Ouve lá ó Mister – Setúbal

Companheiro Nuno,

Estou a fazer dieta. É verdade, depois de muitas agressões ao meu fígado, estômago e vizinhos abdominais, decidi-me finalmente a fechar a matraca e a fazer algum exercício para que, daqui a uns aninhos, possa finalmente olhar para baixo e ver a pixota para o espelho e ter algum orgulho no que vejo. É raro acontecer e a barba de indigente, somada à despreocupação geral para com o meu aspecto, ajuda a que me foque no interior para que se reflicta qualquer coisa no exterior.

E como em todas as dietas, o que custa é abdicar das coisas mais habituais e forçar aquelas que não são tão habituais. Arroz em vez de massa, iogurtes magros em vez de bolachas, leguminosas em vez de batatas fritas, esse tipo de tralhas que deixam um gajo deprimido e a pensar na vida. Caminhar em vez de enfardar, exercitar em vez de enfrascar, tudo actos que afastam um gajo do prazer de estar vivo e que levarão, espero, a um fim nobre mas através de caminhos tortuosos e infelizes. *suspiro*

Isto tudo para te dizer: não deixes que o meu esforço seja em vão, Nuno. Permite-me gritar e saltar com os golos do FC Porto neste Domingo porque para lá de gastar mais umas nove ou dez calorias com o entusiasmo, sempre me pode trazer alguma alegria e força para o futuro próximo. Porque na Luz, já sabes: se ganhar, que se lixe a dieta, vão finos abaixo quer a pança queira quer não queira!

Sou quem sabes,
Jorge

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Baías e Baronis – Vitória Setúbal 0 vs 0 FC Porto

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Bye bye, confiança. Adios, moral. Auf wiedersehen crédito do último jogo. Não conseguimos passar uma equipa lutadora mas limitada por culpa da nossa própria ineficácia e de nunca conseguirmos lutar contra um árbitro que fez quase tudo para que o jogo ficasse bem inclinadinho para o lado do adversário. Mas se o árbitro tem culpa nalguma parte, não tem decerto culpa das defesas de Bruno Varela nem da incapacidade de Otávio ou Corona em furar a defesa, muito menos da lateralização em excesso que tivemos durante grande parte do jogo. Perdemos pontos por culpa própria. Notas abaixo:

(+) Felipe. Forte no contacto, prático no corte e lutador em todo o jogo, foi permanente o inconformismo do brasileiro perante a incapacidade dos colegas em enfiar a bola dentro da baliza, ele que ganhava as bolas todas lá atrás e que sem dúvida quereria ter marcado um golo para vencer a partida. Bem tentou, incluindo uma subida pelo flanco e excelentes desmarcações nos cantos, que foram mais uma vez estupendamente mal batidos.

(+) Danilo. Fortíssimo na intercepção e no controlo do meio-campo, foi mais uma vez o principal responsável por barrar incursões do Setúbal pelo centro do terreno e recuperou montanhas de bolas pelo chão e várias pelo ar. Só precisava de conseguir ser um bocadinho mais incisivo na progressão ao nível da relva, porque tem capacidade física para isso e traria desequilíbrios que podiam decidir uma partida destas, mas as instruções que tem são para ficar naquela zona e deixar Óliver e Herrera tratar das despesas ofensivas. É pena.

(+) O apoio do público portista no Bonfim. Largos milhares de portistas a sul do Tejo mostraram que o clube está vivo e continua a acreditar na sua equipa. Ou isso ou foram todos ao festival do choco frito, que neste final de tarde trouxe com toda a certeza mais alegrias que o jogo dentro do estádio. Gostei de ver e de ouvir.

(-) Ineficácia. Jota, André, Jota, Jota, André, Óliver, Otávio, Marcano, Felipe, Óliver, Jota, André…e a lista podia continuar, tantos foram os remates e tentativas de remate que fizemos durante o jogo e nenhuma delas conseguiu entrar na baliza. Assim é impossível conseguir ganhar um jogo em condições e aposto que mesmo que o adversário tivesse jogado apenas com o guarda-redes e mais um ou outro manco na defesa, ainda assim não tínhamos conseguido marcar. E bastava um golinho para acabar logo com o jogo. Não conseguimos e esse foi o nosso grande pecado.

(-) Arbitragem. Não falo sequer do penalty porque apesar de me parecer que houve contacto, se Otávio não tivesse feito tanta fita ao cair era muito difícil justificar não o marcar. Mas foi acima de tudo aquela caseirice de permitir jogo duro e com os braços a todos os jogadores do Setúbal, apontando todas e quaisquer faltinhas que os nossos jogadores fizessem. É incrível que poucos homens da casa tenham visto cartão com tantas faltas que fizeram…ah, pois, mas tinham de ser assinaladas para que houvesse hipótese de mostrar cartão, não é? Lei da vantagem permanente para o jogo com os braços (a imagem que escolhi foi repetida, com estes ou outros intervenientes, durante todo o jogo), dualidade de critérios demasiado evidente e uma ridícula gestão do tempo de jogo. Não justificando o empate com erros do árbitro, a verdade é que muitas jogadas foram perdidas sem razão para tal. Assim é mais difícil, lá isso é…

(-) Os furadores. Nem Otávio nem os dois que vieram do banco, Corona e Brahimi, conseguiram furar pela defesa de uma forma consistente, usando ou não o apoio dos laterais. Em parte por culpa própria mas também pelo pouco apoio que tinham e da quantidade absurda de homens do Setúbal que nunca os deixaram passar. Há uma imagem terrível na segunda parte onde Corona recebe a bola e vê-se rodeado por quatro adversários. Layún, subindo para receber a bola, lá a consegue receber para a endossar novamente a Corona que a retorna para o compatriota. E os minutos iam passando, sempre sem conseguirem grande profundidade.


Nada está perdido, mais uma vez, mas desperdiçar pontos num jogo que deveria ser tranquilo pode lixar as contas mais lá para a frente. Nada está perdido a não ser a moral que trazíamos da semana passada. Venham Brugge e Benfica para elevar outra vez a confiança!

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Ouve lá ó Mister – Setúbal

Companheiro Nuno,

ALL IS WELL, SON! Estamos todos entusiasmados com a visita ao Sado com o festival do choco frito a encher panças e o grande FC Porto a passear em Setúbal enquanto vence um jogo que tem sido bastante acessível nos últimos anos e esperamos que continue a sê-lo. Mas…

Mas é uma bela trampa quando a malta está bem disposta e depois leva uma lança no lombo quando ao fim de noventa minutos verificamos que todas as coisas que poderiam correr mal, vão correr mal. O Murphy é um cabrão do carago e quando se lembra de se virar contra nózes, a trampa atinge a ventoínha com uma pujança que faz com que milhões de viciados em splatter porn se vinguem dos olhares que recebem na rua com risos malévolos e atitudes de desprezo que não ficam bem a ninguém. Nem a splatterpornófilos. Continuando.

O que interessa é acalmar um bocadinho a malta, dentro e fora do campo. Uma vitória jeitosa como a de semana passada não chega para ganhar o campeonato e aquele nível de exibição, aquela energia e qualidade de jogo tem de ser repetidas semana após semana, seja contra quem for, Setúbal ou Arouca, Belenenses ou Benfica. Por isso estou a contar com um jogo sério, com intensidade, boas trocas de bola, inteligência na frente de ataque e um alheamento geral da sorte. Nós é que temos de fazer a nossa própria sorte, de uma forma muito simples: marcando mais golos que os outros. Parece-te bem? Força nisso!

Sou quem sabes,
Jorge

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Baías e Baronis – Vitória Setúbal 0 vs 1 FC Porto

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O que interessa nos jogos até ao final do campeonato é mesmo sair do campo com os três pontos no saco. Mas precisava de ser tão sofrido contra uma equipa tão fraquinha? Este ano a resposta tem sido sempre a mesma: infelizmente, sim. Somos fraquinhos, amigos, é o que somos. Não jogamos mal de todo mas a ineficácia em frente à baliza e o quase completo alheamento de capacidade criativa no ataque, aliados a uma assustadora fragilidade defensiva fazem com que até um Setúbal vs Porto seja um sofrimento. Vamos a notas:

(+) Sérgio Oliveira. Se o que Peseiro procura num médio para aquela posição de transição defesa-ataque é um rapaz como Sérgio, não estamos mal servidos. Não é um génio mas trabalha bastante. Remata quando pode e ainda bem que o fez hoje da forma como conseguiu, porque foi por “culpa” dele que saímos do Bonfim com os três pontos, mas acabou por ser o corolário de uma boa exibição de um rapaz que nunca seria titular se o plantel fosse mais equilibrado e com talento superior. Ainda assim é um bom elemento para manter no plantel e já está a ser importante nestas jornadas da rampa final da época.

(+) Herrera. Mais um bom jogo do capitão, especialmente em termos da capacidade de pautar o jogo ofensivo pela organização a meio-campo. E tentou sacar uma trivelada à Quaresma mesmo para o final da partida, que se tivesse entrado faria com que nos lembrássemos todos dele daqui a muitos anos. Ainda assim não duvido que vai ficar na memória do povo, mesmo não sabendo se pelas melhores razões…mas a verdade é que desde que usa a braçadeira parece mais inteligente, bravo e com melhor critério na execução.

(+) Danilo. Apesar de parecer estar cansado, fisicamente e também a nível moral (está bem mais arrogante nos protestos com o árbitro e na forma como orienta os colegas durante o jogo), continua a ser titular absoluto e indispensável no FC Porto. É dos poucos que se entrega a 100% ao combate numa zona onde muitas vezes tem de jogar por dois ou três. Some-se uma boa mão cheia de boas intercepções e subidas no terreno e temos aqui uma das melhores contratações dos últimos anos.

(-) Sofrer no fim…e durante. Tantas oportunidades falhadas, vários jogadores em excepcional baixa de forma, uma notável incapacidade de marcar golos fáceis e um ponta-de-lança com uma ponta aplainada e uma lança com disfunção eréctil. O jogo flui devagar, sem velocidade e com pouca criatividade a aparecer de uma forma orgânica. Jogadas mecânicas, com tristes desmarcações que terminam quase sempre em cruzamentos fracos, sem presença na área para que se consiga acreditar que cada aproximação à baliza possa erguer um adepto do assento e lhe provoque o mínimo de excitação. E essa excitação acontece sempre quando as coisas acontecem no outro lado, quando Layún ou Maxi sobem em demasia e o meio-campo se transforma num poço de óleo vegetal e permite que adversários oleados na facilidade dos movimentos por entre os nossos jogadores cheguem facilmente à área. E chateia-me. Muito.

(-) Outra vez menos agressivos que qualquer adversário. Uma ou outra honrosas excepções aparte (Sérgio, Indi e Danilo, pouco mais), a nossa equipa é um conjunto de jogadores que não metem o pé às bolas e permitem que o adversário penetre pela nossa zona defensiva como se fosse um cutelo em brasa a cortar um naco de Brie. Custa assim tanto tentar correr mais que o adversário? Tentar lutar com as mesmas armas físicas que os outros usam contra nós? Procurar o contacto e a luta corpo-a-corpo em vez do constante recuo que permite que o oponente crie perigo perto da nossa baliza? A falta de pernas não serve de desculpa para tudo. A falta de mentalidade lutadora explica mais.


Cada vez faltam menos jornadas para isto acabar e a recuperação de tantos pontos parece uma tarefa impossível. Mas nada está perdido…pelo menos matematicamente. Na minha cabeça já perdemos há meses.

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Ouve lá ó Mister – Setúbal

Camarada José,

Já não sei o que esperar, sou-te sincero. Podemos ter um belo jogo com futebol ofensivo e alguma segurança defensiva para tapar os enormes buracos que vão aparecendo durante o jogo…ou então podemos ter uma caquinha de jogo com futebol assim-mais-pro-sei-la-mas-ninguém-remata-nesta-equipa e nenhuma segurança defensiva para tapar as crateras que vão com toda a certeza aparecer durante o jogo. Uma coisa é quase certa: não vai ser um jogo normal. E a culpa é de quem? Francamente, também não sei.

Não consigo ficar entusiasmado com este FC Porto, pelo menos no que tenho visto nos últimos jogos. É tudo “pouco”. Poucos remates, poucos jogadores a correr na frente, poucas jogadas de envolvimento, pouca agressividade. Também há “muitos”, atenção! Muitos passes falhados, muita falta de pernas, muitas jogadas perdidas, muita parvoíce. *suspiro* Este FC Porto, esta equipa que tu tens nas mãos sem que a tenhas criado ou ajudado a gerar, é uma manta de retalhos estranhos que não combinam bem, uma mescla de homens sem moral e sem fibra para combates a sério. E se não os conseguiste motivar para um dos jogos mais importantes do ano, em Braga, não vejo como é que o vais conseguir em Setúbal. Tenho fé, mas pouca.

Sou quem sabes,
Jorge

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