Acompanhei o Mundial desde os primeiros momentos em que Brasil e Croácia deram arranque ao certame. E ao longo destas semanas vi-me envolvido a um nível quase sanguíneo pelos jogos, pelas exibições do Chile e da Colômbia, pelo espírito da Argélia, pelas corridas do Robben e pelos cortes do Vlaar, pelos golos do James e pelos passes do Cuadrado, pela solidez do Schweinsteiger e pelo instinto do Müller. Sofri com a Itália, defendi o Suaréz, critiquei o Matuidi, desiludi-me com a Bélgica e incentivei a Costa Rica. Vivi o Mundial como deve ser vivido, sem prisões a idealismos bacocos e a parcialidades tacanhas. E não tendo sido um dos melhores de sempre a nível do futebol praticado, foi um dos mais vivos, mais dinâmicos e emocionantes de que tenho memória, que se estende até ao México em 1986. Entusiasmei-me ao ponto de quase esquecer que Portugal esteve presente.
Acompanhei o Mundial em directo e em diversos locais e horários. Vi jogos com amigos, com família ou sozinho. Vi-os durante a tarde, à hora de jantar e pela noite dentro, naqueles jogos às 23h que tanta boa disposição me trouxeram. Segui montanhas de jogos pelo Twitter, onde percebi o diferente pulsar das emoções por esse mundo fora e compreendi que muita gente vê o jogo de uma forma diferente da minha. Conversei com pessoas que não conhecia, troquei ideias com outras que partilham a minha visão. Adorei o lirismo de Freitas Lobo, o sentido prático de Carlos Manuel e a ironia de Pedro Henriques, numa das melhores coberturas que me lembro de ver na Sport TV. Li dezenas de comentários de analistas estrangeiros, argentinos, colombianos, ingleses, mexicanos e americanos. Universalizei-me durante um mês e ganhei uma bagagem de cultura futebolística que me vai ajudar, sem qualquer dúvida, a fazer da próxima época um pouquinho mais pobre quando comparada a este Mundial que agora termina.
Parabéns à Alemanha, que tinha sido a minha primeira opção em termos das candidatas para vencer o Mundial. Parabéns à Colômbia e à Costa Rica pelas diferentes emoções que me deram. Parabéns à Holanda e à Argélia pelo espírito de luta. Parabéns aos jogadores do FC Porto, os antigos e os novos, que fizeram com que apoiasse um poucochinho mais as suas selecções. Não queria que este Mundial acabasse…mas se assim não fosse, onde ficava o FC Porto?
PS: Ah, e parabéns a todos que verdadeiramente amam o futebol. #LFL


