Ouve lá ó Mister – Moreirense

Camarada Sérgio,

Tudo bem, rapaz? Isto vai aqui um movimento do carago com o mercado, gente que entra e sai de todos os clubes a todas a horas…menos nós, não é? Só gente a sair e ninguém a entrar, mas creio que já sabias que ia ser um verão bem paradote na zona das chegadas e com reboliço forte na área das partidas. E se o que foi saindo não deixa grande mossa (para lá do Ruben e do André, mas principalmente do Ruben…), já a falta de opções pode ser uma chatice um bocadinho mais lá para a frente. A ver vamos se ainda nos mexemos ao ponto de ir buscar alguém, mas começo a ver a janela a fechar e nózes munto pouco mexidinhos, num é?

Mas o tempo continua a passar e hoje há jogo. O Moreira, que no ano passado ajudámos a ficar na Liga com um jogo miserável na última jornada, onde o Felipe foi Stepanov, o Maxi foi Zlatan e o resto da equipa foi…bem, igual a si própria. Não concebo sequer por um momento que o resultado ou a exibição sejam parecidas, por isso só te peço para ganhares o jogo com tranquilidade e nem tentes igualar o que os nossos rivais fizeram. Aliás, esquece isso, porque só lanças mais pressão sobre os rapazes. Fica o aviso: qualquer resultado que consigas abaixo de cincazero vai ser considerado como uma falha de competitividade da tua parte e da parte dos teus moços, por isso nem te preocupes com a reacção desse povo estranho. Três pontos é o que interessa, nem que seja por meiazero!

Sou quem sabes,
Jorge

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Baías e Baronis – Moreirense 3 vs 1 FC Porto

Hesito. As opções são: fazer uma crónica com (tentativa de) humor; escolher a via do “rant” e desbravar caminho até ao primeiro jogo amigável do próximo ano; ignorar o que se passou hoje em Moreira de Cónegos. Vou optar pela terceira com recheio da segunda e cobertura da primeira. É que só assim é que consigo manter a sanidade. Vamos a notas:

(+) O golo de Maxi. Fizeste de propósito, seu demente? TU FIZESTE AQUILO DE PROPÓSITO?! Ou estavas só a tentar dominar a bola à Bergkamp e saiu-te a sorte grande quando o cabrão do ex-russo viu a bola a passar por cima dele? Carago, pá, agora vou ter de me lembrar deste jogo por causa da imbecilidade de golo que tu marcaste! Não se faz, Maxi, que vergonha, pá!

(+) Herrera. Foi dos poucos que na primeira parte parecia interessado em fazer qualquer coisa que não fosse olhar para o relógio e esperar que a Custódia tivesse colocado os calções da moda na mala para a fuga imediata para férias. E até tentou, com meia dúzia de arranques e um ou outro remate. Menos mal.

(-) NES. Há ali um lance em que Danilo falha um golo depois de um lance de bola parada mesmo em cima da linha da pequena área. A bola vai por cima e imediatamente a realização muda para Nuno, no banco do FC Porto…e aposto que numa tarde em que tivessem distribuído morfina pelo banco, não haveria tanta calma nos olhos e na atitude do nosso treinador. Um ar derrotado, depois de apresentar um onze só porque tinha de o fazer, sem vontade de incentivar alguns dos jovens do clube, sejam eles jogadores menos utilizados do plantel sénior ou alguns até da equipa B, que jogava quase à mesma hora mas que aposto um tomate que muitos dos rapazes dariam esse mesmo tomate para poderem jogar um bocadinho no escalão superior. Mas não, Nuno mostrou apenas mais um onze típico de alguém que nem pareceu muito interessado em jogar, quanto mais ganhar. E isso não é “ser Porto”. É só ser. E não chega.

(-) Felipe. Ui. Alguém está já com a cabecinha nas férias, não está, meu amor? Alguém está a sonhar com um jarralhão de mojitos e uma ou oito mulheres polinésias a abanar o cagueiro com uma saia de palha que mostra aquele ínfimo nível de nalguedo que deixa o povo a salivar…não está? Só pode, porque a quantidade de parvoíces que t fizeste hoje levou-me a pensar que o Stepanov ainda por cá andava e tinha acabado de deixar crescer uma barba simpática. Vai de férias, Felipe. Volta, oh por favor volta, mas por agora vai dar as tuas voltas e depois falamos. Sim, porque tens de pagar por teres, no fundo, oferecido ao Moreirense a permanência na Liga sem ser esse o plano. I think.


Fim de época. Fim de ciclo?

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Ouve lá ó Mister – Moreirense

Companheiro Nuno,

Vão ser os noventa minutos mais difíceis da época, pelo menos para mim. Não consigo deixar de ver o FC Porto a jogar seja onde estiver, vou ver o jogo e vou torcer para a nossa vitória, porque por muito que deseje ver o Tondela a descer de divisão, a verdade é que quero ganhar todos os jogos em que a minha equipa participa. Chama-me fanático, obcecado pela vitória, triunfo-compulsivo, o que te apetecer. Mas é assim que vivo e é assim que também gostava que vivesses.

Ainda ontem de manhã discutia com um amigo (discussões ao sábado de manhã podem parecer exageradas – apesar desta ter sido amigável – mas é o que acontece entre portistas que não ganham nada há quatro anos), que me dizia que tu até nem fizeste um mau trabalho, que a equipa até jogou bem e se tivesse vencido os dois jogos em casa contra o Feirense e contra o Setúbal, tinha conseguido ser campeã. Verdade, disse eu, mas também não me esqueço que houve esses e outros jogos que podíamos e devíamos ter vencido e não conseguimos. Hoje, naquele que pode ser o teu último jogo com as nossas cores, vê se sais de lá com uma vitória. Mesmo que não fiques, ao menos não dormes com remorsos. Se é que vais conseguir dormir. Talvez consigas. Eu é que raramente o faço em condições quando perdemos.

Bom final de época para ti, Nuno. E até á próxima, seja onde for que estejas para o ano que vem.

Sou quem sabes,
Jorge

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Baías e Baronis – FC Porto 3 vs 0 Moreirense

Frio de bater o dente no Dragão, equilibrado por uma exibição morninha, simpática e acima de tudo relaxada, em alturas até demais. Nota-se que a equipa está presa no arranque, jogando a medo sem provocar grandes desequilíbrios para não se desagregar, mas a confiança ganha-se também nestes jogos contra equipas mais pequenas e temos de continuar a vencer para afastar de vez a anormalidade exibicional. Sair do Dragão descansado é algo que não pode ser episódico, tem de ser a normalidade, como aconteceu hoje. Vamos a notas:

(+) Óliver. Até hoje não consigo perceber quem diz mal dele. Não percebo, a sério. Nuno colocou-o de novo na zona central e nota-se tão bem a diferença para as partidas onde joga descaído para a esquerda porque o fio de jogo tem uma cabeça pensante, que organiza a construção e pauta o ritmo de uma forma que para ele é natural e para outros seria tão forçada. Apesar dos primeiros vinte minutos abaixo do que pode e sabe fazer, continuou a trabalhar e saiu com um golo e uma boa exibição.

(+) Jota. Não marcou mas dinamizou de uma forma audaz o ataque da equipa, aparecendo mais inclinado para a esquerda mas raramente a funcionar como ala e sim como complemento do avançado. Lutador na disputa de bola, rápido e mexido no contra-ataque, foi de novo muito importante na maneira como a equipa se foca em André Silva e Jota aparece quase sempre como o seu principal auxiliar e o seu papel desequilibrador ajuda imenso a que André tenha de trabalhar menos e ficar à espera em posição de “poacher”. Saiu bem para descansar, precisamos dele em forma!

(+) Marcano. Um golo e uma assistência fazem dele um homem em destaque no jogo mas foi também pela serenidade defensiva que marcou a diferença pela positiva. Num jogo em que dois dos colegas na zona central estiveram abaixo do habitual, o espanhol destacou-se pela tranquilidade e acima de tudo pela atenção que mostrou na grande parte dos lances em que esteve envolvido. Calmo, tranquilo a rodar a bola e a recuperar na defesa, safou-nos várias vezes depois de falhas dos companheiros.

(-) Felipe e Danilo. Não sei se ambos estiveram a jogar PES na Playstation durante a noite ou se foram beber uma ou sete finos cada um, mas foram ambos elementos abaixo do nível habitual. Felipe arriscou mesmo ser expulso (seria o segundo amarelo) no início da segunda parte num lance que me pareceu falta lá no estádio e que não vi ainda em repetição, mas não foi o único lance em que esteve mal, com vários cortes parvos e distracções que podiam ter custado caro à equipa. Danilo esteve distraído, perdeu quase todas as bolas de cabeça para os avançados do Moreirense e falhou demasiadas intercepções por não estar atento ao jogo como devia.

(-) Falta de opções válidas no banco. Certo, podia ter entrado o Teixeira em vez do André², ou o Depoitre em vez do Rui Pedro. Até podíamos ter feito entrar o Boly para o lugar do Felipe. Mas Kelvin, acabado de chegar, lá levou as palminhas da malta mas não pode acontecer muitas vezes até nos apercebermos que o rapaz não é nada de especial. Faltam opções diferentes, com estilos diferentes que possam trazer novidades no approach ao jogo porque o que temos actualmente é jeitoso mas não é bom. Como diz um amigo meu, “de gajos jeitosos temos uma equipa B cheia”. E dou-lhe alguma razão…


E aproveitamos finalmente um deslize dos adversários directos, fazendo com que os pontos perdidos em Paços se tornem ainda mais importantes. Se tivéssemos ganho esse jogo (e vários dos outros onde perdemos pontos), estaríamos agora à frente do Benfica. Era bonito, não era?

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Ouve lá ó Mister – Moreirense

Companheiro Nuno,

Há alturas em que os momentos que antecedem um jogo do FC Porto estão cheios de nervosismo, unhas roídas e um pé constantemente a bater no chão à espera que a partida comece. Costuma acontecer antes de grandes jogos, como é normal, mas este ano estamos a ver esse sintoma a aparecer perto de muitos outros confrontos, que não era habitual trazerem tanta tremideira. Era raro ficar ansioso no dia anterior a um confronto contra o Paços, o Rio Ave ou o Moreirense, mas é assim que me sinto. Conseguiste, portanto, transformar o que era um tradicional pré-jogo que me sabia tão bem pela sensação de euforia controlada por poder estar no meu estádio, sentado na “minha” cadeira e ver o meu clube, tornando-se agora num remoínho de emoções mais fortes do que era normal. E, positivo ou não, é algo que poucos treinadores conseguiram, por isso imagina lá a responsabilidade.

Hoje é mais um desses jogos. Depois das duas prendinhas pós-Natal que os Deuses decidiram atirar na nossa direcção, só peço que não estragues tudo outra vez. Com a possibilidade de roubar dois pontos a Benfica e Sporting, numa altura em que pontos fáceis como estes não aparecem todos os dias, seria suicídio não tirar todos os pontos possíveis ao Moreirense hoje ao final da tarde no Dragão. Joga simples, joga prático, não inventes muito e por favor deixa estar o Óliver no meio e tira o Herrera da direita. Se possível, um ou dois cachaços bem dados ao Corona para o homem acordar e uma massagem em condições ao Jota para o puto acalmar. E uma conversa calma, pacífica, sem vozes erguidas, com o André, para que ele não pense que tudo depende dele. Tudo depende de ti, Nuno. Faz-nos sonhar de novo, por favor.

Sou quem sabes,
Jorge

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