Os putos

Estes foram os jogadores que figuraram em quatro jogos aleatórios entre FC Porto e Vitória de Guimarães. As épocas escolhidas: a primeira de Oliveira, a última de Mourinho, a última vitoriosa de Jesualdo e a primeira de Vítor Pereira.

Para lá das vitórias nos quatro jogos que são sempre um consolo para a alma, saltam à vista as médias de idade dos onze titulares e dos suplentes. É notório o acréscimo da juventude do plantel e mesmo que não tenha feito parte desta equipa um dos essenciais – Hulk – a sua adição ao onze no lugar de Kleber faria com que a subida na média fosse negligenciável (0.2 anos) mantendo-se abaixo dos 23. Se olharmos para os números excluindo os guarda-redes, vemos que a média é habitualmente ainda mais baixa.

A experiência é importante a este nível e alguma da ineficácia e inconstância exibicional até pode ser atribuída a uma menor tranquilidade em pontos-chave de uma partida ou nervosismo pela presença de tanta juventude em campo. É verdade também que uma boa parte desta miudagem não será propriamente novata neste tipo de andanças, porque se até James e Iturbe estiveram já em competições internacionais em clubes e selecções, muitos dos outros nomes são recorrentemente convocados para as suas selecções e já representaram diversas equipas na Champions e na Liga Europa. A junção de todos os nomes numa só folha de jogo é que pode de facto provocar alguma instabilidade no tradicional fluxo mental e moral de um jogo de futebol.

O presente pode precisar de algum trabalho, mas não pode haver dúvidas que o futuro já está a ser preparado há muito tempo.

Oh Captain, my Captain!

Não é nenhum segredo que muitas vezes uma equipa que parece mais fraca no papel acaba por ter um desempenho bem mais positivo graças à liderança inspirada do seu capitão. Seja através da voz de comando a partir da rectaguarda, pelo exemplo na inteligência a controlar a posse de bola e o tempo de jogo ou pela audácia ofensiva que eleva a equipa a novos patamares de confiança, é em grande parte para o capitão que os colegas olham como pilar de orientação, como que vislumbrando um futuro próximo com todas as respostas certas. É também uma questão de opinião pessoal, que se altera de treinador de bancada para treinador de bancada, quando se escolhe o principal motivo de escolha do capitão de uma equipa. Senioridade, carisma, experiência, empatia com os adeptos ou talento, qualquer um destes pilares seria um forte indicador da valia e mérito da selecção do líder que leve a equipa às costas, solidários como formigas e unidos como centúrias romanas.

Quando olho para a fantástica temporada de 2010/2011 e em tudo que conseguimos vonquistar, o nome de Helton surge naturalmente na minha memória como um dos principais responsáveis pelo caminho percorrido. Nos factores que apresentei em cima, o nosso guardião e capitão tem notas elevadas em todos eles e é o mais forte candidato ao cargo de “general-de-campo” das nossas tropas, com a liderança natural no terreno e no balneário, a confiança que transmite aos colegas e a boa relação com os adeptos a transformarem-no na melhor escolha possível. E se nos lembrarmos de outras épocas do passado vemos nomes como Vítor Baía, Jorge Costa, Lucho, Pedro Emanuel, Aloísio, Oliveira ou o grande João Pinto, todos eles homens que simbolizaram o espírito do clube em campo, dando tanto à equipa como aos adeptos razões para estarmos tranquilos quanto à integridade e tranquilidade das suas vozes.

Apesar das conhecidas condicionantes impostas pela distância da zona onde o jogo costuma decorrer, é o homem que melhores condições tem para usar a braçadeira multi-colorida com o nosso emblema que representa o reconhecimento dos seus pares e superiores da confiança que nele depositam para ser o coordenador moral da equipa. Incidindo numa lógica puramente estratégica, gosto mais de capitães que joguem no meio da acção, que estejam em permanente proximidade dos colegas e dos adversários, gravitando num raio de acção que abrange o máximo de terreno possível. No entanto, sem saber se Moutinho (o segundo melhor candidato ao lugar) vai andar por cá nos próximos tempos, o tipo que escolhe o lado da moeda antes de começar o jogo está bem escolhido. Ainda esta sexfa-feira, o único jogador do plantel do FC Porto que é mais velho que eu mostrou nas flash-interviews tanto na SportTV como na RTP uma vez a imagem que o nosso capitão está bem escolhido, sabe falar, foge dos clichés habituais e mostra-se sempre com a confiança dos vencedores e dos líderes. Helton, os meus parabéns, pá.

Uma questão central


Acabada de confirmar a contratação de Maicon, o FC Porto tem actualmente no seu plantel a bonita soma de sete defesas centrais:

  • Bruno Alves, talvez o melhor central português do momento e um dos melhores centrais do mundo em termos físicos e em jogo aéreo;
  • Rolando, titularíssimo ao lado de Bruno Alves, em crescendo e maturação;
  • Pedro Emanuel, capitão de equipa e jogador mais antigo do plantel;
  • Milan Stepanov, a (pouco credível) alternativa de leste;
  • Nuno André Coelho, o jovem que regressa à base vindo de uma excelente temporada no Estrela da Amadora;
  • Bernardo Tengarrinha, mais um jovem que esteve no Estrela, fazendo uma temporada não muito vistosa;
  • Maicon, com 20 anos, com uma boa época no Nacional da Madeira e que chega por 1,1 milhões de Euros que compram metade do seu passe.
A estes poder-se-iam juntar mais alguns que temos emprestados, casos de Steven Vitória no Olhanense ou Bura ou João Paulo mas creio que não terão hipóteses de fazer parte do plantel 2009/10, por isso não faz muito sentido analisar esses casos remotos.
O que acontece neste momento? É preciso fazer algum dinheiro. Bruno Alves está na rampa para ser vendido, desejo admitido pelo próprio e que não censuro. Stepanov quer jogar e aqui não vai ter chances, Pedro Emanuel está a ficar com anos a mais para jogar a sério, e por isso a questão prende-se: teremos uma pequena revolução no sector? Saindo Bruno Alves e Stepanov, previsivelmente, ficaremos com cinco homens para 4 posições. Quem sai, quem fica? As próximas semanas o dirão…
PS: Ah, e as comparações de Maicon com Pepe já enjoam. OK, o rapaz é novo. Veio da Madeira, sim. É brasileiro, tá bem. Rapa o cabelo, pronto. É defesa central, concordo. Mas para além disso, vêem mais alguma parecença? Bem me parecia.