Baías e Baronis – Gafanha da Nazaré 0 vs 3 FC Porto

363624_galeria_gafanha_x_fc_porto_taca_de_portugal_placard_2016_2017_3_eliminatoria_-jpg

Podia ter sido um jogo giro, daqueles de taça a sério, num campo pequeno cheio de lama e apanha-bolas caseiros, com o colosso a tremer sempre que o adversário, aguerrido e apoiado pelo seu público que vê um grande a jogar na sua terra-natal, arranca pelo terreno como gauleses perante romanos. O futebol moderno não quis que assim fosse e assim sendo foi apenas mais um jogo normal com um resultado normal. E nunca estas coisas ficam para a história, infelizmente. Notas já a seguir:

(+) Marcano. Uma assistência e um jogo rijo, sem invenções, sem preocupação com mais nada senão o sentido prático de retirar a bola da sua zona e de recuperar a bola de uma forma bem mais activa do que é habitual. Foi o melhor jogador em campo, o que pode parecer parvo num jogo contra o Gafanha da Nazaré, mas é o que temos.

(+) Otávio. Enquanto esteve em campo foi o jogador mais inteligente com a bola nos pés e o elemento mais perigoso sempre que recebia a bola do seu lado. Um golo que resolveu o jogo da melhor forma, com um serpentear impecável pelo espaço que lhe foi dado dentro da área, a mostrar que contra equipas teoricamente inferiores é sempre melhor fazer as coisas com cabeça e não com o coração.

(+) O entendimento Jota/André Silva. Continuo a gostar da forma como conseguem jogar juntos há relativamente pouco tempo mas parecem estar em sintonia na grande maioria das jogadas de conjunto. Se o FC Porto vai continuar com o 4-4-2, é com estes dois fulanos na linha da frente.

(-) Herrera. Muito lento, sem vivacidade e a falhar passes como um Stepanov de olhos tapados. E ainda conseguiu quase lixar a equipa ao conceder um livre directo mesmo na meia-lua da área por mais uma imbecilidade e lentidão na execução. Ao olhar para o banco e vendo lá Sérgio Oliveira, questiono-me do porquê de termos recusado uma oferta de x milhões pelo mexicano.

(-) Óliver. Complicou demais o jogo no meio-campo e nunca conseguiu furar a defesa do Gafanha com passes verticais. Quando pressionado fechava-se e fazia as rotações do costume mas raramente saía com a bola controlada. Melhorou depois do segundo golo.

(-) Brahimi. Podia ser um dos melhores do mundo porque tem talento para isso. Mas não lhe apetece e então nestes jogos ainda menos. Raramente conseguiu passar por jogadores do Gafanha da Nazaré. Está tudo dito.


Prova superada, sem grande necessidade de dispender esforço suplementar. Na terça-feira espero poder dizer o mesmo.

Link:

Ouve lá ó Mister – Gafanha da Nazaré

Companheiro Nuno,

Já estou fartinho da selecção até à ponta dos cabelos que não tenho. Mas há uns pelos nas costas que apareceram há uns bons anos e que também estão tremendamente aborrecidos por terem de ver gajos de vermelho e verde em vez de assistirem aos jogos com o azul e branco que Deus manda! Não há direito!

Mas estamos de volta e logo num dos jogos mais absurdos do ano. Nada contra o Gafanha, com todo o respeito que me merecem tendo em conta que são um clube que nunca vi a jogar, do qual não conheço absolutamente nada e que nem sequer sei que cores usam nas camisolas. Nada contra a Taça de Portugal, seja qual for a encarnação de patrocinador que usam este ano (será sempre Taça de Portugal para mim até ao final da minha vidinha, mesmo que nunca mais a ganhe). Mas o que me lixa mesmo é este estupor deste jogo ser realizado em Aveiro. Às 21h30 da noite. Entre o FC Porto e uma equipa que joga no Campeonato de Portugal, Série Whateverthefuckaoquadrado. Newsflash, people: Aveiro não vai encher, o Gafanha tinha mais hipótese de nos envergonhar se jogasse no seu estádio e o dinheiro da televisão é a única possível justificação para esta mudança. Enfim, é o que temos, dinheiro antes do desporto, em tantas áreas desta vida à volta da tua vida, Nuno.

Seja como for, escolhe os gajos que te dêem garantias, dá hipótese às segundas linhas e reza para que tudo corra bem. Nao mudes onze mas muda alguns. Afinal, se não conseguem ganhar ao Gafanha…

Sou quem sabes,
Jorge

Link: