
Costumo brincar com um dos meus companheiros portistas de sempre, com um humor muito distante da alegria que habitualmente pauta a minha bem-disposta tromba, que quando estamos no fundo do poço, há sempre uma pá disponível para podermos cavar ainda mais um bocadinho e chegar ainda mais fundo. Hoje, a pá estava lá e houve uma diligente tentativa de tentar procurar um eventual filão de petróleo que por lá pudesse haver. Vamos a notas, rápidas, com a tentativa de acabar com este pesadelo rapidamente:

(-) Zero. O estado é de depressão, de incapacidade e de desalento. Não tenho a menor dúvida que se tivéssemos entrado em campo com a totalidade da equipa B, o futebol teria sido mais fluido, a vontade de ganhar bem superior e teríamos saído de Famalicão com uma vitória que seria tão natural como a que conseguiram aqui há uns meses quando passaram neste estádio e venceram por 4-2 (onde Garcia, Ismael e Ramos estiveram presentes, bem como Govea e Gudiño que hoje não saíram do banco). Mas esta equipa que jogou hoje está numa fossa tão profunda, com quase total descrença nas suas capacidades, impotência perante a menor dos obstáculos e acima de tudo a vontade que venha alguém que lhes diga o que fazer. Mas é incrível que um grupo de jogadores de elite para os standards do nosso campeonato não tenha o brio e o orgulho de mostrar a todos, de adeptos a jornalistas ou até ao NOVO TREINADOR QUE ESTAVA ALI NA BANCADA A VÊ-LOS que são bons. Que são dignos de usar esta camisola. Que a culpa era do treinador anterior, ou que a culpa não era deles mas de toda a estrutura que persiste e subsiste à sua volta e por causa deles. Não mostraram fibra, garra, vontade. Varela foi pior que Ismael, Maicon pior que Lichnovsky, Imbula pior que Ramos. Nomes que nos habituamos a ler como elementos importantes na equipa estão a ser desfeitos pelas suas próprias mãos, pelo que fazem em campo e pela forma consistente (admiro a coerência, realmente) como exibem uma completa descoordenação entre o que deve ser um jogador profissional de topo e a imagem que esse jogador deve mostrar. Crise? Já passámos a crise. Chegamos ao tempo das sentenças e não sei se Peseiro terá coragem (ou autorização) para encostar meia dúzia de titulares, mostrando-lhes que aquilo que produzem é tão miserável que não merecem mais do que uma cadeira na bancada (até porque criar anti-corpos logo no início pode ser pouco positivo para a trémula harmonia do grupo), mas garanto que é o que mereciam. Sabem mais do que aquilo e não há anti-depressivos suficientes no mundo que façam melhor efeito que uma boa dose de humildade.
Um jogo triste numa despedida triste de Rui Barros do comando da equipa. Também ele, sai triste e incapaz de fazer o mínimo para reabilitar este grupo. Domingo é um novo dia.

