no esquema táctico, é evidente pela postura em campo, mas tenta compensar no que pode. E é deste tipo de gajos que precisamos, dos que ficam fodidos quando as coisas não correm bem. Acredita, miúdo, adapta-te e vais ver que rendes muito mais.

(-) Otamendi. Há-de haver qualquer merda que estejam a meter-lhe no mate que lhe anda a comer a cabecinha. Nos últimos jogos tem sido uma sucessão de parvoíces e apesar de não ter tido culpa no pseudo-penalty, fez o suficiente nos outros lances para ser colocado a apanha-bolas no próximo treino. Sim, é argentino e empiricamente espera-se sempre alguma instabilidade emocional e competitiva nestes moços, mas tem sido uma peça a menos. Mangala também não esteve bem, mas ainda assim conseguiu ser melhor que o colega, que podia/devia ter sido expulso ainda na primeira parte e que falhou com a consistência de um bloco de betão armado na maioria dos lances onde esteve envolvido. Esperam-se melhores dias.

(-) Organização táctica e fibra moral Somos uma equipa pequena, neste momento. Somos reactivos em vez de activos e parecemos ter regredido a uma fase no primeiro ano de Vitor Pereira (para ser mauzinho, até podia dizer que tínhamos voltado ao tempo de Octávio em termos de construção de jogo) onde os centrais chegavam ao meio-campo e olhando para a frente procediam a enviar a bola para a frente sem grande critério, esperando que algum arcanjo descesse do céu e colocasse a bola na baliza. Há uma lei de menor esforço vigente no FC Porto em Setembro de 2013, onde o meio-campo recuado não se entende, os extremos não o são ou não agem como tal, os laterais parecem distraídos e sobem pouco (ao contrário do que fizeram na Supertaça, por exemplo), o avançado parece alheado do jogo e não recua para os locais de recepção…e nem começo a tentar perceber o que transformou dois belos centrais em defensores tão permeáveis nestes últimos jogos. Acima de tudo falta ânimo, garra, vontade. Foda-se, falta muito ânimo, muita garra, muita vontade. Eu e todos os portistas queremos ver os azuisibrancos (ou só brancos como hoje) a chegar primeiro às bolas, mesmo que a equipa adversária seja mais rija, mais viril, mais bruta. Quero-os ver a arrancar relva com os dentes de fúria, a pontapear postes depois de falharem um remate, a empurrar o apanha-bolas de um qualquer adversário para acelerar o jogo. Não tenho visto nada disso nos últimos três jogos. Três. O primeiro, perdoa-se. Ao segundo, questiona-se. Ao terceiro já parece de propósito.


Abanei, mais uma vez, mas não caio. Não caio, caralho, não me deixo cair perante adversidades. E a inconsistência táctica e exibicional tem de ser corrigida com trabalho, com cada vez mais trabalho e com a construção de uma equipa que sirva para enfrentar dezenas de equipas como o Estoril e vencer sem problemas. E nos jogos grandes é nosso dever fazer o mesmo, ou morrer a tentar. Não caio. Não vamos cair.

Ouve lá ó Mister – Estoril

Mister Paulo,

O jogo na Áustria já passou, mas não passou de vez. Se leste o que escrevi aqui há uns dias, já começas a perceber como é que a malta funciona e o nível de expectativa que vais ter de cumprir para nos agradar. Lembras-te daquele rapaz que cumprimentaste em Paços antes do jogo acabar? O que foi bicampeão e que agora está no meio do deserto a pregar aos mouros? Pois, é nesse nível.

E já todos entendemos que a equipa está em construção (uns mais que outros) mas até uma casa que está ainda com as paredes a meio, já tem de ter pelo menos uma tenda ou qualquer oleado parecido para nos abrigarmos das intempéries que possam por aí vir. Estas coisas não são parvoíces da turba, Paulo, isto é o sentimento de toda a malta de dentro e de fora do clube, que não se importa que dês as tuas ideias aos rapazes mas entretanto tem de haver futebol. Nem nos podemos queixar, carago, sempre são cem por cento de vitórias em várias competições e por isso ninguém te pode chatear a cabeça por causa dos resultados. Mas os últimos dois jogos foram fraquinhos e tu sabes disso e até já o vieste dizer em público, o que me deixou bastante satisfeito pela tua honestidade. Mas olha que em Viena não disseste a mesma coisa…tem lá cuidado com as incongruências que os maldizentes vão-te massacrar a cornadura à primeira falha.

Hoje é mais um para ganhar. Vamos a lógica, tão simples e prática para quem não percebe nada da bola: o Estoril perdeu com o Sevilha; nós ganhámos ao Áustria de Viena. Eles jogam na Europa League e nós na Champions. A Champions é melhor que a Europa League. Ergo, nós somos melhor que o Sevilha e portanto somos melhores que o Estoril. É isso.

Sou quem sabes,
Jorge

Os meus quatro Onzes – Parte IV

Completo a sequência dos meus quatro onzes-tipo dos últimos trinta anos com a era “Tetra, Villas-Boas e Vitor Pereira – De 2005/2006 a 2012/2013“, que teve três distintos elementos diferenciadores. O primeiro de domínio intenso pelas mãos de Co Adriaanse e Jesualdo Ferreira, o segundo com a glória europeia na única época de Villas-Boas e o terceiro com alguma instabilidade que ainda assim terminou com a conquista de dois campeonatos pelas mãos de Vitor Pereira. Sem mais demoras até porque o post vai ser longo, aqui está o elegante onze:

Há várias opções para qualquer um dos lugares e talvez pela frescura das memórias recentes tive bastante dificuldade em optar por apenas um jogador em grande parte das posições. A História dirá se terei feito a opção certa, mas a verdade é que se torna muito complicado fazer este tipo de escolhas quando os jogadores ainda estão em actividade e as recordações tão presentes. Ainda assim, vamos a algumas explicações.

Começando pela baliza, Helton é um nome que não pode ser contestado. Digno sucessor de Baía, teve em Beto o único rival à altura durante o tempo em que o português fez parte dos plantéis desse período, alternando apenas com o brasileiro em 2010/2011, numa altura de abanão da equipa que não teve os resultados pretendidos. Na defesa é que começam as dúvidas. Na lateral direita tinha três nomes à escolha e optei por Bosingwa, pelo simples facto de ter sido o titular absoluto durante quatro épocas consecutivas, semeando o terror pelo seu flanco sempre que subia no terreno. Jogou com Adriaanse e Jesualdo da mesma forma, com agressividade e muito sentido ofensivo. De fora ficam dois nomes que me deixam um nó no estômago por não figurarem no onze, mas é exactamente por isto que escolher apenas onze jogadores é uma tarefa ingrata e injusta. Fucile e Sapunaru foram essenciais na conquista de vários campeonatos e da Europa League em 2010/2011 e qualquer um dos dois seria escolha natural se o “Zé” não tivesse tido o impacto no clube durante tanto tempo. Do outro lado, temos Álvaro Pereira a bater Alex Sandro não pelo talento mas pela presença em três estupendas épocas, uma delas com conquistas europeias. O uruguaio, goste-se ou não do estilo e mantendo ainda os estigmas do passado recente, nomeadamente da sua saída, foi mais importante que o brasileiro…pelo menos até agora. De fora fica também Cissokho, que com apenas meio ano de presença no clube fez do negócio conseguido uma mais-valia superior à (muito boa) performance em campo. No centro, ainda mais dúvidas. Originalmente tinha optado por Otamendi e Pedro Emanuel, mas troquei o argentino por Bruno Alves. Não o fiz, à semelhança do que aconteceu com Álvaro, por uma questão de talento, mas por influência e pelo facto de ter sido capitão do FC Porto durante vários anos. É um estatuto que, na minha opinião, ultrapassa o número de jogos e/ou a capacidade individual. Bruno Alves e Pedro Emanuel, o segundo pela força e papel que desempenhou nos vários anos que usou a nossa camisola, são os elementos deste onze, que deixa de fora Pepe, um central estupendo e vital na equipa de Adriaanse e Rolando, titularíssimo durante três épocas. Ambos perdem aos pontos para os dois escolhidos, mais uma vez segundo os meus critérios.

Passando para o meio-campo, mais um momento de possível discórdia. Fernando bate Paulo Assunção, João Moutinho encosta Raul Meireles e Lucho González será talvez o único a recolher unanimidade, passando à frente de Diego, Guarín e Belluschi. Se na batalha dos trincos Fernando leva vantagem por ocupar o lugar durante mais tempo e recolher mais títulos que o compatriota, Moutinho bate Meireles pela influência que teve em três anos consecutivos de magia ao meio, de forçar a equipa a jogar ao seu nível e de ajudar a criar a equipa-maravilha que venceu a Europa League em 2011 (e enquanto escrevo isto vou-me apercebendo que Meireles é mais um dos muitos exemplos que faz com que estes onzes sejam mais frustrantes de cada vez que penso neles…). Lucho é já um dos grandes nomes do FC Porto de sempre e apesar de ter falhado a conquista da Europa League, foi durante vários anos o jogador principal da equipa dentro e fora de campo, reunindo simpatias de todos os cantos do mundo e mantendo a classe e a dignidade como futebolista e como homem. De fora ficam Diego, com talento mas mal aproveitado; Anderson com muito brilho mas pouco tempo no clubem apesar do negócio fabuloso que o levou a ser estragado em Manchester;Guarín e Belluschi, essenciais na caminhada e no triunfo até Dublin. Qualquer um destes fica muito longe do argentino.

Chegando finalmente ao ataque, apenas um nome me deixou com algumas dúvidas por ficar de fora: Ricardo Quaresma. Foi ele quem durante quatro anos dinamizou a ala direita do clube, jogando com Bosingwa ou Fucile sempre ao mesmo nível e com um talento e técnica individuais difíceis de ultrapassar. Mas perdeu para Hulk porque…Hulk é uma figura, tal como Cubillas foi no seu tempo. É impossível para qualquer portista ficar indiferente ao brasileiro, pela dependência com que deixou a equipa durante vários jogos, pela influência que tinha no jogo colectivo e acima de tudo pelos golos. Hulk será sempre um nome histórico no FC Porto, mais até que Quaresma. Nas outras posições, Lisandro López reúne consenso e ultrapassa Varela ou Tarik com uma presença a fazer lembrar Derlei, com movimentação constante na frente e uma atitude “never say die” que encantava os adeptos. Saiu no mesmo ano de Lucho e acabou por não vencer a Europa League, mas foi um nome muito querido dos adeptos e de todos que gostavam de futebol. E para finalizar, o centro do ataque, com um nome que não poderia ser outro: Falcao, sem qualquer dúvida, foi dos melhores pontas-de-lança que passou pelo FC Porto (e diria por Portugal), e nas duas épocas que por cá andou deixou a sua marca de qualidade que fará com que ninguém que tenha visto alguns dos seus jogos (o “poker” contra o Villarreal ou o golo na final de Dublin) alguma vez se venha a esquecer do colombiano. A alguma distância ficam Jackson Martinez, com uma excelente época mas ainda com provas para dar e os mais antigos Adriano, importante na era Jesualdo e Farías, o principal suplente do plantel durante vários anos.

Et voilá. Para rever os três primeiros onzes, têm aqui os links em baixo:

Opiniões?

Baías e Baronis – Paços de Ferreira 0 vs 1 FC Porto

foto retirada do MaisFutebol

“Ao intervalo, enquanto falava com o meu pai, dizia-lhe que mais cedo ou mais tarde íamos chegar aos golos e dávamos a volta a isto.”. Esta foi a primeira frase do que escrevi depois da primeira jornada em Setúbal e raios me partam se não disse exactamente a mesma coisa, à mesma pessoa, nas mesmas circunstâncias. Mas desta vez, foda-se, custou. Custou porque Jackson só atinou com a baliza de cabeça depois de ter falhado setenta e dois remates cruzados com o pé esquerdo. Licá trabalhava, Josué trabalhava, Fernando trabalhava, porra, todos trabalhavam, havia jogadas criadas com cabecinha e a bola só não entrou quatro ou cinco vezes na baliza do Paços por qualquer tipo de intervenção divina do Deus das Camisolas Amarelas. Enfim, ganhámos e ganhámos bem. Vamos lá às notas:

(+) Otamendi. Teve uma ou outra falha, nada de especial, mas foi o melhor jogador da defesa a defender e a atacar. Alex Sandro esteve bem a subir mas deu muito espaço ao flanco direito do Paços, Fucile entrou distraído e apesar de um ou dois bons cruzamentos, perdeu muitas bolas, tal como Maicon, que esteve bem quando quis ser prático, mas absurdamente mau quando ignora as leis básicas da defesa eficaz: não deixes que o avançado chegue à bola antes de ti, mesmo que esse avançado seja um anão loirinho. Otamendi foi o Nico do costume, com slide tackles (e já agora, diz-se “técls” e não “teicle“. estou muito farto de ouvir “teicle“. muito.) que deviam vir em livros de Football 101, bem pelo ar, prático na rotação de bola e sem exageros na criação ofensiva. Muito bem.

(+) Helton. Impecável a defender um remate de Sérgio Oliveira (é assim que se tratam os teus patrões? mais respeito, faxabor!) e ainda melhor na mancha depois da paragem cerebral de Maicon. Aliás, esteve bem a defender…tudo. Pouco trabalho, mas muito importante pela segurança que deu aos colegas da defesa e ao resto da equipa.

(+) As bolas-paradas de Josué e Quintero. São diferentes porque criam mais perigo. Porque criam perigo, perdão, já que há vários anos que ando a ver cantos marcados por um jogador que está a tentar acertar num balão, o que faz com que qualquer melhoria seja um bálsamo que acalme o meu infeliz coração. Gostei de ver, quero mais.

(+) Anda, Licá, corre só mais um bocadinho! Este gajo não se cansa? A sério? Marcava noventa mais qualquer coisa no canto superior esquerdo da televisão, montes de gajos com câimbras e o guedelhas andava para ali como se o jogo tivesse começado há dez minutos. Estão a ver o que digo? Não fez grande coisa, mas mantém os outros pressionados e nervosos. Boa, moço.

(-) Ineficácia. Vinte e seis remates. Há jogos assim, acontecem na 3ª Divisão búlgara, na Liga de Amigos das Estátuas da Ilha da Páscoa e nós não somos imunes a isso. Mas há jogos que me levam a ficar nervoso, palavra, porque começava a parecer injusto demais não termos já enfiado três batatas na baliza do Degra e a equipa continuava a não conseguir meter a bola lá dentro e CHUTA, RICARDO, OH FODA-SE que lá vai outra pro keeper e ANDA JACKSON, É FÁCIL! pronto e lá foi mais uma. São oportunidades a mais sem serem concretizadas e não podem deixar que seja um hábito. Dão-me cabo do batente.

(-) Defour. Falhou passes a mais e perdeu em protagonismo para Fernando, que travava um duelo interessante com André Leão, onde cada choque no meio-campo abanava o estádio só mais um bocadinho. Hoje, pela primeira vez nesta época, concordei com a saída.

(-) Paços, só mais um. Iludo-me naqueles momentos do jogo em que vejo a equipa adversária, em campo ou na têbê, vejo o onze e penso: “é hoje que estes cabrões nos vão empurrar para a defesa”. Raramente acontece. E o Paços podia perfeitamente ser uma dessas equipas, mas em vez de fazer como fez o Setúbal, que veio para cima de nós e nos obrigou a trabalhar a sério apesar de falhar alguns golos, o Paços de hoje limitou-se a ficar a olhar para a faca e a esperar que não descesse. Aborrece-me ver equipas que defendem sempre com onze, mas aborrece-me ainda mais quando o fazem a jogar em casa.


Só uma pequena nota: Jackson, com este tipo de jogos em que tenta rematar tantas vezes e quase todas saem ao lado, arrisca-se a ficar cansado e a necessitar de uma ou outra jornada a descansar. E só deixa que a ineficácia seja um problema se quiser. Está tudo na cabeça dele e hoje, ao que parece, esteve mesmo.