
Ah, carago, que isto já soube mais a derby que no passado Domingo! O resultado é curto para ambas as equipas (aí um 1-3 era mais aceitável) mas a constante agressividade, a expulsão de um jogador do FC Porto no Bessa, a relativa incerteza no resultado e uma ou duas escaramuças dentro de campo já trazem um cheirinho de nostalgia que já não sentia há que anos. Fica pouco para o futuro para lá daquilo que deve ser um recorde absoluto de cartões amarelos para o nosso lado sem que o adversário tivesse levado outros tantos por faltas idênticas e acima de tudo a passagem às meias-finais da Taça. Nada que não fosse já esperado. Notas já aqui em baixo:

(+) Helton. Depois de um jogo com algumas boas intervenções e uma falha grande que quase levava a que o poste atacante do Boavista marcasse quase sem querer, consegue defender um penalty aos 94 minutos e evitar um prolongamento que se avizinhava penoso. E fê-lo no meio de uma pequena-área que tinha mais terra que relva, onde a bola passava o tempo todo aos saltos. E ainda foi falar com o miúdo que falhou o penalty para o confortar. Ah, não esquecer que ainda conseguiu enquanto saltava para agarrar uma bola aérea, dar um pontapé no Carlos Santos, que é sempre um bónus positivo.
(+) Danilo. Bom jogo no meio-campo defensivo, onde conseguiu parar todo o jogo do Boavista pelo centro e interceptou doze sacos de bolas sem qualquer problema. Usou o corpo quando foi preciso e apesar de ter arrancado com as hostilidades da nossa parte (depois das hostilidades terem começado, para os fulanos do Boavista, a partir dos zero segundos de jogo), raramente cedeu a fazer o mesmo que os adversários. Não faço ideia como se controlou.
(+) Herrera. Foi um elemento importante para manter a estrutura da equipa depois da expulsão de Imbula mas muito antes disso já estava em bom plano, sem fraquejar na luta e a tentar sempre construir com critério e trocar a bola do centro para as alas na altura certa. Parece estar em boa forma física (acabou o jogo cansado mas era expectável) e acima de tudo mental. Que continue assim, por favor.

(-) Imbula. Não tem culpa do selo de vinte milhões. Mas tem culpa de não tentar mostrar que vale pelo menos um décimo desse valor. Imbula é a imagem de um jogador que não está com a cabeça no sítio, que tira o pé nos lances de confronto físico leal e depois tem uma daquelas atitudes que ninguém compreende. Não consigo encaixar na minha cabeça que consiga ser tão despreocupado e esteja tão desmoralizado como o vi hoje, mas se tem hipótese de mostrar ao plantel, à equipa técnica e a qualquer possível novo treinador que está pronto para agarrar o lugar e não o faz, algo se passa. Neste momento, Imbula é um jogador a mais no FC Porto e se assim continuar vai ser um dos piores investimentos de sempre do clube, mesmo que o vendamos por um valor acima do que custou. Eu sei, eu sei, a mais-valia financeira pode ser positiva. Mas a desportiva, até agora, é muito perto do zero.
(-) This is Boavista. Imaginem que são um homem alto mas tímido. Entroncado mas pacífico. Nunca arranjaram problemas com ninguém, viveram sempre a vossa vida a alhearem-se de chatices, a afastar os males para salvaguardar a sanidade e a paz. Uma espécie de John Coffey a Xanax, pronto. E aparecem-vos onze malfeitores a morderem os calcanhares, a atirarem-vos tijolos aos dentes, a tentarem furar-vos os gémeos com garfos de cocktail enquanto comem tremoços e cospem as cascas para a vossa cara. Nalgum ponto o status quo parte-se e decidem arrancar para a violência, com um chapo em cada um dos gajos que os manda para o hospital com os dentes enfiados na parte de trás da nuca. E, entretanto, há um polícia perto de vocês, que permite tudo aos infiéis, acalmando-os com suave retórica e gestos simpáticos, ao passo que mal vê o primeiro bofetão que espeta nas fuças dos tristes saca da varinha e desata a bater-vos sem critério nem credo que vos salve. Foi isto o jogo de hoje no Bessa. Um bando de gente má que usa os pés e as mãos para desfazer os adversários como o Van Damme perante um grupo de árvores. E eu sei bem que os homens mais tecnicistas estavam sentados no banco (um boliviano, um romeno que deixou saudades e até um português que também foi nosso vários anos) mas foi um abuso, mais um, que sofremos hoje.
O Gil Vicente é o próximo adversário e aposto que será mais complicado que esta espécie de Boavista. Quase que estou disposto a meter dinheiro nisso.



