Um Portista que boicota é um Portista idiota

Durante o dia de ontem recebi aqui na caixa de comentários um inusitado número de opiniões que urgem a um boicote ao jogo do FC Porto em casa frente ao Olhanense como forma de protesto contra a recente instabilidade na equipa. E a minha reacção primária é a mesma que sempre tive em relação a este tipo de gente que se diz portista e que só vive bem a dizer mal: quem não quiser ir ao jogo que fique em casa, vá até um jardim ler um livro, dê um salto ao cinema, faça o que mais bem entender. Não preciso de ter assobiadores compulsivos nas bancadas e não me importo nada que lá estejam só dez mil mas que esses, you few, you happy few, you band of brothers, estejam para apoiar a equipa de início a fim. E recuso-me a aceitar que um sócio ou simpatizante portista tome este tipo de atitudes quando a situação está difícil e complicada e o apoio da massa adepta é tão importante para que o nosso barco não se transforme num Bolama.

Por isso deixo a contra-proposta: tudo ao Dragão no sábado à noite. Vamos todos em massa ao estádio para apoiar a equipa em mais uma jornada que nos pode colocar na frente do campeonato ou na pior das melhores hipóteses colocar-nos em boas condições para continuar a discutir o título.

Ponham o cachecol ao pescoço, vistam a camisola, ergam a bandeira, vão nus, quero lá saber.

Mas apoiem o vosso clube, principalmente nas horas difíceis.

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Os estádios e os seus nomes

Stadium naming is an emotive issue – rebranding something which is synonomus with a club is a difficult task, one which clubs typically tread very carefully around, for fear that they will upset a vast swathe of their fans. Can you imagine the furore if players walked past a sign as they headed for the pitch against Liverpool which instead of saying “This is Anfield” said “This is the [Your name here] Arena”. There’s no history there. No soul. No inspiration for the home team or fear for the away team. It just doesn’t work.

Until today, the only stadia for which naming rights have so far been granted are those which have recently been built – such as the Emirates, the Etihad, the Reabok, all Premiership grounds, all relatively new replacements for antiquated parts of the clubs history reflecting the commercial reality of the new chapter in the club’s life.

(…)

For fans, it will always be St James’ Park, in much the same way as the majority still refer to the Leazes and Gallowgate Ends despite the fact that both were renamed years ago. It will be interesting to see how the mainstream media react – will they stick with St James’ Park (as they did when Jabba tried the whole SportsDirect.com @ St James’ Park rebrand a couple of years ago), or will they be compelled to start referring to the Sports Direct Arena in match reports etc. Hopefully, the groundswell of public opinion will be such that this latest attempt to sell off the soul of our club will die away.

Opinião do Black and White and Read All Over

 

Volto brevemente a falar do Newcastle. Apesar da excelente época que estão a fazer, os problemas entre os adeptos e a direcção do clube presidida por Mike Ashley, dono da cadeia de produtos de desporto SportsDirect.com e que comprou o Newcastle United Football Club por cerca de 134 milhões de libras, estão longe de acabar. Desta vez, Ashley decidiu mudar o nome do estádio, esperando arrecadar para lá de dez milhões de libras com a cedência dos direitos e com a exposição do nome do “novo” St.James’ Park, que já não o é. A partir de agora, o estádio chamar-se-á: “The Sports Direct Arena“. Conveniente, portanto, para lá de lucrativo, mas apenas para o homem, muito provavelmente não para o clube, já que a maior parte dos valores arrecadados até agora com transferências (como os quase 50 milhões de euros recebidos quando Andy Carroll foi vendido ao Liverpool) foram orientados para o saneamento financeiro de clube…e empresa.

Esta notícia pôs-me a pensar, porque já mudámos de estádio várias vezes e os nomes foram, consequentemente, sempre diferentes, desde o Lima à Constituição, Antas e agora Dragão. Mas nunca se verificou a situação de ficarmos no mesmo estádio e o nome ser colocado à venda ou cedido a uma qualquer empresa com o intuito puramente economicista de arrecadar tostão. Como é que acham que os portistas reagiriam a uma notícia destas? Alguém acha viável acontecer algo do género, passar a chamar ao nosso covil “Estádio Sapo.pt” ou “Estádio TMN”?

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O Meco e o Dragão

Admito que o título parece tirado de uma fábula ou de um porno manhoso mas é uma simples experiência de proto-sociologia caseira. Melhorou? Nem por isso, eu sei.

Passei recentemente três dias no festival Super Bock Super Rock, no Meco. Ao contrário do que possam pensar, não fui lá para ver mamas inglesas nem de qualquer outra nacionalidade (saliento, porém, que um belo par das mesmas é totalmente apátrida e desprovido de qualquer sentimento de nacionalismo), mas sim devido a algumas bandas que iam lá tocar e que enchem os meus dias com a sua música e despoletam em mim as sensações que devem, da nostalgia à excitação, de uma melancolia sofrida a uma boa disposição que espero contagie os que vivem e trabalham próximos de mim. É isso que a música deve fazer naqueles que a ouvem e comigo funciona lindamente, como um golo de cabeça do Falcao, um passe bem medido do Moutinho ou, sejamos honestos, um tropeção sem bola do Mariano (bem-hajas, rapaz, pelos momentos de humor tão puramente slapstick que me proporcionaste!).

Ora acontece que nestes três dias em que tive a oportunidade (não, o privilégio!) de ver os concertos que queria, houve algumas situações que presenciei e que me deixaram a pensar que no fundo é fácil fazer um paralelismo quase perfeito entre o que se passou neste festival (e que presumo se passe cada vez mais em muitos eventos do género por aí fora) e o que se passa no Dragão em muitos jogos, onde as pessoas se abstraem do espectáculo que estão a ver e começam a falar para o lado ou ao telemóvel, a passear entre os magotes de gente à sua volta a beber ou a comer e em conversas altas, a pensar no que vão fazer a seguir, a discutir outros assuntos e a ignorar por completo o que deviam estar ali a fazer. Nalguns momentos tive uma vontade fortíssima de me virar para alguns deles e dizer: “Ouçam lá, mas vocês estão todos doidos?! Perderam a noção da realidade e do mérito próprio?! Então chegam aqui vindos da Santa Marta do Pescoço Gordo, pagam para ver um espectáculo, vêm até os quintos da chafra da mãe da Carolina Salgado onde passam três dias abafados numa poeirada que mais parece uma trincheira em Verdun enquanto pagam dois euros por um fino ou uma imperial ou lá que nome dão à cerveja na vossa terra…e viram-se de costas para o palco a falar sobre hedge funds, telemóveis, novelas ou vernizes de unhas?! Não há respeito pela arte, por aqueles que se estão a exibir para vocês, já para não falar da malta que está aqui para ver e ouvir a música que está a ser tocada no palco? Se não querem estar aqui a ver o concerto façam um favor a mim e ao mundo civilizado e PONHAM-SE NO REAL CARALHO!!! E para ti, ó ‘panhol, puedes IR PARA EL PENE DEL NOVIO DE TU INFANTA!!!”.

Não o fiz, porque como já devem saber sou pouco confrontacional e ainda menos com gente que não conheço. Mas que me deu vontade, lá isso deu e não sei que tipo de força me fez controlar os meus instintos primários, mas contive-me. E isto que aconteceu no Meco é quase igual ao que vejo no Dragão semana sim, semana não. É possível que esteja a ficar exageradamente purista e por consequência arrogante, não sei se pela idade ou apenas por convicção, mas comecei a perceber por empirismo através do contacto com muita desta malta que as pessoas estão desligadas dos valores e se interessam cada vez menos por aquilo que deviam. Talvez soe demais a velho-do-restelice, mas é o que sinto e custa-me muito pensar que tanta gente revela tal enfado que não têm o respeito que deviam ter por alguém que está a mostrar o que sabe, sejam cantores ou jogadores da bola, até porque o mínimo que se exige é que as pessoas estejam a ver o concerto/jogo com o interesse que o espectáculo merece. Ouvi alguns a perguntar quem eram os que estavam no palco mesmo depois dos gajos se apresentarem e de haver cartazes em todo o lado a dizer quem eram…o que me fez lembrar de uma história deliciosa (porque agora as histórias deliciosas é que vendem capas, essas e as horríveis) de um fulano que estava nas Antas a olhar para o relvado a partir da fila 9 da bancada central, suficientemente perto para ouvir os pitões do Paulinho Santos a raspar nos gémeos de qualquer adversário, e perguntava para o lado: “Oh amigo, quem é o capitão do Porto?”, ao que respondi: “É o Jorge Costa, não o vê ali com o número dois?”, para receber a seguinte bojarda: “Não é nada, o Jorge Costa é um gajo pequenito, não pode ser aquele!”. Fofo, não é?

Por isso deixo aqui um apelo, que espero seja brindado com o apoio de muito do povo portista que se desloca ao Dragão, pelo o homem que vai sozinho e se senta na sua cadeira de vários anos juntamente com os colegas de estádio que só encontra a cada quinze dias…pelo casal que leva o filho adolescente para o captivar pela febre da bancada…pelo grupo de amigos que partilham um amor, uma devoção, uma chama que brilha com uma única cor que é o mítico azul-e-branco…a todos esses e a qualquer outro estereótipo que queiram aqui incluir, peço-vos: quando forem ao Dragão para ver um jogo, fiquem a ver o jogo. Não peço que fiquem com a atenção de um bébé a ver os Teletubbies a olhar para o relvado, mas tentem alhear-se do que se passa à volta e das inúmeras discussões fúteis que possam querer ter entre vocês. Porque enquanto ali estiverem, tudo o resto é fútil e o que interessa mesmo é ver a vossa equipa a jogar. Não querem ver e preferem estar no paleio? Vão embora para outro lado, há cafés que chegue neste país.

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Os escudos do Dragão

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Quem habitualmente se desloca ao Estádio do Dragão, ou mesmo ao Dragão Caixa, já terá reparado na versão portista do “passeio da fama” que está presente nas imediações do Estádio, mais concretamente à sua volta no patamar de  acesso às portas de entrada. Nem todas são tampas de saneamento, caros amigos!

Estas “estrelas” contam a história do nosso clube e incluem desenhos em baixo relevo de grandes figuras do clube (Pinto da Costa, João Pinto, Madjer, Jorge Costa, Vítor Baía, entre vários outros), as nossas grandes vitórias (Taça UEFA de 2003 – ver foto aqui ao lado, a Taça dos Campeões em 1987, a Intercontinental em 1987, para citar alguns), os eventos que fizeram mossa na história do FC Porto (imortalizados nas camisolas de Rui Filipe e Pavão ou na imagem de Teles Roxo) ou as datas marcantes, como o rebaixamento do Estádio das Antas ou o pentacampeonato.

Um destes dias, quando por lá passei, lembrei-me de ir lá tirar umas fotografias e reparei que ainda não figura a nova conquista da Europa League. Tenho a certeza que a SAD não se irá esquecer de perpetuar um marco tão importante na nossa história e que brevemente teremos mais uma “estrela” redonda perto do Dragão.

Passem por lá e vejam, leiam, fotografem, apreciem. É a nossa magnífica história e deve ser acarinhada, respeitada e honrada por todos os Portistas!

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