Duelos para a temporada – parte IV

Não tendo intenções de avaliar todas as lutas pela titularidade (escolher entre Hulk e Djalma é a mesma coisa que escolher entre Messi e um maço de tabaco. Djalma, rapaz, desculpa lá, pá, estou a ser duro demais contigo, é na brincadeira, moço!), termino a rubrica no meio-campo, o cerne do jogo da nossa equipa, optando pela comparação entre Ruben Micael, Guarín e Belluschi. Ou seja, é um trielo, não um duelo. Sei lá se a palavra existe, isto é um blog de bola, amigos! Vamos lá:

Fernando Belluschi
Fredy Guarín
Ruben Micael
Posso chutar, mister?
(características ofensivas)
Criativo, inovador, de finta curta e cabeça levantada, falha muitos passes mas tenta sempre a ruptura e parece acreditar em demasia que a bola vai chegar onde a pensou colocar. Em dia bom, é genial. Em dia mau, é uma frustração. A potência de remate é o equivalente a um canhão de água a dispersar manifestantes, mas não só. Arrasta jogo para a frente com força, garra e surpreendente inteligência. Ainda um pouco trapalhão, tem melhorar o passe curto mas está muito melhor nos passes longos. É um jogador posicional, de cabeça levantada e passe simples. Criativo mas organizativo, devia rematar mais quando está próximo da baliza. Continua a perder muitos confrontos físicos porque desiste depressa demais.
Defende em condições?
(características defensivas)
Evoluiu bastante, porque parecia abstraído das tarefas defensivas quando chegou mas parece ter percebido que não se safava se não corresse mais e aprendeu a “encarraçar” o alvo e é hoje um jogador válido num meio-campo que precise de defender. Usa bem o corpanzil e recupera muitas bolas no início da movimentação ofensiva do adversário. Consegue tapar bem o meio-campo mas precisa de se colocar melhor para evitar andar a correr de lado para lado sem resultados práticos. Não será um monumento de força, mas não se pedia tanto. Nem precisava de ser um Vidigal a ganhar ressaltos, bastava-me que pusesse mais o pé quando luta por uma bola. Tacticamente é mais certinho, com algumas falhas posicionais. Joga melhor com um jogador superior ao lado, que coordene a pressão defensiva.
O guarda-redes abdica da barreira…
(lances de bola parada)
Só assusta perto da linha da grande-área. Muito perto. Quase em cima da linha. Já marcou alguns golos mas não parece conseguir consistência no remate. Livres directos? Si señor! É cada míssil que sai dos pés deste fulano que admira-me não ser sempre ele a marcá-los todos. Só tem um problema: raramente vão à baliza. Ouvi dizer que marcou um ou dois golos quando jogava pelo Nacional…mas até agora, das duas uma: ou foram todos carregados de chouriço, ou ainda não conseguiu convencer o Hulk ou o Guarín a deixarem-no chutar a pelota. De qualquer maneira, como não será o melhor cabeceador do mundo, a produção é nula.
Oh amigo, até jogo à baliza!
(versatilidade)
Adapta-se a jogar mais inclinado para a direita como falso médio-ala-direito, mas quando está solto é mais produtivo. Especialmente quando tem um jogador ao lado que percebe a sua movimentação em campo, como Moutinho. Pode jogar a 6 mas deixa de dar à equipa a força e a velocidade em progressão que consegue quando é colocado como médio de cobertura ao médio mais criativo. Pouca. Médio criativo, desde que tenha outro colega na cobertura. Alternativa? Banco, para fazer descansar o titular.
Parto-te todo, ouviste?!
(sistema nervoso)
Não é dos elementos mais estáveis do plantel. Reclama muito faltas que nem sempre o são e ferve em pouca água. É argentino, mas isso não desculpa tudo. Raramente reclama com árbitros mas parece que de vez em quando tem qualquer corrente eléctrica que lhe passa pela cabecinha e desata a perder bolas atrás de bolas sem necessidade. Tem de manter um nível mais consistente de início a fim dos jogos. Outro dia em conversa com um amigo, chamou-lhe “queixinhas”. Sinto-me tentado a concordar. À vasta maioria das bolas que perde segue-se aquela expressão d’O Grito de Munch, com as mãos na face e o apelo ao árbitro como se lhe tivessem raptado um filho. Tem de parar de chorar cada lance e pensar mais depressa no próximo.
So ready for my fucking close-up
(imagem)
Tem aquele ar de puto que na escola agarrava os cabelos das miúdas e lhes roubava os travessões. Já usou o cabelo em quarenta estilos diferentes. Curto, com rabo-de-cavalo, com penacho no topo ou “Rasta Redneck”. ‘Nuff said. Humilde, trabalhador, nunca se deixou ir abaixo e sempre procurou fazer o melhor para a equipa. Tuíta, por isso é sempre passível de lhe ser apanhada qualquer frase em falso como no ano passado em que desabafou para a web e ia-se tramando. Parece ter aprendido e agora os tuítes são pouco mais que entradas no diário de um escoteiro. Simples, humilde, é daqueles rapazes que não deixa que a fama lhe suba à cabeça e continua fiel às raízes. Mas durante muito tempo teve medo de meter o pé à bola, que é o que interessa à malta, e dá-lhe uma imagem de cagarolas. Está a tentar mudar.
Como é a música que cantamos a este gajo?
(relação com os adeptos)
O pessoal tende a enervar-se quando falha passes, o que acontece ao ritmo dos cruzamentos do Folha para a bancada. Os sócios gostam dele mas há sempre quem censure a inconstância das suas exibições. Não acredito que esta postura mude. Uma das maiores transformações que me lembro de ver na minha vida como portista. Começou como um louco trapalhão, continuou a ser um louco menos trapalhão que rematava com força e no ano passado explodiu num jogador quase completo para a sua posição. Não há nada mais a dizer, é um dos nossos. A carreira até agora tem-se assemelhado a uma curva de Gauss invertida. Começou bem, como um mirolho numa terra de ceguinhos, e apareceu do nada para pegar no leme da equipa numa altura complicada, conquistando o pessoal nas bancadas. Lesionou-se e voltou com medo de jogar à bola, sem ritmo nem fibra. Perdeu o capital de simpatia que tinha mas parece estar a recuperá-lo com boas exibições e acima de tudo empenho. Como disse atrás, parece que já não tem medo de meter o pé nas bolas divididas. Just sayin’.

Não incluí Defour ao barulho porque…não sei o que vale.

Link:

Duelos para a temporada – parte III

Avançamos para o terceiro duelo, este na frente de ataque. Ou melhor, do lado esquerdo da frente de ataque:

 

Silvestre Varela
James Rodriguez
Posso chutar, mister?
(características ofensivas)
É daqueles que a malta gosta, porque vai para cima do lateral e tenta sempre passar por ele, mas quando não consegue tem a inteligência de rodar para trás. Faz a linha toda, cruza razoavelmente bem e tem boa noção táctica para o contra-ataque. Comporta-se mais como um avançado móvel do que como um extremo e rende mais no meio que na ala. Não é rápido mas compensa com visão de jogo e técnica individual muito acima da média.
Defende em condições?
(características defensivas)
Muito útil na cobertura defensiva ao lateral, acaba os jogos esgotado pelas correrias que faz pela linha. Fraco no contacto físico com os adversários. Tem de melhorar muito. Parece distraído quando a bola passa por ele e cai muitas vezes num “meiínho” entre dois jogadores adversários, sem saber o que fazer. Pouco poder de choque.
O guarda-redes abdica da barreira…
(lances de bola parada)
Nem bom, nem mau, muito pelo contrário. É melhor a sacar as faltas que a produzir alguma coisa depois de as ganhar. Marca bem penalties e pode ser uma boa aposta para livres directos perto da entrada da área.
Oh amigo, até jogo à baliza!
(versatilidade)
É gajo para estar numa ala, seja a esquerda ou a direita. Não rende quando é colocado no centro do ataque. No centro, por trás do ponta-de-lança, é onde produz mais, porque não tem necessidade de se prender a tácticas. Pode jogar nas alas mas descai para o meio sempre que pode.
Parto-te todo, ouviste?!
(sistema nervoso)
Trabalhador, simpático, sorridente, um amor de pessoa dentro de campo. Ainda é um miúdo e nota-se que em alguns lances mais divididos acaba por ceder à pressão e põe-se na conversa com os árbitros.
So ready for my fucking close-up
(imagem)
Formado no Sporting, aproveitado pelo FC Porto. Uma história de sucesso: Casa Pia > Sporting > Huelva > Amadora > Porto. Sempre a subir, portanto. E continua humilde. Está presente em todas as listas de “50 jogadores com potencial” que já saíram desde 2009. Pretendido por tudo que é clube italiano de topo. Dá para vender um ou dois desodorizantes, pronto.
Como é a música que cantamos a este gajo?
(relação com os adeptos)
Começou em alta mas está a começar a perder o lugar. Não é que o pessoal tenha deixado de gostar dele, mas a luz que surgiu bem forte no início está a ser ofuscada pelo brilho de outros mais jovens e com mais pernas. Reputação em alta com os adeptos depois de sozinho ter chegado para ganhar ao Vitória de Guimarães na final da Taça. O Mundial sub-20 está a cotá-lo como um elemento importante no FC Porto, resta saber se aguenta a pressão.
Link:

Duelos para a temporada – parte II

O segundo confronto coloca um central internacional argentino contra um futuro (ah-tá-bem-sei-lá-desde-que-o-João-Pereira-é-capitão-do-Sporting-acredito-em-tudo) internacional brasileiro:

 

Otamendi
Maicon
Posso chutar, mister?
(características ofensivas)
Bom toque de bola, subidas controladas pela relva. Joga simples e prático. Excelente no jogo de cabeça ofensivo, pior nos absurdos passes a 40 metros para a bancada.
Defende em condições?
(características defensivas)
Ainda não dá a segurança defensiva que todos esperávamos. É rijo e luta com garra e empenho e é fiável…ma non troppo. Bom na cobertura na subida dos lateral esquerdo. Recordista mundial de entradas rasteiras de carrinho só a tocar na bola. Tendência para facilitar em demasia parece estar a melhorar. Bom sentido de antecipação pelo chão e pelo ar mas insiste em deixar a bola bater na relva antes de a cabecear e perde muitos lances dessa forma.
O guarda-redes abdica da barreira…
(lances de bola parada)
Muito móvel nos cantos e livres, surge normalmente no meio da confusão da pequena área. Joga bem de cabeça e aparece sempre na área, especialmente ao primeiro poste.
Oh amigo, até jogo à baliza!
(versatilidade)
Mais à vontade no centro, pode ser adaptado à direita mas com uma óbvia baixa de rendimento (não é, Dieguito?) Não. Jogas no meio. Ponto final.
Parto-te todo, ouviste?!
(sistema nervoso)
Pouco falador com os árbitros mas muito interventivo com os colegas da defesa. Calmo demais…até que faz borrada, depois é vê-lo a mandar bolas para a bancada sem necessidade
So ready for my fucking close-up
(imagem)
Mais sóbrio não podia haver. Low profile, sem tiques de vedetismo, poderia ser candidato a futuro capitão se agarrasse o lugar e ficasse uns largos anos. Um dos bolas-de-bilhar do plantel, aqui há uns tempos parecia ter apontado para uma crista loura (mas todos os brasileiros agora querem ser o Neymar?!) mas até ver…o melão continua rapado.
Como é a música que cantamos a este gajo?
(relação com os adeptos)
Ainda causa alguma desconfiança, mas é considerado como “este-devia-jogar-sempre”. Está em cima de uma fina camada de gelo num lago em dia de sol primaveril. Mais um ou dois falhanços e perde-se de vez.
Link:

Duelos para a temporada – parte I

A História está repleta de duelos. Muhammad Ali contra George Foreman, Aaron Burr contra Alexander Hamilton, Júlio César contra Pompeu, Napoleão contra Wellington, Montgomery contra Rommel, Ripley contra o bicho que baba ácido, Kramer contra Kramer, Paulinho Santos contra João Pinto ou Mariano González contra a Jabulani, todos estes são exemplos de inimigos figadais, de rancores e lutas constantes até que um fique prostrado em metafórica posição fetal, ou no caso do Mariano, que habitualmente resultava num lançamento lateral para o adversário. No plantel do FC Porto deste ano temos direito a assistir a alguns destes duelos, ainda que com contornos consideravelmente diferentes dos supra-citados, porque só num caso ou noutro veremos derramar de sangue, lutas de espadas ou disparos com boa pontaria. Espero.

Por isso vou aqui deixando alguns dos duelos que vão ser travados pela titularidade no FC Porto. Digam de vossa vontade, fazem favor.

 

Jorge Fucile
Cristian Sapunaru
Posso chutar, mister?
(características ofensivas)
Gosta mais de atacar que o exército americano, rompe pelo flanco como uma coisa que rompe muito bem pelo flanco. Mais retraído, mas ultimamente aparece na área para finalizar.
Defende em condições?
(características defensivas)
Bom no 1×1 em condições naturais, cai pouco nas fintas e mantém a postura, mas tende a esquecer-se que a zona que lhe está atribuída é um pouco atrás do meio-campo. Não sendo uma barreira intransponível, é um defesa sóbrio e racional. Continua a dar muito espaço quando tem um extremo rápido e permite cruzamentos mais vezes do que devia.
O guarda-redes abdica da barreira…
(lances de bola parada)
Costuma ser o elemento mais recuado, é aquele bombeiral que fica atrás a guardar a cisterna. Joga bem de cabeça e aparece sempre na área.
Oh amigo, até jogo à baliza!
(versatilidade)
Pode jogar na direita ou na esquerda Consegue jogar à direita e ao centro da defesa
Parto-te todo, ouviste?!
(sistema nervoso)
Agressivo, reclama muito com os árbitros.
Enerva-se facilmente.
Pensa que tem a técnica do Dani Alves mas está mais próximo de um Ibarra.
Agressivo, reclama muito com os adversários.
Propenso a faltas para amarelo quando se posiciona mal no 1×1.
So ready for my fucking close-up
(imagem)
Parafina. Pinta o cabelo, sinal de segurança clara na sua masculinidade. Tem ar de gozo sempre que fala com a imprensa Alcoólico. Continuo a achar estranho ainda não ter visto uma garrafa de “Absolut Sapunaru” num supermercado. Ah, e apanhou uns meses de suspensão por andar à pancada num túnel.
Como é a música que cantamos a este gajo?
(relação com os adeptos)
Ambígua. Uns adoram-no, outros não o podem ver. Começou indiferente, actualmente é um “menino querido” das claques.
Link: