Passaram todos pelo mesmo, mas só alguns se safaram

Desde que comecei a ver futebol ao vivo, no início da última década do século passado, muitos têm sido os motivos de crítica dos diversos treinadores que passaram pelo FC Porto:

  • Carlos Alberto Silva foi criticado pelo estilo taciturno e pelo futebol aborrecido;
  • Tomislav Ivic foi criticado por ser demasiado defensivo;
  • Sir Bobby Robson foi criticado pelas más contratações e pelas substituições tardias;
  • António Oliveira foi criticado pela excessiva rotatividade da equipa-base;
  • Fernando Santos foi criticado por não conseguir manter as estrelas sempre motivadas;
  • Octávio Machado foi criticado pelo estilo de jogo duro e sem beleza;
  • José Mourinho foi criticado (sim, até Ele!) pela arrogância e pelo excessivo pragmatismo;
  • Luigi Del Neri foi criticado pela introdução à força de tácticas revolucionárias para o clube;
  • Victor Fernandez foi criticado pela incapacidade de saber lidar com os egos do plantel;
  • José Couceiro foi criticado pela fraca qualidade do futebol;
  • Co Adriaanse foi criticado pela rigidez das regras internas e pelas tácticas hiper-ofensivas;
  • Jesualdo Ferreira foi criticado por ser benfiquista e por falhar na Europa;
  • André Villas-Boas foi criticado pela inexperiência e pela pouca rotação de um plantel curto;
  • Vitor Pereira foi criticado pelo discurso fraco e pelo futebol enfadonho.

A grande diferença entre a maioria destes nomes e o de Paulo Fonseca é que salvo uma ou outra ocasião, via-se um semblante de uma táctica, de uma estratégia de jogo. Com melhores ou piores jogadores, mais ou menos motivados, havia um fio de jogo planeado, um reconhecimento em campo do trabalho que se faz durante a semana. Hoje em dia, Paulo Fonseca arrisca-se a ficar na história pelo seguinte:

  • Paulo Fonseca foi criticado por fazer com que o FC Porto deixasse de jogar futebol.

Os meus quatro Onzes – Parte IV

Completo a sequência dos meus quatro onzes-tipo dos últimos trinta anos com a era “Tetra, Villas-Boas e Vitor Pereira – De 2005/2006 a 2012/2013“, que teve três distintos elementos diferenciadores. O primeiro de domínio intenso pelas mãos de Co Adriaanse e Jesualdo Ferreira, o segundo com a glória europeia na única época de Villas-Boas e o terceiro com alguma instabilidade que ainda assim terminou com a conquista de dois campeonatos pelas mãos de Vitor Pereira. Sem mais demoras até porque o post vai ser longo, aqui está o elegante onze:

Há várias opções para qualquer um dos lugares e talvez pela frescura das memórias recentes tive bastante dificuldade em optar por apenas um jogador em grande parte das posições. A História dirá se terei feito a opção certa, mas a verdade é que se torna muito complicado fazer este tipo de escolhas quando os jogadores ainda estão em actividade e as recordações tão presentes. Ainda assim, vamos a algumas explicações.

Começando pela baliza, Helton é um nome que não pode ser contestado. Digno sucessor de Baía, teve em Beto o único rival à altura durante o tempo em que o português fez parte dos plantéis desse período, alternando apenas com o brasileiro em 2010/2011, numa altura de abanão da equipa que não teve os resultados pretendidos. Na defesa é que começam as dúvidas. Na lateral direita tinha três nomes à escolha e optei por Bosingwa, pelo simples facto de ter sido o titular absoluto durante quatro épocas consecutivas, semeando o terror pelo seu flanco sempre que subia no terreno. Jogou com Adriaanse e Jesualdo da mesma forma, com agressividade e muito sentido ofensivo. De fora ficam dois nomes que me deixam um nó no estômago por não figurarem no onze, mas é exactamente por isto que escolher apenas onze jogadores é uma tarefa ingrata e injusta. Fucile e Sapunaru foram essenciais na conquista de vários campeonatos e da Europa League em 2010/2011 e qualquer um dos dois seria escolha natural se o “Zé” não tivesse tido o impacto no clube durante tanto tempo. Do outro lado, temos Álvaro Pereira a bater Alex Sandro não pelo talento mas pela presença em três estupendas épocas, uma delas com conquistas europeias. O uruguaio, goste-se ou não do estilo e mantendo ainda os estigmas do passado recente, nomeadamente da sua saída, foi mais importante que o brasileiro…pelo menos até agora. De fora fica também Cissokho, que com apenas meio ano de presença no clube fez do negócio conseguido uma mais-valia superior à (muito boa) performance em campo. No centro, ainda mais dúvidas. Originalmente tinha optado por Otamendi e Pedro Emanuel, mas troquei o argentino por Bruno Alves. Não o fiz, à semelhança do que aconteceu com Álvaro, por uma questão de talento, mas por influência e pelo facto de ter sido capitão do FC Porto durante vários anos. É um estatuto que, na minha opinião, ultrapassa o número de jogos e/ou a capacidade individual. Bruno Alves e Pedro Emanuel, o segundo pela força e papel que desempenhou nos vários anos que usou a nossa camisola, são os elementos deste onze, que deixa de fora Pepe, um central estupendo e vital na equipa de Adriaanse e Rolando, titularíssimo durante três épocas. Ambos perdem aos pontos para os dois escolhidos, mais uma vez segundo os meus critérios.

Passando para o meio-campo, mais um momento de possível discórdia. Fernando bate Paulo Assunção, João Moutinho encosta Raul Meireles e Lucho González será talvez o único a recolher unanimidade, passando à frente de Diego, Guarín e Belluschi. Se na batalha dos trincos Fernando leva vantagem por ocupar o lugar durante mais tempo e recolher mais títulos que o compatriota, Moutinho bate Meireles pela influência que teve em três anos consecutivos de magia ao meio, de forçar a equipa a jogar ao seu nível e de ajudar a criar a equipa-maravilha que venceu a Europa League em 2011 (e enquanto escrevo isto vou-me apercebendo que Meireles é mais um dos muitos exemplos que faz com que estes onzes sejam mais frustrantes de cada vez que penso neles…). Lucho é já um dos grandes nomes do FC Porto de sempre e apesar de ter falhado a conquista da Europa League, foi durante vários anos o jogador principal da equipa dentro e fora de campo, reunindo simpatias de todos os cantos do mundo e mantendo a classe e a dignidade como futebolista e como homem. De fora ficam Diego, com talento mas mal aproveitado; Anderson com muito brilho mas pouco tempo no clubem apesar do negócio fabuloso que o levou a ser estragado em Manchester;Guarín e Belluschi, essenciais na caminhada e no triunfo até Dublin. Qualquer um destes fica muito longe do argentino.

Chegando finalmente ao ataque, apenas um nome me deixou com algumas dúvidas por ficar de fora: Ricardo Quaresma. Foi ele quem durante quatro anos dinamizou a ala direita do clube, jogando com Bosingwa ou Fucile sempre ao mesmo nível e com um talento e técnica individuais difíceis de ultrapassar. Mas perdeu para Hulk porque…Hulk é uma figura, tal como Cubillas foi no seu tempo. É impossível para qualquer portista ficar indiferente ao brasileiro, pela dependência com que deixou a equipa durante vários jogos, pela influência que tinha no jogo colectivo e acima de tudo pelos golos. Hulk será sempre um nome histórico no FC Porto, mais até que Quaresma. Nas outras posições, Lisandro López reúne consenso e ultrapassa Varela ou Tarik com uma presença a fazer lembrar Derlei, com movimentação constante na frente e uma atitude “never say die” que encantava os adeptos. Saiu no mesmo ano de Lucho e acabou por não vencer a Europa League, mas foi um nome muito querido dos adeptos e de todos que gostavam de futebol. E para finalizar, o centro do ataque, com um nome que não poderia ser outro: Falcao, sem qualquer dúvida, foi dos melhores pontas-de-lança que passou pelo FC Porto (e diria por Portugal), e nas duas épocas que por cá andou deixou a sua marca de qualidade que fará com que ninguém que tenha visto alguns dos seus jogos (o “poker” contra o Villarreal ou o golo na final de Dublin) alguma vez se venha a esquecer do colombiano. A alguma distância ficam Jackson Martinez, com uma excelente época mas ainda com provas para dar e os mais antigos Adriano, importante na era Jesualdo e Farías, o principal suplente do plantel durante vários anos.

Et voilá. Para rever os três primeiros onzes, têm aqui os links em baixo:

Opiniões?

Confirmado: Luís Avelãs é um imbecil

Acabei há pouco de jantar, sentei-me no sofá, estiquei-me para pegar no portátil e, ligando-o, abri o meu fiel leitor de RSS para ler as mais recentes notícias. Olhando de relance para um dos artigos que me surgiram à frente, fiquei a ler. Escrito por Luís Avelãs, jornalista (?) do Record, era uma genial tirada contra o nervosismo de Jesualdo, que saiu da conferência de imprensa do jogo de ontem depois de lhe ser perguntado qual seria o seu futuro à frente do FC Porto.

Fiquei convencido, enquanto continuava a ler, que todos os Luíses que escrevem para o Record partilham, para além do mesmo cérebro, algum tipo de incapacidade genética de tolerar Jesualdo. Já há uns tempos tinha escrito sobre Luís Óscar, também do Record, onde a sua mentecapta imaginação para parangonas falaciosas e enganadoras me chamou a atenção. Hoje foi pior.

Luís Avelãs, este garboso cavalheiro que se encontra aqui à direita, tece considerações insultuosas para com Jesualdo Ferreira, considerando que é indigno da formação académica que possui, que ferve em pouca água e que está enervado, entre outras parvoíces dignas do jornal que lhe paga o ordenado. Leiam aqui para tirarem as vossas conclusões.

Jesualdo tem o futuro em risco? Talvez. Já lhe fizeram alguma pergunta sobre isso? Já. Há meses, diria anos, que lhe fazem a mesma pergunta constantemente, tanto nos momentos de vitória como nas alturas mais infelizes, quando a equipa e o homem estão moralmente mais em baixo. Jesualdo sempre agiu com correcção e boas maneiras, tendo defendido a sua posição até ao limite, quer se goste do estilo quer não. Estes ataques constantes à figura do treinador Jesualdo que agora se transformaram em ataques ao homem Jesualdo são indignos e devem ser contrariados com a indiferença que nos devem merecer esses vermes. E para nós, portistas, o Record é pródigo neste tipo de jornalistas (Óscar, Avelãs, Gobern, Santos) que, virando o bico ao prego, se sentem tão ofendidos com atitudes mais ríspidas de figuras ligadas ao nosso clube, ao mesmo tempo que aparentam possuir carte blanche para fazer acusações sem nexo e pressão sem quartel sobre as personalidades que entrevistam.

Por isso sempre que passarem por este gajo na rua, interpelem-no cordialmente e perguntem-lhe: “Crê que vai cortar essa barbicha algures no futuro?”. Quando ele responder que não sabe, voltem a indagar: “Mas não falou com ninguém acerca da melhor forma de se despedir da barbaroca?”. Enquanto o senhor fôr fervendo e sair apressado em direcção ao seu coche, persistam: “Acha que chegou ao fim o ciclo desse matagal que tem no queixo?”, entre outras. Deixo-vos a liberdade de pensarem noutras hipóteses para inquirir o rapaz.

É contra este tipo de gente que temos que lutar, meus amigos. No campo, entenda-se, que eu não me chamo Pragal Colaço.

Baías e Baronis – Benfica vs FCP




(foto retirada do MaisFutebol)


Se formos a analisar a performance do FC Porto durante toda a partida, acabamos por embarrar na mesma parede mental na qual temos vindo a constantemente cabecear durante toda a temporada: somos fracos. Mentalmente, tecnicamente, tacticamente, em todos os aspectos estamos abaixo do nível ao qual estávamos habituados desde que Jesualdo Ferreira tomou o leme. O jogo de hoje mostrou um FC Porto quezilento, com pouca capacidade de rotação da bola e de controlo da partida, sempre mais lento que o adversário, a perder duelos constantemente e a não conseguir de forma nenhuma contrariar a dinâmica muito mais agressiva (no bom sentido) e audaz da equipa que hoje enfrentamos, aquela que será muito provavelmente sagrada campeã nacional daqui a umas semanas. Vamos a notas:

BAÍAS
(+) Rodríguez. O rapaz não parou todo o jogo. Pode não ter sido muito eficaz (onde diz “muito”, leia-se “nada”), mas lutou, esforçou-se e foi dos poucos que tentou arrastar a equipa para a frente, no meio do marasmo que se via no resto da equipa. Faltou-lhe apoio, claramente, mas mesmo sem o ter, Cebola tentou sempre forçar jogadas ofensivas, tentando entender-se com Álvaro Pereira, jogando ao lado de Falcao e descaindo para as alas sempre que possível. Merecia um golo.
(+) Falcao. Mais uma vez, um dos mais esforçados, numa luta inglória entre os centrais, tentando dominar a bola (o que nem sempre lhe saiu bem) e esperar pelo apoio, que apareceu no máximo duas vezes durante o jogo.
(+) Fernando. Qualquer portista que acompanhe minimamente os jogos da equipa tem-se apercebido da falta que o brasileiro faz no meio-campo defensivo. Nem Tomás Costa nem o pobre Nuno André Coelho, atirado às feras no Emirates Stadium, conseguiram fazer esquecer a forma como Fernando domina a sua zona quando está em forma. Hoje, ainda que não tenha conseguido impedir a derrocada no resultado, tentou lutar com as forças que tinha contra a melhor organização do meio-campo benfiquista. Fica o bom esforço.
(+) Benfica. Quando se ganha dá gosto atirar uma ou duas boquinhas ao adversário, só para rejubilar no prazer de uma vitória. No entanto, quando se perde, há que saber perder com dignidade e humildade, particularmente quando o adversário prova ser melhor que nós em campo. Foi isso que aconteceu hoje no Algarve, onde o Benfica, a jogar a passo, chegou e sobrou para nos vencer por três a zero. Limpo. Parabéns, Ruben Amorim (melhor em campo) e Jorge Jesus, que me surpreendeu na flash interview, comovido e a dedicar a vitória ao pai. Espero que para o ano cá estejam para nos dar os parabéns a nós. Se merecermos, claro!
BARONIS
(-) Bruno Alves. No jogo contra a Académica, escrevi o seguinte: “Bruno Alves reclama com árbitros com uma atitude quase intimidatória e excessivamente agressiva; age impulsivamente e sempre com nervos em franja perante os adversários, arriscando inúmeros cartões vermelhos com pequenas quezílias que um dia destes, quando os árbitros perderem o medo, lhe vão mostrar; está a facilitar em demasia em zonas defensivas, raramente pressionando o avançado que lhe aparece na frente (lembram-se do Bruno Alves a fazer um carrinho em algum jogo este ano?) e acabando por fazer faltas em áreas recuadas que levam perigo para a própria baliza. Bruno parece instável e nervoso, e essas são qualidades que num capitão de equipa se acabam por transmitir para o resto dos jogadores.“. O jogo de hoje foi tirado a papel químico do jogo de semana passada. Analisarei o momento de Bruno Alves num post nos próximos dias, mas fica uma pequena frase que espelha a minha opinião sobre o que se passa com o nosso capitão: há que saber perder. Sobre o jogo e o comportamento de hoje não há muito mais a dizer, apenas o seguinte: um capitão de equipa, líder de homens e alguém que se quer que seja um modelo a seguir, não pode ter reacções absurdamente violentas e agressivas como as de hoje.
(-) Intranquilidade. A incapacidade técnica, juntamente com as lesões, os casos extra-relvado e a falta de motivação acabaram por transformar este final de época num pesadelo, o que se reflecte dentro de campo. Os jogadores reclamam uns com os outros, sem capacidade para fazer mais e melhor. Ninguém me convence que os rapazes de azul-e-branco são tão maus quanto o que mostram em campo.

(-) Claques. Desta vez não pode haver atenuantes. O clube tem de reagir perante as atitudes animalescas que se viram a caminho do Algarve. Sim, incluo tudo no mesmo lote, aquela malta tem atitudes de gado e tem de ser tratado como gado. Quanto às bastonadas da Polícia que deixaram alguns hematomas pelo caminho, é simples perceber que quem vai misturado com gado tem de se aperceber que arrisca ser tratado como gado. E já tendo trabalhado num matadouro, sei bem como se deve tratar gado.



E cá vai mais uma frase que já me começa a cansar ter de proferir no final dos jogos: perdemos bem. É triste admiti-lo mas estamos num mau momento do qual este ano creio ser muito pouco provável conseguirmos sair. O campeonato ainda não acabou e ainda temos a Taça de Portugal para tentar vencer, mas ainda que o consigamos, servirá de pouco consolo às fraquíssimas exibições e à falta de garra e organização que consecutivamente mostramos em campo. Mas levantemos a cabeça, am
igos! Temos de saber perder, dar os parabéns ao adversário por uma vitória limpinha, por merecer e por fazer por merecer. E venha a próxima manhã, que há treino…