Baías e Baronis – FC Porto 2 vs 0 Penafiel

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Saí do estádio com vontade de voltar depressa, como acontece quase sempre que termina um jogo, seja o primeiro ou o último. Desiludido com a desagregação entre adeptos que parece estar a tornar-se imagem de marca de um FC Porto que ainda não sabe perder mas que não tenta mostrar que quer ganhar. Desiludido com alguns jogadores, incapazes de mostrar que os acidentes de percurso acontecem mas que um homem sabe levantar-se depois de cair. Desiludido com o público que só aparece nas vitórias e desaparece nos momentos menos bons. Desiludido com uma merda duma época onde 82 pontos não chegam para ser campeão. Desiludido comigo por me deixar ir abaixo com estas coisas…*suspiro*… Últimas notas da época abaixo:

(+) Danilo. Até ao fim, até aos últimos segundos com uma camisola que aprendeu a estimar e que não merecia a despedida que teve da parte de tantos adeptos que o apoiaram sempre que caía no torpor da auto-comiseração crónica com que fez os primeiros dois anos de dragão ao peito. Lutou como se fosse um jogo decisivo, fez quilómetros pelo flanco na procura de criar as oportunidades para a equipa e para si, para conseguir terminar a época num estádio que lhe deu momentos agridoces mas que o acolheu como um dos nossos. E o aplauso dos poucos milhares que no final o viram a saudar as bancadas não chega para um rapaz que se fez homem aqui junto de nós. Ficas no coração, rapaz.

(+) Casemiro. Uma pena ver este rapaz a sair numa altura em que tanta fibra é necessária para manter uma equipa anémica, fisica e mentalmente. Talvez volte, não sei, mas era de um Casemiro que precisávamos naquela zona do terreno, rijo, firme, agressivo (em demasia, às vezes, porque aquele amarelo foi tão parvo como escusado) mas sempre a dar o que tem para recuperar as bolas e rodá-las para os melhores locais. Vais fazer falta até chegar outro como tu, puto.

(+) Helton. Safou vários lances de perigo do Penafiel, encaixou alguns remates e foi o sweeper-keeper que precisávamos quando a zona de acção era quase em exclusivo no meio-campo adversário. Custa a entender como é que Fabiano continuou a ser o titular da nossa baliza quando este “puto” estava em condições e pronto para jogar noventa minutos de cada vez. Já o analisei e voltarei a fazê-lo, mas custa entender.

(-) Quase tudo. As claques em silêncio, num protesto que entendo mas com o qual não concordo; os assobios do público às claques e vice-versa; os passes de Herrera; a lentidão de Reyes; os cruzamentos de Angel; o imbecil atrás de mim que está lá desde o início do ano e que nem sabia quem era o Angel; a finalização de Brahimi; o individualismo de Quaresma; as nano-faltas marcadas por Olegário; o nervosismo de Ruben; os excessos de Casemiro; a ausência de público; a leeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeentidão na construção de jogo; a incapacidade de Quintero ser mais que um bobblehead medricas; as descoordenações de Evandro; o domínio de bola de Aboubakar; a voz embargada do Saul; a malta a sair antes do jogo sabendo que era o último do Danilo e o rapaz merecia um aplauso sentido dos adeptos. Foi quase tudo muito mau.


Férias. Do que todos estamos a precisar, uns mais que outros. E dormir. Muito. Mal. O que conseguirmos.

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Baías e Baronis – Penafiel 1 vs 3 FC Porto

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Há campeões feitos de luta e outros de talento e a mistura dos dois normalmente faz com que uma equipa seja ainda melhor. E hoje naquele tremendo lamaçal em Penafiel, os rapazes foram obrigados a um tipo de jogo que não lhes agrada. A bola não rola no relvado, há demasiadas bolas divididas e o futebol que se consegue produzir não passa do medíocre. Mas também é nestes jogos que uma equipa que se quer campeã tem de mostrar que tem força de espírito e capacidade de sacrifício para ser prático, simples e eficaz. E foi o que fomos, com mérito e acima de tudo muito trabalho. E com Jackson. E Óliver. Upa. Vamos a notas:

(+) Jackson. Os orgasmos vocais de Freitas Lobo durante o jogo foram perfeitamente justificados. O capitão estava a jogar a um nível superior a todos os outros colegas e adversários e notava-se na forma como controlava a bola e a fazia rodar por zonas onde ninguém parecia conseguir ficar sequer com os pés bem assentes no chão. Estupendo na ajuda ao meio-campo, excelente no recuo para zonas de controlo da posse de bola ofensiva, foi mais um bom jogo do colombiano. Ah, mais um golo, como de costume, ao qual se soma o início da jogada do terceiro que é simplesmente genial.

(+) A entrada de Marcano. Fez-me lembrar alguns dos nossos velhos nomes naquela zona recuada (um André ou um Paulinho, até um Emílio Peixe, vejam lá) que jogaram tantas e tantas vezes em relvados exactamente nas mesmas condições que este e que tiveram o mesmo approach pragmático: homem não passa, bola vai para longe. E Lopetegui viu que Casemiro, já com amarelo, estava a baixar de produção e optou pela entrada do espanhol que passou o resto do jogo a despachar tudo que tinha sequer um lampejo de poder vir a criar perigo para a baliza. Foi, como tinha sido já noutros jogos e nas mesmas circunstâncias, o homem certo na posição certa.

(+) Casemiro. Duas assistências e um jogo positivo deste rapaz que não convenceu ainda os adeptos (eu incluído) mas que hoje esteve em bom plano. Foi duro quando foi preciso e apesar de ter saído relativamente cedo da partida (aos 65 minutos) fez o suficiente para se mostrar a um nível bem superior ao que tinha vindo a fazer nos últimos jogos.

(+) O espírito de sacrifício. Ainda bem que Brahimi não esteve neste jogo, porque a produtividade não teria sido muito provavelmente acima de um painel solar nas grutas de Santo António. Mas quem produziu neste jogo foram aqueles que conseguiram lutar, que não tiveram medo de ficar com as camisolas e os calções ensopados em água e lama e que nunca viraram a cara nem as pernas à luta. Toda a linha defensiva esteve bem, Herrera e Óliver no meio-campo estiveram com força e empenho e apenas os dois extremos pecaram por não conseguirem drenar o campo tão rapidamente quanto seria necessário. Não era jogo para eles.

(-) O início da segunda parte. A equipa tremeu um bocadinho com o golo do Penafiel e houve alguns momentos em que se tornava enervante a quantidade de lançamentos laterais próximos da área que o adversário pôde fazer, porque a bola parecia que não saía daquela zona. Lopetegui estava a ficar doido no banco (os guinchos quase se podiam ouvir aqui em casa a algumas dezenas de quilómetros…) e apenas depois de Marcano ter entrado é que a equipa conseguiu estabilizar a cabeça e recomeçou a jogar futebol. O possível, claro está.

(-) O cagaço do Tello. Há dois lances que me enervaram com a força de uma entrada de carrinho do Mozer. Nos dois lances, tal como já aconteceu inúmeras vezes esta temporada, há pontos em comum: o jogador adianta demasiado a bola, o jogador encolhe-se com medo do contacto físico e o jogador é Cristian Tello. Não me convence mesmo nada vê-lo a titular do FC Porto especialmente nesta fase da temporada, onde não produz o suficiente para justificar que tenhamos mandado Kelvin para o Brasil ou que mantenhamos Ricardo encostado a sonhar em ser lateral direito. Até Ivo, na equipa B, produz muito mais que Tello actualmente nos As e não tenho qualquer dúvida na minha cabeça que o espanhol só tem jogado porque chegou do Barcelona e o nome fala mais alto que os números em campo. Infelizmente.


Uma boa série de vitórias é sempre positiva, especialmente quando os jogos têm potencial para se transformarem numa miséria como este ou como já tinha sido o jogo contra o Boavista em casa. Nesse, não conseguimos. Neste, fomos bem melhores. Ainda bem.

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Ouve lá ó Mister – Penafiel

Señor Lopetegui,

Uma viagem curta, esta. E tem tudo para se tornar enfadonha, porque até lá pouco há para ver e menos ainda para experienciar. Ao menos se fizesses os mesmos quarenta quilómetros para Norte podias dar um salto à Póvoa e ias comer um peixinho bem bom. Ou descias até Espinho e enfardavas uma francesinha em forno a lenha numa taverna que por lá conheço e que é “daqui” (mão a segurar a orelha). Até podias ir pelo Rio até perto de Entre-os-Rios, na margem direita, onde há um tasquinho onde tens uns bolinhos de bacalhau com umas fatias de presunto que te deixavam com eles na mão a pedir mais. Nota-se que estou com fome? Muito? Raios.

É uma viagem rápida, como te disse. E o Penafiel até é um clube amigo há uns anos, porque raramente nos deu água p’la barba. Aliás, a última vez que perdemos pontos no 25 de Abril (o estádio, não a coisa dos cravos que já te devem ter explicado) foi em 1990/1991, há mais de vinte anos!!! Nessa altura jogavam alguns rapazes que já deves ter ouvido falar…Baía, Geraldão, Kostadinov, a dupla de Coutos (o Fernando e o Jorge) e o André, o pai do André ao quadrado que agora joga no Vitória. E o árbitro, por coincidência das maiores coincidências, foi o pai do moço que vai estar aí logo à noite! Outros tempos, outras histórias e definitivamente outro tipo de mentalidade e de futebol. Hoje em dia o que conta é a eficácia e a inteligência competitiva. E os golos, isso também parece que conta muito.

Dá lá um salto a Penafiel e sai de lá com golos marcados e sem sofrer nenhum. É um desafio que te faço. Aceitas? Claro que aceitas!

Sou quem sabes,
Jorge

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Baías e Baronis – FC Porto 4 vs 0 Penafiel

Abençoada box com DVR que tenho ali ao lado da televisão e que juntamente com a app que tenho no telemóvel me permitiu gravar o jogo todo mais alguns programas subsequentes, porque por causa da paragem do jogo estava a ver que não conseguia ver a partida completa. Foi o jogo possível com as condições ridículas do terreno, que no fundo se resume a isto: quatro-zero, alguma eficácia, uma assistência de letra, um golo de cabeça do Quaresma e placards publicitários a voar no meio do campo. Exacto, foi isso. Notas, já já aqui abaixo:

(+) Quaresma. Marcar um golo (de cabeça, senhores, e com intenção!) no primeiro jogo depois de voltar é simpático mas acima de tudo é a forma como Quaresma encara os defesas de uma forma que poucos fazem no nosso passado recente que me faz sorrir um bocadinho. Sim, já não é o mesmo de antigamente, mas o toque de bola está lá e se conseguir meter algum respeito aos adversários que ficam a pensar o que vai sair daqueles pés…já não é mau de todo. Reservo a resposta às minhas dúvidas sobre o regresso do rapaz ao clube para o próximo Domingo.

(+) Fabiano. Pode parecer estranho dar uma boa nota a Fabiano num resultado de 4-0 a nosso favor, mas o rapaz esteve muito bem em quase todas as situações (largou uma bola depois de um livre mas tem a desculpa da bola molhada e da chuvada absurda que caía naquele momento), especialmente nas saídas rápidas a cobrir o posicionamento mais subido dos defesas. E é exactamente isso que se pede a um guarda-redes de uma equipa grande, que esteja sempre atento, rápido a sair dos postes e que não invente quando vai cortar a bola. Fabiano fez tudo isso e começa a dar-me segurança vê-lo na baliza. Helton, amigo, podes ter aí finalmente o teu sucessor.

(+) Ghilas. Trabalha imenso, este estupor, apesar de parecer gostar mais de jogar de costas para a baliza do que de frente, o que pode ser extremamente útil se jogarmos com dois avançados (Ghilas amortece para Jackson, remate, golo!) na área. Corre muito, usa bem o corpo e tem técnica suficiente para jogar mais do que cinco minutos de cada vez…mas se insistir em rematar pouco, ao contrário do que fez na pré-época, acaba por perder para o colombiano que é mais rematador e bem mais eficaz. Ainda assim, gostei de o ver e a “rabona” para o golo de Jackson é…indicador e médio juntos com o polegar a tocar nos lábios, fazer som de beijo…voilá.

(+) Jackson. Dois remates, dois golos. Um com o pé, outro de cabeça. Perfeito.

(-) Adaptar quando há outras soluções. Não gosto de ver Ricardo a lateral-direito. Não tem posicionamento defensivo adequado, tem pouco corpo para o choque directo e entende-se mal com o central que joga a seu lado, o que é compreensível mas perigoso. Apesar das várias mudanças que Paulo Fonseca fez na equipa, especialmente do meio-campo para a frente, questiono-me se não teria valido a pena deixar Ricardo no banco e Varela de fora, para Victor Garcia entrar para o lugar de Danilo. Acontece-me o mesmo quando vejo Mangala a jogar a lateral-esquerdo, por outros motivos, porque o francês sabe defender mas ataca como um urso pardo a correr atrás do último coelho da floresta, mas do lado direito temos um lateral promissor na equipa B que pode e deve ser aproveitado. A questão é: quando?

(-) As chuvadas. Assim não dá, amigos. Aposto que o animal que controla a meteorologia lá de cima olhou para baixo e pensou: “Ah, meus caros, vou-vos punir pelo jogo parvo do passado Domingo! Sorvam as minhas lágrimas, muahahahahha!”. Acho que deve ter sido qualquer coisa como isso.


Meh. Um resultado destes e a sensação de que…who really cares? Sim, é mais uma competição, mas não é nem de perto suficiente para a malta se entusiasmar por aí fora. Ainda assim, foi um jogo minimamente decente com o temporal que caiu no Dragão e a ultrapassagem ao Sporting também acaba por ser interessante para manter o FC Porto no topo do grupo. O jogo contra o Marítimo decide tudo e apesar de não dependermos só de nós, temos boas hipóteses de vencer esse jogo e esperar que o Sporting derrape em Penafiel. Mas…meh.

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Ouve lá ó Mister – Penafiel

Mister Paulo,

O jogo do passado domingo deixou-nos a todos de rastos. Portistas de todo o mundo viram o pouco que conseguimos fazer e começam a pensar que não há escapatória para esta falta de qualidade que no nosso futebol atravessa, e quando isso acontece, quem se costuma lixar é o treinador. E olha que Janeiro é um mês propício para despedimentos ali para o lado das Antas, por isso há mais em jogo nestas próximas semanas que apenas um ou outro resultado mais ou menos interessante para competições tão sombrias como esta que hoje vais alinhar.

E parece que já passámos por isto aqui há umas semanas, depois do jogo em Madrid contra o Atlético, ou no Estoril, ou até em Alvalade. E depois aparecem jogos como o Zenit, o Braga e o Sporting no Dragão, onde até jogamos em condições e vencemos o jogo…e a malta vai alegre para casa, relativamente satisfeita com a exibição e a pensar: “é desta, carago, é desta que começamos a jogar a sério!”, mas o próximo jogo traz sempre uma enxurrada de parvoíces e uma incrível falta de fibra dos teus rapazes e, lamento dizê-lo, também de ti.

Não vou poder ir ao Dragão hoje à tarde (pelas hemorróidas de Satã, um jogo às 18h30 de uma quarta-feira é suficiente para me enfiarem um punho no rabo, amigos!) mas o jogo é fácil. Tem de ser fácil, raios, é o Penafiel! Já reparei que convocaste a grande maioria dos suspeitos do costume em vez de espetares com uma espécie de roleta (por falar em roleta, apeteceu-me pôr isto aqui: http://www.roletaonline.pt. pronto.) com a equipa B. Descansaste o Lucho e o Licá, o Danilo vai cumprir o jogo de castigo e o Otamendi vai fazer sei lá que raio é que ele faz nos dias de folga, só sei que não lhe tem ajudado a concentração. Seja como for, e considerando que o FC Porto B vai jogar com este mesmo Penafiel no próximo Domingo, vai ser uma boa maneira para vermos se os As são melhores que os Bs. Até agora, para te ser sincero, não tenho notado muitas diferenças.

Sou quem sabes,
Jorge

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