Ouve lá ó Mister – Belenenses

Señor Lopetegui,

Pode ser um jogo que termine com um sorriso ou com uma tremenda frustração e nenhum desses estados de alma dependem exclusivamente de ti. Hoje. Porque dependeram de ti e dos teus nalgumas jornadas no passado, onde perdemos pontos que não se podiam ter perdido, mas isso são pontos para outro conto. O que interessa é fazermos o nosso papel e depois de levarmos a coroa de flores ao Pepe (insisto, não é o tolinho que joga no Real, é outro Pepe) é importante entrarmos em campo com vontade de ganhar o jogo. Eu sei que o benfas está prontinho para fazer a festa e já seguram no gargalo da garrafa de espumante com a cápsula de alumínio arrancada, aquele piçito de plástico desenroscado e os dedos na rolha prontos para a fazer voar pelo ar até celebrarem durante horas aquilo que não festejam há décadas. É, Julen, é daquelas coisas que mais vale ver para ganhar vontade de a fazer, não achas?

Mas insisto: vamos fazer com que os gajos tenham de suar para ganhar o jogo e acabar com isto como homens. Não lhes dês a satisfação de um jogo tranquilo, obriga-os a trabalhar ao obrigar os teus a trabalhar. Já vi que a lista de convocados tem lá o Adrián e esse caramelo vai ter de ser muito importante para o ano se cá ficar, por isso dá-lhe uma hipótese de novo. Acima de tudo faz com que a malta se orgulhe de uma vitória em Lisboa que este ano já vamos em três empates (Estoril, Sporting e Benfica) e apetece-me plantar uma lança bem funda em África. Ou perto.

Ganha o jogo para acabarmos o campeonato na próxima semana em condições. Não deixes que a indolência se apodere dos teus moços, espicaça-os e fá-los acreditar que isto ainda não acabou! Força!

Sou quem sabes,
Jorge

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Baías e Baronis – FC Porto 3 vs 0 Belenenses

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Marcar cedo, gerir, ampliar o resultado se possível e não sofrer golos. É uma receita que se apresenta como base para a vastíssima maioria dos jogos de uma equipa grande a jogar no seu terreno e que o FC Porto cumpriu com alguma inteligência e a jogar com calma suficiente para estar confortável sem grandes chatices. Entrámos muito bem, com a dinâmica que se pede sempre, marcámos cedo e depois do arranque da segunda parte…a acalmia que nos idos tempos de Sir Bobby daria um treininho após o jogo. Mas em Janeiro de 2015, especialmente com a quantidade de jogos que ainda vamos disputar este mês, não me preocupou muito que deixassem o tenrinho Belenenses brincar durante dez minutos. Só tornou o jogo um bocado mais entediante, apenas isso. Vamos a notas:

(+) Danilo e Ángel. O brasileiro falhou muito mais passes hoje do que é normal, mas a forma férrea com que se tem vindo a mostrar de início ao fim do jogo, com constantes pedidos pela bola, a subir pelo flanco aos 80 e muitos minutos de um dos jogos mais fáceis do ano como se estivesse a vida e o futuro em campo…dá gosto. E ainda tentou um remate cruzado que quase dava golo. Continua a ser um dos jogadores em melhor forma no plantel. Já o espanhol esteve solto, prático, afoito nas subidas e sempre disponível para ajudar o colega à sua frente. Não tendo sido um jogo excelente de qualquer um deles, foram determinantes na postura ofensiva com que enfrentámos o Belenenses.

(+) A primeira parte de Herrera. Excelente nas movimentações, na forma como tentou tantas e tantas vezes rasgar a defesa do Belenenses com diagonais no espaço entre o lateral esquerdo (a posição, não o blog) e o central desse lado que comecei a pensar que afinal o adversário estava a jogar a menos. Gosto mais de ver Óliver a recuar para pegar no jogo e quando isso acontece, olhem para Herrera e para a forma como se orienta em campo à procura do espaço, ou sprinta para a posição certa. Está a correr tanto como ano passado, mas com uma mentalidade mais prática e mais activa. Baixou (muito) de produção na segunda parte.

(+) As tradições que (ainda) se mantém. Já é um hábito de tantos anos ver o Belenenses a entrar com a bandeira do FC Porto no nosso estádio que nem considero a hipótese de se perder esta bonita tradição. E é também disto que o futebol vive, destes pequenos nadas que no fundo ajudam a construir as imagens de uma vida, as homenagens aos antigos, à alma que nos dá esta clubite de que não se morre mas com a qual se vive. Palmas, amigos.

(-) Certo, podem descansar…mas não tanto, rapazes! Depois do segundo golo…se olharem bem quase que conseguem ver o corpo de Herrera a relaxar, numa espécie de Robocop a entrar na docking station em plena estação de polícia (Weller ou Kinnaman, escolham o que mais gostarem), tal foi o relaxamento que se apoderou dele e de tantos outros quando o jogo ficou quase cem por cento fora do alcance do adversário. E compreendo, como sempre o fiz, quando a equipa tem uma sobrecarga no calendário e se está a tentar precaver para não ficar sem gás daqui a umas semanas, mas aborrece-me a falta de discernimento para manter a bola e ao mesmo tempo estar atento ao jogo. É certo que o Belenenses oferecia tanta resistência como um cubo de gelatina, mas há alturas em que penso que a mente de um jogador de futebol tem duas velocidades: activo e morto. Enfim, nada que não esteja habituado e nada que me vá fazer gostar mais ou menos da equipa, mas houve ali 25/30 minutos na segunda parte que só serviram para passar tempo. Ao frio. Com fome. Meh.

(-) Belenenses. Uma equipa que apanhe sete num jogo a meio da semana apresenta-se naturalmente instável no próximo jogo. Somem a falta de vitórias na Liga desde Novembro e temos a receita para uma formação sem vontade de ganhar, com medo na zona defensiva, ausência de pressão alta para não arriscar o mínimo e uma aversão ao risco maior que uma freira de clausura com um cinto de castidade. Se o FC Porto quisesse tinha tentado enfiar mais que sete. Ainda bem, para eles, que não quisemos


Objectivo conquistado, o mesmo que deve ser o alvo de cada jogo: três pontos. Mantivémos a pressão sobre o Benfas e distanciámo-nos dos restantes. Nada mau para um sábado à noite fresquinho.

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Ouve lá ó Mister – Belenenses

Señor Lopetegui,

Aqui há uns anos valentes, num frio final de tarde na Cidade Invicta, convidei um amigo para se juntar a mim e partilhar do maravilhoso espectáculo que é um jogo do FC Porto em casa. Enquanto nos deslocávamos para o estádio que ficava um pouco mais a norte quando comparado com a tremenda realização arquitectónica onde hoje vou estar, já depois do tradicional café pré-match que degustei com prazer no habitual avant-tasco, o homem, na altura mais jovem e menos ciente da facilidade com que as superstições se entranham na nossa alma e nos furam o bem-estar e a moral, mencionou que tinha acabado de chegar de Lisboa e que trazia, em homenagem ao jogo de hoje, um pacotinho de pequenos pedaços de céu que são confeccionados numa pastelaria lá perto do estádio do rival do dia. Uma caixa de pastéis de Belém, se ainda não percebeste, e olha que só perdes se não experimentares pelo menos um. Quentinho. Com canela em cima. Uff.

No arranque da partida, já depois de vermos a tradicional entrada dos rapazes de Belém com a bandeira do FC Porto nas mãos a cumprir a tradição histórica que tanto me apraz (bem como a nossa própria versão, com a coroa de flores sempre depositada no memorial a Pepe, lá em baixo à beira-Tejo), toca de abrir o pacote, sacar de lá duas unidades dessa ambrósia de massa folhada, e com um brinde que surpreendeu os colegas da bancada central das Antas, celebramos o facto de estarmos vivos e de podermos assistir a mais uma partida do nosso clube em tão boa companhia.

O jogo, esse jogo, em Janeiro de 2001, terminou com um empate a zero. Continuamos amigos e já partilhamos a bancada várias vezes, em acesos comentários ao jogo e discussões intensas que a amizade, como o tempo, não faz esmorecer. Mas nunca mais quero ouvir falar de pastéis de Belém. Pelo menos em dia de jogo. Faz com que hoje não seja um dia que me faça esquecer essa tão agridoce memória. Hoje, é para ganhar, mais uma vez. Com ou sem pastéis.

Sou quem sabes,
Jorge

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Baías e Baronis – FC Porto 1 vs 0 Belenenses

Não foi um bom jogo, mas foi interessante de seguir. A forma como o FC Porto raramente conseguiu criar perigo para a baliza de Matt Jones começou por ser enfadonha, passou a enervante e acabou quase em desespero, tantas foram as perdas de bola por pobre domínio do esférico ou por uma incrível incapacidade de jogo concertado em equipa. Provou-se que Ghilas não pode ser titular a qualquer custo porque “morre” na ala; que Reyes é boa opção para jogar ao lado de Mangala; que Varela e Jackson continuam em período negro (sem piadas); e provou-se acima de tudo que Quintero tem mesmo de jogar nesta equipa se queremos algo mais que um onze amorfo, sem ideias e a pedir que o campeonato acabe depressa. A vitória assenta bem mas podia e devia ter sido mais fácil. A notas, que se faz tarde:

(+) Quintero. Não fez um jogo extraordinário mas serviu como elemento equilibrador da equipa a nível táctico e claramente desequilibrador (de uma forma positiva) no aspecto técnico. A sua entrada para o lugar de Josué (de volta às exibições apagadas, mais uma vez, depois de entrar bem contra o Nápoles) fez com que Carlos Eduardo saísse do “buraco” onde se enfia quando joga na posição 10 e possibilitou que o colombiano pudesse ser patrão da equipa depois de uma primeira parte em que ninguém parecia querer assumir o papel, para lá de uma ou outra corrida de Alex Sandro e Ghilas pela ala. Adoro vê-lo com a bola nos pés porque a finta é fácil e apesar de nem sempre sair bem, quando passa por um adversário imediatamente levanta a cabeça para perceber se há linhas de passe abertas e endossa a bola na direcção do jogador que pode criar mais perigo. Por favor, mister, ponha o moço a titular e acredite nele, a equipa só tem a ganhar com isso.

(+) Reyes. Calmo, sem exageros exibicionais, bom de cabeça e com óptimo posicionamento, mesmo sem ter sido testado em grande escala pelos inertes avançados de Belém, o mexicano esteve bem na estreia como titular na Liga. Bom primeiro toque, passe simples e movimentos elegantes, pode vir a ser um excelente jogador no clube e depois de o ver muitas vezes a jogar pelos Bs, não me surpreende que tire o lugar a Maicon a curto prazo.

(-) Execução técnica dos jogadores do FC Porto. Dizem que Cristiano Ronaldo fica até mais tarde para treinar livres. Não sei se é verdade, acredito que sim, mas acho impossível isso acontecer com qualquer jogador do FC Porto. Há dois vectores principais nesta tirada que gostava de definir logo à partida: a recepção orientada da bola e o passe. Já disse dezenas de vezes que o FC Porto falha imensos passes e que esta época está a ser um annus horribilis para qualquer tipo de índice técnico da equipa, mas gostava de adicionar a primeira parcela, que atira por terra montes de jogadas antes mesmo delas começarem. Sei também que escrevo isto depois de ver um Real Madrid – Barcelona, o que acaba por tornar estas imperfeições ainda mais notórias, mas a verdade é que há alturas em que não me parece estar a ver o FC Porto a jogar mas que entrei sem querer no Unidos ao Cerco contra os Ases Valboenses, tal é o inacreditável número de maus controlos de bola, a falta de precisão com que os jogadores adiantam a bola à sua frente, a forma como a recebem e orientam mal o próximo toque…e tudo isto faz com que haja tantas jogadas que se percam, desequilíbrios que não se criam, posicionamentos que se destroem pelo simples facto de X passar mal para Y e o desgraçado do Y pensar que a bola tem picos ou que consegue mesmo correr 15 metros num segundo, arrancando do zero. É treino que falta a esta malta e pensarem que não podem aprender nada nesta idade e que estas coisas são ensinadas de base e que agora é só depender do talento para se safarem…olhem para o Ronaldo e perguntem-lhe porque é que ele treina livres até mais tarde.

(-) Jackson. Está mesmo a precisar de banco porque está estourado fisicamente e porque a cabeça pode não estar muito melhor depois de jogos atrás de jogos a tentar criar espaço sem que a bola lhe chegue em condições. E nos últimos jogos…quando lá chega…zero. São falhanços demais para continuar a ser titular com autoridade, especialmente com Ghilas cheio de “fome” e com mais força para apimentar a linha ofensiva…

(-) Anti-jogo do Belenenses. Trouxeram a bandeira, o que já não foi nada mau e prova que as tradições são para cumprir e tal como o FC Porto depositou a habitual coroa de flores junto do memorial de Pepe, os rapazes do Restelo entraram no Dragão com a nossa bandeira bem aberta. Gostei de ver e vou continuar a gostar de ver esta tradição interessante e prova de fair-play fora de campo. Mas dentro de campo a conversa foi diferente. Desde os primeiros minutos que se percebeu que o intuito era o de queimar o máximo de tempo possível, com Lito Vidigal a aproveitar para fazer pequenas palestras a meia-equipa sempre que um dos seus meninos se atirava para o chão, talvez incomodados com o ar frio do Norte. Foi absurdo ver a quantidade de vezes que Xistra permitiu esta troça ao futebol e à competição saudável porque não parecia muito incomodado com o festival de arremesso para a relva que foi protagonizado pelo Belenenses e que levou os adeptos a assobiadelas monumentais, com toda a razão. Mantenho o que sempre disse: se dependesse de mim, a não ser que se visse um osso fora do corpo ou se as cordas vocais estivessem a vibrar a céu aberto, os jogadores do FC Porto deviam sempre seguir a bola.


Devia ser criminoso marcar um jogo para a mesma altura de um Real vs Barça que, ainda por cima, foi o que foi. Felizmente deixei o jogo a gravar em casa (e esse é o verdadeiro motivo da hora tardia desta crónica) e vi-o depois de chegar, pelo que agradeço aos meus colegas de bancada o facto de não me terem dito quanto estava o jogo e assim retirarem alguma da emoção do que foi um jogo estupendo. Se algum deles me estiver a ler, o meu muito obrigado!

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Ouve lá ó Mister – Belenenses

Estimado Professor,

Já estamos todos recuperados da emoção da passada quinta-feira e já temos o prato cheio para mais uma sequência de jogos que fazem da vida de um portista uma correria imensa para o Dragão. É uma alegria e a eliminação do Nápoles, apesar de me fazer gastar mais algum dinheiro para agora ver o Sevilha, logo depois de uma semana em que dois clubes da capital nos visitam. Hmm, parece bom demais para ser verdade…mas vamos com calma. Primeiro, o Belenenses.

Espero que o Mangalhão, agora promovido a capitão de equipa (foi uma reguada nas mãos do Fernando depois de ter sido expulso em Alvalade, meu caro?), se lembre bem da cagada que fez no Restelo aqui há uns meses, quando deixou que a bolinha lhe passasse calmamente pela frente, só para ser encostada para a baliza pelo adversário. Se não aprendeu, veja lá se o recorda dessa imbecilidade para que não haja falhas novamente. O Sporting já ganhou e se temos alguma fugaz esperança em chegar ao segundo lugar (já nem penso no primeiro, para ser sincero), a vitória não pode escapar. E já sei que há alguns titulares que não vão poder jogar, mas já reparei também que não colocou nenhum B nos convocados para lá do Mikel e do Kadu. Gostava de poder ver o Victor Garcia a jogar no lugar do Danilo, o Mikel em vez do Fernando e o Kelvin a substituir o Quaresma. Não gosto de adaptações, sinceramente, e ver o Ricardo a esforçar-se sem estar adaptado ou o Ghilas a jogar pela ala não me agrada. O treinador é o meu caro amigo e não contesto que ache que eles rendem nessas posições, mas eu não gosto na mesma. Enfim, dou-lhe o benefício da dúvida…mas também gostava imenso de ver o Quintero em vez do Carlos Eduardo. Vá lá, faça-me só esse favor. Pago-lhe um fino. Dois, pronto.

Acima de tudo, queremos a vitória e queremos que os rapazes não se estourem todos porque quarta-feira a conversa é outra. Ui, se é.

Sou quem sabes,
Jorge

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