Ouve lá ó Mister – Paços de Ferreira

Camarada Sérgio,

Menino! Como vais, pá? Já viste que desde o dia um de Outubro que não te escrevo para jogos do campeonato? Isto é uma parvoíce, rapaz, temos de fazer isto mais vezes, não é? Isso e jogar no Dragão, que já começo a roer-me todo de saudades daquelas escadas e do relvado e de tudo que por lá anda e que me enche a alma. E hoje vou poder estar lá de novo. Yey!

O último jogo foi, para sermos muito concretos, uma merda. Foi uma merda por tudo, pelo resultado, pelo facto de não termos jogado a ponta de um corno e acima de tudo pelo resultado. O resultado também não ajudou e se não tivéssemos conseguido um resultado tão fraquinho, talvez tivesse sido mais simpático. Mas não foi só o resultado, pois não? Foi a incapacidade de reagir ao resultado e a maneira como sempre que os alemães passavam o meio campo encontravam maiores facilidades que um assaltante a arrombar uma porta que já está aberta. E pareceu-me ver muita lentidão, muita inadaptação a um jogo melhor de uma equipa que me pareceu melhor. Pareceu-me que não conseguiste dar a volta aquilo, Sérgio, mas também quero saber que vais vingar-te hoje nesta malta, não vais? Vamos voltar ao esquema antigo com dois avançados? Mantemos o Herrera ali como falso coiso? Ou atiramos com o Corona, o Brahimi e o Óliver? Ou vais voltar a inventar e desta vez tomas a opção técnica de colocar o Hernâni a central e o Layún à baliza? Vê lá, rapaz, não comeces a perder o que já tiveste na mão, pesa bem as decisões e equilibra os receitas com as despesas. E garante que sais a ganhar!

Sou quem sabes,
Jorge

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A Culpa é do Cavani – Jornada Especial Champions 2017/18 #3 – Strap Strap

Um dia depois da derrota na Alemanha, os Cavanis regressam para mais uma jornada especial onde tentamos perceber o que passou pela cabeça de Sérgio Conceição para colocar Layún e Marega em campo. E o porquê da inacreditável ausência de pressão no meio-campo e permissividade no jogo entre-linhas dos germanicos. Também coberta em grande profundidade foi a situação da presença ou não de Silva no Restelo, tão próximo do jogo da Taça e ao mesmo tempo, oh inclemência, oh martírio, tão longe. Ah, falou-se do Casillas mas só ao de leve, no biggie.

Jornada Especial Champions 2017/18 #3 – Strap Strap


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Jornada Especial Champions 2017/18 #3 – Strap Strap

Um dia depois da derrota na Alemanha, os Cavanis regressam para mais uma jornada especial onde tentamos perceber o que passou pela cabeça de Sérgio Conceição para colocar Layún e Marega em campo. E o porquê da inacreditável ausência de pressão no meio-campo e permissividade no jogo entre-linhas dos germanicos. Também coberta em grande profundidade foi a situação da presença ou não de Silva no Restelo, tão próximo do jogo da Taça e ao mesmo tempo, oh inclemência, oh martírio, tão longe. Ah, falou-se do Casillas mas só ao de leve, no biggie.


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Baías e Baronis – RB Leipzig 3 vs 2 FC Porto

foto retirada do MaisFutebol

Por tópicos, porque estou com pouca capacidade para me abstrair do enorme falhanço que foi o jogo de hoje:
a) os gajos são bons;
b) os gajos são muito bons;
c) fizemos o pior jogo do ano, pior ainda que o do Besiktas.
d) não somos assim tão maus, mas merecemos levar na pá.
e) prá semana, no Dragão, continuamos a conversa.

Vamos a notas:

(+) RB Leipzig. Já tinha visto alguns jogos destes rapazes no ano passado mas este ano, por um motivo ou por outro, ainda não tinha visto nenhum. Damn. É gente que joga muito à bola, com gente cheia de talento do meio-campo para a frente e malta prática na defesa. O meio-campo é tremendo em termos de pressão alta, capacidade de recuperação e criação de jogadas de ataque em constante progressão, com Keita, Kampl e kompanhia a jogarem a um nível fez com que Danilo e Sérgio parecessem um grupo de miúdos da creche com as cuecas em baixo a fugir do Carlos Cruz. E no ataque, Bruma é o menos talentoso de todos. Yup, há uma razão para estes rapazes estarem na Champions e terem ganho no Signal Iduna no passado fim-de-semana.

(-) Incapacidade de reter a bola. Foi um dos piores jogos que me lembro do FC Porto na Liga dos Campeões em termos do futebol produzido de uma forma consistente. Esperem, a frase é demasiado grande e perde impacto. Que tal assim: não jogámos uma ponta de uma pila murcha mergulhada em ácido sulfúrico. É melhor, sim. Enervei-me ao ver a constante gritaria entre colegas, como se ninguém se estivesse a aperceber o que se estava a passar e todos estivessem a passar o pior momento do ano. Enervei-me com Brahimi e Marega por perderem tantas bolas, um por ter talento a mais e sentido prático a menos e o outro por não ter mostrado nem talento nem sentido prático. Enervei-me mais quando reparei que as bolas eram atiradas para o ar ou para a frente sem grande critério, que as segundas bolas eram atraídas para os pés/torso/área circundante dos alemães como porcos pretos para bolotas. Enervei-me ainda mais quando via que os cruzamentos eram enviados para o desconhecido, os passes verticais para os defesas contrários, as distracções repetiam-se e as perdas de bola eram tratadas com um desespero de um grupo que não se encontrou durante todo o jogo. Esta foi a mesma equipa (salvo uma notável excepção – na baliza – numa decisão que tem de ser muito válida na cabeça de Sérgio Conceição para justificar todo o fallout que vai provocar) que venceu o Mónaco e produziu uma das melhores exibições de qualquer equipa do FC Porto nos últimos dez anos em Alvalade. Não desaprendeu, mas não conseguiu um mínimo da consistência dessas exibições que referi.

(-) O meio-campo engolido. Danilo e Sérgio Oliveira não chegaram para os alemães. E Herrera esteve sempre tão longe dos colegas que pensei que o FC Porto tinha entrado de facto com apenas dois médios, num regresso ao esquema que nos tinha dado tanta insegurança frente ao Besiktas e que levou Sérgio Conceição a adaptar a estratégia a uma maior cobertura do centro do terreno, mas não era o caso. A exibição foi tão ausente que a forma como os alemães furavam pela nossa zona defensiva fez-me pensar que algum estaria lesionado ou em condição física incapaz de dar potência muscular às pernas. Mas não foi só em termos físicos que faltamos, foi especialmente em termos posicionais e na invulgar incapacidade de cobrir zonas entre-linhas que falhámos rotunda e espectacularmente, porque se o Leipzig conseguiu passear-se pelo nosso meio-campo, tapando todas as possibilidades que tínhamos de progredir com bola e recuperando-a sem que percebêssemos o que se passava, deve-o em parte à sua capacidade mas também à nossa incapacidade de lhes fazer frente. E o azar que tivemos nos lances dos golos nasce da falta de fisicalidade no centro mas acima de tudo de erros posicionais.


Já tinha dito que o grupo era equilibrado e se até agora apenas fizemos três pontos, também é verdade que disputámos dois jogos fora. Nada está perdido, apenas aumentamos a pressão. Yey.

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Ouve lá ó Mister – RB Leipzig

Camarada Sérgio,

A pior coisa que podes fazer a um gajo que está com a moral em baixo é dar-lhe esperança se lha vais tirar de novo passado algumas semanas. E é exactamente isso que não quero que aconteça hoje, Sérgio, porque se depois da primeira jornada fiquei de cara voltada para baixo numa poça de urina mesclada com sémen e fezes de macaco com VIH, já na segunda jornada exultei de alegria e fui eu que enchi a poça com o meu próprio metafórico sémen e urina mas as fezes já lá estavam, não tive nada a ver com isso. Escatologia aparte, fiquei triste com o Besiktas e feliz com o Mónaco, pelo que a rampa de ascensão da minha alegria europeia está com uma derivada positiva. Isto é matematiquês para: “pá, não me lixes a boa onda e mantém-me bem disposto, fazes favor?”.

É uma equipa alemã, comprada com uma quantidade de dinheiro parecida com a que o Weinstein já ofereceu pelo silêncio do gajedo em frente ao qual esgalhou dezenas de vezes. E nós somos uns pobres coitados do sul da Europa, sem guito para mandar cantar um paralítico mudo e com um Herrera a titular. Quem é que tem medo disso? Quem é que poderá temer uma equipa destas, fraquinha, fraquinha, fraquinha. Isso…convence-os que não valemos uma pila murcha e cai-lhes em cima com o falo de Zeus, com electricidade à mistura e tudo. Luta para ganhar o jogo e faz com que Leipzig, pelo menos durante umas horas nesta terça-feira, sinta que voltou a 1945. You know: boom e tal. Vamos a isso!

Sou quem sabes,
Jorge

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