Ouve lá ó Mister – Estoril

Mister Paulo,

O jogo da Madeira foi um belo naco de trampa. Uma equipa sem ideias, sem construção de jogo, com uma dinâmica digna de nove tetraplégicos, o Helton e o desgraçado do Quaresma que queria fazer tudo sozinho. Foi penoso de ver para qualquer pessoa e então para um gajo que vive o clube como eu e tantos outros vivemos…rapaz, estás no mau caminho. E não me parece que seja só do mercado e da forma como a SAD está a tratar dos casos pendentes, para lá dos negócios de milhões que afinal não aconteceram ou das vontade de A ou B em ficar ou sair. És tu, Paulo, que não estás a conseguir pôr os gajos a jogar um futebol em mínimas condições. És tu, Paulo, que falas com os gajos e eles ou não te ligam ou não percebem o que estás a dizer. E nós, a malta que fica de fora, não está a gostar nada.

Este jogo é mais uma prova que tens de atravessar para recuperares a imagem de um treinador que impõe uma ideia, um estilo de jogo, uma concepção de uma estratégia que seja visível, implementável e executável. Até agora não vi nada disso. Vi que convocaste o Mikel e tenho gostado muito de o ver na B, mas não acredito que o ponhas a jogar em vez do Fernando. O que acredito, e custa-me muito dizê-lo, é que vai ser mais um jogo “à Porto do Fonseca”. Lento, desinspirado, triste, com jogadores e sem equipa. Convence-me que estou enganado e mostra que ainda consegues acender fogo no rabo dos teus pupilos. Nós, cá fora, continuamos a ser portistas e a acreditar que é possível virmos a ver bom futebol este ano. Mas começamos a perder as esperanças…

Sou quem sabes,
Jorge

Votação: Quem deve ser o próximo capitão do FC Porto?

 

Com a saída de Lucho, a braçadeira fica órfã e à procura de um novo dono. Sim, eu sei que Helton é o actual capitão e reconhecido por todos como o líder do grupo, mas apelando ao sentido prático e ao facto de pensar que um guarda-redes não é a melhor escolha para capitanear uma equipa, apeteceu-me perguntar à malta quem acham que deveria ser o novo capitão do FC Porto. As quase quatrocentas opiniões dividiram-se assim:

  • Fernando: 48%
  • Helton: 18%
  • Maicon: 13%
  • Varela: 12%
  • Outro: 9%

Não havendo unanimidade nem sequer uma votação de um jogador que agregue o apoio de mais de 50% do povo, a verdade é que Fernando continua a ser o preferido. Mas estará presente para pegar no facho?…

Aviso para os Dragões de Lisboa e arredores!

Porque é nos momentos mais complicados que nos devemos unir, fica o aviso: há malta portista em Lisboa que está a começar um grupo organizado de apoio ao FC Porto. Enviaram-me um email, que reproduzo:

Boa Noite,

Eu e o meu irmao estamos a tentar criar um grupo para o Porto em Lisboa. O nosso nome e Ultras 120 e queriamos saber se pode publicitar o nosso grupo no blog. O nosso email e [email protected] e o nosso ponto de encontro e a Casa do Porto em Lisboa.

Obrigado,
Saudaçoes Portistas

Por isso, caros dragões da capital e arredores, se estiverem com o vosso portismo em alta apesar da moral em baixo, juntem-se a esta malta e apregoem o nosso nome bem alto!

Baías e Baronis – Marítimo 1 vs 0 FC Porto

Comecei o dia na tradicional futebolada semanal com os amigos. Perdi. Cheguei a casa e fui ver o resultado do Newcastle vs Sunderland que se tinha então disputado sem que pudesse ver em directo. Perdemos e com números gordos (0-3). Com calma, continuei o meu dia e assisti ao Barcelona vs Valência na esperança que a sorte pudesse mudar. Perdemos (2-3) e perdemos bem. A partir daí, só o FC Porto poderia salvar o sábado em termos de competência futebolística. Foda-se. Há dias que mais vale não sair da cama, palavra. Vamos à nota, sem Baías e com um único Baroni que nem precisa de título:

“Entirely justified boos and abuse accompanied the half time whistle after a stunningly inept display from the home side that lacked strength, application, leadership, pace and desire. Quite simply, we did nothing properly. A raft of alleged international players not only showed little appetite and no desire to chase lost causes, but also a criminal lack of commitment and talent. Poor decision-making across a jittery back four was echoed by bone-headed attempts at crossing and passing, while the departure of our dead ball expert made free kicks and corners a total waste of time. (…) The atmosphere was apprehensive and scarcely got any better on a day when a collective uplift from the team was desperately required. Those clad in black and white though chose to post a woefully clueless performance that wouldn’t have been acceptable in a pre-season friendly, let alone a match of this magnitude.”.

Este texto (partes a bold escolhidas por mim) foi retirado de um site de apoio ao Newcastle United, em tudo parecido com o meu mas com muito mais informação e dedicação à causa do clube. Foi escrito depois da derrota de hoje com o Sunderland, rival de sempre, que mencionei acima. Espelha na perfeição aquilo que se passou hoje na Madeira, como se uma onda de mau tempo futebolístico se tivesse abatido sobre as cabeças dos adeptos dos dois clubes, como ambos somos. Tenho a certeza que um site idêntico mas com as cores blaugrana terá os mesmos sentimentos e a mesma frustração. Por cá, chegámos finalmente a um jogo em que tudo correu mal, menos os jogadores. Esses, quase não correram, nem mal e muito menos bem. Foi um jogo deprimente, digno dos jogadores que actualmente envergam aquela camisola sem que a sintam e sem enfrentar um adversário sem medo, com uma estratégia delineada que orgulhe os adeptos e que não nos envergonhe como hoje aconteceu na Madeira. Mais, não consigo compreender como é que ao fim de trinta jogos oficiais se assiste a uma partida em que não parece haver empenho da grande maioria dos jogadores no desenrolar de noventa minutos de pseudo-futebol em que a apatia é universal e onde a força, raça e determinação que é uma imagem de marca do nosso clube é atirada para a lama com uma banalidade que nos destrói por dentro. Os jogadores que hoje vi de azul-e-branco não são do FC Porto. São clones, amarrados na inspiração que não têm, presos a um futuro em que não acreditam e que se deixam desarmar e ludibriar pelo mais normalíssimo dos adversários, uma equipa que não precisa sequer de jogar muito bem para nos vencer e para o fazer sem sentir grandes dificuldades na demanda. Ver Jackson só, sem apoios, a ser obrigado a descair para o flanco para poder criar espaços enquanto espera pelos colegas…ver Danilo e Alex Sandro a facilitar na defesa e a subir sem critério, sem força, sem vontade…ver Josué mais preocupado em entradas fora de tempo e a falhar passes que um miúdo das escolas é obrigado a acertar antes de poder voltar para o conforto dos pais…ver Quaresma a tentar vez após frustrante vez uma finta com a velocidade que não tem…ver Defour totalmente fora de posição e sem conseguir tapar o mais banal ataque do Marítimo sem ser com falta…ver Varela a escorregar uma, duas, mil vezes…ver Maicon e Mangala a deixarem-se constantemente antecipar pelos adversários…ver Carlos Eduardo perdido, a atirar-se para o chão sempre que podia para arrancar uma falta e a reclamar quando o árbitro não a marcava…entre tantos outros exemplos que poderia ter citado e que se passaram em campo, foi penoso assistir ao jogo até ao final. Hoje tive vergonha de dizer que aquela malta, comandada por um treinador que pouco tem mostrado dentro e fora de campo para poder ser o líder que uma equipa de topo necessita, é a nata do plantel do FC Porto.


Há mais uma coisa que me preocupa: teremos batido no fundo em termos de moralização dos adeptos e da qualidade do futebol exibido? Espero que sim…mas temo que não.

Ouve lá ó Mister – Marítimo

Mister Paulo,

Andei a acompanhar a janela de transferências como o resto da malta que gosta da bola e devo dizer que de ano para ano se torna mais fastidioso e menos interessante. Voam tweets, pseudo-notícias, comentários, falácias, rumores, histórias fantásticas e confirmações negadas durante um dia inteiro e um gajo chega ao fim e não tem nada com que entreter a tomateira sem ser a amável mão que a vai coçando. Ao que parece despachámos Marat, Lucho e Vion e ficamos com o resto. Seja. É com estes que vais chegar ao final da temporada, porque parece não haver dúvida que estás a navegar esses mares agitados com sabe-se lá que capacidade prá faina que mostras ter. As unhas são tuas e a guitarra está aí à tua frente, por isso toca, homem, toca!

E hoje, ao que parece, há jogo. E depois de apanhares uma espécie de Marítimo recauchutado no passado fim-de-semana, vais agora levar com toda a força dos ilhéus sem que se perceba muito bem se estás pronto ou não. A “vitória à Porto” de que falaste o sábado pode voltar para te morder no rabo se não conseguirmos ganhar a estes gajos no campo deles. Nunca é fácil ir lá jogar e como o tempo parece que não quer ajudar ninguém, encaro este jogo com alguma desconfiança. Lembra-te que estamos três pontos atrás da mourada e um atrás dos lagartos por isso não se pode perder nem uma pelezinha de contacto com eles. Não vais ter Fernando mas tens o Defour. Não tens Otamendi…mas também já não o ias pôr a jogar e não, certo? Certo.

Manda os gajos esquecer o mercado. O que interessa agora é jogar.

Sou quem sabes,
Jorge