Baías e Baronis – FC Porto 0 vs 0 Saint-Étienne

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Não foi uma estreia em grande, longe disso. Ficou a ideia que há muito talento na equipa, muito mais que no ano passado, mas que ainda vai demorar um bocadinho até podermos dizer que temos uma equipa que possa lutar para ser campeã em Portugal. Que há mais talento é evidente (então naquele meio-campo…upa upa), mas as rotinas ainda não existem, acumulam-se espaços vazios e zonas com mais densidade populacional que Tóquio, para que esta análise seja minimamente importante para o que aí vem daqui a poucas semanas. Só isso me assusta, para vos ser sincero: estamos a três semanas da estreia…e ainda há muito trabalho pela frente. Mas que me aguçou a curiosidade para perceber o que podemos fazer, isso aguçou. Vamos a notas:

(+) Maicon. Seguro na defesa, sem inventar (apesar de abusar dos passes longos) e a mostrar tranquilidade e bom posicionamento perante os adversários. Está no plantel há tempo suficiente para ser um dos “antigos” (é verdade. pensem nisso. pois.) e parece que este ano será um ano em que vai ser determinante a sua condição física e acima de tudo psicológica, porque ao ver a linha defensiva a jogar quase no meio-campo…vai ser assustador perceber que terá de haver uma sintonia quase perfeita entre os jogadores do sector recuado. Maicon pode ajudar, com a experiência que tem, a unir esse grupo.

(+) Fabiano. Várias defesas de diferentes graus de dificuldade, a mostrar que na baliza é um jogador excelente. A sair de lá…not so much. Algumas hesitações não mancham uma boa exibição e a garantia que temos a baliza bem guardada. Parece mais inteligente a jogar com os pés mas só o tempo dirá se mantém o lugar perante a iminente chegada de mais um guarda-redes.

(+) Brahimi. É talvez o reforço que mais expectativa me cria (juntamente com Tello) porque já o vi jogar montes de vezes na liga espanhola e sempre gostei da forma como rompe por entre os defesas em drible constante e no tempo do proverbial coçanço de olho do chifrudo consegue arrastar a equipa para uma situação de golo. Hoje fê-lo por duas ou três vezes e mostrou que pode ser muito importante em tantos e tantos daqueles jogos em que a posse de bola não parece ter fim e só precisávamos de um gajo que acelerasse o jogo. Brahimi pode ser esse homem.

(+) Óliver. Estupendo controlo da bola e noção perfeita da saída de espaços com ela controlada e a rodar para o sítio certo. Não sei se será titular (talvez não seja o melhor na cobertura defensiva) mas em muitos jogos pode trazer uma clarividência em posse que nos pode ser muito útil.

(+) Lopetegui a não jogar para o público. Fiquei surpreendido com a quantidade de alterações na equipa mas acima de tudo na insistência em assumir que este é um jogo de treino. E Lopetegui pareceu indiferente aos assobios das bancadas, o que me deixou agradado e me deu alguma confiança. Teremos, pois, um treinador que sabe o que quer e como o quer, que entende que o plantel está ainda verde e que tem muito trabalho pela frente. Não se preocupou em ganhar o jogo a qualquer custo mas a perceber quais são as melhores alternativas para os lugares-chave do plantel. A experiência dos três defesas podia ter corrido mal, mas Julen não quis saber. Treino? Treino. Não interessa onde. Não sei se manterá esta arrogância positiva mais lá para a frente, quando inevitavelmente houver um ou outro jogo que não corra bem, mas gostei do primeiro impacto, apesar do jogo não ter sido positivo.

(-) Carlos Eduardo. Estranho que fique no plantel porque há tantos jogadores que ficam de fora e se continua a ter esta quantidade de passes falhados e intervenção negativa em campo, ainda percebo menos porque é que ainda por cá está. Não joga bem a 10. Não joga bem a 6. É marginalmente melhor a 8. So what? Josué podia fazer o mesmo, Evandro pode fazê-lo bem melhor. Ou então sou eu que estou a embirrar com o moço.

(-) Casemiro. Já sei que o rapaz entrou na equipa há meia-dúzia de dias, mas o ritmo que mostrou foi demasiado lento para ser aceitável. Tem bom toque de bola mas precisa de trabalhar com afinco para ter um nível físico decente no arranque do campeonato. É que Ruben Neves está já aí prontinho a calçar…

(-) Novamente, os imbecis do assobio. Já começa a ser tradicional ouvir esta cáfila nos jogos que o FC Porto disputa no Dragão e nem é novidade aparecerem em amigáveis de pré-época. Mas enerva, oh se enerva, perceber que é esta cambada de idiotas que se diz portista e que começa a pressionar a equipa antes sequer de os rapazes se conhecerem pelo primeiro nome. Insisto: se não querem ver o jogo, vão embora. Xô. Andor violeta. Ninguém precisa de vos ter aqui, ninguém vos QUER ter aqui. Deixem as cadeiras vazias mas não enervem o resto da malta com a vossa atitude.


Os jogos em Inglaterra são já daqui a uma semana e aí já vamos poder perceber o que valemos. Acima de tudo, interessa saber quem são as primeiras escolhas de Lopetegui. Há muito nome de onde escolher…

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Baías e Baronis – KRC Genk 1 vs 3 FC Porto

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foto retirada de JN.pt

Para primeiro jogo, não foi mau. Tendo em conta que estava há dois meses sem ver o FC Porto a jogar, podia perfeitamente ver um jogo foleiro e ficar todo contente por ver a minha equipa a jogar. Houve um pouco de açúcar salpicado por cima do jogo, com o aparecimento de Sami e de Ruben Neves, as exibições seguras de Danilo e Maicon e o toque de bola de Óliver e Tello. Ainda é cedo, como parece evidente, mas gostei da pressão alta e da capacidade de troca de bola a meio-campo, com a salvaguarda de precisarmos de levar uma ou outra pastilha para pôr debaixo da língua quando a bola chegar ao guarda-redes ou quando a defesa estiver mais lenta do que é normal. Vamos crescendo e temos ainda algumas semanas para isso. Sigam as notas:

(+) Sami. Já conhecia o Sami do Marítimo, rápido, agressivo e prático com a bola. Mas não pensei que também ia conhecer Sami, o “eu remato sempre que posso e causo perigo porque sou eu, o Sami”. Gostei muito de ver um avançado a colocar no relvado aquilo que sabe e a ser inteligente para fornecer as bolas aos colegas quando não está na melhor posição. Marcou dois golos e mostrou a Lopetegui que não tem um nome famoso como alguns dos colegas, mas está ali para jogar. Por outro lado…Licá também começou bem 2013/2014…

(+) Óliver. Ui, meu querido, que pés tens tu! Uma espécie de Belluschi com cabelo à Beatle, aproveita todos os benefícios de um centro de gravidade ao nível de uma garrafa de água para rodar com a bola controlada e colocar a bola no local que acha mais indicado. Ainda lhe faltam pernas e entrosamento com uma equipa e um estilo diferentes, mas estou a antever grande luta pela titularidade com Quintero. Sim, ou um ou outro, porque tantos gajos a rodar sozinhos em campo podem causar enjoo nos espectadores.

(+) Ruben Neves. Uma agradável surpresa. Já tinha ouvido falar dele há dois anos, quando me disseram que havia um puto nos sub-15 que ia ser um espectáculo. Não sei o que reserva ao rapaz mas tive a mesma sensação ao vê-lo que tive quando vi Rosicky no Sparta, Lucho nos Olímpicos de 2004 ou João Mário na Sporting B: este não engana. Boa visão de jogo, sentido prático na construção e uma aparente calma em campo que o faz parecer consideravelmente mais velho. Espero que não se transforme num Sérgio Oliveira daqui a dois ou três anos.

(-) Quaresma, um capitão não pode ter atitudes daquelas. Faz uma falta (parva), fica no chão, agarra a bola e pontapeia-a para longe. Really. Um capitão de qualquer equipa não pode ser um gajo que amua com qualquer pequena coisinha, Ricardo. Tem de ser um aglutinador, o primeiro a defender os colegas e o último a sair de campo, mas acima de tudo tem de dar o exemplo. Tem de ser o melhor de todos, a figura para quem os outros olham e tentam emular. Não é um menino petulante que não sabe estar em campo, mesmo que o jogo seja a feijões. Revê lá a tua atitude, rapaz.

(-) Carlos Eduardo. Pensei que o ia ver a 6 mas quando Josué entrou em campo naquela posição, cedo percebi que íamos ter Carlos Eduardo na posição que o “fez” aquando da passagem pela equipa B no ano passado. mas não gostei do que vi, porque o rapaz não fez nada que servisse para justificar que pode ficar no plantel, especialmente com várias opções para aquela posição como parecemos estar a construir. Espero para o ver a jogar numa zona mais recuada, mas não sustenho a respiração até que o faça.

(-) As desconcentrações defensivas. Julen, foi por causa desta e de outras merdas como esta que o Reyes fez hoje que o FC Porto ficou em terceiro no ano passado. Se formos frios e analisarmos os números, houve várias derrotas que surgiram no início do campeonato fruto de idiotices como a do Reyes (no ano passado, para lá do mexicano, também Mangala, Abdoulaye e Otamendi se juntaram ao ramalhete, formando uma quadrologia de estupidez como não há memória) e é uma das coisas que este ano ninguém quer ver. Ninguém, hombre. Quando Maicon e Danilo são os dois melhores jogadores da defesa…acho que está tudo dito.


Ainda é cedo e há muita coisa ainda a corrigir, mas fico satisfeito pelo que vi. Estaremos prontos para a eliminatória da Champions?

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Ouve lá ó Mister – Genk

Señor Lopetegui,

Ora então muito bom dia e bem vindo a esta que será a sua casa nos próximos meses, a não ser que a direcção se lembre de sacar um Del Neri e o ponha na rua ao fim de umas semanas. Bem vindo a um dos melhores clubes do Mundo, que luta pelo campeonato todos os anos, que tem um estádio belíssimo e uma massa adepta exigente, a um clube que tem arrecadado troféus atrás de troféus nos últimos quarenta anos. Bienvenido.

Não estando habituado a estas lides, fica a apresentação. E fica também uma palavra de estímulo e de parabenização pelo posto que agora ocupa e que enche de inveja tantos que o vêem todas os dias com o emprego de sonho de tantos portistas espalhados por esse globo fora. Quem é que não quereria partilhar balneário com Helton e Quaresma, quem é que não gostaria de trocar umas bolas com Óliver ou Alex Sandro, quem é que não sonha todos os dias a caminho do lúgubre e enfadonho emprego (não são todos, comparados com o seu?) que mais valia estar a escolher o onze que vai jogar a próxima partida do FC Porto? É por esta e por outras que o meu amigo Julen está numa posição privilegiada para mostrar o que vale e para se abraçar todos os dias ao espelho com a auto-congratulação de quem chegou ao big-time. Mas, qual Peter Parker catalão, também sabe que com grande poder também vem grande responsabilidade. E hoje é o primeiro dia do resto da sua vida, meu caro.

Ninguém espera muito destes jogos. Reformulo: as pessoas normais não esperam muito destes jogos. Nós, os pensantes, percebemos que são jogos para experimentar, para testar opções principais e alternativas, para dar aos jogadores algum entrosamento em campo e para que os treinadores percebam que tipo de matéria-prima ali têm para lá do que vêem nos treinos. Por isso venham de lá esses onzes, apareçam as jogadas, suem os corpos e trabalhem para mostrar serviço. Não lhe peço mais que isso.

Sou quem sabes,
Jorge

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