Ouve lá ó Mister – União

Señor Lopetegui,

Que belo balde de estrume regado com sumo de trampa que nos serviram no passado sábado, caríssimo. Não sei se foi do equipamento ou do mau estar generalizado que parece estar bem visível no relvado, mas não estarei muito longe da verdade quando digo que esta foi das piores semanas a nível de produção futebolística que a tua equipa nos mostrou desde que assinaste contrato. Tanto este como o jogo contra o Dínamo foram tão maus que a meio pensei que só nos safámos disto se o relvado abrir uma greta enorme e afundar metade da equipa, juntamente contigo. E acredito que a determinadas alturas do jogo também sonhaste que essa poderia ser uma melhoria interessante.

E hoje ainda vai ser mais tramado, só porque é naquela ilha que nos rouba a alma e alguns pontos todos os anos. E pela segunda vez consecutiva te vou pedir melhorias sem ter esperança que apareçam. Só te peço o mínimo dos mínimos: uma vitória. Não quero saber como, já começo a desesperar por ver o que podemos sacar de interessante deste nosso futebol que está a roçar o miserável, com uma construção de jogo que não existe, entrosamento defensivo que desapareceu e capacidade concretizadora que está em parte incerta. Por isso ganha da melhor maneira que conseguires, só para ver se a malta se vai aguentando perto dos primeiros.

Sou quem sabes,
Jorge

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Baías e Baronis – Tondela 0 vs 1 FC Porto

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Pobre, muito pobre. Estamos na versão Lopeteguiana dos tempos de Fevereiro de 2012, quando Vitor Pereira tentava colocar a equipa a jogar em condições e os resultados eram os mesmos. Ou Jesualdo em Dezembro de 2009. Ou Fernando Santos em 2000. Ou Ivic em 1993. Ou Quinito. Sem data certa, porque Quinito não precisava de ano para ser tolo. E Julen também não parece necessitar, porque a gestão da equipa está a ser ridícula e a maneira como temos vindo a jogar é um pedacinho abaixo do equivalente a onze Adamastores com botas coloridas. Muito fraco, valeu o golão de Brahimi e a boa colocação de Casillas no penalty defendido. Muito pouco para quem quer ser campeão. Notas, abaixo:

(+) O golo de Brahimi. Fez lembrar, com as devidas diferenças e distâncias no tempo e no mito, a jogada de Madjer que deu origem ao golo de Juary no Prater: um “one-two” com o mesmo pé (direito) e o pontapé (neste caso remate, no outro cruzamento) com o pé esquerdo a fazer a bola entrar direitinha na gaveta, impossível para qualquer guarda-redes defender a não ser que tivesse sido avisado por um qualquer oráculo, e mesmo assim duvido que lá chegasse. Um golo para correr mundo e logo com o feioso do segundo equipamento. A New Balance estará a esfregar as mãos.

(+) Casillas. Aposto que Iker se atira para o seu lado esquerdo aí umas 90% das vezes, quando está a tentar defender um penalty. Entramos pois naquela parvoíce teórica da teoria de jogos, onde o marcador sabe que o guarda-redes sabe que o jogador sabe e por aí fora. Ainda assim, teoria dos jogos aparte, foi uma boa defesa e teve o condão de fazer com que conseguíssemos sair de Aveiro com três pontos, eu que já me preparava para lamentar a perda de mais dois pontinhos porque não via a equipa com força anímica e estrutura consistente para dar a volta aquilo…

(-) Criação de lances ofensivos. Meia-dúzia de remates para uma posse de bola tão alta é sintomático da incapacidade de gerar lances de verdadeiro perigo para a baliza do Tondela, uma equipa fraquinha que corre e bate mais do que joga. Não parecemos capazes de ter um fio de jogo consistente, jogando com não-extremos colados à linha, não-trincos recuados em demasia e não-criativos sem criar. Somos uma equipa previsível para quem defende, lenta para quem trabalha no centro e medrosa em zona de recuperação defensiva. Não tapamos os espaços certos, raramente conseguimos.

(-) A expulsão de Lopetegui. Não faço ideia do que o homem terá dito ao árbitro, mas juro que já vi tantos outros a fazer o mesmo tipo de gesticulação e protesto que me leva a pensar que Lopetegui emitirá sons numa frequência que prejudica os tímpanos da arbitragem portuguesa com uma intensidade digna de experiencia do exército americano. E mesmo achando que estava a fazer de propósito para ser expulso, pareceu-me exagerado.

(-) Lopetegui como Guardiola. Ma non troppo. Pep, aqui há uns tempos, experimentou colocar uma zona recuada com apenas três defesas, dois dos quais eram os “mínimos” Lahm e Rafinha. E gosta de trocar os jogadores, experimentando com algumas nuances tácticas para agilizar a sua formação em campo e fazer com que, pegando no jogo, encarem o adversário de uma forma diferente e inovadora. Julen, por seu lado, agita as águas de tal forma que ninguém parece compreender o porquê de o fazer de uma maneira tão brusca, alternando posições com uma absurda facilidade que eles próprios devem ficar a pensar no que raio anda o mister a pensar. A forma como retira Marcano do jogo, entrando Ruben Neves para o seu lugar e baixando Danilo para a zona mais recuada, para que dez minutos depois regresse ao meio-campo depois da saída de Brahimi para a entrada de Maicon…desafia o maior analista táctico a tentar entender o porquê de tal agilidade mental em alturas cruciais do jogo, transmitindo uma sensação de inconstância e nervosismo à equipa como raramente vi em tantos anos de futebol. Era giro ao início mas tornou-se incompreensível e, francamente, penoso tentar perceber as alterações do treinador que servem bem mais para destruir a confiança e entrosamento da equipa do que para melhorar o seu alinhamento em campo. Mais um jogo, mais uma explosão de criatividade táctica que não é criativa…e quase não chega a ser uma táctica.


Não há muito mais que se possa dizer perante exibições deste calibre. Somos, neste momento, uma equipa perdida, sem rotinas nem capacidade de lutar contra adversários remotamente perigosos, dependentes de talento individual. E quando ele não aparecer, estamos tramados.

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Ouve lá ó Mister – Tondela

Señor Lopetegui,

Aqui há uns anos costumava dizer-se que quando o FC Porto perdia, qualquer que fosse a competição em que tinha acontecido o infortúnio, a próxima equipa que nos defrontasse ia pagar o elevado preço da derrota por vingança pelo passado recente. Nada a ver com o adversário, entenda-se, era apenas uma demonstração de que ninguém nesta casa aguenta perder e se vira rapidamente para o próximo desafio como se fosse o último das nossas vidas, desancando em putos e velhinhas sem o mínimo de remorso. Esses tempos, Julen, eram bons, mas já lá vão.

E a verdade é que perdeste muito do crédito que te dei continuamente desde o ano passado, porque sempre acreditei que conseguias levar esta amálgama de jogadores, nacionalidades e línguas a um lugar condizente com a sua qualidade. A partir da passada terça-feira, vais ter de trabalhar a triplicar para me convenceres que continuas a ter lugar entre nós, portistas. Porque o Tondela, mesmo não sendo um Dínamo, pode sempre lixar-te um bocado a vida porque é malta que corre bastante e que até parece organizadinha em campo, ao contrário do que vi dos teus aqui há uns dias. Por isso engraxa os sapatos, veste o teu fato bem passadinho a ferro e penteia bem a melena. Quero vitórias e quero hoje. Quero uma vitória clara, com futebol de qualidade acima da média e quero ver trabalho em campo correspondente ao que ainda acredito que haja nos treinos.

Menos que isso e não sei mais o que te possa fazer, rapaz.

Sou quem sabes,
Jorge

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Baías e Baronis – FC Porto 2 vs 0 Vitória Setúbal

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Não foi uma grande vitória mas foi uma vitória justa, mais uma. E o mais interessante deste jogo acaba por ser a forma como a equipa conseguiu manter-se psicologicamente estável depois de uma sucessão de falhanços, más decisões e erros técnicos que quase serviram para desestabilizar o que deveria ter sido um percurso natural para uma vitória também ela natural. Em grande estiveram as claques, aparecendo no momento perfeito para elevar a moral do povo antes de começarem as assobiadelas. Não vivemos dias fáceis mas lá vamos navegando. Notas nos parágrafos seguintes:

(+) Layún. Creio que nunca será um estupendo defesa esquerdo porque não tem características para tal. É um wing-back, como me dizia o meu colega do lado, que sobe mais do que deve e raramente parece estar pronto para defender sob pressão. Mas a forma como agarrou o lugar na equipa, com golos e assistências a marcarem a diferença nos últimos jogos, bem como as subidas pelo flanco a ajudarem no overlap à ineficácia actual de Brahimi, fazem dele um dos elementos em destaque na equipa e hoje foi exactamente o que tem vindo a ser. Rápido, prático, de remate pronto e a cruzar bem para o golo de Aboubakar.

(+) Danilo. O jogador do meio-campo com mais clarividência, a manter o nível com um jogo abaixo da média para Ruben e Evandro (André também não entrou particularmente bem). O centro do terreno foi a zona mais cheia de pernas mas Danilo usou quase sempre bem o corpo para proteger bem a bola e impedir quase todos os poucos lances de ataque do Setúbal que de facto foram construídos pela relva (ao contrário da maior parte das bolas enviadas para Suk…o cabrão ganha 90% das bolas aéreas, é enervante desde os tempos do Marítimo), fazendo dele o único médio que fez um jogo em condições hoje à noite no Dragão.

(+) O apoio dos adeptos. É exactamente isto que precisamos nos momentos menos bons. Quando a equipa parecia estar a ceder à pressão e começou a dar mostras de algum nervosismo e inquietação perante a contínua infeliz decisão na entrada da área adversária, eis que se erguem as bandeiras, elevam as vozes e o Dragão renasce com o som dos cânticos vindos das bancadas mostraram à equipa que havia harmonia, apoio, paz e energia positiva. Um clube que quer estar sempre no topo precisa também de adeptos à sua altura para que ambos consigam crescer em sintonia. Hoje essa união de almas e vontades sentiu-se no Dragão e foi bonito de sentir.

(-) Indefinição na criação ofensiva e pouca gente a atacar. Tantas vezes se vê esta situação nos nossos ataques: sobe um rapaz com a bola depois de a recuperar na defesa (chamemos-lhe Tello) e rapidamente se vê rodeado de adversários. Procura uma linha de passe para intensificar o contra-ataque e não a recebe, tendo de voltar para trás e fazer um reset a toda a possibilidade de desequilíbrio do oponente durante mais uns largos minutos, simplesmente porque o apoio não aparece. Aquele triângulo com dois homens atrás acaba por não funcionar em jogo de construção ofensiva e o espaço entre linhas é tão grande que assusta pensar no tempo que se demora a chegar com a bola lá na frente. Há que partir o triângulo e soltar um dos médios mais recuados para evitar que sejam os centrais (como hoje se viu em vários momentos do jogo) a criarem alguma coisa a partir daquela zona.

(-) Maxi O pior jogo com a nossa camisola, teve imensas desconcentrações e más decisões no posicionamento, juntamente com contínuas falhas no passe (até nos lançamentos laterais falhou imenso) e na movimentação ofensiva. Apareceu bastantes vezes em zona de assistência para golo mas pareceu tomar quase sempre a pior decisão.


Cheguei a temer mais uma parvoíce de jogo como tivemos contra o Braga, com dezenas de lances gerados que poderiam ter dado em golo a serem desperdiçados um atrás do outro. Felizmente não foi assim e mais três pontos ficam deste lado. Nada mais que a nossa obrigação.

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Ouve lá ó Mister – Vitória Setúbal

Señor Lopetegui,

De volta a casa, onde mais gosto de vos ver! E depois de uma jornada europeia bem simpática onde botamos mais três pontos no nosso saco e ficamos a apenas um da qualificação. Well done, chaps! Agora, virar agulhas para o campeonato, onde ainda não conseguimos mostrar o que melhor sabemos fazer e parecemos andar a jogar a meio-gás, pelo menos a nível da qualidade de futebol que temos vindo a exibir. Queremos mais, Julen, queremos uma vitória sem consequências para a moral dos adeptos, com futebol decente e golos! GOLOS! Sabes tão bem como eu que aquilo que no jogo contra o Braga mais falhou nem foi a fluidez da organização ofensiva ou a solidez defensiva: foram os golos.

Não sei ainda quem vais colocar a jogar mas tendo em conta que o jogo em Israel não foi nada de extraordinário para as perninhas dos nossos meninos, há que manter uma estrutura consistente em campo, mesmo que alteres um pouquinho a táctica. O Setúbal não é o Maccabi mas não é por isso que não nos pode dar água p’la barba, por isso não facilites nem um pentelhinho!

Força nas canetas e siga prá frente. Este tem de ser só mais um jogo e mais uma vitória. Sem espinhas.

Sou quem sabes,
Jorge

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