Ouve lá ó Mister – Tondela

Camarada Sérgio,

Tenho uma pedra no sapato em relação a estes gajos, rapaz. Tenho eu e aposto que terão todos os portistas, porque para lá do penalty que nos foi roubado no ano passado (quando o Boly foi empurrado com muito mais força que o Bas Dost e o penalty ficou nas couves), fizemos um jogo fraquinho mas enfrentamos o equivalente a um exército mongol todo comido com anfetaminas, tal era a vontade de nos arrancar pela raiz e rebentar as costuras todas. Perdemos dois pontos e podíamos ter perdido mais alguns meniscos aleatórios, por isso tem cuidado com estes lenhadores, nunca se sabe o que dali vem. Tens noção que aquela malta quer sacar-nos pontos, certo? E roubar-nos a alma, a vontade e a vida, certo? E obedecem em grande parte aos papás lá de baixo, certo? Certo. Muito certo.

O primeiro jogo foi relativamente fácil especialmente depois do primeiro golo, mas até lá chegar ainda andamos a penar com passes falhados, combinações jeitosas no papel mas raquíticas na relva e remates, muitos remates, muito ao lado. Há que continuar a melhorar, há que prosseguir no plano de vencer os jogos todos que pudermos e estes são aqueles que mais tarde nos lamentamos de ter perdido pontos se não fizermos o nosso trabalho em condições. Se Soares não pode jogar, o Marega está aí cheio de vontade e o Rui Pedro ou o Otávio também devem estar prontinhos para aproveitar a oportunidade. Faz como achares melhor mas ganha o jogo e dá a esses gajos a prova que o ano passado foi um happening. Um one-time happening. E, por definição, não volta a acontecer.

Sou quem sabes,
Jorge

Ouve lá ó Mister – Estoril

Camarada Sérgio,

Em primeiro lugar, apresentações. Olá, eu sou o Jorge. Escrevo aqui neste pouso há mais de oito anos e se te disser que estou num ponto de baixíssima motivação e vontade para continuar a escrever, não me parece que te surpreenda muito. Afinal, os tempos são de magreza e de baixo espírito porque os últimos anos não foram fáceis de aguentar. Dores de maus hábitos criados ao longo de tantos anos, como bem sabes. E se todos os anos esperamos pelo arranque da época com a saliva a pingar delicadamente dos cantos da boca, este ano não será diferente. Porque não sabemos ser de outra forma, porque só queremos vencer e depois de tanto tempo sem vencer, ainda queremos vencer com mais garra, mais força, mais vontade.

Por isso hoje, no dia em que arrancamos mais uma longa sequência de batalhas que nos vão levar até Maio, peço-te que mantenhas o espírito que foste transmitindo desde que chegaste. Depois de um verão tão longo, com tanta tinta que correu sobre claques, castigos, emails, padres, árbitros com e sem vídeo…já chega de jogadas laterais e tenho fome de bola a sério. Vou ao Dragão para te ver, para ver a tua equipa e para começar de novo este sofrimento que adoro, estas dezenas de minutos em que estou tenso e vibrante e feliz e excitadíssimo e eufórico…e ainda falta muito para começar o jogo?

Bem vindo, Sérgio. Dá cá um salto, vamos ter muito para falar durante o ano.

Sou quem sabes,
Jorge