Baías e Baronis – FC Porto 3 vs 2 União

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Minuto e meio antes do segundo golo do União, disse para os meus colegas: “Isto tem tudo para ficar muito feio daqui a pouco tempo!”. E ficou, rapidamente, porque se não fosse o balázio do Corona (depois de um jogo ridiculamente fraco), os poucos aplausos que se viram no final do jogo tinham-se convertido em mais uma orquestra de assobios a acompanhar a equipa. Um jogo que até nem começou mal mas que se transformou num festival de erros, desconcentrações, pouco entrosamento, muitos nervos e mais uma vez com quase total ausência de agressividade a meio-campo. E na frente. E na defesa. Notas:

(+) Herrera. Hector, chapeau para ti. Um excelente jogo de Herrera é tão difícil de encontrar como um trevo de quatro folhas…azul a cantar Arctic Monkeys em norueguês, mas foi o que aconteceu. E tem vindo a acontecer mais vezes nos últimos tempos, fruto sobretudo do acréscimo de cultivo de trevos geneticamente alterados e fãs de indie rock e línguas estranhas. Brinco, claro, mas a verdade é que Herrera foi o melhor jogador do FC Porto hoje no Dragão, com discernimento no passe, critério apurado nas desmarcações e a ser um dos poucos que procurava de facto lutar contra os adversários. Hoje foi um “oitenta”, cheira-me que um “oito” está próximo.

(+) Maxi. Posicionalmente rivaliza com os piores mas ninguém lhe pode apontar falta de empenho. O primeiro golo é dele pela forma como se lança pelo ar para conseguir assistir Aboubakar depois do bom mas longo passe de Sérgio Oliveira, mas foi na maneira como subiu pelo flanco e fez (mais uma vez) o trabalho tanto dele como de Corona que o fez destacar-se em relação aos outros. Ah, safou-se de ser expulso depois de dar um pontapé num jogador do União. Não sei em quem foi mas mereceu, o estupor de pijama cinzento.

(-) It’s the stamina, stupid! Haverá memória de uma época em que os jogadores chegam quase todos aos sessenta minutos com a boca aberta e a capacidade de correr e lutar quase esgotadas? Não me lembro, sou-vos bem sincero, de ver uma equipa de futebol neste estado a não ser alguns jogadores nalgumas formações em campeonatos do Mundo quando lá chegam depois de temporadas complicadas pelos clubes. Mas tantos?! Eu sei que tem havido muitas lesões e outros tantos castigos, para além da mudança no regime de treinos depois da passagem de Lopetegui para Peseiro, mas nunca vi uma equipa tão débil fisicamente como este FC Porto.

(-) Por favor, caríssimos adversários, é só passar! Sir Bobby tinha rasgado sete casacos e pontapeado o banco dezanove vezes se tivesse visto este jogo e a permissividade com que toda a equipa (o meio-campo em particular) encarava qualquer lance ofensivo do União. E não houve assim tantos porque a equipa é fraquinha, caso contrário estaria talvez a comentar mais uma derrota em vez de uma vitória sofrida. Há demasiada expectativa de Corona e Brahimi no approach à bola na primeira zona de construção adversária, Ruben continua macio como um rabinho de bébé numa cama de veludo e nem me ponham a falar do pobre do Angel que não consegue tirar a bola a um adversário em corrida. Layún e Chidozie desligados e lentos, Aboubakar sem capacidade de pressão e nem o Sérgio se safou hoje, ele que dava pancada em todos os jogos que fez no Paços. Teríamos visto um belo dum treino físico no final do jogo se Sir Bobby cá estivesse…

(-) Corona (apesar do golo) Tarik, durante o Ramadão, era mais prático que tu, Jesus (que má escolha de conceitos e palavras, porra)! A única coisa decente que fez durante o jogo foi o tal remate forte aos 87 minutos que nos deu a vitória na partida, mas o resto foi um enorme deserto de ideias, sem rasgos, sem sprints, sem inteligência a jogar e com uma quase total incapacidade de partir para o 1×1 com confiança. E já agora, é só cá que os extremos chegam e deixam de saber fazer o que mostravam antes?! Haverá um vórtex de perda de confiança no Dragão que afecta os jogadores rápidos e práticos?! Se há, Corona é um excelente caso de estudo porque já o vi a fazer jogos tremendos pelo México e mesmo pelo Twente e hoje foi só mais um jogo em que preferia ter meio Ivo Rodrigues em campo. A continuar assim preferia ver ali o Ismael ou o Gleison, palavra.


Podemos acabar com isto mais cedo? A sério, já nem estou a brincar com este tipo de coisas, mas a forma como estamos a jogar e o estado físico dos jogadores vai fazer deste final de época uma caminhada penosa. Um arrastar penoso, para ser mais condizente com o que se tem visto…

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Ouve lá ó Mister – União

Camarada José,

Isto é que vai uma crise, homem! Em campo e fora dele, porque já vi a lista de convocados e estamos piores que um destacamento de polacos na fronteira com a Alemanha em 1939. Com menos cavalos, ainda por cima, que é uma chatice e fica mais feio nas televisões. De qualquer forma, como disseste e bem, vamos à guerra com os que temos. Como os polacos. E olha como as coisas lhes correram bem…

Não estamos num bom spot. Fisicamente, moralmente, estamos naquela posição que eu gosto de considerar “defilhadaputice”, que é estar perto dos primeiros mas sem grandes esperanças de lá chegarmos. E já estivemos mais perto mas os teus rapazes voltaram a desiludir-te e a todos nós e apanhamos na pá em Braga. Foi mau apanhar na pá…pá, mas pode ser pior se repetirem a dose hoje à noite. E qual é o mal dos convocados terem vários gajos da B? Não temos de começar a pensar em separar o trigo do vastíssimo joio e dar uma oportunidade aos putos? Temos, pois!

Vá lá, ganha o jogo em condições e deixa a malta a bater palmas no fim em vez de assobiar. Eu já nem peço muito, carago…

Sou quem sabes,
Jorge

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Baías e Baronis – União 0 vs 4 FC Porto

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Há jogos em que tudo corre bem e mesmo que a equipa não faça uma exibição por aí fora, a bola parece chegar sempre ao destino e roçar no interior da baliza nas alturas certas. O resultado é perfeito e apesar da capacidade de criação de jogo ofensivo não bater certo com os números, a verdade é que é com vitórias como estas que as conquistas nos campeonatos são feitas. Entediante mas produtivo. Vamos a notas:

(+) Danilo. Firme no meio-campo onde enfrentou mais um trio de caceteiros profissionais, que jogavam mais com os braços que várias equipas de voleibol em conjunto, foi um dos jogadores mais dinamizadores da zona central e o mais importante na rotação da bola por essa parte do terreno. É verdade que procurámos muito mais as alas do que o meio, mas sempre que o fizemos aparecia Danilo a impôr o físico e a força que era necessária para um jogo contra bordoeiros. Marcou o primeiro golo com a nossa camisola e espero que o faça de forma mais regular no futuro.

(+) Layún. Duas assistências, uma de bola corrida (e de pé esquerdo!) e outra de bola parada, foram os pontos altos de mais um bom jogo do mexicano com a nossa camisola, que arrisca a ser o melhor dos seus conterrâneos em tão poucos jogos, quando comparado com a lentidão de Herrera e a inconstância de Corona (apesar do chouriço do golo de hoje). Activo pela linha e mexido em zona ofensiva, continua a ser um dos melhores jogadores da equipa e é vital na criação de lances ofensivos (os poucos que criamos). Titular, sem dúvida.

(-) Criação de lances ofensivos. Sim, hoje tudo correu bem e espetámos quatro batatas no União. E quando a cabeçada do Herrera não bater na perna do defesa? E o cruzamento do Corona não sair direitinho para a baliza? Aí o que é que acontece? Ficamos com o resto, uma sucessão interminável de passes a meio-campo (aposto que falhámos mais passes que a União acertou) e muito pouco jogo de área. É evidente que Lopetegui se queixa de não haver penalties a nosso favor, porque não os há. Mas para que houvesse aposto que dava muito jeito conseguir entrar lá mais frequentemente. E a aparente incapacidade de gerar oportunidades de golo de uma forma consistente está a preocupar-me bem mais do que as falhas defensivas ou os passes falhados a meio-campo.

(-) A expulsão de Osvaldo. Uma anedota pela mão de Paixão, que não resiste a deixar a marca num jogo que estava a ser normalzinho, com pancada “natural” e nada mais que isso. O Dani chega perto do gajo e até lhe pode tocar, mas nada que justifique aquela reacção ou a expulsão. Amarelo, no máximo, mas Bruno tinha de marcar a diferença. Vendo as coisas pelo lado positivo, pode ser que o André jogue contra o Paços no sábado…

(-) Mais uma opção contraditória. A entrada de Maicon depois da expulsão de Osvaldo (mais uma vez Bruno Paixão não resistiu a deixar a sua marca num jogo normalzinho), juntamente com mais um reajuste das peças na defesa e no meio-campo, é novamente uma ideia semelhante à que Lopetegui teve no jogo contra o Tondela. É uma transmissão de insegurança para os seus jogadores, uma mensagem de “malta, não acredito que aguentem isto sem meter um canastrão para mandar a bola para longe quando for preciso”, ao mesmo tempo que troca mais dois ou três jogadores e os obriga a jogar noutras posições que até podem ser relativamente naturais mas que já percebemos que ainda não estão preparados para o fazer numa questão de segundos. Lopetegui insiste em mensagens contraditórias: acredita nos jogadores ao ponto de os fazer ocupar várias posições por jogo, mas não confia neles para aguentar uma situação de jogo menos favorável. É difícil de entender, palavra.


Calendário acertado, ainda dois pontos atrás do papão verde e branco e mais umas dezenas de jogos até ao final da época. Melhorias exigem-se e quanto mais cedo chegarem, melhor…

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Ouve lá ó Mister – União

Señor Lopetegui,

Que belo balde de estrume regado com sumo de trampa que nos serviram no passado sábado, caríssimo. Não sei se foi do equipamento ou do mau estar generalizado que parece estar bem visível no relvado, mas não estarei muito longe da verdade quando digo que esta foi das piores semanas a nível de produção futebolística que a tua equipa nos mostrou desde que assinaste contrato. Tanto este como o jogo contra o Dínamo foram tão maus que a meio pensei que só nos safámos disto se o relvado abrir uma greta enorme e afundar metade da equipa, juntamente contigo. E acredito que a determinadas alturas do jogo também sonhaste que essa poderia ser uma melhoria interessante.

E hoje ainda vai ser mais tramado, só porque é naquela ilha que nos rouba a alma e alguns pontos todos os anos. E pela segunda vez consecutiva te vou pedir melhorias sem ter esperança que apareçam. Só te peço o mínimo dos mínimos: uma vitória. Não quero saber como, já começo a desesperar por ver o que podemos sacar de interessante deste nosso futebol que está a roçar o miserável, com uma construção de jogo que não existe, entrosamento defensivo que desapareceu e capacidade concretizadora que está em parte incerta. Por isso ganha da melhor maneira que conseguires, só para ver se a malta se vai aguentando perto dos primeiros.

Sou quem sabes,
Jorge

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