Baías e Baronis – Olympique Marseille 0 vs 3 FC Porto

retirada de om.net

Um jogo mais a sério contra um adversário que pareceu gostar tanto de bater como de não jogar em condições, estragado pela expulsão de um anormal que acabou por fazer com que se tornasse um treino mais fácil do que se esperava. Ficou na memória o golo de Iturbe, a facilidade de processos de Defour e Josué, a velocidade de Kelvin e a firmeza de opções na rectaguarda. Gostei do que vi, francamente. Vamos a notas, novamente não muito longas:

(+) Kelvin. Pareceu mais rápido, mais inteligente e acima de tudo a perceber que tem ali um lateral que o pode ajudar imenso na definição de lances decisivos, como aconteceu várias vezes com bom entendimento na ala com Fucile. Um excelente remate que deu origem ao primeiro golo mas acima de tudo aquela “jinga” e o jogo de pés que o caracteriza parecem mais incisivos, mais práticos, mais produtivos. Podemos ter nele uma excelente opção para abanar um jogo morto.

(+) O golo de Iturbe. Damn, son! Que tiro! Só falta saber se consegue continuar em jogo colectivo o que parece conseguir fazer individualmente, mas tenho poucas esperanças que permaneça no plantel…espero, para bem dele e da equipa, estar enganado.

(+) Defour. Se Fernando sair, é a opção mais forte para jogar a “6” num meio-campo com um vértice recuado, mas será igualmente uma excelente escolha no caso de Paulo Fonseca optar, como parece ser o caso, por ter duas peças a jogar atrás de um putativo “10”. Eficaz, sem inventar, com técnica simples mas eficiente, continua lutador e esclarecido com a bola nos pés, juntando a isso um sentido táctico acima da média e o espírito de sacrifício do costume. Grande assistência para o golo de Jackson.

(+) Fucile. Que saudades tinha eu de ver “the last of the uruguayans” a subir pelo flanco e a lutar por todas as bolas como aconteceu no lance em que provocou a expulsão do anormal francês, que não percebeu que Fucile só é Jorginho em tamanho mas é Jorjão em espírito. E eu sei que Jorjão parece um porn-name, mas insisto nele. Esteve muito bem tanto numa ala como na outra e provou que continua a ser um jogador a garra que todos conhecemos. Vai ser muito útil durante a época, não duvido, desde que se mantenha com a cabeça no sítio.

(+) Os diversos triângulos no meio-campo. Fernando, Josué, Lucho. Defour, Herrera, Lucho. Defour, Castro, Lucho. Castro, Josué, Herrera. Fernando, Herrera, Lucho. E ainda posso adicionar Carlos Eduardo, Tiago Rodrigues e Quintero, todos eles a partirem de posições diferentes na luta pela titularidade mas um pouco atrás de todos os outros. Há muitas opções, muitas variantes mas acima de tudo muito talento no nosso meio-campo 2013/14.

(-) A atitude do Marselha. Até posso compreender a virilidade excessiva de tanto jogador francês que colocou em campo um onze de pancada, tão habitual nos inícios de época gauleses. E o Marselha nunca fugiu à responsabilidade de imprimir os pitões nas pernas dos nossos rapazes, o que até foi um excelente indicador do que se avizinha por aí tanto no nosso campeonato como na Europa. Mas houve lances rijos em demasia e acima de tudo aquela expulsão que merecia que o jogador que deu aquela biqueirada na bola para acertar em Fucile fosse imediatamente obrigado a soprar ao balão. É que só um bêbado faria uma parvoíce daquelas num jogo de preparação durante uma fase de treino e de estudo táctico e técnico. Se fosse treinador dele punha-o a fazer funções de aguadeiro durante duas semanas.

(-) Livres, cantos e cruzamentos. Não estão a funcionar, tanto os cruzamentos em jogo corrido como os lances de bola-parada. É também esta componente técnica que tem de merecer atenção especial de Paulo Fonseca durante a pré-época e atrevo-me a dizer que tem de ser uma constante durante toda a temporada, porque desperdiçamos demasiadas oportunidades claras de criar perigo com a inépcia dos cruzamentos e da marcação de livres e cantos. Não é um problema novo, mas vejo que a maioria dos novos já parece abdicar do treino e persiste nos mesmos erros. Treino específico, por favor?


Ainda não deu para perceber o que valemos em circunstâncias complicadas, mas a tarefa parece difícil para Paulo Fonseca: quem escolher deste meio-campo para ficar (e jogar) ou sair? Ainda há muitos jogos na pré-época (pelo menos mais 5, três deles previsivelmente complicados, o que é óptimo) e é cedo para tomar decisões…mas depois da ausência de opções credíveis no ano passado…quantidade há que chegue. Qualidade e talento também. Mas serão suficientes para tapar a saída de Moutinho e James. Os próximos jogos vão ajudar a perceber.

Comecemos a pensar na próxima época

Olhando para a imagem acima, uma snapshot imaginativa do que pode vir a ser o plantel da próxima temporada, mais coisa menos muitas coisas, a primeira coisa que me salta à cabeça é: falta gente. Há algumas posições que são questionáveis, outras ainda mais, várias têm opções a menos e poucas têm opções a mais. Se os putos que aparecem nesta imagem estão colocados nas posições teoricamente “base”, a verdade é que nem todos ficarão no plantel e é preciso suprir as necessidades e estudar bem as potenciais trocas que poderão haver durante mais uma temporada que se adivinha complicada, como de costume.

Preocupa-me o meio-campo. Se Fernando ficar, o seu lugar está lá reservado para a camisola 25, com botas bem polidas e pitões bem afiados. A zona defensiva do centro do terreno está assegurada com o “polvo” (talvez “polbo” para adaptar ainda melhor o moço ao nosso sotaque) e a cobertura em caso de lesões e/ou castigos está ali bem tranquila com Castro ou Defour a poderem calçar bem para a mesma posição. Se sair…talvez tenhamos de ir ao mercado. Já para a posição de Moutinho, as coisas complicam-se. Enquanto não se confirma se Herrera a) vem e b) vale alguma coisa, estamos em falta. Defour pode ser um bom candidato pelo que já mostrou saber, mas vejo-o mais como um médio de rotação e menos de construção. Talvez esteja enganado, mas não o estou a ver a subir de produção criativa ao ponto de fazer esquecer o antigo oito. Carlos Eduardo é uma incógnita e ainda que Josué ou Marat consigam por lá andar, não os vejo a jogar em zonas recuadas. Tenho dúvidas se o russo aguenta das pernas e Josué é tipo para jogar mais perto da área. Uma posição a rever.

E Lucho. Terá o rapaz pernas para uma época ao nível desta que agora findou?

Muitas dúvidas. Muitas perguntas. Muitas questões. E outros sinónimos parecidos.