Ouve lá ó Mister – Olhanense


Amigo Vítor,

O meu clube é o FC Porto. Acho que sabes isso. O teu clube, ao que sei, é também o FC Porto. Estamos na mesma onda? OK? OK.

Então explica-me uma coisa: que raio se passou em Paços?! O jogo controlado, centenas de golos falhados e vão deixar que aquele percevejo ou gargarejo ou lá como é o nome do moço, que é pouco mais alto que o Rui Barros, salte no meio de num sei quantos jogadores nossos e nos roube dois pontos?! A sério, Vitor, o que se passou?! Não tens culpa que o Janko tivesse mandado uma bola ao poste, o Moutinho ao lado, o Hulk idem e o Lucho aspas, eu sei disso. Mas vimos outra vez a nossa equipa a descer e a perder a moral, carago, pá, e não achas que estamos todos um bocado fartos desta história? E depois vens com o penále! Mas qual penále! Tá bem, foi penále, mas também tinha havido um do Sapu na primeira parte, homem, por isso ainda que queiramos usar essa treta como desculpa, não podes!

Pronto, vamos lá a acalmar. O que interessa, mais uma vez, é ganhar o jogo de hoje. Ou Benfica ou Braga ou os dois, há gente que vai perder pontos naquele estádio ao lado do Record e nós temos de aproveitar qualquer uma das hipóteses. Se empatam ou perde o Braga, passamos para primeiro. Se perde o Benfica, ficam mais longe e para a semana decidimos o título na cidade dos P’s. Como andamos a dizer há semanas e semanas e intermináveis semanas: é para ganhar. Um amigo disse-me que teve um feeling que ganhávamos agora seis jogos seguidos e íamos ser campeões. Hmm. Quero acreditar nisso, Vitor, mas eu sou como o S.Tomé: só quando vejo as coisas a acontecer é que acredito. Ganha e depois falamos.

Ah, só uma nota final: de uma vez por todas decide-te sobre o Lucho. Ou joga mais atrás para criar jogo como ele sabe ou começa a entender-se melhor atrás do Janko. O meio-termo não está a funcionar.

Sou quem sabes,
Jorge

 

APOSTAS PARA HOJE NA DHOZE:

Link:

Um Portista que boicota é um Portista idiota

Durante o dia de ontem recebi aqui na caixa de comentários um inusitado número de opiniões que urgem a um boicote ao jogo do FC Porto em casa frente ao Olhanense como forma de protesto contra a recente instabilidade na equipa. E a minha reacção primária é a mesma que sempre tive em relação a este tipo de gente que se diz portista e que só vive bem a dizer mal: quem não quiser ir ao jogo que fique em casa, vá até um jardim ler um livro, dê um salto ao cinema, faça o que mais bem entender. Não preciso de ter assobiadores compulsivos nas bancadas e não me importo nada que lá estejam só dez mil mas que esses, you few, you happy few, you band of brothers, estejam para apoiar a equipa de início a fim. E recuso-me a aceitar que um sócio ou simpatizante portista tome este tipo de atitudes quando a situação está difícil e complicada e o apoio da massa adepta é tão importante para que o nosso barco não se transforme num Bolama.

Por isso deixo a contra-proposta: tudo ao Dragão no sábado à noite. Vamos todos em massa ao estádio para apoiar a equipa em mais uma jornada que nos pode colocar na frente do campeonato ou na pior das melhores hipóteses colocar-nos em boas condições para continuar a discutir o título.

Ponham o cachecol ao pescoço, vistam a camisola, ergam a bandeira, vão nus, quero lá saber.

Mas apoiem o vosso clube, principalmente nas horas difíceis.

Link:

Lucho tem tudo para ser o Aimar do FC Porto

É um dos jogadores com maior experiência do plantel. Os adeptos respondem à sua presença como um miúdo com um cheque prenda em branco numa loja da Hussel e quando chegou em Janeiro foi imediatamente re-elevado à condição de herói da naçom que tinha mesmo depois de sair para o Marselha, ele que foi mais um numa longa lista de jogadores que optou por sair para aumentar o fundo de maneio que terá à sua disposição nos “golden years”. Nada contra, até porque foi campeão em França e para além de encher os bolsos com euros que têm um hexágono nas costas acabou também por mostrar toda a qualidade por terras de De Gaulle. Carlinhos, prós amigos. Voltou, com uma aura que equivale ao seu valor e ao impacto que sempre teve nos sócios e simpatizantes do FC Porto.

Mas por muito que se queira (e quer) que Lucho seja o mesmo, já não é. Pelo menos por agora ainda não conseguiu ser. O talento está lá, não haja dúvida, mas a influência que tem no jogo faz-se notar durante menos tempo e com menos impacto. Ele não tem culpa, entenda-se, Lucho faz o que pode, coordena a equipa em campo como o “comandante” que sempre foi e será, mas tem limitações físicas que parecem evidentes a todos. Lucho, neste momento, é um jogador para aguentar 60, 70 minutos no máximo, e a partir daí desaparece do jogo, exausto, incapaz de ordenar as pernas a movimentarem-se nos espaços que calcorreava com a intensidade que o fazia quando foi tetracampeão no FC Porto entre 2005/2006 e 2008/2009.

A chegada de Lucho veio tornar ainda mais notórias as lacunas no meio-campo do FC Porto. Não pela sua ausência quando não está em campo mas precisamente pela sua presença e pela incapacidade que o actual plantel denota em preencher uma vaga que durante um terço do jogo se torna óbvio que necessita de sangue fresco. Sempre que vejo Lucho a definhar, como foi evidente em Paços de Ferreira e já o tinha sido na Madeira ou no Dragão contra a Académica, olho para o banco e não vejo ninguém que possa calçar aquelas botas naquela posição. James, dir-me-ão, pode fazer o mesmo que Lucho. Não pode. Pode tentar, mas não é a mesma coisa. Mas, Jorge, não há ninguém que seja “a mesma coisa”, Lucho é Lucho! Certo. No entanto, quando o argentino estava mais em baixo de forma ou lesionado, sempre tivemos uma opção alternativa. Fosse Diego, Anderson, Ibson ou até Mariano (uma adaptação, é verdade), todos conseguiram entrar para aquele lugar porque conseguiam a mistura adequada de suor e inteligência competitiva para evitar que se notasse em demasia a falta do capitão.

Conseguem ver alguém no plantel com essas características? Talvez James, mais nenhum. Então qual é a solução? Lucho começa a fazer apenas sessenta minutos por jogo (como Meireles durante vários anos) e é colocado o colombiano na sua posição, injectado de seja lá que composto quiserem que lhe dê mais garra e força. Como Aimar no Benfica, que quando joga mostra que a qualidade e a quantidade nem sempre são equivalentes (se exceptuarmos a patada do último fim-de-semana, que em Aimar não é normal) e consegue fazer em quinze ou vinte minutos o que trezentos jogadores não conseguirão fazer na vida toda.

Consigo ver Lucho a fazer este papel. Não me importo nada de o ver apenas meio jogo se essa metade fôr produtiva. Caso contrário arriscamo-nos a ver o lento definhar de um talento fantástico. E só temos a perder com isso, tanto nós como ele.

Link:

Baías e Baronis – Paços de Ferreira 1 vs 1 FC Porto

foto retirada de desporto.sapo.pt

Não foi bom. Não foi aquele FC Porto que estava à espera de ver, que ainda estou à espera de ver desde o início da temporada com algumas honrosas excepções. Este foi mais um entre tantos jogos em que vejo a equipa a definhar na fase crucial do jogo, depois de entrar com alguma sofreguidão e com pouca inteligência, a usar e abusar do jogo directo e das desmarcações aéreas pelas laterais (vá-se lá saber porquê) e com uma tremenda incapacidade de jogar um futebol atraente e criativo. Se a história ainda vier a falar do FC Porto de 2011/2012, será em grande parte com uma expressão: cansados, tanto na cabeça e nas pernas. Pela enésima vez desperdiçámos pontos num jogo que controlamos e a culpa é toda nossa. Cássio fez um excelente jogo, é verdade, mas a quantidade de golos falhados é inadmissível. Vamos às notas:

 

(+) Hulk Merecia mais. Já o disse mais que uma vez que perdoo a Hulk o que não consigo perdoar a outros rapazes, porque a produção ofensiva e as características físicas do nosso Givanildo fazem com que seja um homem que decida um jogo e por isso permito-lhe que tenha desvarios como tantas vezes lhe acontece, quando tenta furar uma parede de cimento humano e não consegue. E depois levanta-se e tenta outra vez. E chateia, mas só quando se percebe que o rapaz deixou de pensar, pôs as metafóricas palas nos olhos e só anda em frente. Hoje teve alguns momentos desses, mas como se viu no golo (uma chouriçada causada por ele), um arranque de Hulk pode ser a diferença entre vencer um jogo e…empatá-lo, como hoje. Fez tudo o que pôde. Sofreu um penalty nítido que não foi marcado (sim, sim, o Sapu também teve aquele lance na primeira parte que podia perfeitamente ser sido assinalado). Tentou muito. Não chegou, mas não foi por culpa dele.

(+) João Moutinho Forte no meio-campo, intenso no contacto e inteligente em posse, tentou mais uma vez pautar o jogo como de costume e conseguiu-o em longos períodos do jogo. Na primeira parte ao lado de Defour (é verdade, o belga jogou! não repararam? é, esteve lá, mas quase nem se notou) e na segunda entre Fernando e Lucho, continua a ser dos poucos que não tem medo da bola e coloca-se sempre pronto para a receber. E depois? Espaço, não há. Linhas de passe, poucas. Remata a 40 metros? Não. Passa para o lado? Que remédio…

(+) Cássio Este fulano, a par do Peçanha ou do Pedro Roma, faz parte daquele lote de guarda-redes que fazem sempre jogos fabulosos contra equipas grandes e abrem aviários industriais quando jogam com equipas “do mesmo campeonato”, seja lá o que isso queira dizer. Quem nos manda ser uma equipa grande? Estupor.

 

(-) As bolas paradas defensivas, mais uma vez Reparem no lance do golo do Paços. Está quase toda a equipa do FC Porto na área. Melgarejo, um gigante de quase um metro e setenta e dois centímetros, salta completamente sozinho no meio do que me pareceram 8 ou 9 jogadores azuis e brancos. Fossem 4. Fosse só um, porra! Estou farto de ver um canto a ser assinalado contra nós e sentir as duas nozes que habitualmente estão da parte de fora a recuarem para o interior do meu corpo, tal é o cagaço que me assola por ver as bolas (as de couro) a voar por cima da nossa área. Muito mau, outra vez.

(-) Perdoem-me o vernáculo: as putas das tabelinhas! Já falei disso várias vezes mas não me calo. O FC Porto transformou-se (e esse efeito agravou-se com a chegada de Lucho) numa tentativa de imitação do Barcelona com as tabelinhas e os triângulos do meio-campo. Só há uma diferença, diria que importante: NÓS NÃO SOMOS O BARCELONA! O James não é o Iniesta, o Hulk não é o Messi, o Moutinho não é o Xavi (talvez seja o mais parecido de todos) e o Rolando definitivamente não é o Piqué. A forma de jogar não pode ser a mesma porque o talento não é o mesmo. Se somarem a quantidade de bolas perdidas neste jogo e em todos os jogos que já fizemos e em que abusamos destes lances…imaginem cada uma dessas situações transformada num remate à baliza. É.

 

Nada está perdido. Que eu trepe a quarenta palmeiras se desisto deste campeonato. Mas é certo e sabido que há sempre qualquer coisa que falha: ou as pernas funcionam e a defesa troca-se toda; ou a defesa está alinhadinha e pronta para o combate e o ataque não marca golos; ou os golos entram mas as pernas falham e mais golos entram…mas na nossa baliza. Nada corre bem, nada parece resultar, as opções tácticas caem por terra, os passes saem pelas linhas laterais e os remates saem pelas de fundo. Mas ainda tenho esperança. Ainda sofro a ver os jogos, ainda continuo a acreditar. E hoje pareceu-me ver alguma crença nos próprios jogadores…até ao golo do Paços. Depois, mais uma vez, a moral caiu a pique. Mais uma moedinha, mais uma voltinha…

Link:

Ouve lá ó Mister – Paços de Ferreira


Amigo Vítor,

Não estou fodido contigo, Vitor. Nem contigo nem com a maior parte dos teus pupilos. Estava dessa forma no final do jogo contra a Académica, mas desta vez não estou. Porque sei que fizeste o possível com o que tens na tua mão e sei que tentaste ganhar na Luz e quase conseguiste. E se me costumas ler já sabes que não faço acusações parvas baseadas em conhecimentos alheios e só falo do que vejo e do que sei. E o que vi na Luz foi uma equipa que tentou ganhar e não conseguiu. Mas tentou. E tentou bem. Não correu bem, vamos tentar fazer com que corra melhor da próxima vez.

Mas hoje o jogo é diferente. A competição não é a mesma, é mais importante. MUITO mais importante. Tu sabes isso, eu sei isso, todos nós sabemos isso e até o Jesus sabe isso. O cá de baixo e o lá de cima, ou achas que ele não segue a nossa Liga? Ai ninas que não segue, porque o campeonato está ao nível dos outros campeonatos europeus, onde nada está decidido. Já reparaste? Das sete ligas principais do nosso continente (Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha, França, Portugal e Holanda, na minha opinião e ordenadas por grau de importância aqui pelos gostos do teu amigo), está tudo à pancada no topo da classificação! Somos mais uns, no meio de tantos. Nesta altura há montes de clubes que apontam para o zénite (e não estou a falar do clube do Bruno Alves) e nós estamos naquela posição em que continuamos a depender só da nossa própria prestação para sermos campeões. Como o Manchester United, o Real Madrid, o Milan, o Borussia Dortmund, o Paris Saint-Germain ou o AZ Alkmaar. Ufa, custou. E podemos avançar mais um degrau importante no caminho para o título.

Só tens de ganhar, Vitor. Só tens de espetar um ou dois golos naquelas camisolas nojentamente amarelas que ofuscam a vistinha e ficam muito feias cobertas de lama. Tens de ganhar o jogo, metas quem meteres em campo. Bracali a ponta-de-lança, Kleber a defesa-esquerdo, Djalma a trinco, Otamendi na baliza. Este e os próximos seis…é que nem quero saber. Vou ver o jogo com a moral em baixa mas a vontade em alta. Ganha, por mim, por nós, por ti. E limpa mais uma das finais que anunciaste.

Sou quem sabes,
Jorge

 

APOSTAS PARA HOJE NA DHOZE:

Link: