Ouve lá ó Mister – União

Camarada José,

Isto é que vai uma crise, homem! Em campo e fora dele, porque já vi a lista de convocados e estamos piores que um destacamento de polacos na fronteira com a Alemanha em 1939. Com menos cavalos, ainda por cima, que é uma chatice e fica mais feio nas televisões. De qualquer forma, como disseste e bem, vamos à guerra com os que temos. Como os polacos. E olha como as coisas lhes correram bem…

Não estamos num bom spot. Fisicamente, moralmente, estamos naquela posição que eu gosto de considerar “defilhadaputice”, que é estar perto dos primeiros mas sem grandes esperanças de lá chegarmos. E já estivemos mais perto mas os teus rapazes voltaram a desiludir-te e a todos nós e apanhamos na pá em Braga. Foi mau apanhar na pá…pá, mas pode ser pior se repetirem a dose hoje à noite. E qual é o mal dos convocados terem vários gajos da B? Não temos de começar a pensar em separar o trigo do vastíssimo joio e dar uma oportunidade aos putos? Temos, pois!

Vá lá, ganha o jogo em condições e deixa a malta a bater palmas no fim em vez de assobiar. Eu já nem peço muito, carago…

Sou quem sabes,
Jorge

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Baías e Baronis – Braga 3 vs 1 FC Porto

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Um dia vivos, no outro um pedaço de carne pronta para abate. Numa semana jogam para chegar às estrelas, na outra passam por manequins de lojas de roupa com a mesma mobilidade e capacidade de luta. Tem sido esta absurda montanha-russa de emoções que o demónio que tomou conta desta temporada nos arranca o coração e o mastiga com o sangue a escorrer pelos lábios, num sorriso maldoso e sarcástico de quem nos quer ver em baixo. Houve luta enquanto houve pernas e depois…nem pernas, nem luta, nem nada. FUBAR. Notas:

(+) A entrada em jogo. O arranque para a partida foi bom. Vinte, talvez vinte e cinco minutos de pressão intensa, boa rotação de bola, antecipação no corte, excelente envolvimento ofensivo, jogadas de interligação interessante no meio-campo e apesar de termos criado poucas situações de perigo, o jogo esteve do nosso lado. Pena que os outros setenta minutos não tivessem sido remotamente parecidos.

(+) Braga. Jogou mais. Correu mais. Lutou mais. Mostrou mais. Nada mais há a dizer, amigos, foram melhores que nós em todos os sectores e quando isso acontece não podemos querer dizer que o resultado foi injusto ou que os nossos jogadores são uma merda. Os outros foram melhores. Talvez consigamos ser melhores que eles na final da Taça, mas hoje fomos bem derrotados. Mai nada.

(-) Macios. Mais uma vez. Mais. Uma. Vez. Somos consistentes, valha-nos isso. Consistentes na forma como perdemos em força contra os adversários, como não conseguimos apertar com um meio-campo de quatro homens contra outro que rasga o centro com os laterais, que ameaça a área com cruzamentos mais certeiros porque feitos com mais tranquilidade dada a falta de pressão. Falhámos nesta parte desde o início da temporada e não é culpa de Peseiro, é culpa dos jogadores. É culpa de pouca fibra e de pouca capacidade de luta no 1×1. Com as fraquezas dos outros posso eu bem, mas com as nossas…chateio-me muito.

(-) Fracos. Mais uma vez. Mais. Uma. Vez. É simples: não aguentamos noventa minutos a bom nível. A um nível decente contra adversários fracos, somos ainda capazes de ir rodando um ou outro jogador e chegar ao final da partida com os índices físicos a roçar o limite da sobrevivência humana, mas quando apanhamos um adversário que não só corre mais que nós mas também consegue ser mais perigoso enquanto o faz…lixamo-nos e bem, como hoje. E isto também não é culpa de Peseiro, mas do que veio antes dele.

(-) Inócuos. Mais uma vez. Mais. Uma. Vez. Aqui sim, pode haver alguma culpa de Peseiro. Entramos para controlar o jogo e fizemo-lo durante os vinte minutos que referi em cima. Mas não fizemos nada com esse controlo. Uma ou outra jogadita de perigo, um remate do Suk e um livre do Brahimi. E pouco mais. É muito pouco para uma equipa que quer ser campeã, com demasiado jogo a meio-campo e pouca criação de lances na área. Assim não é possível aspirar a mais do que um terceiro lugar e talvez seja esse a posição que merecemos este ano. Talvez.

(-) Xistra. Não resisto a apontar o dedo a este imbecil. A expulsão de Peseiro é mais um exemplo que pagamos muitas vezes por pecados idênticos que noutros clubes passam pelos pinguinhos de uma morrinha que chateia mais do que magoa. Por muito que me possam vir dizer que terá protestado fora da sua zona, Peseiro foi expulso porque era Xistra que estava com o apito na boca. E a quantidade de faltas feitas por homens do Braga com um limite para o amarelo subido para quatro ou cinco faltas, ao passo que os nossos jogadores apanharam amarelo à primeira várias vezes. Xistra é um puto que levava no focinho no recreio até que apanha os outros colegas, anos mais tarde, como seus subalternos numa qualquer empresa, procedendo a cascar nos gajos sempre que pode. É um socio-bully. Enfim, um entre muitos.


Adeus, título? Sim, creio que desta vez é definitivo. Restará a Taça e o orgulho todo retalhado que temos a obrigação de salvar. Não o vamos conseguir, claro, mas temos de continuar. Sempre em frente. De palas nos olhos.

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Ouve lá ó Mister – Braga

Camarada José,

Acabou há bocadinho o derby lá de baixo e o resultado é evidente: as tropas de Jesus tiveram o tratamento que Saladino deu aos seus homónimos em Jerusalém aqui há umas centenas de anos e estamos agora dependentes só de nós para chegarmos ao segundo lugar. Já em relação ao primeiro as coisas podem piar mais fininho porque o Benfas tem um calendário mais fácil e teoricamente é complicado. Mas um tri é anti-democrático e estou certo que vai haver alguma força divina a jogar pelo nosso lado e a apoiar a nossa causa para que os gajos percam pontos e nós consigamos lá chegar. Para isso basta-te ganhar os jogos todos. São só dez joguitos, a começar por este.

Vai ser quase o oposto de um jogo fácil. A equipa do Fonseca está firme, rija, corre muito e ataca bem. E olha que se eu dissesse isto há três anos, dirias que estou a jogar PES 2014 e que tento levar a nossa própria equipa até ao zénite das suas potencialidades. Not as such, no. Estou bem ciente do universo paralelo que nos leva a ter um jogo decisivo contra uma equipa de um dos treinadores que pior futebol mostrou ao nosso serviço. A vida é assim e há que lidar com isso. A melhor maneira de o fazer? Ganhando. Simples. Ganhando, seja de que maneira for, custe o que custar.

Suk na frente, Indi na retranca, Layún de volta ao flanco e Herrera a titular. Ouviste bem. Segura já o terceiro lugar de vez e levanta a moral da malta com o segundo ali prontinho para ser agarrado. Estamos todos a torcer por ti, homem!

Sou quem sabes,
Jorge

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Baías e Baronis – Belenenses 1 vs 2 FC Porto

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Estou cansado. Os sprints do Brahimi, as movimentações do Herrera, as subidas do Maxi e as cavalgadas do Marega (patinadelas incluídas) puseram-me de rastos e estou aqui a tentar escrever para afastar a núvem de exaustão que paira sobre a minha cabeça. Estes jogos matam-me e também parecem querer matar os nossos jogadores, que não aguentam um jogo inteiro ao mesmo ritmo e hoje notou-se bem que o risco corrido na pressão a campo inteiro acabou por desfazer o resto da capacidade física da equipa na segunda parte. Valeu pelo esforço e os três pontos (que poderiam perfeitamente ter-se transformado em apenas um) são nossos. Ufa. Notas, para relaxar, já abaixo:

(+) Casillas. Parece estar a gostar de defender em Lisboa, porque depois da exibição na Luz segue-se mais uma segura partida num estádio à beira do Tejo. Os bons guarda-redes aparecem nos momentos mais importantes e Casillas tem sido um dos nossos nomes mais brilhantes nos últimos tempos, a garantir vitórias mesmo com golos sofridos e tendo de enfrentar uma das defesas mais porosas da nossa história. Muito bem, Iker.

(+) Brahimi. Finalmente um bom jogo do argelino, com criação sucessiva de lances ofensivos durante a primeira parte e a ser o único indivíduo que conseguiu receber a bola na frente de ataque na segunda. Marcou um bom golo, podia ter marcado o segundo numa jogada semelhante e foi um dos jogadores mais activos em campo. Uma pena a lesão, espero que não seja grave.

(+) Herrera. Mais um bom jogo do mexicano fora do Dragão, que me leva a pensar que se deixa afectar um bocadinho pelos assobios que o pobo dele lhe destina quando falha um ou dois passes e demora aqueles seis ou sete anos até passar uma bola. Hoje foi o Herrera do 80, a rodar bem a bola e a aparecer em zona de último passe na perfeição. Há que poupar o rapaz para a recta final do campeonato.

(+) A entrada de Evandro. Foi perfeito, Zé. Aliás, as substituições foram simples e eficazes e não fosse o Marega ter uma combinação de ausência de talento e sabrinas nos pés e teríamos morto o jogo bem antes dele ter terminado. Evandro acalmou o jogo a meio-campo como era a sua função, servindo para que o FC Porto disparasse em termos de posse de bola nessa zona (aposto que até aí, na segunda parte, devíamos ter qualquer coisa como 10 ou 20% de tempo com a bola nos nossos pés…) e serviu para lançar alguns contra-ataques que Marega e Suk conseguiram desfazer. Mais um rapaz muito importante para o final do campeonato.

(-) As pernas, senhores, as pernas! A estratégia era arriscada e ousada, porque a pressão a campo inteiro depois de um jogo europeu quatro dias antes podia estourar com os rapazes bem cedo. E os dois golos (obrigado, Tonel!!!) ajudaram imenso a que a equipa conseguisse descansar com bola durante umas dezenas de minutos até que o Belenenses, com a força alimentada pela vontade de ganhar ao FC Porto (não tenham dúvidas, basta ver a forma como estes rapazes jogaram contra o Benfas que contra nós pareciam onze Eowyns contra onze Nazguls de branco), começaram a carregar no meio-campo e a partir daí…era só olhar para Danilo, habitualmente mexido, estava já em modo “vou-esticar-as-pernas-para-chegar-à-bola-porque-correr-tá-quieto-que-já-não-dá”. Peseiro mexeu bem e mesmo que Brahimi não se tivesse lesionado, creio que Varela tinha entrado para o seu lugar mais minuto menos minuto. Proponho usar a equipa B toda contra o Gil Vicente para que estes estejam em condições para o jogo de Braga. Vamos precisar de ainda mais pernas do que hoje.

(-) Corona. Houve alturas em que pensei que estava a ver Tello em vez de Corona, tal a inoperância e incapacidade de controlar uma bola que aparecia pelo ar. Ou pela relva. Ou de qualquer maneira que aparecesse, porque Jesus, tu hoje fizeste um jogo que encheria de orgulho um escaravelho-bosteiro. Mau no passe, no drible, no arranque, no controlo da bola. Mau em tudo, rapaz. Vai para casa, dorme bem e volta em condições, fazes favor.


Três grãos de cada vez, lá vamos enchendo o estômago com pontos que no ano passado fomos desperdiçando pelos lados da capital. Estamos longe, mas não ficamos mais longe e até nos podemos aproximar. Está a ficar giro, sim senhor.

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Ouve lá ó Mister – Belenenses

Camarada José,

Mais uma semana, mais uma voltinha na montanha russa que tem sido esta época. E ninguém está imune a críticas, nem presidente nem jogadores e obviamente nem tu, meu caro, que estás aí há umas semaninhas mas já percebeste que nesta naçom todos criticam e raramente aparece alguém com razom. Sim, eu sei, mas foi para rimar, nem fica assim tão mal. Tom mal. Whatever, siga.

O jogo de hoje é disputado quase todos os anos tirando aquelas alturas em que o Belém desceu de divisão. E há sempre a cerimónia da coroa de flores em homenagem ao Pepe (mais uma vez, para os mais distraídos, não é o do Real Madrid) e as boas relações entre os dois clubes, com o devido alheamento do súbdito vermelho que parece continuar a mandar no clube mais azul de Lisboa. As viagens à capital estão a ser mais vantajosas este ano e a última vez que aí fomos ao burgo saímos com o papo cheio e um sorriso rasgado. Mas no ano passado, na partida que disputámos neste mesmo estádio, fomos empatar depois de noventa minutos do pior futebol que me lembro de ver uma equipa do FC Porto praticar e garanto que estou a incluir estágios de pré-época contra equipas de carteiros e limpa-chaminés no meio da Holanda. No ano passado os únicos dois jogadores a quem dei notas positivas foram Óliver e Jackson. Pois. O resto foi qualquer coisa como isto: “Todos os jogadores pareceram encarnar figuras de menor relevo do nosso passado. Alex Sandro em modo Rubens Júnior, Ruben como Bolatti, Herrera à Valeri, Brahimi como Alessandro, Maicon como Stepanov e Quaresma parecido com Tarik durante o Ramadão.“. Estás a ver o que te espera se as coisas correm mal? Especialmente depois de teres atirado com o jogo do Dortmund para o lodo?

Pois é, rapaz. Há que ganhar, não é? Sempre!

Sou quem sabes,
Jorge

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