Why England Lose…again!

Vi o Inglaterra-Itália com os dentes a ranger e uma emoção a encher a minha alma de futebol, daquele futebol que gosto e anseio nunca deixar de gostar. Perdido o Espanha-França graças ao perfeito timing de um casamento agendado para o mesmo dia, jurei não abdicar deste confronto de gigantes e ainda bem que o fiz. O jogo foi dinâmico, vivo, duro, excitante, bom. E a Itália mereceu ganhar, por incrível que possa parecer se olharmos para o que tem sido a Itália até agora. O cinismo dos seguidores morais de Herrera abriu-se, desabrochou num festival de técnica perfeita, excelente controlo da bola e das emoções e tudo contra uma Inglaterra que é sempre mais fraca do que nos querem fazer pensar. Tiveram sorte de chegar aos penalties e já foi demais. Mereciam ter ido para casa com alguns no saco.

Lembrei-me de imediato de Simon Kuper e Stefan Szymanski, autores do “Why England Lose“, livro com que arranquei a rubrica “Na estante da Porta19“, aqui há quase um ano. Nele, logo nos primeiros capítulos, os autores explanam aquilo a que chamam “Why England Loses And Others Win” e que acabou por dar nome à obra completa. Eis os tópicos que na altura se aplicavam a um campeonato do Mundo mas que se podem transferir para um campeonato da Europa sem dificuldade:

  • Fase 1: Antes do torneio – a certeza que a Inglaterra vai vencer o Campeonato
  • Fase 2: Durante o torneio, a Inglaterra defronta um antigo inimigo numa guerra
  • Fase 3: Os ingleses concluem que o jogo foi alterado devido a um azar que só a eles poderia acontecer
  • Fase 4: Para além disso, todos os outros fizeram batota
  • Fase 5: A Inglaterra é eliminada sem sequer ficar perto de vencer a Taça
  • Fase 6: No dia depois da eliminação, o regresso ao dia-a-dia
  • Fase 7: Encontra-se um bode expiatório
  • Fase 8: A Inglaterra arranca para o próximo Campeonato com a certeza que o vai vencer

Fase 1? Check. Sempre com a maior das arrogâncias
Fase 2? Ainda hoje vimos isso, check.
Fase 3? Talvez, porque falharam dois penalties. Ainda por cima dois gajos chamados Ashley. Só a nós, yadda yadda. Check.
Fase 4? Claro, a Espanha é sempre beneficiada e o Platini quer que a Alemanha chegue à final. Check.
Fase 5? Quartos-de-final. Check.
Fase 6? To be confirmed…
Fase 7? Vai uma aposta? Rooney e a suspensão de dois jogos, Capello demitiu-se, a polémica Terry/Ferdinand…aposto num check.
Fase 8? Nem preciso de esperar muito, vem já aí a próxima fase de qualificação para o Mundial 2014. Espero pelo check.

Ou seja, Kuper e Szymanski estão quase perfeitos na análise. Sic transit gloria mundi. Ou no caso dos bifes…not so much.

PS: Pirlo. Meu Deus.

Leitura para um feriado tranquilo

  • Gareth McKnight analisa as vantagens e desvantagens dos empréstimos de jogadores no Soccerlens;
  • A forma como o futebol moderno privilegia as competições de clubes em detrimento das selecções (sim, é quase a tradução do título do artigo) vista por Martin Saxon neste artigo da NMO;
  • Para que percebam que hoje em dia tudo funciona tão mais rápido que antigamente, menos de uma hora depois de acabar o Leiria vs Feirense, já o blog A Football Report estava a publicar a notícia do 4-3-0 dos da casa;
  • O falhanço da contratação dos últimos treinadores de CSKA e Spartak, ambos de Moscovo, na opinião de James Appell no The Football Ramble;
  • Simon Kuper, autor do muito interessante Soccernomics (a primeira entrada na rubrica “Na Estante da Porta 19“), apresenta-nos uma visão lírica mas curiosa do porquê de continuarmos a seguir futebol como o fazemos;
  • No In the Stands aparece…a versão inglesa do “Bidone d’oro”, da autoria de James R Shaw;
  • E no In Bed with Maradona o elogio a alguns dos grandes jogadores que provavelmente irão abandonar o futebol neste Verão;
  • Para terminar em grande, cá vai a menção obrigatória ao novo projecto do Miguel Lourenço Pereira (do Em Jogo), de nome Futebol Magazine, onde podem ler a interessante história do pré-catenaccio: o “Rappanacio”;

Na estante da Porta19 – Nº1

Mais uma pequena inauguração aqui no Porta19. Nada de bases de dados com jogadores, equipas com camisolas parecidas ou crónicas do jogo com nomes pomposos. Desta vez lembrei-me de me transformar pontualmente num Marcelo Rebelo de Sousa da bola e recomendar livros que possam ser interessantes para a malta que gosta do FC Porto mas acima de tudo que também goste de futebol nas suas várias vertentes. Nem tudo são tácticas mas também nem tudo é sociologia. Às vezes aparece um gajo como o Pena. Enfim, pode passar aqui um bocado de tudo, desde que tenha relação com o desporto que me move…e nem imaginem as dificuldades que às vezes a locomoção me provoca.

O primeiro livro a fazer parte das minhas sugestões chama-se “Why England Lose: And other curious phenomena explained”, da autoria de Simon Kuper e Stefan Szymanski e é a versão futebolística do popular Freakonomics. É um livro de leitura fácil, com análises interessantes sobre a economia do futebol e a forma como por vezes temos a ideia errada do que se está a passa no mundo da bola, com uma perspectiva crítica não de factos mas da interpretação dos mesmos. É curioso percebermos as vantagens que há em marcar primeiro ou não uma sequência de grandes penalidades, ou o impacto que um determinado treinador ou táctica tiveram na evolução do futebol moderno. As histórias são engraçadas, bem escritas e aprofundadas ao ponto de serem interessantes mas não aborrecidas, com algumas verdades que parecem contra-natura.

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