Baías e Baronis – FC Porto 1 vs 2 Olympique Lyonnais

foto retirada de olweb.fr

Quem começa um jogo de treino como este com um golo sofrido contra o fluxo ofensivo que se via na altura, consegue recuperar, marcar o golo do empate e passa o resto dos quase 80 minutos a tentar marcar o segundo com jogadas bem estruturadas, excelentes trocas de bola e conjugando incisividade no ataque com inteligência e rigidez na defesa, não merecia perder. Mas é o que acontece quando se falham muitos e muitos golos contra uma equipa que tem estaleca de Champions’, quem falha, morre. E se somarmos a esta eficácia mortífera algumas distracções de rapazes que têm de melhorar os níveis exibicionais em vários degraus, as coisas complicam-se. A derrota não me preocupa absolutamente nada, nem deve preocupar nenhum portista que tenha visto o jogo. Porque, meus amigos, hoje jogámos muito e bem. Vamos a notas:

 

(+) Fucile Um jogaço. O flanco esquerdo foi sempre dele e ajudou Varela (que pareceu melhorzinho no início mas acabou por perder força rapidamente) a pressionar o adversário. Ganhou montes de lances pelo ar (sim, estou a falar a sério) e foi o melhor jogador da equipa, o mais estável e mais consciente que o jogo podia ser a brincar mas era aqui que ia marcar pontos para ser titular. Enquanto Álvaro continua de férias, Alex Sandro na Selecção e sem termos noção da sua valia, Addy a saltar à corda ou seja lá o que fôr que o impede de ser opção e David ainda muito verde para este nível, Fucile é por mérito próprio titular do lado esquerdo. Alguém quer honestamente abdicar deste rapaz, desta garra e força de vontade aliada à versatilidade, por muito que às vezes apeteça esbofeteá-lo quando se arma em Dani Alves? Eu não. Fica, rapaz.

(+) Hulk Está a falhar muitos golos mas os remates parecem estar a ir mais vezes à baliza. Continua fortísismo nos arranques e a técnica individual está no ponto, Hulk tem tudo para continuar a ser o elemento desiquilibrador do nosso ataque. É quase audível o tremer nas pernas dos laterais adversários quando o rapaz lhes aparece pela frente, e a facilidade com que remata de qualquer lado com uma potência absurda é uma mais-valia que dá campeonatos.

(+) Souza Está diferente, não há dúvida. Mais prático, com melhor posicionamento (apesar do golo de Lisandro ter sido parcialmente culpa dele, porque ainda não percebeu que tem de acompanhar um avançado com a facilidade de remate do Licha especialmente quando se dirige para a entrada da área, nada que duas vergastadas não resolvam) e acima de tudo uma melhor noção de quando transportar a bola e quando a passar. Caso Fernando continue a jogar ao nível de um Fernando Aguiar lobotomizado, é o titular naquela posição para o início da época.

(+) Pressão alta Sou um apoiante céptico das vantagens da pressão alta e contínua. Por um lado é excitante ver a nossa equipa a carregar com a vontade e raça que hoje mostraram, a chatear os jogadores adversários em permanência e a forçar bolas recuadas para o guarda-redes e a obrigar ao erro na outra equipa. Por outro lado, é extremamente exigente a nível físico, tem de ser seguido por eficácia no contra-ataque para ser rentável e acima de tudo não pode resultar num “meiinho”. Até agora tem resultado e as perdas de bola da equipa contrária têm aumentado exponencialmente, mas há espaço para melhorias, especialmente na estrutura de pressão que tem de deixar de ser individual ao jogador e transformar-se numa zona pressionante em bloco. O que é que é preciso para isso acontecer? Tempo e trabalho. As bases, pelo que vejo, estão bem lançadas.

(+) Lisandro Marcou um bom golo, facilitado pela ausência de Souza que estava sem dúvida distraído por um qualquer bando de pássaros que esvoaçavam nos ares de Genebra (deixem-me pensar que foi por causa disso e não por ainda se estar a adaptar à posição), e não festejou. É daqueles pequenos gestos que não custam nada e que valem muito. Continuas a ter um fã aqui no Norte de Portugal, Licha.

 

(-) Fernando Não querendo entrar pelas cansativas teorias que apontam Fernando como mais um desertor e traidor à pátria-azul-e-branca, vou optar por um avanço diplomático. Postulo que o rapaz que ocupou a posição “6” nos últimos três anos, não tendo desaprendido toda a evolução desde que chegou ao FC Porto, não está bem. Admito que seja em parte por motivos físicos devido à entorse que o tem impedido de treinar continuamente nos últimos tempos, mas por outra parte talvez haja qualquer motivo psicológico que o esteja a afectar, porque nesta pré-época já acumulou mais erros ridículos que em dezenas de jogos consecutivos que fez com a nossa camisola. Depois da estúpida perda de bola no jogo contra o Rio Ave que levou ao penalty e golo do adversário, hoje dominou a bola directamente para os pés do adversário. Perceber que Souza comete menos erros que Fernando nesta altura da temporada e que é um candidato mais adequado à titularidade deveria ser o suficiente para que o 25 se aperceba que caso não seja vendido até 31 de Agosto vai ser difícil recuperar o lugar. Porque neste momento, Fernando nem no banco devia estar.

 

Foi um bom ensaio para a Supertaça. É verdade que perdemos e que houve uma ou outra falha que podem comprometer a integridade defensiva e que vão dar a bloggers não-portistas um verdadeiro “field day” em piadas e insinuações quanto à forma como os golos foram sofridos e como há tremuras incompreensíveis na nossa até agora impecável armadura. Se não viram o jogo, qualquer um desses comentários é parvo e malicioso. Não há vitórias morais, como se sabe, mas esta derrota foi um belo treino físico, táctico e acima de tudo mental, que confirmou o onze-base para o primeiro jogo oficial da época e que deu a Vítor Pereira um novo crédito: as coisas não mudaram muito desde o ano passado. E no Domingo, em Aveiro, vamos confirmar esta premissa com o primeiro troféu. Força, rapazes!

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Ouve lá ó Mister – Lyon

Vítor, preparador-mor dos campeões!

Começamos bem na semana passada, homem. O estádio tinha muita gente, a malta estava bem disposta, o s0l brilhava, blá blá, três golos bem metidos e esteve-se bem. Deu para ver os nossos velhos conhecidos, e não estou a falar do Lourenço que lá estava com a sua gaita reluzente (sim, é exactamente o que estás a pensar, porque eu sei que não és parvinho e fazes conotações badalhocas com tudo o que um gajo diz) a cornetar com alegria enquanto o som saía puro e mais draconiano que nunca. Estava lá o Helton, o Rolando, o Otamendi, até o Walter! Todos esses e tantos outros que no ano passado nos deram tanto motivo de festejo e euforia. E estavam alguns putos novos, aquele com nome de temperatura científica, o inteligente anglicano-portuense ou o DJ Alma, ou como estou a começar a pensar chamar-lhe, o meio-Quinzinho. Mesmo faltando o resto do povo, ausentes a descansar em quaisquer praias americanas, tanto no Norte como no Sul, foi um bom final de tarde. E agora, mais uma jogatina a feijões.

O Lyon é sempre uma equipa tramada e mesmo que tenham saído alguns rapazes jeitosos como o Delgado ou o Toulalan, não penses que vão à Suíça para comer chocolate e mandar piadas sobre neutralidade ou falta de mar. Mas continuo a dizer o mesmo: experimenta. Faz o treino que quiseres em campo, não me importo nada de perder este jogo se servir para tirares conclusões certas sobre quem deve ficar e quem deve sair, porque tens aí as Supertaças à porta e entretanto começa o campeonato, por isso convém começar a perceber os elementos do batalhão que vais manter durante a época. Para além disso, gostava tanto de ver se o Castro atinava da cabecinha, se o Djalma já aprendeu a rematar à baliza e se o Otamendi vai ser titular neste jogo porque acho que vais repetir a equipa contra o Guimarães. Mas ainda tens dúvidas, não tens?

Sou quem sabes,
Jorge

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Baías e Baronis – FC Porto 3 vs 0 Peñarol

Foi mais um tradicional jogo de apresentação aos sócios, que não dá para perceber muito sobre o que está mal mas já dá para ver algo que já parece estar a correr bem. O adversário não era nenhuma equipa de meter medo, mas o regresso ao Dragão fez-se com o ritmo esperado para esta altura do ano, apesar de se notar uma ou duas experiências na estratégia: a pressão um pouco mais alta, ainda feita a meio-gás porque as pilhas não estão carregadas a 100%; a tentativa falhada de um 4-1-3-2 com Varela a jogar no lado esquerdo do meio-campo, que não funcionou fundamentalmente porque o nosso Silvestre ainda está na forma com que terminou 2010/2011. O resto foi o normal, num final de tarde a fazer inveja a tanta praia por aí fora, com muita malta que raramente vai ao futebol a aparecer no estádio pela primeira vez e a gozar um final de tarde soalheiro de Julho na proximidade daqueles que todos esperamos venham a dar grandes alegrias ao povo. Assim seja. Vamos a notas:

 

(+) Kleber Na cadeira ao lado, o meu companheiro de Porta dizia que este era o novo Lisandro. “Todos os golos que ele marcar vão ser em esforço, vais ver”. Não sei se concordo. Parece-me mais um Falcao que um Lisandro, mas o mais provável é ser mesmo um Kleber, tenha ele o estilo que venha a mostrar. Muito esforçado, é verdade, mas a funcionar bem como pivot, recuando de costas para a baliza para proteger a bola e alimentar os médios/extremos, foi muito importante na primeira parte porque para além de marcar o golo passou todos os primeiros 45 minutos a correr atrás de tudo que mexesse e que fosse esférico (ainda bem que o Walter estava no banco) ou que vestisse de preto-e-amarelo. Gostei do que vi, quero ver mais.

(+) Hulk Não esteve muito inspirado no 1-contra-1, mas foi como de costume o principal motor do ataque do FC Porto. Está em forma e com garra, parece mesmo que já está com rotação equivalente a dois ou três meses de competição. O facto de não conseguir passar algumas vezes pelos laterais que apanhou pela frente não me preocupam. Sinceramente é das coisas que lhe vou perdoando porque um jogador na posição dele e com as responsabilidades que tem na equipa deve merecer alguma margem de liberdade para fazer o que lhe apetece. De mim tem-na em quantidade suficiente, desde que não invente demais…

(+) Souza Parece estar melhorzinho, mas continua a parecer que se distrai com muita facilidade, o que na posição em que joga pode ser um bocadinho perigoso como se pôde ver com o Fernando contra o Rio Ave (era dar-lhe dois bananos naquele focinho…). Mas parece estar a querer mostrar serviço, com bom posicionamento e vários cortes bem feitos. Precisa de melhorar o jogo aéreo caso Fernando saia e Souza seja a primeira opção para aquela posição, mas continuo a ver um Guarín versão 2009…

(+) Os pés de Kelvin O jogo estava aborrecido, com a malta já relativamente entediada com a pouca velocidade dos rapazes de azul-e-branco (e a pouca vontade do Peñarol em fazer alguma coisa de jeito, admita-se). E então, entrou Kelvin. A jogada que deu o terceiro golo deixou a malta a sorrir e não há ninguém no estádio que não tenha ficado surpreendido com o rápido jogo de pés do puto e a facilidade de finta rápida e curta. É novo e ainda deve ir rodar um ano para se habituar a este novo ambiente. É que fazer isto num jogo a feijões é uma coisa…fazer o mesmo em Guimarães ou em Paços de Ferreira, e qualquer Hiarleanderson vai-lhe tentar partir as pernas.

 

(-) Varela Continuo a achar que está lento demais e com poucas ideias. Vamos precisar de um Varela em grande para atacar a temporada, mas acima de tudo quem deve sentir necessiadade de brilhar é o próprio Varela. Este ano, com as opções extra que temos para os flancos e com James já assente no plantel, Varela vai ter de subir o nível físico e exibicional. Ele tenta, não há dúvida, todos vêem que tenta, mas as pernas não parecem estar a reagir da melhor forma. Vou esperar por uma melhor fase para o rapaz voltar a mostrar tudo o que sabe.

 

Ninguém que esteja habituado a estes jogos de apresentação estava à espera de grande coisa, mas o espectáculo acabou por ser agradável, principalmente na primeira parte e no final da segunda. Ainda faltam duas semanas para o primeiro jogo oficial e até lá o trabalho ainda vai ser fisicamente desgastante e tacticamente exigente, mas as pedras principais estão lançadas. Diferenças do ano passado? Até agora, as principais estão nas camisolas…

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Ouve lá ó Mister – Peñarol

Vítor, novo líder dos Campeões!

Pá, em primeiro lugar devo-te um pedido de desculpas. Não foi correcto da minha parte abdicar da análise ao jogo em Vila do Conde, mas tenho uma boa desculpa! Estive longe de casa num local semi-paradisíaco, com a desvantagem de ter a mesma captação de rede que uma traineira no fundo da fossa das Marianas. Ou seja, quase nenhuma. Para além disso, SportTV é para o galheiro, por isso só ontem de madrugada é que vi o jogo e por isso parecia-me fora de tempo estar a comentar o passado quando o presente está já aqui à mão. Prometo que não volta a acontecer, ok? Ah, e vai-te habituando a esta treta do Ouve lá ó Mister porque se ainda não me conheces, vais passar a conhecer. Se vieres aqui ao tasco, claro está.

Então vem aí o primeiro jogo em casa, não é verdade, Shôr Vítor? É sempre um impacto do caraças, não é, entrar no Dragão e ver aquele povo todo nas bancadas, tudo em amena cavaqueira sobre os gajos novos, como é que correram as férias, ah e tal a puta da crise é que nunca mais nos pomos de pé, e aquele imposto é que foi, estapor do Passos Coelho ainda é pior que o Sócras…porque o pessoal gosta muito é de divagar e parece que perde o raciocínio depois das férias, não percebi ainda muito bem porquê mas aposto que tem a ver com o decréscimo acentuado do rácio cerveja/hora e da subida desenfreada da percentagem de área do corpo coberta por roupa. Mas depois de porem a converseta em dia, lá voltamos nós à bola.

Já todos sabemos que não vamos ver praí metade do plantel que vais ter para moldar com as tuas mãos de oleiro mestre, como nacos de barro mole que transformarás em vistosas jarras para flores campestres. Menos o Moutinho, que pelo tamanho dava para um copo de shot no Machado e pouco mais, mas aposto que o Maicon era menino para ser um daqueles vasos gregos que um gajo gosta de dar chutos nas lojas dos chineses e que nenhum reclama porque nem ouve já que aquilo agora é tão grande que faz lembrar a história do puto que se perdeu no supermerc…pronto, lá vou eu. Avisa-me quando isto acontecer, pá, nem sempre é fácil um gajo controlar. Oh jovem, mais um fino que isto está a ficar seco. Obrigados. De volta ao plantel. Todos os guapos da Copa America mais a canalhada do Mundial de sub-20 vai estar longe da Invicta e ninguém se importe, desde que voltem e fiquem. Mas tu, pá, tens de te ir trabalhando com o que há, não é? E até esse povo todo chegar e estar em condições para jogar, bem te lixas e tens de sacar o português mais natural que está dentro de ti e desenrascar uma equipa decente. Helton, Sapunaru, Otamendi, Rolando, Fucile, Fernando, Moutinho, Belluschi, Varela, Hulk, Kleber…diz lá que não faz um onze capaz de ganhar a muito boa equipa por aí fora? Faz sim senhor. Se somares Falcao, Palito, Guarín e James…tens problemas dos bons!

Mas no jogo de hoje…inventa à vontade, homem. Mantém-te fiel aos teus princípios, faz o que te apetecer e aproveita estes jogos para dares larga à imaginação e ao estudo táctico que concerteza já fizeste dos teus homens e põe-nos em campo como quiseres. Só te aviso de uma pequena coisinha: a malta vai estar à espera que a equipa já esteja a carburar ao nível do ano passado, porque a grande maioria do povo tem memória curta e não se lembra que no ano passado o jogo de apresentação foi fraquinho, fraquinho e se não fosse o James a marcar um golo sem saber muito bem como, a malta tinha ficado chateada logo no arranque. Já sei que não te interessas por isso, eu também não, mas muita gente a falar para o mesmo lado não quer saber de dois ou três maluquinhos que falam para o outro, mesmo que tenham razão. E depois quem se chateia és tu e eu, por arrasto. Num quero disso, num quero mesmo.

Vai em frente, pá, porque hoje é um dia de festa e o resultado é o que menos interessa. E se olhares na direcção da minha cadeira, podes ver que vou estar lá a aplaudir.

Sou quem sabes,
Jorge

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They're like peas in a pod!

André Villas-Boas, 1 de Agosto de 2010, após a derrota com o Bordeaux no Torneio de Paris:

“Normalmente criamos muitas oportunidades de bola parada, hoje não fomos nós, foram eles. Mas o árbitro também ajudou, pois marcou muitas faltas. Nas bolas paradas é uma questão de detalhe e temos de analisar os golos sofridos.”

Vítor Pereira, 16 de Julho de 2011, após o empate no amigável com o Borússia Mönchengladbach:

Jogo interessante até à expulsão de Hulk, estávamos a evoluir e a procurar espaços e situações de golo. A partir desse momento, tivemos de nos reorganizar e não me lembro de nenhuma ocasião flagrante de golo deles. Podíamos ter marcado mesmo com dez. Lamento uma arbitragem desastrada. Mesmo perto do final da partida, há um penalty que o árbitro não viu ou não quis ver. Temos de analisar a expulsão do Hulk, mas houve inconsciência do árbitro.

 

Até agora, os estilos são idênticos. Quem aprecia o discurso está a gostar. O resto da malta espera pelos resultados nos jogos a sério.

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