Baías e Baronis – Copenhaga 0 vs 0 FC Porto

371536_galeria_fc_kobenhavn_x_fc_porto_liga_dos_campeoes_2016_2017_fase_de_grupos_grupo_g-jpg

Só falta um ponto. Ou trẽs. Ou até nenhum, com muita sorte. Mas o ponto com que saímos daqui sabe a pouco especialmente depois de uma segunda parte em que estivemos bem por cima do adversário e onde podíamos ter morto a fase de grupos com um bocadinho mais de cabeça e tranquilidade na altura do último passe. Assim, mais uma vez, voltamos a depender de nós…e a termos de fazer alguma coisa pela vida. Vamos a notas que se faz tarde:

(+) Felipe e Marcano. Vai arranjando um bom lugar no banco, Boly, que só entras para a equipa se um destes meninos se lesionar. Continuam a mostrar um elevadíssimo sentido prático (potencial de perigo acima de 10%, bola c’as couves, clap clap, siga) e jogam rijo quando é preciso. E hoje foi bem preciso serem homens com H enorme, porque aquela malta do Copenhaga esteve a um capacete com cornos e uma dúzia de Brunhildas na bancada para serem Vikings de novo. Fortes no jogo aéreo, estiveram quase perfeitos em todo o jogo, com destaque para Felipe que continua a melhorar de jogo para jogo.

(+) Óliver. Bem acima de Otávio e Corona (com uma primeira parte para esquecer do mexicano e uma segunda parte mais engraçadita), o nosso trinta foi eficaz no passe e apesar da enormidade de escorregadelas foi dos mais clarividentes em posse e práticos no passe. Não é fácil ser hobbit numa terra de ogres mas Óliver foi um Frodinho bem jeitoso.

(+) Pequenos mas esforçadíssimos. Olá, Gravesen! Como estás, Bentdner? Tudo porreiro, Larsen? Cabrões dos escandinavos que jogam mais com os braços do que com os pés e que se devem ver como reencarnação de Leif Eriksen e do seu bando de malta bem disposta e esventradora. Do nosso lado, um bando de pequenos heróis que lutaram como podiam contra dez paredes que se mexiam muito mais que os nossos (é algo a que um dia voltarei em análise) e que chegavam primeiro a quase todas as bolas na primeira parte. E é verdade que somos pequenos mas houve muito esforço e muito suor e trabalho, aprendemos com os erros e a mudança de Otávio para o centro com Jota a inclinar mais para a esquerda ajudou a abrir um pouco o jogo e a conseguirmos empurrar os fulanos para trás e a conseguirmos ter a bola e progredir com ela nos pés. É pena não termos conseguido fazer nada de jeito com ela.

 

(-) Pequenos, esforçadíssimos…mas fracos. E agora, o contra-ponto. Somos pequenos, sim, mas continuo a achar que falta fibra. Esforço há e muito, mas falta fibra. André, Paulinho Santos, Doriva, Maniche, Paulo Assunção, todos estes rapazes eram pequenos mas não duvido que não teria ficado um único dinamarquês de pé em lances divididos. Também sei que este tipo de alma não se cria, nasce com a gente ou forma-se numa fase bem mais incipiente da vida, mas custa-me ver uma equipa do FC Porto que não consegue erguer-se a esse nível.

(-) O relvado. Se tivéssemos um treino de curling antes do jogo, talvez conseguíssemos acertar mais na bola e menos na relva. O relvado condicionou o jogo e o nosso mais do que o deles, porque a forma de jogar à Stoke é sempre engraçada para…espera, não é engraçada para ninguém. Pode obter resultados mas não vale bolha. E os nossos cachopos bem se viram à rasca, especialmente na primeira parte, perante aquela pseudo-relva que mais parecia um rinque de hóquei no gelo. Com jogadores a condizer, do lado deles.

(-) Maxi. A segunda parte foi melhorzinha (tal como aconteceu com Corona) mas a primeira parte mostrou um Maxi ainda muito longe da forma física que continuará a fazer dele titular do FC Porto. É uma pena Layún estar lesionado porque com o momento actual do uruguaio, o mexicano entra direitinho para o onze. Em alternativa, até o Fernando Fonseca ou o Dalot davam uma perninha bem mais decente…

(-) O penúltimo toque. Neste caso não foi (apenas) o último toque que falhou mas o penúltimo. Aquele leve toque para desmarcar o avançado, o cruzamento para a área, o soltar o lateral em corrida, a elegante colocação da bola em posição de remate letal. Falhou tudo. E o relvado é culpado, mais a pressão dos dinamarqueses…mas a culpa é nossa por não nos termos conseguido adaptar melhor a um jogo que, especialmente na segunda parte, esteve ao nosso alcance.


E é isto, mais uma vez deixamos tudo para o último jogo. Dependemos de nós…mas já aqui dependíamos e não conseguimos mais do que um empate. E contra o Leicester pode não chegar.

Link:

Ouve lá ó Mister – Copenhaga

Companheiro Nuno,

Grande tomateira. Enormes cojones. Severíssimos apêndices testiculares. Gigantescas orbes escrotais. Majestosas esferas pendentes. Sumptuosas jóias da família. Tudo coisas que pensávamos que ias ter mas que aparentemente ficaram no bolso de qualquer casaco que deixaste godknowswhere e que talvez tenhas corrido meio mundo à procura sem grande sucesso a não ser uma pequena manifestação de punho erguido mas braço recuado, sem chama nem pujança portista e, vamos lá ser honestos, humana. Porque não é preciso ser um Clough, um Holloway ou um Robson para chegares a uma conferência de imprensa e em vez de tratares aquela merda como o teu TEDx pessoal, desatares à estalada com qualquer jornalista que tivesse a distinta lata de dizer que qualquer um daqueles lances em Chaves não era penalty! Só te pedimos que sejas mais sanguíneo, homem!

E hoje, contra mais uns fleumáticos que nos enfiaram um falo DESTE tamanho ao empatarem no Dragão, vamos pagar-lhes numa moeda ainda mais tramada: ganhando-lhes, lá na casinha deles. Mostrar que Copenhaga só serve para cerveja e gajas e que isto de vir ganhar a Portugal tem consequências para todos e que a vingança se serve fresquinha, tão fresquinha como está a abóbada celeste em Copenhaga. Vamos fazer com que o último jogo não seja tão importante, sim? Vamos fugir das contas, sim? Por favor, sim?

Sou quem sabes,
Jorge

Link:

Baías e Baronis – FC Porto 1 vs 1 Copenhaga

14354995_646943108813146_23898572449552116_n

Se há uma coisa que podemos tirar da surpreendentemente amena noite de hoje no Dragão é que ainda não estamos lá. Talvez ainda consigamos chegar lá, mas ainda não estamos. Lá. E onde é “lá”? Lá é um patamar de futebol consistente onde a bola se mexe mais que os jogadores e onde as posições são ocupadas em conveniência perante as dificuldades da partida, onde as rupturas acontecem sem pensar e as movimentações são fluidas e naturais. Como vimos, ainda não estamos lá. Estamos a caminho, mas com muitas curvas e poucas rectas. Vamos a notas:

(+) Danilo. Dos poucos que jogou a um nível superior esta noite, foi um dos principais responsáveis pelo combate no meio-campo e nunca se alheou dessa responsabilidade. Apesar do golo ter surgido depois de se deslocar da sua posição para lutar pelo ar contra um dinamarquês, pareceu-me que a culpa não lhe pode ser imputada porque não houve (mais uma vez) cobertura adequada para a sua ausência e Danilo tem recebido críticas que na minha opinião são injustas exactamente por isso: falta de cobertura dos colegas. Foi rijo, foi físico e foi o único a fazê-lo. Um dos únicos que consegue, é certo, mas fez o que pôde.

(+) O lance do golo. Recuperação de bola adiantada? Check. Bola para o avançado? Check. Tabelinha de costas para o médio que aparece em zona de remate? Check. Pum cá vai disto mete a mão ó guarda-redes se conseguires? Check. Would that it were so simple…

 

(-) A estratégia de acordo com a capacidade física. Não tenho dúvidas que Nuno sabe o que tem e o que não tem. Sabe que tem um meio-campo com enorme talento e potencial para trocar a bola como uma equipa grande. Sabe que os laterais podem ajudar a fornecer largura quando o jogo se tornar demasiado concentrado no miolo. Sabe que tem um avançado ágil e inteligente que se mexe bem entre as linhas e que busca a desmarcação com instintos Inzaghianos. Sabe também que o médio de cobertura é o único elemento com capacidade para lutar contra adversários fisicamente mais fortes e que sabem usar essa força. Isto para dizer que percebo a estratégia de abdicar da pressão alta e de permitir que o adversário troque a bola até os últimos 30/35 metros em frente à nossa baliza. Nuno assume que se tiver de lutar com hobbits contra orcs, os grandalhões vão levar tudo e não pagam a conta, por isso há essa atitude mais passiva de não tentar com todas as forças recuperar a bola porque os rapazes são pequenos e não tão combativos quanto isso. O jogo do FC Porto só funciona, em condições normais, quando a equipa tem a bola na sua posse. Aí sim, podemos rodá-la entre os homens do meio-campo com o apoio do(s) avançado(s), sejam dois na frente ou o tridente de hoje, acompanhados dos laterais. É o que consigo entender da forma passiva como o FC Porto 2016/2017 olha para o jogo: se não consegues bater-lhes no jogo deles, espera que falhem e aproveita. É conservador e até um pouco humilhante para um clube habituado a outros voos, mas é a forma como Nuno conseguiu contornar o problema de não ter elementos rijos no meio-campo. Mas a equipa não pode ser tão passiva. Não pode depender do adversário para pautar o seu jogo, tem de ser mais solidária na pressão, tem de ocupar mais espaços e fazê-lo de uma forma mais consistente e planeada. Não pode recuar depois de marcar um golo e jogar continuamente na espera das jogadas de ruptura para aparecer em 1×1 contra o guarda-redes contrário. Vendo o FC Porto assumir esta postura não me dá garantias de qualidade. Só me dá a imagem de um treinador que faz o que pode com o que tem. E o que tem, pelo menos por agora, é curto.

(-) Os laterais. Um jogo para esquecer de Layún e Telles, que não só tiveram de defender a dobrar pela pouca ajuda que Otávio e Corona lhes prestaram, mas especialmente porque a abertura de jogo pelos flancos fez com que estivessem em evidênvia pela incapacidade de construir jogo em condições e de cruzar a bola acertadamente para a área durante todo o jogo. Pareceu-me que tinham instruções para não bombear a bola à louco e assim cair na armadilha dos bisontes escandinavos mas a forma indecisa como Layún chegava perto da área e tentava o 1v1 quase sempre com maus resultados ou como Telles cruzava larguíssimo para o segundo poste ou directamente para as pernas dos defesas a cobrir o primeiro foram enervantes.

(-) A (natural) falta de rotinas. Há uma jogada na primeira parte que mostra bem do que falo. A bola está do lado direito, em Herrera (mais um belo jogo para emoldurar e enviar abaixo da sanita) ou Layún e aparece Corona e André Silva a fazerem diagonais…ao mesmo tempo, para o mesmo lado. Se André não tem culpa por ter o mexicano a fazer o mesmo nas suas costas, também Corona não pode ser culpado porque estava a deslocar-se para o “seu” sítio. Mas ainda falta muita comunicação entre sectores e ainda se nota mais quando essa comunicação não parece existir no mesmo sector. Tempo, precisa-se de tempo para os homens se entrosarem e é coisa que não há para gastar à toa.


Uma parte de mim acha que o empate se deveu ao facto de não ter tido tempo de tomar café no Bom Dia porque o trânsito estava impossível e cheguei mesmo em cima da hora ao estádio. Não é uma grande parte mas existe. Sim, sou tolinho, é o que temos.

Link:

Ouve lá ó Mister – Copenhaga

Companheiro Nuno,

Descobri uma coisa recentemente e quando digo recentemente é coisa de vinte segundos: sou disléxico a escrever o nome da cidade de onde vêm estes moços que hoje jogam contra nós. Tenho de pensar bem e olhar para o que estou a escrever para não sair, e não estou a brincar: Compenhaga. O dedo desloca-se ali para o “m” como se fosse uma gaja boa no cinema e estivesses a tentar açambarcar o encosto do braço ao mesmo tempo que ela. Mais dedo menos braço, a verdade é que não consigo escrever o nome em condições. Vou atribuir a este comportamento o facto de não ser um hábito escrever o nome da cidade (nem do clube) porque, convenhamos, nem um nem outro estarão habitualmente nas bocas do mundo.

Mas essa é uma atitude arrogante que temos de saber contrariar, por muito que possa parecer natural tendo em conta a diferença de histórico. Porque já houve vários Artmedias no nosso passado e foram suficientes para percebermos que nada é ganho à partida e que tens de fazer pela vida para conseguires desfazer estes e os outros que por aí virão. Sejam dinamarqueses, bretões, gauleses, hunos ou powatan. Entrar em campo com mentalidade de vitória, cabeça focada no desafio e noção que pelo menos no arranque são todos iguais. Ódespois os resultados terão de ditar as diferenças.

Sou quem sabes,
Jorge

Link: